Sunday, November 13, 2011

Jack Kerouac


149th Chorus

Jack Kerouac


I keep falling in love
with my mother,
I dont want to hurt her
-Of all people to hurt.

Every time I see her
she's grown older
But her uniform always
amazes me
For its Dutch simplicity
And the Doll she is,
The doll-like way
she stands
Bowlegged in my dreams,
Waiting to serve me.

And I am only an Apache
Smoking Hashi
In old Cabashy
By the Lamp.

Choro 149

Eu continuo apaixonado
pela minha mãe,
Eu não quero magoá-la
-Entre todos é a que menos desejo ferir.

Toda vez que eu a vejo
ela parece mais velha.
Mas, seu uniforme sempre
me espanta
por sua simplicidade holandesa
e a boneca que ela é,
a boneca-como forma
ideal-
pernas arqueadas em meus sonhos,
esperando para me servir.

E eu sou apenas um apache
fumando haxixe
numa velha cabana
sob a lâmpada.

Ilustração: http://prensada.blogspot.com

Charles Bukowski



A Smile To Remember

Charles Bukowski


we had goldfish and they circled around and around
in the bowl on the table near the heavy drapes
covering the picture window and
my mother, always smiling, wanting us all
to be happy, told me, 'be happy Henry!'
and she was right: it's better to be happy if you
can
but my father continued to beat her and me several times a week while
raging inside his 6-foot-two frame because he couldn't
understand what was attacking him from within.

my mother, poor fish,
wanting to be happy, beaten two or three times a
week, telling me to be happy: 'Henry, smile!
why don't you ever smile?'

and then she would smile, to show me how, and it was the
saddest smile I ever saw

one day the goldfish died, all five of them,
they floated on the water, on their sides, their
eyes still open,
and when my father got home he threw them to the cat
there on the kitchen floor and we watched as my mother
smiled

Um sorriso para relembrar

Nós tinhamos peixinhos dourados que circulavam ao redor e ao redor
da bacia em cima da mesa perto das cortinas pesadas
tapava as pinturas da janela e
minha mãe, sempre sorrindo, querendo que todos nós
fossemos felizes, me dizia: 'seja feliz Henry! "
e ela estava certa: é melhor ser feliz se você
pode,
mas, meu pai continuou a bater nela por várias vezes por semana, enquanto
corria dentro de seu quarto de seis metros e dois sem poder
entender o porque estava a atacá-la ali dentro.

minha mãe, pobre peixe,
querendo ser feliz, apanhando duas ou três vezes por
semana, me dizendo para ser feliz: "Henry, sorria!
por que você não nunca sorri? "

e, em seguida, ela sorria, para me mostrar como, e foi o
mais triste sorriso que eu já vi

um dia o peixinho dourado morreu, todos os cinco deles,
flutuavam sobre a água, em seus lados, seus
os olhos ainda abertos,
e quando meu pai chegou em casa atirou-os para o gato,
lá no chão da cozinha, e nós assisitmos como a minha mãe
sorriu.

Ilustração: olhares.aeiou.pt

Thursday, November 10, 2011

Rafael Duyos


SONETO

Rafael Duyos

Ese perfume de tu piel que inunda
los poros de la mía si te abrazo,
deja en mi sueño el venturoso trazo
del rosal que, a mi mano se fecunda....
Otra cosa no soy, si no profunda
semilla, polen sobre tu regazo,
estambre de clavel que aprieta el lazo
que te injerta a mi carne vagabunda...
Hueles, Amor, igual que los jardines
de mi Levante moro de azahares....
Hueles, Amor, a algas de mis mares
revolcada en la arena entre jazmines...
Y a nardo, a muerta, a estío en los pinares
¡y a la espuma que anuncia a los delfines!

Soneto

Este perfume de tua pele que inunda
os poros da minha se eu te abraço,
deixa no meu sonho o venturoso traço
da rosa que, na minha mão se fecunda
Outra coisa não sou, se não a profunda
semente, pólen em teu regaço,
estame de cravo que aperta o laço
que te injeta a minha carne vagabunda...
Cheiras, amor, igual aos jardins
de laranjeiras aos montes, de suas flores ....
Cheiras, amor, a algas de meus mares
revolta na areia entre os jasmins....
E a nardo, a murta, ao verão entres os pinheiros
E a espuma que anuncia os delfins!

