Monday, November 29, 2021

Uma poesia de Sophie Robinson

 


WE TOO ARE DRIFTING

  Sophie Robinson

our tenderness being muttered up by other

people I lie awake twisting & stripped

of physical dwelling; hips with the same

feeling finding myself mumbling ‘I’m sorry

we jerked’ & your mouth is a place to go

a place where the human need for (relative)

peaceful sanctuary can collect itself –

suck me –nuzzle me – foster me– we are

in our separate spaces mouths mouthing

along to the words of the film Patch Adams

& learning that returning to “home” as an

adult promotes restlessness; but let’s keep

kissing & dipping with friction against

the softness of ‘Hum Sweat Hum’, licking punk

I found myself dwelling in the conceptual

heart of nonsense breaking up, I have two

hands to cope with his death by values by

economix, we are locked in structure in

spite of our nylon surgings, them being

reduced to slits of marginal import &

we know better huh, & yes you the

eternal optimistic you turn to me & say

that it’s good to get perspective on a

perspective even when the sky’s so black

with clouds it looks like night (upon which

you would remark at least that we are less

visible under extreme conditions &

besides we have more fun after dark)

 

NÓS TAMBÉM ESTAMOS À DERIVA

 

nossa ternura sendo silenciada por outras

pessoas eu minto desperta torcida & despojada

da morada física; as cadeiras com a mesma

sensação de falar-me a mim mesma murmurando ‘o sinto

pegamos’ & tua boca é um lugar para ir

um lugar onde a humana necessidade de (relativos)

santuários pacíficos pode reunir-se em si mesma –

chupa-me – acaricia-me– acolhe-me– estamos

em nossos espaços separados bocas murmurando

através das palavras do filme Patch Adams

& aprendendo que regressar à “casa” como

adultos promove a intranquilidade; porém sigamo-nos

beijando & molhando com fricção contra

a suavidade de ‘casa doce casa’, lamento punk

me encontro a mim mesma vivendo no coração

conceitual da ruptura sem sentido, tenho duas

mãos para lidar com esta morte por valores por

economia, estamos encerrados na estrutura

apesar de nossa demanda de nylon que se

reduz a retalhos de importação marginal &

nós sabemos melhor eh, & se tu a

eterna otimista voltas até mim & dizes

que isto é bom para tomar perspectiva

uma perspectiva inclusive quando o céu é tão negro

com nuvens que brilham como a noite (sobre a qual

remarcarias que, pelo menos, somos menos

visíveis sob condições extremas &

ademais nos divertimos muito mais depois da escuridão)

Ilustração: https://cosmonerd.com.br/.

O sempre notável Ángel González



LA VERDAD DE LA MENTIRA

Ángel González

Al lector se le llenaron de pronto los ojos de lágrimas,
y una voz cariñosa le susurró al oído:
—¿Por qué lloras, si todo
en ese libro es de mentira?
Y él respondió:
—Lo sé;
pero lo que yo siento es de verdad.

 

A VERDADE DA MENTIRA

Ao leitor se encheram de pronto os olhos de lágrimas,

e uma voz carinhoso o sussurrou ao ouvido>

-Por que choras, se tudo

neste livro é de mentira?

E ele respondeu>

-Eu sei;

porém o que eu sinto é de verdade.

Ilustração: A mente é maravilhosa.

Sunday, November 28, 2021

TRIBUTO A UMA THURMAN


 

Ser Uma Karuna Thurman 

não é destino para qualquer um. 

Antes de mais nada 

é indispensável ter pés, mãos e nariz grandes 

sem perder o charme e a calma

 e ter um olhar que traz o céu, 

revela o mar e a alma, 

mas pode ser o inferno 

para quem não perceber 

que se trata de alguém nascida 

para vencer qualquer obstáculo. 

Uma

é uma atriz sem limites, 

uma diva. 

Com um simples olhar, 

como sua personagem,

 é capaz de matar qualquer ilusão 

de que não seja capaz de roubar 

o seu coração! http://www.litteriseditora.com.br/

Ilustração: Warner Bros. 

(De "Poemas Malcomportados", Editora Litteris (http://www.litteriseditora.com.br/.),2021). 

Uma poesia de Ralph Angel

 


THIS

Ralph Angel

Today, my love,

leaves are thrashing the wind

just as pedestrians are erecting again the buildings of this drab

forbidding city,

and our lives, as I lose track of them,

are the lives of others derailing in time and

getting things done.

Impossible to make sense of any one face

or mouth, though

each distance

is clear, and you are miles

from here.

