Sunday, April 12, 2026

Uma poesia de Carmen Verde Arocha

  

MARES Y HALAGOS

Carmen Verde Arocha

Tu pelo ondulado, canoso
acabas de cortarlo
sigues cortando
y deja tu coronilla brillante

allí entrará la luz
entraré yo
con mis pechos pequeños
y colinas tapizadas de amaranto.

Desnudos peces quietos somos
al resguardo
del recóndito río
que nos hunde sus dientes.

«La mujer que pesca señales en el aire».
Es tu voz que se escucha en el mar.

Tú y yo
peces hambrientos
de múltiples manos
estaremos siempre atados
(estoy segura)
a ese lazo
de lluvia
que te impulsa

al frote del ardor y
aún no lo sabes.

MARES E PLANÍCIES

Teu cabelo ondulado e grisalho

acabas de cortar

segues cortando

e deixa tua coroa brilhante

lá a luz entrará

entrarei eu

com meus seios pequenos

e colinas cobertas de amaranto.

Peixes nus e quietos somos

resguardados

do rio oculto

que crava seus dentes em nós.

"A mulher que pesca sinais no ar."

É a tua voz que se ouve no mar.

Tu e eu

peixes famintos

com muitas mãos

estaremos sempre atados

(estou segura)

a esse laço

de chuva

que te impulsiona

à fricção do ardor e

ainda que não o saibas.

Ilustração: OTSS.

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