Wednesday, November 09, 2011

José Carlos Becerra


Ritmo de viaje

José Carlos Becerra

Este cuerpo que yo acaricio lentamente extendiendo la noche,
este cuerpo donde yo he penetrado en mi propia distancia,
en mi sofocamiento de sombra.

Este vientre donde el amor abarca a la noche,
estos senos donde la luz altera los signos,
este cuerpo al que ahora me entrelazo, este cuerpo al que ahora me solicito.

Este cuerpo conmigo se traspone, se vence,
se lleva consigo a la noche y sus altares,
sus caminos ardiendo por su propia señal,
su oleaje, sus costas encendidas...

Esta mujer donde la noche descifra sus juegos ocultos,
este amor al que no debemos llamar amor sino adentro de sus aguas.
Este amor, este amor,
este instante donde el infinito es la obra de los que se aman,
de aquellos que llegan al estanque de cada caricia como buzos sagrados.
Este ritmo, este ritmo de viaje,
esta navegación entre la bruma,
todo lleva consigo su bandera extraviada,
su aurora boreal...

Ritmo de viagem

Este corpo que acaricio lentamente estendendo a noite,
este corpo onde eu hei penetrado na minha própria distância,
no meu sufocamento de sombra.

Este ventre onde o amor abarca a noite,
estes seios onde a luz altera os signos,
este corpo ao qual agora me entrelaço, este corpo ao qual agora me solicito.

Este corpo que comigo se transpõe, se vence,
se leva consigo à noite e seus altares,
seus caminhos ardendo por seu próprio sinal,
sua oleagem, suas costas acendidas....

Esta mulher onde a noite decifra seus jogos ocultos,
este amor ao qual não devemos chamar de amor senão dentro de suas águas.
Este amor, este amor,
este instante onde o infinito é a obra dos que se amam,
daqueles que chegam ao compartimento de cada carícia como búzios sagrados.
Este ritmo, este ritmo de viagem,
esta navegação entre a bruma,
tudo leva consigo sua bandeira extraviada
sua aurora boreal....

Ilustração: feriasetemposlivres.com

Juan Gelman


Las maravillas y miserias del amor

Juan Gelman

Las maravillas y miserias del amor.
Sus oscuros fulgores, sus catástrofes.
Caminar por el filo de la pérdida.
Dar lo que no se tiene.
Recibir lo que no se da.
El amor a la poesía,
a la madre, a la mujer,
a los hijos, a los compañeros
que cayeron por una esperanza,
a la belleza todavía de este mundo.
Como cualquier hombre,
amé y amo todo eso.
Algo de todo eso tal vez
tiemble en los poemas que siguen,
escritos a lo largo de 50 años.
La muerte me enseñó
que no se muere de amor.
Se vive de amor.

De: En el hoy y mañana y ayer

As maravilhas e as misérias do amor


As maravilhas e as misérias do amor.
Seus brilhos escuros, suas catástrofes.
Caminham pelo fio da perda.
Dar o que não se tem.
Receber o que não se dá.
O amor à poesia,
à mãe, à mulher,
aos filhos, aos companheiros
que caíram por uma esperança,
pela beleza, todavia, deste mundo.
Como qualquer homem,
Eu amei e amo tudo isto.
Algo de tudo isto talvez
treme nos poemas que foram
escritos por mais de 50 anos.
A morte me ensinou
que não se morre de amor.
Se vive de amor.

Ilustração: http://weheartit.com/entry/14557780

Tuesday, November 08, 2011

Ser feliz é viver louco de paixão..


Traçado

O destino, caminho
de pedras e flores,
me faz e desfaz
sonhos e amores.

Brinca como uma criança
com o que desejei, ou não,
e me dá a humana condição
de ter sempre, ainda, esperança.

Há sempre uma voz
que as desilusões releva
e de desistir de seguir
me leva, mesmo, se não entendi.

E se, falhei no que fiz,
conquistei ou perdi,
não importa, nem conta
-sigo até às tontas-
em busca de ser feliz.

Monday, November 07, 2011

Elizabeth Bishop

One Art

Elizabeth Bishop

The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster,

Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.

Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.

I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three beloved houses went.
The art of losing isn't hard to master.

I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.

-- Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) a disaster.

