Friday, August 26, 2011
Até onde ser sincero...
Sinceridade
Não pense que não te mentirei...
Hei de mentir sim.
O verdadeiro amor nunca é sincero.
É só a expressão de que te quero,
de que tu vives em mim.
Que as coisas que não te direi
são só as que não deves saber.
E te dou, como recompensa,
esta paixão imensa,
este meu louco querer,
que mente porque verdade demais
sempre mata,
e, o que vale, é o amor como se trata!
Wednesday, August 24, 2011
Roberta Bonelli
Roberta Bonelli
Il viso di un vecchio è
come una cartina geografica,
dove le rughe sono le strade
che solo con il ricordo può
ripercorrere.
O rosto de um homem velho é
como um mapa,
onde as rugas são as estradas
que somente com a memória se pode
percorrer.
Ilustração: http://timbrevivo.blogspot.com/2010/07/vi-vi-o-feirante-trabalho-costante-dor.html
Angela Dibuono
Incomunicabile
Angela Dibuono
Quante volte, barcollando,
cerchiamo noi stessi negli altri
che crediamo d'amare.
Ma quegli altri restano
dietro lo specchio opaco
dell'incomunicabile.
Come personaggi sconosciuti
non ci vedono e noi
al di qua dello specchio
a raccontarne i frantumi.
Incomunicável
Quantas vezes, cambaleando,
buscamos a nós mesmos em outros
e acreditamos no amor.
Mas, os outros permanecem
dentro do espelho opaco
do incomunicável.
Como personagens desconhecidos
não nos vê e nós,
deste lado do espelho,
nos quebramos a contar os fragmentos.
Fabrizio Ara
Antichi sipari
Fabrizio Ara
Scorgo
fra i vapori della nebbia
una dolce musa marmorea
erta in un'antica corte.
…E lievi segni del tempo
nel suo glorioso abito di festa
dipingono il grande mito
di un tempo che fu.
Scorta la musa
la mia arte lumeggia.
Cortinas velhas
Vejo
entre os vapores da névoa
uma doce musa de mármore
estranha em um tribunal antigo.
......E ligeiros sinais da idade ...
no seu glorioso vestido de festa
retratam o grande mito
de um tempo que foi.
Repõe a musa
minha arte de iluminar.
Sunday, August 21, 2011
Enrique González Martínez
El gozo alucinado
Enrique González Martínez
El color se me adentra y no lo pinto;
la nota musical llega hasta el fondo
de la entraña cordial, y yo la escondo
en el sacro rincón de su recinto.
El árbol es aliento y no verdura,
germinación de vuelo y no ramaje;
el ojo lo desliga del paisaje
y lo clava en el dombo de la altura.
Apago soles y deseco ríos,
borro matices y deshago formas,
y en propio barro, quebrantando normas,
modelo mundos para hacerlos míos.
Sobrepasa las cosas la mirada,
el sueño crece, lo real esfuma,
y me embarco en las alas de la bruma
corno en una galera aparejada.
A alegria alucinada
A cor me penetra e não a pinto;
a nota musical chega até o fundo
das entranhas do coração, e eu a escondo
no sagrado canto do seu recinto.
A árvore é alento e não verdura
germinação de vôo e não ramagem;
o olho se desliga da paisagem
e se crava nas pedras da altura.
Apago sóis e rios resseco,
borro matizes e desfaço formas
e no próprio barro, vou quebrando normas,
modelos, mundos para fazê-los meus.
Excede todas as coisas, o meu olhado
o sonho cresce, o real se esfuma,
e me embarco nas asas da bruma
chifre numa galeria acoplado.
Enrique Garcia Trindade
Vienes a mi
Enrique González Martínez
Vienes a mí, te acercas y te anuncias
con tan leve rumor, que mi reposo
no turbas, y es un canto milagroso
cada una de las frases que pronuncias.
Vienes a mí, no tiemblas, no vacilas,
y hay al mirarnos atracción tan fuerte,
que lo olvidamos todo, vida y muerte,
suspensos en la luz de tus pupilas.
Y mi vida penetras y te siento
tan cerca de mi propio pensamiento
y hay en la posesión tan honda calma,
que interrogo al misterio en que me abismo
si somos dos reflejos de un ser mismo,
la doble encarnación de una sola alma.