Let your pure

space crowd my heart,

that we might stay awhile longer amid the flying

debris.

This moment,

I swear it,

isn't going anywhere.

 

ESTE

Hoje meu amor,

As folhas sacodem o vento

assim como os pedestres estão erguendo de novo os edifícios desta monótona

cidade proibida,

e nossas vidas, conforme eu as perco,

são as vidas de outros descarrilando no tempo e

fazendo as coisas.

Impossível sentir qualquer rosto

ou boca, embora

cada distância

seja clara e você esteja a milhas

daqui.

Deixo sua pureza

de espaço reinar no meu coração,

para que possamos ficar mais um pouco no meio dos

destroços do voo.

Este momento,

eu juro,

não vai a lugar nenhum.

Ilustração: https://br.freepik.com/.

XLIV

 


São essas coisas tão simples,

que ninguém vai entender,

que me fazem ver

como viver contigo é tão bom.

O beijo pela manhã,

a discussão sobre o que teremos na refeição,

as visões diferentes sobre a vida,

esta tua forma tão louca e tão querida

de, às vezes, me dizer

como devia ser melhor.

Ainda que saiba

que não tem jeito

procuras ensinar ao velho papagaio

novos truques

com a obsessão das boas professoras

e me castigas com beijos,

enquanto bebemos vinho

e me dizes

que serei teu último homem –

o que não acredito –

e que com outro

não poderá mais ser feliz

zombando do tamanho

do meu nariz.

Ilustração: Feche a porta quando sair: coisas simples. 

Outra poesia de Manuel Machado

 


MELANCOLÍA

Manuel Machado

Me siento, a veces, triste

Como una tarde del otoño viejo;

De saudades sin nombre,

De penas melancólicas tan lleno...

Mi pensamiento, entonces,

Vaga junto a las tumbas de los muertos

Y en torno a los cipreses y a los sauces

Que, abatidos, se inclinan... Y me acuerdo

De historias tristes, sin poesía... Historias

Que tienen casi blancos mis cabellos.

 

MELANCOLIA

Me sinto, às vezes, triste

Como uma tarde de um outono velho;

De saudades sem nome,

De penas melancólicas tão pleno...

Meu pensamento, então,

Vaga junto aos túmulos dos mortos

E em torno dos ciprestes e dos salgueiros

Que, abatidos, se inclinam...E me recordo

De histórias tristes, sem poesia...Histórias

Que põem quase brancos meus cabelos.

Ilustração: https://medium.com/.

Thursday, November 25, 2021

ODE TO KEITH RICHARDS


Ilustração: https://www.anothermanmag.com/. 

#poetry #amazonpoetry #keithrichards #tributeicons
 

E, de volta, Armando Romero

 


VAGABUNDO

Armando Romero

Con la cabeza a pájaros
Ruedo por el mundo
Y así consigo el doble cielo
De la hoja y su contorno
No detengo mi camino
Cuando en el mar
Se perfilan los obenques
De contrario sigo
Y mis pies se llevan huellas
De la arena
Es el viento entonces
Tan metido en la piel
Y en los cabellos
Es el jugo de las frutas
Al abrirse eterno
El paraíso de su carne
Con la cabeza a pájaros
Ruedo por el mundo

VAGABUNDO

Com uma cabeça de pássaros

rodo pelo mundo

e assim consigo o dobro do céu

da folha e seu contorno

Não me detenho no caminho

quando no mar

as mortalhas se perfilam

ao contrário sigo

e meus pés vão pelas trilhas

de areia

É o vento, então,

então tão metido na pele

e nos cabelos

É o suco das frutas

ao abrir-se eterno

o paraíso de sua carne

Com cabeça de pássaros

rodo pelo mundo

XXXIV

 


As mídias sociais, as propagandas, os celulares,

os vídeos me deixam louco.

Por onde olho não há como escapar

da tentação que está em todo lugar.

Não quero comprar nada,

eu sei,

mas, como fugir do Black Friday

se até as garotas de programa

me enviam

mensagens carinhosas

com dengosas promoções?

Ilustração: https://www.cidademarketing.com.br/.

 (Do livro "Cem Poemas em Cem Dias", Editora Viseu (

https://www.eviseu.com/), 2021)



Uma poesia de Ananya Mishra

 


You ask,  who I am?

I'm an empty soul with scars

remaining

Whose existence doesn't seem to

have any meaning.

Cause...I'm bowed,

not nurtered yet.

Yes, I'm broken

not fixed yet. 