Uma arte

Na arte de perder não é difícil ser mestre;
Tantas coisas parecem cheias de intenção
de perdê-las que perder não é um desastre,

Perca alguma coisa todo dia. Aceite o tinir
das chaves das porta perdidas, a hora mal gasta.
Na arte de perder não é difícil ser mestre.

Então pratique perder mais, perder mais rápido:
lugares, e nomes, e a escala subsequente
para viajar. Nada disto irá trazer o desastre.

Perdi o relógio de minha mãe. E olhe! Nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
Na arte de perder não é difícil ser mestre.

Perdi duas cidades, lindas mesmo. E, o mais vasto
império que era meu, dois rios, e mais um continente.
Sinto falta deles, mas não foi um desastre.

- Mesmo perder você (a voz brincalhona , um gesto
que amo) não muda nada. É evidente
na arte de perder não é difícil de ser mestre
embora possa parecer (Escreve!) um desastre.

Tomas Tranströmer ...traindo o traidor


After a Death

by Tomas Tranströmer
(translated by Robert Bly)

Once there was a shock
that left behind a long, shimmering comet tail.
It keeps us inside. It makes the TV pictures snowy.
It settles in cold drops on the telephone wires.

One can still go slowly on skis in the winter sun
through brush where a few leaves hang on.
They resemble pages torn from old telephone directories.
Names swallowed by the cold.

It is still beautiful to hear the heart beat
but often the shadow seems more real than the body.
The samurai looks insignificant
beside his armor of black dragon scales.

Depois da morte

Uma vez foi como um choque
que deixou atrás uma longa e brilhante cauda de cometa.
Que nos mantém inseridos. Faz os quadros da TV gélidos.
Instalou-se em gotas frias nos cabos telefônicos.

Ainda se pode ir devagar em esquis no sol de inverno
através do pincel, onde algumas folhas penduravam-se.
Elas assemelhavam-se a páginas arrancadas de antigas listas telefônicas.
Nomes engolidos pelo frio.

Ele permanecia belo ao ouvir o coração bater,
mas, muitas vezes, a sombra parece mais real que o corpo.
O samurai parece insignificante
ao lado de sua armadura de escamas negras de dragão.

Saturday, November 05, 2011

Cristina Peri Rossi


Bitácora

Cristina Peri Rossi

No conoce el arte de la navegación
quien no ha bogado en el vientre
de una mujer, remado en ella,
naufragado
y sobrevivido en una de sus playas.
"Linguística general" 1979

Armário da bússola

Não conhece a arte da navegação
quem não há navegado no útero
de uma mulher, remado nela,
naufragado
e sobrevivido em uma das suas praias.

Ilustração: http://www.igorpaskual.com

Idea Vilarino


LO QUE SIENTO POR TI

Idea Vilarino

Lo que siento por ti es tan difícil.
No es de rosas abriéndose en el aire,
es de rosas abriéndose en el agua.

Lo que siento por ti. Esto que rueda
o se quiebra con tantos gestos tuyos
o que con tus palabras despedazas
y que luego incorporas en un gesto
y me invade en las horas amarillas
y me deja una dulce sed doblada.

Lo que siento por ti, tan doloroso
como pobre luz de las estrellas
que llega dolorida y fatigada.

Lo que siento por ti, y que sin embargo
anda tanto que a veces no te llega.

O que eu sinto por ti

O que eu sinto por você é tão difícil.
Não é de rosas abrindo-se no ar,
é de rosas abrindo-se na água.

O que eu sinto por ti. Isto que rola
ou se quebra com tantos gestos teus
ou com palavras despedaçadas
e que, logo, incorporas num gesto
e me invade nas horas amarelas
e me deixa uma doce sede dobrada.

O que eu sinto por ti, é tão doloroso
como a pobre luz das estrelas
que chegam doloridas e fatigadas.

O que eu sinto por ti, e que, sem embargo,
anda tanto, que, às vezes, não te chega.

Thursday, November 03, 2011

Jack Prelutsky


Be Glad Your Nose is on Your Face

by Jack Prelutsky

Be glad your nose is on your face,
not pasted on some other place,
for if it were where it is not,
you might dislike your nose a lot.

Imagine if your precious nose
were sandwiched in between your toes,
that clearly would not be a treat,
for you'd be forced to smell your feet.

Your nose would be a source of dread
were it attached atop your head,
it soon would drive you to despair,
forever tickled by your hair.