Vens a mim
Vens a mim, te acercas e te anuncias
com tão leve rumor que o meu repouso
não turvas, e é um canto milagroso
cada uma das frases que pronuncias.
Vens a mim, não tremas, não vacilas,
e há em nos olharmos uma atração tão forte
que esquecemo tudo, vida e morte,
suspensos na luz de tuas pupilas.
Em minha vida penetras e me sinto
tão perto do meu próprio pensamento
e há na possessão tão funda calma,
que interrogo ao mistério em que me abismo
se somos dois reflexos de um ser mesmo,
ou a dupla encarnação de uma só alma.
Ilustração: muraldosescritores.ning.com
Saturday, August 20, 2011
E me repito mais...
Ainda que mal comportadamente
O mistério do desencontro
Todo grande amor
É sempre sofrimento
Parece que Deus brinca
Com os sentimentos
Só fazendo com que os amantes
Se encontrem no momento
Em que não devem se amar.
Sei que sou um pobre mortal
Que a vontade divina
Não ousa desafiar,
Mas, como se explicar
Que tenha feito assim?
Por que nosso começo
Tem que ser no fim
Por que o nosso amor
Tem que viver na escuridão
Quando é só prazer e luz?
É um mistério
Como o da Santíssima Trindade
Ou por que sacrificar Jesus.
Que sei eu? Sei nada não.
É que não posso te esquecer, meu coração!
O mistério do desencontro
Todo grande amor
É sempre sofrimento
Parece que Deus brinca
Com os sentimentos
Só fazendo com que os amantes
Se encontrem no momento
Em que não devem se amar.
Sei que sou um pobre mortal
Que a vontade divina
Não ousa desafiar,
Mas, como se explicar
Que tenha feito assim?
Por que nosso começo
Tem que ser no fim
Por que o nosso amor
Tem que viver na escuridão
Quando é só prazer e luz?
É um mistério
Como o da Santíssima Trindade
Ou por que sacrificar Jesus.
Que sei eu? Sei nada não.
É que não posso te esquecer, meu coração!
Eu me repito
Velhas lembranças
O teu amor
Que é quase como se fosse um estepe
É a única coisa que me faz serelepe
Que me faz sorrir e cantar
Ainda que isto seja estragar outros ouvidos
E esgotar os sentidos em tentativas de amar
mais do que posso.
Todo o entorno, porém, pouco importa
Se há ideias, momentos, detalhes tão nossos
Que me sinto tão feliz como te sentes
Por trás de véus, de cortinas e de portas
E guardamos estes segredos ternamente
Como um arco-iris que a chuva levou ...
Há um tempo em que haveremos de esquecer
Tanta coisa que nos tornou tão felizes.
E nos dias em que houver uma chuvinha
Em que os pingos cantarem no telhado,
Ainda haverá em ti um resto de memória
Que há de te dar um vago sentimento de euforia
E dirás mesmo sem pensar de onde viria
Que tudo passou, mas, foi uma glória...
Sentirás que fostes amada-tua maior vitória-
E rirás e dançarás feito uma louca
E gemerás como se beijada na boca!
Saturday, August 13, 2011
Ainda Angel González
Todo amor es efímero
Angel González
Ninguna era tan bella como tú
durante aquel fugaz momento en que te amaba:
mi vida entera.
Todo o amor é efemêro
Nenhuma foi tão bela como tu
durante aquele fugaz momento em que eu te amava:
a minha vida inteira.
Angel González
La vida en juego
Angel González
Donde pongo la vida pongo el fuego
de mi pasión volcada y sin salida.
Donde tengo el amor, toco la herida.
Donde pongo la fe, me pongo en juego.
Pongo en juego mi vida, y pierdo, y luego
vuelvo a empezar, sin vida, otra partida.
Perdida la de ayer, la de hoy perdida,
no me doy por vencido, y sigo, y juego
lo que me queda: un resto de esperanza.
Al siempre va. Mantengo mi postura.
Si sale nunca, la esperanza es muerte.
Si sale amor, la primavera avanza.
A vida em jogo
Onde ponho a vida, ponho o fogo
de minha paixão focada e sem saída.
Onde ponho o amor, toco a ferida.
Onde ponho a fé, me ponho em jogo.
