Monday, March 13, 2017

Uma poesia de Julio Miranda

COMO LA VIDA         Julio Miranda

como la vida
como la muerte
como el relincho de un pájaro
como el llanto de un caballo
como cien niños volando
como un niño volando
como un niño que tropieza y cae
como el llanto  de un niño que tropieza y cae
como el mar
como el mar con caballos que corren
como un pájaro en la noche, cantando sin ser visto
como el relincho de un corazón
como dos cuerpos volando
como el mar en la noche, cantando sin ser visto
como tú
como tú
como tú
y como yo

COMO LA VIDA

Como a vida
Como a morte
Como o relincho de um pássaro
Como o pranto de um cavalo
Como cem meninos voando
Como um menino que tropeça e cai
Como o pranto de um menino  que tropeça
e cai
Como o mar
Como o mar com cavalos que correm
Como um pássaro na noite, cantando sem ser visto
Como o relincho de um coração
Como dois corpos voando
Como o mar na noite, cantando sem ser visto 
Como tu
Como tu
Como tu

E como eu

Ilustração: Bioblog Novozymes

Friday, March 10, 2017

Outra poesia de Edwin Madrid



MUCHACHO DE CORAZON AMARILLO  

Edwin Madrid

me imaginas durmiendo entre tus cartas
recordando la lujuriosa ruta
de nuestros orgasmos
desnudo y prendido de tu cuello
haciéndote revelaciones
para que me digas que crees en la felicidad
si estoy atado a tu cuerpo
nutriéndome de tus pechos           
como rómulo y remo
muchas gracias de veras
pero ya no soy el muchacho de corazón amarillo
que miraba confundido la sombra
de tus nalgas en las fiestas
esa frágil marioneta
que se movía a media noche por la cocina
llevándote café en la tetera blanca
ni siquiera soy el vagabundo
que te escribió poemas
en la puertas de los baños públicos
nunca más seré
una papa frita en la sartén de mi suegra
aunque para ella no deje de ser el ebrio
atropellado por la húmeda luz de un camión
ahora estoy sufriendo
la magnificencia de la gracia del señor
vivo en esa región invisible de la muerte
donde la lluvia se quiebra en los siete colores del sol
y las mujeres se tienden en las riberas
como si nunca hubieran pertenecido
a estas cuevas o avenidas.

MENINO DE CORAÇÃO AMARELO

me imaginas dormindo entre teus mapas
recordando a luxuriosa rota
de nossos orgasmos
nu e preso ao teu pescoço
fazendo-te revelações
para que me digas se acreditas na felicidade
se estou amarrado a teu corpo
nutrindo-me de teus seios
como Rômulo e Remo
muito obrigado deveras,
porém, já não sou o menino de coração amarelo
que olhava confundido a sombra
de tuas nádegas nas festas
o frágil boneco
que se movia à meia-noite na cozinha
levando-te café no bule branco
nem sequer sou o vagabundo
que te escreveu poemas
nas portas dos banheiros públicos
nunca mais serei
uma batata frita na panela de minha sogra
ainda que para ela não deixe de ser  um ébrio
atropelado pela luz molhada de um caminhão
agora estou sofrendo
a magnificência da graça do Senhor
vivo nesta região invisível da morte
onde a chuva se  quebra nas sete cores do sol
e as mulheres se estendem nas margens
como se nunca tivessem pertencido

a estas cavernas ou avenidas.

POEMA BRANCO


Não há muitos planos a serem feitos mais.
Nem mesmo a espera de algo especial.
Nem mesmo razões para crer num amanhã
Que só pode me legar o esquecimento.

Você, que nada exigia, senão o amor
Me dava sonhos
Sem precisar do sono.
E, agora, até meus sonhos
São brancos, planos longos, espaços
Que jamais serão preenchidos....

É assim que lembro,
Com admiração, dos dias de amor
Da falta da necessidade de explicações,
Do quanto os dias eram doces e intensos
De prazer e gozo.
Nada do que fiz ontem, hoje, amanhã e depois
Pode ser mais igual.
Pode trazer de volta o perdão
Para o crime do tempo perdido.

Só me resta fazer um poema
Um triste poema, branco como os versos,
de um suicídio reconhecido.
A confissão plena
De que sempre foste mais sábia do que minha instrução
Jamais poderia entender.

E, agora, que entendo
Tão pouca importa
Se a vida passou e vivi sem viver.