Within your ear, your nose would be
an absolute catastrophe,
for when you were obliged to sneeze,
your brain would rattle from the breeze.

Your nose, instead, through thick and thin,
remains between your eyes and chin,
not pasted on some other place--
be glad your nose is on your face!

Ser feliz é ter seu nariz no rosto

Ser feliz é ter o seu nariz no rosto,
Não colocado em algum outro lugar,
pois, ficaria onde não deveria estar,
e você desgostaria de seu nariz muito.

Imagine se o seu precioso nariz
fosse imprensado nos seus pés, nos dedos,
quão claramente não teríamos medo,
de ser forçado a cheirar o odor infeliz.

Seu nariz seria uma fonte de temor
se fosse no topo da cabeça, que horror!
Seria um desespero em meio a tanto pelo;
sempre agarrado a um monte de cabelo.

Se dentro de sua orelha, seu nariz seria
uma catástrofe absoluta, e iria,
quando fosse obrigado a espirrar,
tornar seu cérebro um chocalho de ar.

Seu nariz, em vez disto, para o bem ou mal,
entre os seus olhos e o queixo, segue igual.
Onde deveria e não em algum outro lugar -
ser feliz é ter o seu nariz onde deve estar!

Ilustração: http://meucazzzulo.blogspot.com

Wednesday, November 02, 2011

Carlos Canã


Amada

Carlos Canã

Yo te escribo en secreto
mi ángel, mi flor amada.
y tener
de tu amor o boceto
en mi alma ilusionada.

y quisiera poner
una luna en tu piel,
y del cielo traer
un gran beso de miel.

y en tu pecho nacer
mi flor de alborada.

Amada

Eu te escrevo em segredo
meu anjo, minha flor amada.
e ter
de teu amor o esboço
anima toda minha alma.

e quisera por
uma lua na tua pele,
e do céu trazer
um grande beijo de mel.

e no teu peito nascer
a minha flor do amanhecer.

Ilustração: http://mayluescalada.blogspot.com

Dois poemas de Carlos Gagliardo


puede ser

Carlos Gagliardo

que en ese coma feroz
pase el resto de los días,
obnubilado
por tu cuerpo que respiro.

Pode ser

Que neste coma feroz
passe o resto dos dias,
encoberto
por teu corpo que respiro.

De una vez

Carlos Gagliardo

las nubes,
se alcanzaron en el cielo
y algo dejó
de ser como era.
Las huellas del dolor
están siempre.

De uma vez

As nuvens,
foram alcançadas no céu
e algo deixou
de ser como era.
As trilhas da dor
permanecem.

Ilustração: http://elmundosara.blogspot.com

Monday, October 31, 2011

Elizabeth Bishop


Conversation

Elizabeth Bishop

The tumult in the heart
keeps asking questions.
And then it stops and undertakes to answer
in the same tone of voice.
No one could tell the difference.

Uninnocent, these conversations start,
and then engage the senses,
only half-meaning to.
And then there is no choice,
and then there is no sense;

until a name
and all its connotation are the same.

Conversa

Um tumulto no coração
me impede de fazer perguntas.
E então ele pára e se compromete a responder
no mesmo tom de voz.
Ninguém poderia dizer a diferença.

Inocentemente, esses iniciar de conversas,
e depois de envolver os sentidos,
é só metade do significado.
E então não há escolha,
e então não há nenhum sentido;

até que um nome
e todos os seus sentidos são os mesmos.

Ilustração: http://blogdogaviao.blogspot.com/2009/03/discutindo-relacao.html

Saturday, October 29, 2011

Iván Segarra Báez


X

Iván Segarra Báez

"El mejor placer de la vida es hacer lo que la gente te dice que no puedes hacer" Walter Bagehot

Y la vida se hace un rostro de tinieblas muertas
donde no hay un "Ave María" que te salve
de la desgracia absoluta de los hombres.
Y el camino se pierde para seguir a los hombres.
Cada noche respeta esta soledad tan amarga,
tan dura, hecha de rosas que tienen espinas.
Donde el pecado caído es el amor
y te lastima
y en sus cenizas tú te enredas con la muerte pequeña
que todos llevamos dentro del alma moribunda
y la palabra se hace misterios de la noche,
un refugio sin sol, un eco sin dicha
y lo banal es el espejo
de todo lo que vivimos
del recuerdo a la sombra de la vida,
de la nostalgia sin vida de la muerte fría
que no acaba jamás
con la palabra
"Melancolía".