 

Você me pergunta, quem eu sou?

Eu sou uma alma vazia com cicatrizes

permanentes

Cuja existência não parece

ter algum sentido.

Porque ... estou curvado,

não alimentado ainda.

Sim estou quebrado

não consertado ainda.

Ilustração: https://universaljp.org/.

Wednesday, November 24, 2021

Uma poesia de José Cadalso

 


Sobre el poder del tiempo

José Cadalso

Todo lo muda el tiempo, Filis mía,

Todo cede al rigor de sus guadañas:

Ya transforma los valles en montañas,

Ya pone un campo donde un mar había.

 

Él muda en noche opaca el claro día,

En fábulas pueriles las hazañas,

Alcázares soberbios en cabañas,

Y el juvenil ardor en vejez fría.

 

Doma el tiempo al caballo desbocado,

Detiene el mar y viento enfurecido,

Postra al león y rinde al bravo toro.

 

Sola una cosa al tiempo denodado

Ni cederá, ni cede, ni ha cedido,

Y es el constante amor con que te adoro.

 

 

SOBRE O PODER DO TEMPO

 

Tudo muda todo tempo, filha minha,

tudo cede ao rigor de suas foices:

e transforma os vales em montanhas

e põe um campo onde mar havia.

 

E muda em noite opaca o claro dia,

em fábulas pueris as façanhas,

palácios soberbos em cabanas,

e o juvenil ardor em velhice fria.

 

Doma o tempo ao cavalo destemido,

detém o mar e o vento enfurecido,

prosta o leão e rende ao bravo touro.

 

Só uma coisa ao tempo denodado

não cederá, nem cede, nem há cedido,

e é o constante amor com que te adoro.

Ilustração: https://usearmadeira6.webnode.com/.

XXXI

 


Com tanta saudade e solidão

tento como salvação

te encontrar em algum lugar,

até mesmo digital, em vão.

Ligo sem convicção,

envio e-mails desesperados

somente para dizer

que, na pandemia, a minha vacina

é a tua companhia,

que deixei para trás

por razões que, agora,

me parecem obscuras.

É que, sem ti, criatura,

a vida nem me parece vida mais.

E tudo que gosto

não tem mais sabor.

Só me salva o teu amor!

Ilustrações: Mensagens de Amor. 

(Do livro "Cem Poemas em Cem Dias"< Editora Viseu, 2021. 

Tuesday, November 23, 2021

Do livro "Poemas Malcomportados" Ode a Keith Richards









XXVII

 


Não te inquietes.

Nunca se sabe o que virá.

O amanhã é a lagarta da esperança,

o talvez da borboleta  

que, com o inesperado, baila, dança

jogando com os dados da ilusão.

Sossega, sossega o teu coração.

Amar

é como uma aposta no otimismo,

como viver na corda bamba:

sempre, da queda, há o perigo!

Ilustração: https://unanimidadeemvarsovia.com/.

(Do livro "Cem Poemas em Cem Dias"< Editora Viseu (https://www.eviseu.com/), 2021. 


Uma poesia de Manuel Machado

 


V

Manuel Machado

La Vida se aparece como un sueño

En nuestra infancia... Luego despertamos

A verla, y caminamos

El encanto buscándole risueño

Que primero soñamos;

... y, como no lo hallamos,

Buscándolo seguimos,

Hasta que para siempre nos dormimos.

 

V

 

A vida se parece com um sonho

Em nossa infância...Logo despertamos

Ao vê-la, e caminhamos

O encanto buscando-o risonho

Que primeiro sonhamos;

...e, como não o achamos,

Buscando-o seguimos,

Até que para sempre nos dormimos.

Ilustração: https://www.vamosmeditar.com.br/.

Monday, November 22, 2021

Outra poesia de "Poemas Malcomportados"


 

(Do livro "Poemas Malcomportados", Editora Litteris, 2021) 



XVIII

 


No café da manhã,

servido com suco, ovo e tapioca,

me pergunta inesperadamente:

-Será que os homens conviveram com os dinossauros?

Confesso que fiquei espantado

com uma questão tão complexa

posta na mesa tão cedo.

E me deu um medo

e, por um momento,

uma aflição.

Talvez, com uma questão assim,

acabe, durante o dia, sem dormir

e de noite ainda esteja a matutar

mesmo sem entender

a importância que isto pode ter!

Ilustração: https://www.jornaldafranca.com.br.

(Do livro "Cem Poemas em Cem Dias", Editora Viseu, 2021)