Wednesday, October 09, 2019

Uma poesia de Boris Vian



Le seuil de l'immortalité...

Boris Vian

Le seuil de l'immortalité
Est assez haut, en pierre, avec des plantes
On ne s'apercevait pas du tout qu'on le passait
Mais de l'autre côté
Des tripotées
D'oiseaux sans ailes ni sans eaux
Poussaient des cris d'échiran...


O LIMIAR DA IMORTALIDADE

O limiar da imortalidade
É bastante alto, de pedra, com plantas
Nós não percebemos que estamos passando
Mas, do outro lado
Um monte de passáros
sem asas ou sem água
Lançam seus gritos altos...


Outra poesia de Jorge Ricardo Isaacs Ferrer




LAS HADAS

Jorge Ricardo Isaacs Ferrer

Soñé vagar por bosques de palmeras
Cuyos blondos plumajes, al hundir
Su disco el Sol en las lejanas sierras,
Cruzaban resplandores de rubí.

Del terso lago se tiñó de rosa
La superficie límpida y azul,
Y a sus orillas garzas y palomas
Posábanse en los sauces y bambús.

Muda la tarde ante la noche muda
Las gasas de su manto recogió;
Del indo mar dormido en las espumas
La luna hallóla y a sus pies el sol.

Ven conmigo a vagar bajo las selvas
Donde las Hadas templan mi laúd;
Ellas me han dicho que conmigo sueñas,
Que me harán inmortal si me amas tú.
  
AS FADAS

Sonhei em vagar por jardins de palmeiras
Cujos ramos embaraçados, quando afundam
Seu disco o Sol nas montanhas distantes,
Cruzaram resplendores de rubi.

Do lago liso se tingindo de rosa
A superfície límpida e azul,
E nas suas margens garças e pombas
Empoleirando-se em salgueiros e bambus.

Muda a noite ante à noite muda
As gazes de seu manto recolheu;
Do mar indo dormir nas espumas
A lua a encontrou e, a seus pés, o sol.

Venha comigo para passear sob as selvas
Onde as fadas tremulam meu alaúde;
Elas me disseram que comigo sonhas
Que me farão imortal se me amas tu.



Tuesday, October 08, 2019

Uma poesia de Miguel Antonio Caro



ELLA

Miguel Antonio Caro

La expresión dulce que su rostro baña,
De sus ojos la plácida centella,
Revela el amor de un alma bella,
Que el corazón subyuga y no le engaña.

Del Cielo, descendiendo a mi cabaña
Con vaguedad de nube y luz de estrella,
Ella, mis hondas soledades, ella
Mis mudos pensamientos acompaña.

Como extendiendo el ala voladora,
La esperanza, en el ánimo cautiva,
Huir parece, aunque el huir demora.

Amante cual mujer, cual diosa esquiva:
—Así diviso a la que el pecho adora—;
—Así, inmóvil a un tiempo, y fugitiva—.

ELA

A doce expressão que seu rosto banha
De seus olhos a plácida centelha,
Revela o amor de uma alma bela
Que o coração subjuga e não o engana.

Do céu, descendo à minha cabana
Como vagarosa nuvem e luz de estrela,
Ela, minha profunda solidão, ela
Meus pensamentos mudos acompanha.

Como estendendo a asa voadora,
Esperança, do ânimo cativa,
Fugir parece, ainda que o fugir demora.

Amante qual mulher, qual deusa esquiva:
- Assim diviso a que o peito adora -;
"Assim, imóvel por um tempo e fugitiva".


Outra poesia de Pierre Louys



LE DESIR 

Pierre Louys

Elle entra, et passionnement, les yeux fermes a demi, elle unit ses levres aux miennes et nos langues se connurent... Jamais il n'y eut dans ma vie un baiser comme celui-la.

Elle etait debout contre moi, toute en amour et consentante. Un de mes genoux, peu a peu, montait entre ses cuisses chaudes qui cedaient comme pour un amant.

Ma main rampante sur sa tunique cherchait a deviner le corps derobe, qui tour a tour onduleux se pliait, ou cambre se raidissait avec des fremissements de la peau.

De ses yeux en delire elle designait le lit; mais nous n'avions pas le droit d'aimer avant la ceremonie des noces, et nous nous separames brusquement

O DESEJO 

Ela entrou e apaixonadamente, com os olhos semicerrados, uniu os lábios aos meus e nossas línguas se conheceram ... Nunca houve na minha vida um beijo como aquele.

Ela estava de pé contra mim, toda apaixonada e complacente. Um dos meus joelhos, pouco a pouco, subiu entre suas coxas quentes, que cederam como para um amante.