E o vazio dos dias que virão me contempla
Enquanto o silêncio em volta
Parece
amplificar tua voz
Que ressoa do passado
Voltando a me dizer:
“-Meu lindo, que importa isto se nós vamos morrer?”

(De "Águas Passadas", Editora Per Se, 2013). 
Ilustração: Reinventando a Poesia. 



DESFAZENDO

Que tudo acontece por alguma razão Acreditei sem razão nenhuma-
Isto me pareceu lógico.

No entanto também é tão racional
Que o acaso me pareceu irreal
E toda mágica inexistente
Poristo, mesmo tão inconsistente.

Nada pode ser tão pré-determinado
Me lembra Heisenberg
E, como tudo é relativo,
O destino é uma variável
Cheia de incógnitas.

Não há razão para coisa alguma.

De "Águas Passadas", Editora Per Se, 2013. 
Ilustração: profeciasoapiceem2036.blogspot.com

Thursday, March 09, 2017

Uma poesia de Edwin Madrid


90-60-90

Edwin Madrid

Érase una vez en que
la tierra fue una media naranja
sostenida por cuatro elefantes
parados sobre una gigantesca tortuga
nadando en un mar de leche
luego
atribuyéndole la forma esférica
se creyó haber descubierto la verdad
mas hasta ahora
las pruebas confirman
que la tierra es una hermosa mujer
de la vía láctea
detenida un instante
en el sistema solar
para disfrutar de los baños de luna
los viajes de circunnavegación
como el empezado por Magallanes
y concluido por Sebastián De Elcano
ratifican que después de navegar
por la cintura femenina más exótica
inevitablemente se vuelve al mismo ombligo
claro, existen casos
como el de Colón que cautivado
por el movimiento de las aguas
se desvió por una pierna
y tuvo que descubrir América                         
los geógrafos aseguran
que se trata de una mujer 10
por la forma siempre circular del horizonte
y la sombra que sus senos proyectan en el satélite
de otra manera agregan
no podríamos explicar por qué el pobre de Neil Amstrong
al pisar por primera vez la superficie lunar dijo:
tengo los pies en la luna
pero mis ojos están sobre la tierra.

90-60-90

Era uma vez em que
a terra foi metade de uma laranja
sustentada por quatro elefantes
parados sobre uma tartaruga gigante
nadando num mar de leite
logo
atribuindo-lhe uma forma esférica
acreditou que tinha descoberto a verdade
mas, até agora
as provas confirmam
que a Terra é uma formosa mulher
da Via Láctea
detida por um instante
no sistema solar
para desfrutar os banhos de lua
as viagens de circunavegação
como iniciada por Magalhães
e concluida por Sebastião Elcano
ratificando que, depois de navegar
pela cintura feminina mais exótica
inevitavelmente se volta ao mesmo umbigo
claro, que existem casos,
como Colombo, que cativado
pelo movimento da águas
se desviou por uma perna
e teve que descobrir a América
os geógrafos asseguram
que se trata de uma das mulher 10
pela forma sempre circular do horizonte
e a sombra que seus seios projetam no satélite
de uma outra maneira agregam
Não poderiamos explicar por que o pobre do Neil Amstrong
ao pisar pela primeira vez na superfície lunar dizer:
tenho meus pés na lua,
mas, os meus olhos estão sobre a terra.

Ilustração: Besta Fubana.

Mais duas poesias de Rafael Gutiérrez


YO AÚN VIVO PLENO DE TI, ANGÉLICA

Rafael Gutiérrez

Yo aún vivo pleno de ti, Angélica,
sabiéndote sin embargo baldía de mí.

¿Cuándo, y en qué sitio del alma
alguien
me
tira
un paraguas, una piedra, un balazo
para acallar esta lágrima inapagable?

Tú aún vives baldía de mí, Angélica,
sabiéndome sin embargo pleno de ti.

VII

Y entonces chupó la miel de la flor, de la flor de los nueve pétalos, hasta lo más adentro de ella. Y entonces tomó por esposa a la flor vacía, y salió el espíritu de la flor a vagar. Cuando se abrió el cáliz de esta flor, el Sol estaba dentro, y en medio de ella se leía su nombre.

EU AINDA VIVO REPLETO DE TI, ANGÉLICA

Eu ainda vivo repleto de ti, Angélica,
Sabendo-te, sem embargo, abandonada.

Quando e em que lugar da alma
alguém
me
tira
um guarda-chuva, uma pedra, uma bala
para silenciar esta lágrima inapagável?

