Monday, July 13, 2026

Uma poesia de Jordi Doce

 


PARA VIVIR

Jordi Doce

La mano escribe para no morir.
O cuenta el mundo en sílabas contadas
para decir: aquí termina el mundo,
fuera impera la noche
y el frío de la noche,
el lento gotear de las estrellas
y su terco silencio impenetrable.

La mano escribe para no morir.
Semeja su hermana, la lengua,
envuelta en un temblor que no comprende,
ajena a la raíz que la redime.

La mano escribe para no morir.
O dice el mundo en sílabas contadas
para decir: aquí termina el mundo,
fuera impera la noche
y el frío de la noche,
quietud de lo que nunca vive o muere
pues nunca tuvo nombre.

PARA VIVER

A mão escreve para não morrer.

Ou conta o mundo em sílabas contadas

Para dizer: aqui termina o mundo,

fora impera a noite

e o frio da noite,

o lento gotejar das estrelas

e seu teimoso silêncio impenetrável.

 

A mão escreve para não morrer.

Assemelha-se a sua irmã, a língua,

envolta em um temor que não compreende,

alheia a raiz que a redime.

 

A mão escreve para não morrer.

Ou diz o mundo em sílabas contadas

para dizer: aqui termina o mundo,

fora impera a noite

e o frio da noite,

quietude do que nunca vive ou morre

pois nunca teve nome.

Ilustração: Nexo Jornal.

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