Minha mão deslizando em sua túnica estava tentando adivinhar o corpo, que, por sua vez, ondulava se dobrava, ou o arco retesado com o frêmito da pele.

De seus olhos delirantes, ela projetava a cama; mais não tínhamos o direito de amar antes da cerimônia de casamento e nos separamos bruscamente

Outra poesia de Jean-Michel Maulpoix



LA COULEUR DU POÈME

Jean-Michel Maulpoix

« La couleur du poème dépend de la quantité de lumière
Qui se réverbère en son encre.
Elle change au gré de l’heure, de l’âge et de la langue.

Incolore au commencement,
quand il n’est encore qu’une aspiration vague.
D’un blanc de page vide,
il tend vers le gris en rêvant son encre prochaine.
Aube indécise sur le papier.
Tels brouillards ou fumées qui montent.
C’est pourtant vers le bleu qu’il s’enlève le plus souvent,
Accroissant son ciel et son eau,
entrouvrant sur la page une vague idée d’azur.

Noir, si rien ne le tire hors de soi,
prisonnier qu’il demeure des signes.
Rouge, quand il accélère, s’enfièvre, circule et bat.
Or d’étincelle ici et là en son ballet de feuilles mortes.
Vert en mai devant l’arbre, blanc de décembre sous la neige,
Mais d’une couleur indistincte quand s’y penche un visage aimé. »

A COR DO POEMA

A cor do poema depende da quantidade de luz
que se reflete em sua tinta.
Ela muda na medida da hora, da idade e da língua.
Incolor no começo
quando não é mais que uma aspiração vaga.
De um branco de página vazia,
tendendo para o cinza sonhando com sua próxima tinta.
Amanhecer indeciso sobre o papel.
Como se nevoeiros ou fumaças que sobem.
É talvez para o azul que se eleva com mais frequência,
Aumentando o céu e a água,
entreabrindo sobre a página uma vaga idéia de azul.

Preto, se nada o retira de si mesmo,
prisioneiro que  permanece dos sinais.
Vermelho, quando acelera, dispara, circula e bate.
Ou cintilante aqui e ali em seu balé de folhas mortas.
Verde em maio diante da árvore, branco em dezembro sob a neve,
Mas, uma cor indistinta se inclina a um rosto amado.

Monday, October 07, 2019

Uma poesia de Pierre Louys



BILITIS

Pierre Louys

Une femme s'enveloppe de laine blanche. Une autre se vêt de soie et d'or. Une autre se couvre de fleurs, de feuilles vertes et de raisins.
Moi, je ne saurais vivre que nue. Mon amant, prends-moi comme je suis: sans robe ni bijoux ni sandales, voici Bilitis toute seule.
Mes cheveux sont noirs de leur noir et mes lèvres rouges de leur rouge. Mes boucles flottent autour de moi libres et rondes comme des plumes.
Prends-moi telle que ma mère m'a faite dans une nuit d'amour lointaine, et si je te plais ainsi, n'oublie pas de me le dire.

BILITIS

Uma mulher envolve-se de lã branca. Outra veste-se com seda e ouro. Uma outra é coberta com flores, folhas verdes e uvas.
Eu não posso viver tão nua. Meu amante, me aceita como sou: sem roupa, jóias ou sandálias, aqui está Bilitis  tão sozinha.
Meu cabelo é negro bem negro e meus lábios são vermelhos bem vermelhos. Meus cachos flutuam em volta de mim livres e redondos como penas.
Leve-me como minha mãe me fez numa noite distante de amor e, se me quiser, não esqueça de me dizer.


Friday, October 04, 2019

Outra poesia de Jonathan Bohrn


OHIO                                                           

Jonathan Bohrn

I have questioned
the loyalty
of rivers in winter,
their yearnings for oceans obstructed,
indecisive meandering
clogged by ice floes
and winter drought.

No Amazon or Nile
would endure this thickening
of their blood, lethargic existence
of shivering in the season,
or the final degradation
of coal barges, indifferently
scraping congealing skin.

OHIO

Eu questionei
a fidelidade
dos rios no inverno,
seus anseios por oceanos obstruídos,
meandros indecisos
entupido por blocos de gelo
e invernos secos.

Nenhum Amazonas ou Nilo
poderia suportar este engrossamento
do seu sangue, letárgica existência
de tremer na estação,
ou na degradação final
das barcaças de carvão, indiferentemente,
raspando a pele congelada.