Ponho em jogo minha vida, e perco, e logo
começo outra vez, sem vida, outra partida.
Perdida a de ontem, a de hoje perdida,
não me dou por vencido, e sigo, e jogo
o que me sobra: um resto de esperança.
E sempre vou em frente. Mantenho minha postura.
Sem sair nunca. A esperança é a morte.
Se sai o amor, a primavera avança.
Wednesday, August 10, 2011
E de novo Toni García Arias
CUERPO
Toni García Arias
Y aunque parezco un hombre como tantos otros
y el aire que respiro
parece ser suficiente para llenar mis pulmones
y cobrar vida,
en realidad, vida,
no soy más que un paisaje de ropas
al que le falta tu cuerpo.
Corpo
E embora pareça um homem como tantos outros
e o ar que respiro
pareça ser suficiente para encher meus pulmões
e gerar vida
na realidade, vida,
não sou apenas mais que um varal de roupas
que não tem o corpo.
Toni García Arias
ESPEJO
Toni García Arias
Frágil como un pequeño espejo,
el tiempo resbala por nuestras manos
con la inocencia de lo que no perdura
y estalla contra el suelo
y se hace memoria.
Una pareja sale del hospital
y se abraza. No hay amor
en sus rostros.
Lloran.
Lloran a pesar de la gente que pasa,
a pesar de este sol de agosto
que abrasa
y que en sus ojos
se congela.
Espelho
Frágil como um pequeno espelho,
o tempo resvala por nossas mãos
com a inocência do que não perdura
e se destroça contra o chão
e de faz memória.
Um casal saí do hospital
e se abraça. Não há amor
nos seus rostos.
Choram.
Choram, apesar da gente que passa,
apesar deste sol de agosto
que queima
e que, nos teus olhos,
se congela.
Ilustração: paraalemdasduvidas.blogspot.com
Sunday, August 07, 2011
E mais de Maria Tereza Cervantes
EL AFÁN DE EXISTIR
Maria Tereza Cervantes
Esa ansiedad de ser, de no morirse.
Lo que nunca entendemos.
El afán de existir, la desmedida en todo.
Ese otro día por el que vanamente vivimos.
O afã de existir
Esta ansiedade de ser, de não morrer.
O que nunca entendemos.
O afã de existir, o desejo excessivo de tudo.
Este outro dia pelo qual vagamente vivemos.
Ilustração: The ClaraBeauty Journal
Ainda Maria Tereza Cervantes
SILENCIO
Maria Tereza Cervantes
Llevas el dedo a tus labios.
Silencio!
Es la hora de callar,
de desmentirse
de lo dicho, de desmentirse de los sueños.
Es la hora de pensar, de recogernos,
de ocultarnos de tantos como miran,
como hieren,
como eliminan.
Pides silencio,
más de lo que yo esperaba.
Te entiendo. Sí, te entiendo.
Silêncio
Levas o dedo a teus lábios.
Silencio!
É hora de calar,
de desmentir-se
o dito, de desmentir-se dos sonhos.
É a hora de pensar, de nos recolher,
para nos ocultar de como nos olham,
como ferem,
como eliminam.
Pedes silêncio
mais do que eu esperava.
Te entendo. Sim, como te entendo.
Maria Tereza Cervantes
¿CUÁL DE LAS DOS HE SIDO?
Maria Tereza Cervantes
¿Quién? ¿Cuál?
¿Quién me llama a esta hora casi póstuma?
¿Cuál de las dos he sido:
la que busca o la que espera?
Qual dos dois foi?
Quem? Qual?
Quem me chama a esta hora quase póstuma?
Qual dos dois foi:
o que procura ou o que espera?
Ilustração: http://diariosdoces.blogspot.com/2010_08_01_archive.html
Ilusão
Que o meu amor
sempre será teu
meus olhos dizem
quando sorriem felizes
de te ver.
Que jamais tanto amor
há de passar
prova esta minha constância
de te levar
na mente e no coração.
Vem..vem...
Eu te estendo a mão
como se estivesses equilibrada no ar
e, como num sonho, fosse te salvar,
porém, mesmo dormindo, sei
que é uma tentativa em vão.
Na vida e no sonho tudo é ilusão!
