Thursday, November 08, 2018

Outra poesia de Emilio Prados


Nuevo amor                                                           Emilio Prados

Este cuerpo que Dios pone en mis brazos
para enseñarme a andar por el olvido,
no sé ni de quién es.

Al encontrarlo,
un ángel negro, una gigante sombra,
se me acercó a los ojos, y entró en ellos
silencioso y tenaz igual que un río.

Todo lo destruyó con su corriente.
Los íntimos lugares más ocultos
visitó, alborotó; fue levantado,
violento, dulce, atropellado y roto,
a otro mundo en los bordes de mi beso:
única flor aún viva en el espacio,
que en más fecundo ardor cambió la ausencia.
Luego en mi carne abrió sus amplias alas,
clavándome sus plumas bajo el pecho
todo temblor y anuncio de otras dudas…

No sé qué vida, así, podrá encenderme
la entrada de este ángel.
Soy un templo
arruinado, desde que vino a mí:
farol vacío;
como puerta cerrada de lo eterno…

Y lo que fui no sé: quizás lo sepa,
cuando este cuerpo vuelva a abandonarme
y yo vuelva a nacer desde mis labios
despegado al calor que los concibe…

Mas hoy, por fin, he detenido al día
le he destrozado el corazón al tiempo,
aunque dentro de mí como una daga,
siento al ángel crecer, que me atormenta.

NOVO AMOR

Este corpo que Deus pôs nos meus braços
para ensinar-me a andar pelo esquecimento
Eu nem sei quem é.

Ao encontrá-lo
um anjo negro, uma sombra gigante
se acercou aos meus olhos e entrou neles
Silencioso e tenaz igual a um rio.

Tudo destruiu com sua corrente.
Os lugares íntimos mais ocultos
visitou, mexeu; foi levantado
violento, doce, atropelado e roto,
a outro mundo nas bordas do meu beijo:
única flor ainda viva no espaço,
que no mais fecundo ardor trocou  a ausência.
Logo na minha carne abriu as suas asas largas,
Cravando-me suas penas sob o peito
Todo o tremor e anúncio de outras dúvidas ...

Não sei o que a vida, assim, poderá acender-me
a entrada deste anjo.
Sou um templo
arruinado, desde que veio para mim:
lanterna vazia;
como uma porta fechada do eterno ...

E o que fui não sei: quem sabe saiba
quando este corpo voltar a abandonar-me
e eu  volte a nascer desde meus lábios
desapegado do calor que os concebe ...

Mas, hoje, por fim, terminado o dia
hei destruído  meu coração a tempo
ainda que, dentro de mim, como uma adaga,
sinto o anjo crescer, que me atormenta.

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