Uma poesia de Yemira Maguiña



NEGACIÓN

 Yemira Maguiña

La indiferencia del tiempo en mis manos me ha cegado
el puño brutal de los días como laboratorista aniquilaron algunos de mis momentos de lucidez
quizá la vida se me muere cada vez que digo que no
y sin embargo me niego al grupo
al yo
al festín de medio año
a los prados
me niego a la compasión del otro
me niego a la madre abnegada
a las noches de cine y popcorn
una y otra vez , me niego.

NEGAÇÃO

A indiferença do tempo em minhas mãos me cegou
o punho brutal dos dias, como um laboratorista, aniquilou alguns dos meus momentos de lucidez
quem sabe a vida morra para mim toda vez que digo não
e sem embargo me nego ao grupo
a mim
à festa de meio ano
aos prados
me nego à compaixão do outro
me nego à mãe abnegada
às noites de cinema e pipoca
uma e outra vez, me nego.

Ilustração: A mente é maravilhosa. 

Outra poesia de Norah Zapata


GRACIAS                       
 Norah Zapata-Prill

Gracias
Por la nieve pura de tus manos
Que emblanquece
Mi cuerpo

Gracias
Por inflamar mis labios
Y ponerte
Tan cerca de mi sed

Gracias por esta vida
Que me posee
Como una lámpara a la sombra.

GRAÇAS

Graças
pela neve pura de tuas mãos
que embranquece
meu corpo

Graças
por inflamar meus lábios
e se por
tão perto de minha sede

Graças por esta vida
que me possui
como uma lâmpada à sombra.

Thursday, October 03, 2019

Uma poesia de Carlos Villalobos


DIOSA DE LOS VIERNES

 Carlos Villalobos

Pinta ya tus labios con el magma de los tigres
y ven conmigo a los altares de la cama.

Pinta ya tus uñas con la sangre de la noche
y ven a emborrachar de Venus este mito.

Ensilla los gatos de correr a la batalla,
carga las ballestas ya de pájaros en celo,
y deja que ancle un barco de guerra en tu cintura.

Vamos, Freya, suelta ya los linces boreales de tu pelo.
Vístete de llama y baila a quemarropa este deleite.

Vamos, que ya es viernes en todos
los rincones de la Tierra.


DEUSA DA SEXTA-FEIRA

Pinta já teus lábios com o magma dos tigres
e vem comigo aos altares da cama.

Pinta tuas unhas com o sangue da noite
e vem aw embebedar de Vênus este mito.

Sela os gatos para correr para a batalha,
carregar as bestas já dos pássaros no calor,
e deixa ancorar um navio de guerra na tua cintura.

Vamos, Freya, solta o lince boreal do teu cabelo.
Viste-te de  chamas e dance à queima-roupa esta delícia.

Vamos lá, é sexta-feira em todos
os cantos da terra.

Ilustração: https://www.iquilibrio.com/blog/oraculos/runas/deusa-freya/. 

Uma poesia de Jonathan Bohrn


DA GAMA RETURNS                                         
Jonathan Bohrn

I have taken refuge
in travelogues,
bare silk-screen images of
evening cityscapes
giving in to a garish-clad sky;
a tourist romance,
postcard edges feathered
by the contents
of the bottle I lay with
with increasing faithfulness.

Cigar smoke spills
from the balcony, its flight
that of a skulking dog,
guilty tail between its legs.
Vasco Da Gama's return
if he'd had one
could have been like this -
The sway of mocking palm trees,
to purposeless ocean scenery
and in the now unseen harbor -
ships not his.

DA GAMA RETORNA

Eu havia me refugiado
no diário de viagem,
nas imagens nuas de serigrafia das
paisagens noturnas da cidade
que ostentavam um céu colorido de nuvens;
um romance turístico,
nos cantos de cartão postal revestidos
pelo conteúdo
da garrafa eu deitei com
com crescente fidelidade.

Expelindo fumaça de charuto
da varanda, seu vôo
como de um cão que se esconde
com a cauda culpada entre as pernas.
Vasco Da Gama retornando
se ele tivesse um
poderia ter sido assim -
A influência de zombar das palmeiras,
a paisagem oceânica sem propósito
e no porto, agora invisível -
navios, não o dele.

Ilustração: Flickr.

Tuesday, October 01, 2019

Uma poesia de Norah Zapata



LAS MANCHAS

Norah Zapata-Prill
                             
                                                     (A mi hija)

Las manchas que yo llevo
Que tú ves
No están sucias
Son la sombra
Nada más que la sombra
de
nubes pasajeras.

AS MANCHAS

                                               (Para minha filha)


As manchas que eu levo
Que tu vês
Não estão sujas

São a sombra
Nada mais que a sombra
de
nuvens passageiras.