Tu ainda vives abandonada em mim, Angélica,
sabendo-me, sem embargo, repleto de ti.

VII

E então ele sugou o mel da flor, da flor de nove pétalas, assim como até mais dentro dela. E, em seguida, tomou por esposa a flor vazia, e deixou o espírito da flor vagar. Quando se abriu o cálice da flor, o sol estava lá dentro, e no meio dela se lia seu nome.

Ilustração: adolescentesdemais. com.br 

Uma poesia de María Auxiliadora Álvarez


nuestro recinto                     

María Auxiliadora Álvarez

vivo de ojos hacia el lugar de la nada

pero aún mis cuencas vacías
sienten amor por ti

déjate llevar por lo desconocido que nos mora

porque sólo al dolor tememos
pero el dolor es la noche que nos recibe
en su lecho de amor

Noche de vientos ululantes
su íntimo recinto

y el nuestro

cualquier mundo

queda extendida una red de nervios sensibles sobre el mundo

Cualquier mundo
será
un roce involuntario
de estremecimientos

lo irreal y lo muerto

por lo que no fuimos y fuimos
desconocimos e ignoramos
perdimos y guardamos
preservamos u olvidamos
repartimos o privamos
asumimos
deshicimos
malentendimos u honramos:

recibimos el golpe fatal de la alegría separando lo irreal y lo muerto

NOSSO RECINTO

vivo de olhos voltados para o lugar do nada

porém, ainda minhas órbitas vazias
sentem amor por ti

deixa-te pelo desconhecido que nos habita

porque só a dor tememos
porém, a dor é a noite que nos recebe
no seu leito de amor

Noite de ventos uivantes
seu íntimo recinto

e o nosso

mundo qualquer

fica estendida uma rede de nervos sensíveis sobre o mundo

qualquer mundo
será
um toque involuntário
de estremecimentos

o irreal e o morto

pelo que não fomos e fomos
desconhecemos e ignoramos
Perdemos e guardamos
preservarmos ou esquecemos
repartimos ou privamos
assumimos
desfazemos
mal entendidos ou honramos:

Recebemos o golpe fatal de alegria separando o irreal e os mortos

Ilustração: Ciência Hoje. 

Wednesday, March 08, 2017

É PRECISO AMAR

Hoje me dei de presente                     Não olhar para o passado. 
Sei que o futuro é cada dia
E, com o tempo, mais frágil
Está meu pobre coração
Que não amou tudo que podia.

Porém, em mim, também há a alegria
De saber que o amor é um poço sem fundo
Inexplicável e confuso como o mundo
Onde é preciso descer mais
Para poder beber a água do bem querer.

Como das alturas, tenho medo das profundidades,
No entanto, meu desejo é maior que os meus medos
E, mesmo sem ser um escafandrista,
Na escuridão apuro a vista.
Sei que preciso mergulhar.

Não há vida
Nem amor
Sem risco. 

(De "Jardim Dizpersivo, Editora Per Se, 2013).
Ilustração: O Globo.

Uma traição a Blake

The Angel                                                                                                 
by William Blake

I Dreamt a Dream! what can it mean?
And that I was a maiden Queen:
Guarded by an Angel mild;
Witless woe, was neer beguil'd!

And I wept both night and day
And he wip'd my tears away
And I wept both day and night
And hid from him my hearts delight

So he took his wings and fled:
Then the morn blush'd rosy red:
I dried my tears & armd my fears,
With ten thousand shields and spears.

Soon my Angel came again;
I was arm'd, he came in vain:
For the time of youth was fled
And grey hairs were on my head

Um anjo

Eu sonhei um sonho! O que isto pode significar?
E que eu era uma rainha virgem:
Guardada por um anjo suave;
Incapaz de me afligir, próxima de ser seduzida!

E eu chorava noite e dia
E ele enxugava minhas lágrimas
E eu chorava dia e noite
E escondia dele a alegria no meu coração

Então ele pegou suas asas, e fugiu;
Em seguida, a manhã tornou-se vermelha rosada:
Eu sequei minhas lágrimas e armei meus medos,
Com dez mil escudos e lanças.

Logo meu Anjo voltou;
Eu estava armada, ele veio em vão:
O tempo da juventude fugiu
E os cabelos brancos estavam na minha cabeça.


Ilustração: Mistérios Fantásticos. 

MANSIDÃO

Até mesmo quando faço um poema- 

Em meio ao carnaval que me espera-
Me fantasio de formidável fera
E espero que minhas garras temas,

No entanto do teu corpo é meu temor
Ao vê-lo suado voluptuoso na dança
E ao pensar que, na cama, tuas tranças
Hão de se molhar na febre do amor.

