Saturday, November 17, 2012

Alejandra Pizarnik




La última inocencia

ALEJANDRA PIZARNIK

Partir
en cuerpo y alma
partir.

Partir
deshacerse de las miradas
piedras opresoras
que duermen en la garganta.

He de partir
no más inercia bajo el sol
no más sangre anonadada
no más formar fila para morir.

He de partir

Pero arremete ¡viajera!

De: La última inocência

A última inocência

Partir
no corpo e alma
partir.

Partir
desfazer-se dos  olhares
pedras opressoras
que dormem na garganta.

Hei de partir
não mais inércia sob o sol
não mais sangue atordoado
não mais formar filas para morrer.

Hei de partir

Porém, explodindo, viajante!

Ilustração: ffffound.com

Friday, November 16, 2012

Ainda Xavier




Inventar la verdad

Xavier Villaurrutia

Pongo el oído atento al pecho,
como, en la orilla, el caracol al mar.
Oigo mi corazón latir sangrando
y siempre y nunca igual.
Sé por quién late así, pero no puedo
decir por qué será.
Si empezara a decirlo con fantasmas
de palabras y engaños, al azar,
llegaría, temblando de sorpresa,
a inventar la verdad:
¡Cuando fingí quererte, no sabía
que te quería ya!

Inventar a verdade

Ponho o ouvido atento ao peito,
como, na praia, o caracol ao mar.
Ouço o meu coração bater sangrando
e sempre e nunca igual.
Se por quem bate assim, porém, não posso
dizer por que será.
Se começar a dizer aos fantasmas
de palavras e enganos, ao acaso,
chegaria, tremendo de surpresa,
a inventar a verdade:
Quando eu fingi te amar, não sabia
que te amava tanto!

Ilustração:  lojaouvidor.wordpress.com

Xavier Villaurrutia




Soneto de la esperanza

Xavier Villaurrutia


Amar es prolongar el breve instante
de angustia, de ansiedad y de tormento
en que, mientras espero, te presiento
en la sombra suspenso y delirante.
¡Yo quisiera anular de tu cambiante
y fugitivo ser el movimiento,
y cautivarte con el pensamiento
y por él sólo ser tu solo amante!
Pues si no quiero ver, mientras avanza
el tiempo indiferente, a quien más quiero,
para soñar despierto en tu tardanza
la sola posesión de lo que espero,
es porque cuando llega mi esperanza
es cuando ya sin esperanza muero.

Soneto de esperança

Amar é prolongar o breve instante
de angústia, de ansiedade e de tormento
em que, enquanto espero, te presinto
na sombra suspenso e delirante.

Eu quisera anular teu ser mutante
e fugitivo de ter movimento,
e cativar-te com o pensamento
e por ele só ser teu único amante!

Pois, se não quero ver, enquanto avança,
 o tempo indiferente, a quem mais quero,
para sonhar desperto em tua tardança

na solidão da posse do que espero,
é porque quando chega minha esperança
é quando já sem esperanças morro. 

Wednesday, November 14, 2012

Funes, pois...



EUCLIDES PUDO HABERLO DICHO              

José Antonio Funes

El amor es un punto
donde un hombre y una mujer
se unen.
El amor es un punto
donde un hombre y una mujer
se separan.
El amor es un punto.

Euclides pode haver ter dito

O amor é um ponto
onde um homem e uma mulher
se unem.

O amor é um ponto
onde um homem e uma mulher
se separam.

O amor é um ponto.

Ilustração:  webquestbrasil.org

De novo Juan Carlos Galeano




 










BORRADOR
  
 Juan Carlos Galeano

El hombre que necesita espacio en su mente para cosas de importancia,
todas las noches se pasa un borrador gigante por la frente.
Borra muchos pensamientos de su tierra, y cada día se despierta
con menos kilómetros cuadrados de recuerdos.
Sus padres le dicen que borre con cuidado. Que no se le vaya la mano
y un día termine borrándolos a ellos.
El hombre les asegura que ya tiene mucha práctica, que él sólo borra
las tierras y las cosas que no son importantes.
Les dice que sabe quitarles las hojas a los árboles y dejar intactas las casas y la gente.


O Apagador

O homem que necessita de espaço em sua mente para coisas de importância,
todas as noites passa uma borracha gigante na testa.

Apaga muitos pensamentos de sua terra, e cada dia acorda
com menos quilômetros quadrados de memórias.

Seus pais  lhe dizem que apague com cuidado. Que não forçe a mão
e um dia termine apagando eles.

O homem lhes assegura que já tem muita prática, que ele só limpa
as terras e as coisas que não são importantes.

Ele diz que sabe cortar as folhas das árvores e deixar intactas as casas e  as pessoas.