X

"O maior prazer da vida é fazer o que as pessoas dizem que você não pode fazer" Walter Bagehot

E a vida se faz um rosto de trevas mortas
onde não há uma "Ave Maria" que te salve
da desgraça absoluta dos homens.
E o caminho se perde para seguir aos homens.
Cada noite respeita esta solidão tão amarga
tão dural, feita de rosas que têm espinhos.
Onde cair no pecado é o amor
e te lastima
e nas suas cinzas te enredas com a morte pequena
que todos nós levamos dentro da alma moribunda
e a palavra se torna mistérios da noite,
um refúgio sem sol, um eco sem dito
e o banal é o espelho
de todos os que vivemos
da recordação da sombra da vida,
da nostalgia sem vida da morte fria
que não acaba jamais
com a palavra
"Melancolia".

José Gorostiza


PAUSAS I

José Gorostiza

¡El mar, el mar!
Dentro de mí lo siento.
Ya sólo de pensar
en él, tan mío,
tiene un sabor de sal mi pensamiento

Pausas I

O mar, o mar!
Dentro de mim o sinto.
E só de pensar
nele, tão meu,
tem um gosto de sal meu pensamento

Thursday, October 27, 2011

Anais Nin


Risk

Anais Nin

And then the day came,
when the risk
to remain tight
in a bud
was more painful
than the risk
it took
to Blossom.

Risco

E então veio o dia,
quando o risco
de permanecer firme
como um botão
era mais doloroso
que o risco
de virar
flor.

Ainda Ho Xuan Huong


Confession III

Ho Xuan Huong

Her lonely boat fated to float aimlessly
midstream, weary with sadness, drifting.

Her hold overflowing with duty and feeling,
bow rocked by storms, adrift and wandering.

She rows on, not caring who tries to dock,
sails on, not caring who tries the rapids.

Whoever comes on board is pleased
as she plucks her guitar, sad and drifting

Confissão III

Seu barco solitário foi destinado a flutuar sem rumo
pelo meio da correnteza, cansado, tristemente, à deriva.

Seu domínio superava, com o dever e sentimento,
o arco abalado por tempestades à deriva e vagando.

Ela seguia adiante, não se importando em experimentar docas,
velas adiante, sem temor de tenta enfrentar as corredeiras.

Quem quer que fosse a bordo teria o prazer
de ver como como tocava seu violão, triste e à deriva.

Um poeta vietnamita


Autumn Landscape

Ho Xuan Huong

Drop by drop rain slaps the banana leaves.
Praise whoever sketched this desolate scene:

the lush, dark canopies of the gnarled trees,
the long river, sliding smooth and white.

I lift my wine flask, drunk with rivers and hills.
My backpack, breathing moonlight, sags with poems.

Look, and love everyone.
Whoever sees this landscape is stunned.

Paisagem de outono

Gota a gota a chuva bate nas folhas de bananeira.
Louvo quem desenhou esta cena desoladora:

exuberantes, a copa escura das árvores retorcidas,
o longo rio, deslizando suave e branco.

Eu levanto minha taça de vinho, bebida com rios e montanhas.
Minha mochila, respirando o luar, tonto com poemas.

Olho, e amo a cada um.
Quem vê esta paisagem fica embriagado.

Ilustração: http://peregrinacultural.wordpress.com/2009/06/28/quadrinha-para-uso-escolar-lua/

Wednesday, October 26, 2011

Ainda Miguel D'Ors


Calendario perpetuo

Miguel D’Ors

El lunes es el nombre de la lluvia
cuando la vida viene tan malintencionada
que parece la vida.

El martes es que lejos pasan trenes
en los que nunca vamos.

El miércoles es jueves, viernes, nada.

El sábado promete, el domingo no cumple
y aquí llega otra vez -o ni siquiera otra:
la misma vez- la lluvia de los lunes.

De "La música extremada"

Calendário perpétuo

Segunda-feira é o nome da chuva
quando a vida vem tão mal-intencionada
que parece a vida.

Terça-feira é que longe passam os trens
nos quais nunca vamos.

Quarta-feira é quinta-feira, sexta-feira, nada.

O sábado promete, o domingo não cumpre
e aqui chega outra vez, ou nem sequer outra:
a mesma vez, a chuva das segunda-feiras.