COMO DEVE SER
Silvio Persivo
No mel doce de teus olhos
Sinto o mundo se adoçar
E ouço antigas cantigas,
Murmúrios do mar.
Nos abraços suaves de
teus braços
Navegarei em carícias,
doce água,
Onde nas vagas ouvirei a
canção
Do silêncio.
E atracarei, como barco,
no teu seio
Na mansidão das ondas amansadas
Salvo do naufrágio,
feliz, forte
De ter superado a morte.
E gozarei das delicias
dos humanos
E dos deuses como se o
tempo
Não houvesse e como quem
tudo merece
Fazendo de nosso amor
prece.
Ilustração: Metrópoles.
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