Ilustração:  rockntech.com.br

Juan Carlos Galeno




JUEGO
                          a Valliere y George Auzenne
         
Juan Carlos Galeano

Los hermanos montaña y mar usan el río que los une como un lazo para jugar.
Un día al mar le da por jalar a la montaña y ella
se voltea con su calderada de volcanes sobre las tierras, las casas y la gente.
Cuando el mar menos lo espera, la montaña tira del río
y el mar ahoga cientos de animales y a los pescadores que viven en la orilla.
"Lo peor de todo es que el río más grande se presta para jugar", dice una vieja.
La gente le ruega al universo y a las estrellas que les enseñen
a ese par de malcriados a tener buenos modales.
El universo y las estrellas dicen que no quieren meterse en problemas de familia.

Jogo

Os irmãos de montanha e do mar usam o rio que os une como um laço para jogar.

Um dia ao mar lhe a montanha para puxar e ela
se volta com sua cadeia de vulcões sobre as terras, as casas e as pessoas.
Quando o mar menos espera, a montanha tira do rio
e o mar afoga centenas de animais e os pescadores que vivem nas suas praias.

"O pior de tudo é que o rio se presta para jogar", disse uma velha.

As pessoas rezam ao universo e as estrelas que lhes ensinem
a esses par de malcriados a ter boas maneiras.

O universo e as estrelas dizem que não querem  se meter em problemas familiares.

Ilustração:  revistapesquisa.fapesp.br

Monday, November 12, 2012

O grande silêncio



Não quero lhe dizer nada.
Nada tenho para dizer
que não seja o que já sabe.
Se meu silêncio não fala
palavras só silenciam
o sentido que deviam
quem sabe esclarecer.
Um silêncio tão flagrante
algo há de lhe dizer.
Que sigamos adiante:
será o que tem que ser.

Ilustração: docecomoachuva.blogspot.com

O que passa


Passam os peixes,
os cardumes,
as sardinhas,
os tubarões...
Passam as ondas, longas, longas,
Passa a maré e passa o mar.
Tudo se vê na tevê.

Passa o tempo, sempre passa.
O copo seco, a garrafa.
E como a nuvem que passa
passa a noite, passa o dia
e passou minha alegria.

Passam os passos pelas ruas,
os namorados, o sol, a lua.
Passa tudo, tudo mesmo,
até o que não podia passar
e só para me chatear
não passa a saudade tua. 

Ilustração: bemalafaia.blogspot.com

Palhaço, palhaço!



Eu bem sei que o mundo não é justo.
Só eu sei como o mundo é cruel
e vou vivendo do jeito que posso
encenando o meu triste papel.
Sou o palhaço de um circo mambembe
que faz piadas da qual ninguém ri
apaixonado pela bailarina
que, indiferente, de tudo sorri.
Aposto sempre na próxima praça
no sucesso que nunca virá
e gargalho da própria desgraça
vendo a vida sem graça passar.

Ilustração: meusalunos.arteblog.com.br

Saturday, November 10, 2012

Ainda Romero




PALABRAS

Elvio Romero

Acaso esto no fuera sino largas palabras
y mi real deseo, entonces, partir una naranja
nuestra, hecha con labios de greda paraguaya
y ardiente, o cubrirte con el naranjal, con la redonda luna que nos besa
eternamente, ciegamente en la patria
del naranjal y del naranjo, y entonces mi amor no sería sino eso,
el eco y el gemido de un follaje que te cubra y abrace
con mano vegetal, con labio vegetal, con la caricia
suave de una fruta que te ofrezca su espuma y sus aromas,
y mi afán adentrarte en el diamante de su semilla, al borde
de su caliente cáliz, de su pulpa aromática,
y todo esto que es palabra se haga tierra,
raíz donde caminar, canto de una guitarra para siempre envolviéndote,
para siempre cantándote, dichosa.

de "El viejo fuego"

Palavras

Talvez isto não seja senão largas palavras
e meu real desejo, então, a partir de uma laranja
nossa, feita com lábios de argila paraguaia
e calor, cobrir-te com o laranjal, com a redonda lua que nos beija
eternamente, cegamente na pátria
do laranjal e da laranja, e então o meu amor não seria senão isso,
o eco e o gemido de uma folhagem que te cubra e abrace
com mão vegetal, com lábio vegetal, com a carícia
suave de uma fruta que te ofereça sua espuma e seus aromas,
e meu afã de entrar no diamante de sua semente, nas bordas
de seu cálido cálice, de sua polpa aromática,
e tudo isto que é feito a palavra terra,
raiz de onde caminhar, canto de uma guitarra para sempre envolvendo-te,
para sempre cantando-te feliz.  

Pintura de A. C. Seixas