Olhos fechados, já o vejo doce, inteiro
Na mansidão de um mar tão perigoso
Naufragarei tão forte, tão fogoso
Sexo afoito por pernas, pelos, cheiros.

Sonho já com ardentes beijos úmidos
Com as mãos perdidas nos achados seios
na procura de um prazer na qual os meios
Fará dos vencedores, os vencidos

E se o pecado for azul ou cor de rosa,
A luz do desejo, a energia da ação
Hão de fazer da carne a tentação,
refúgio certo do prazer que se goza

Podes fingir que não és tão manhosa
Sabendo que só procuro os braços teus
para ter o prazer supremo que um deus
No cálice de um mortal em gotas dosa

E bebo do teu momento o auge
Como a bebida mais doce e preciosa
Sorvendo com a língua o doce leite.
Rei, dentro de mim, puro deleite.


(De Jardim Dizpersivo, Editora Per Se, 2013). 
Ilustração: Degustando a Vida. 

ANTECIPAÇÃO

Não se precisa muito mais                
que umas conversas, alguns risos, um beijo,
uns gestos de carinho, a ternura no olhar
para se gostar.
Mas, para se viver um grande amor,
é preciso esta dor
de, mesmo na amarga distância,
considerar que a vida é doce
somente porque existes
e, por mais que os dias longes sejam tristes,
a beleza persiste em saber
que há alguém com tanto amor
em algum lugar esperando para amar
e que a vida ainda será uma festa
quando nos teus braços me encontrar....

(De Jardim Dizpersivo, Editora Per Se, 2013.
Ilustração: cnf.e-steki.gr  

Thursday, March 02, 2017

Uma traição italiana bem grande




[TANTO GENTILE E TANTO ONESTA PARE]

Dante Alighieri

Tanto gentile e tanto onesta pare
la donna mia, quand'ella altrui saluta,
ch'ogne lingua deven tremando muta,
e gli occhi no l'ardiscon di guardare.

Ella si va, sentendosi laudare,
benignamente e d'umiltà vestuta;
e par che sia una cosa venuta
dal cielo in terra a miracol mostrare.

Mostrasi sì piacente a chi la mira,
che dà per li occhi una dolcezza al core,
che 'ntender nolla può chi nolla prova.

E par che de la sua labbia si mova
un spirito soave pien d'amore,
che va dicendo a l'anima: Sospira.

[É TÃO GENTIL E TÃO HONESTO O AR]

É tão gentil e tão honesto o ar
da amada minha, quando alguém a saúda,
que toda língua vai ficando muda
e os olhos não se atrevem de a fitar.

Ela assim vai sentindo-se louvada
na benigna humildade em que se escuda,
qual fosse um anjo que dos céus se muda
como, do céu, uma prova dos milagres dada.

Tão agradável se mostra a quem a mira
que o olhar infunde, ao coração, ternura
que só não sente quem jamais a vira.

E quando fala, de sua boca se respira
Um hálito suave, exalando a paixão mais pura,
que leva a alma a dizer: "Suspira!"

Ilustração: Primeiros Suspiros. 


POEMAS MAL COMPORTADOS

                                                          FLOR DELICADA 

Quase não come nada.
E, quando come, é feito um passarinho,
Come bem pouquinho,
Até alpiste mesmo...
Poderia, sem jamais ser,
Ser uma mulher de Botero,
Mas, de gordura não tem nem o cheiro,
Que é de um gostoso perfume
Que se espraia onde estiver.
É um espetáculo de mulher:
Me sinto sempre abaixo de sua capacidade de amar.
Minha única vantagem é a de que,
Só a vejo, de vez em quando,
De forma que vou me safando.
Em geral ela anda com motociclistas,
Um bando de velhos jovens,
Ou se entoca nos rios da Amazônia
Para em noites de lua molhar os pés
Sem medo algum dos jacarés.
E bebe com a desenvoltura
E a voracidade de um monge italiano
A quem se perdoou o pecado da gula.
Se queixa de ser gorda,
Sendo só volumosa,
Uma mulher forte na sua rude delicadeza
Tanto que a chamo de flor,
Mas, na verdade, é uma rosa.
Que não temos futuro- ela me diz.
Porém, eu gozo, ela goza

E isto nos deixa muito feliz. 

Ilustração: Fernando Botero