Ilustração: asasdailusao.blogspot.com
Tuesday, August 02, 2011
Oliverio Girondo
ESCRÚPULO
Oliverio Girondo
Me parece que vivo
que estoy entre los ruidos
que miro las paredes,
que estas manos son mías,
pero quizás me engañe
y paredes y manos
sólo sean recuerdos
de una vida pasada.
He dicho "me parece"
yo no aseguro nada.
Escrúpulo
Me parece que vivo
que estou entre os ruídos
que olho as paredes,
que estas mãos são minhas,
porém, quem sabe me engane
e paredes e mãos
só sejam recordações
de uma vida passada.
Ele disse “me parece”
já eu não asseguro nada.
Monday, August 01, 2011
Mais uma vez Blanca Abreu
Marina del color del amor
Blanca Abreu
Eres la estrofa azul, el poema verde
que mi amor me recita con su sonrisa roja
que me canta mi amor
con alma gigantesca y dedos negros.
Eres el verso azul inacabable
hecho de estrellas y de cielo líquido
sembrado de naranjas y de lunas
donde ata mi amor sus pensamientos.
"El sueño oscuro" 1994
Marina da cor do amor
Eras a estrofe azul, o poema verde
que o meu amor me recita com um sorriso vermelho
quem me canta meu amor
com uma alma gigantesca e dedos negros.
És verso azul inacabável
feito de estrelas e de céu líquido
povoado com laranjas e luas
onde agarra meu amor teus pensamentos.
Ilustração: armazendatuca.blogspot.com
Blanca Abreu
Cinerario
Blanca Abreu
a Marta
I
Ahora me pregunto qué sería de aquel fuego
y de su noche, la ceniza.
II
El fuego es dios de nada, dijo el poeta, es nada
aunque a veces sople por las chimeneas
un aire alemán.
III
Ahora me pregunto qué fue de aquellos fuegos
y de su norte, la ceniza.
IV
El fuego es dios de nada -dijo el poeta- es nada
y jamás se controla por educación
o cualquier otra
sino que obra
y porfía.
V
Ahora me pregunto que será de aquel fuego
y su sepulcro, la ceniza.
"Capitán Elphistone" 1988
Urna
a Marta
I
Agora me pergunto o que seria daquele fogo
e sua noite, as cinzas.
II
O fogo é o deus do nada, disse o poeta, não é nada
ainda que, às vezes, sopre através das chaminés
um ar alemão.
III
Agora me pergunto o que aconteceu com aqueles fogos
e seu norte, as cinzas.
IV
“O fogo é o deus do nada ", disse o poeta não é nada
e nunca se controla por educação
ou qualquer outra coisa
senão que obra
e profia.
V
Agora me pergunto o que será daquele fogo
e o seu túmulo, as cinzas.
Ilustração: http://agenciazero.com.br/clientes/jardim/site/wp-content/uploads/2010/05/CIMG0331.jpg
Ainda Eloy Sánchez Rosillo
La casa vacía
Eloy Sánchez Rosillo
Abre la puerta y da la luz.
Es ya muy tarde,
y sabe que en su casa nadie lo espera.
Todo
sigue en su sitio y el silencio pesa
sobre las mudas cosas que le ignoran.
Va de aquí para allá, por el pasillo, por las vacías
habitaciones, y no sabe qué hacer, por qué esta noche
está tan lejos todo.
Coge un libro.
Pasa un rato leyendo.
Luego, escucha
con desgana una música.
Mientras, la madrugada
avanza lentamente.
Acaso alguna rosa
de ese florero que hay sobre la mesa
deja caer sus pétalos marchitos.
De Páginas de un diário
A casa vazia
Abre a porta e deixa entrar a luz.
É já muito tarde,
e sabes que em sua casa ninguém o espera.
Todos
seguem em seu lugar e o silêncio pesa
sobre as coisas mudas que lhe ignoram.
Indo e voltando, pelo corredor, pelos quartos
vazios, não sabes o que fazer, porque hoje à noite
estais tão longe de todos.
Pegar um livro.
Passar algum tempo lendo.
Logo, escutas
desenganado uma música.
Enquanto, a madrugada
avança lentamente.
Acaso alguma rosa
dos ramos sobre a mesa
deixa cair suas pétalas murchas.
Ilustração: dois-rios.blogspot.com
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