Thursday, November 10, 2022

REFLEXÃO NUM AVIÃO EM TURBULÊNCIA

 


 Senti, quando entrei, que embarcar neste avião

era como entrar em velocidade na contramão.

E, ao olhar para a cabine do piloto,

reconheci, de pronto, o cara louco

que, ontem, bebia vodca como se fosse água.

Nem pensem que extravaso alguma mágoa.

Não. Devo reconhecer que devia ter descido,

mas, a vida, de qualquer modo, é um perigo,

de forma que fiquei e depositei minha confiança

na estatística, que me informa que uma queda

é mais difícil do que ganhar na loteria.

Agora, com este descalabro, este balançar,

como se fosse bola de pingue pongue,

sinto que errei, que fiz o que não devia.

Talvez tenha sido o fato de que esta companhia,

além de cumprir horários, nunca perdeu uma nave,

esqueci que avião é pesado, não é ave,

e o passado nada informa sobre o futuro.

Na verdade, só nos resta rezar,

principalmente, vendo o medo, é duro,

que se vê no olhar da comissária,

depois de falar com o copiloto.

Não é hora de procurar culpados.

Mortos não culpam ninguém

e também nenhuma culpa tem.

Vão passar anos investigando

e, depois, numa breve nota

dirão que foi erro humano

ou de manutenção.

Nada de chorar.

Encare as coisas com isenção:

pegamos o voo errado.

É muito azar!

Ilustração: e-destinos.com.br.

Tuesday, November 08, 2022

Outra poesia de David López Sandoval

 

 

EL CORAZÓN DE UN HOMBRE

David López Sandoval

Aunque esta noche escapen las chispas de la hoguera
y el viento haga temblar las ramas de los árboles,
aunque esta noche ruede la piedra cuesta abajo
como todas las noches de tu vida hasta ahora,
aunque queden pendientes demasiados deseos
para seguir creyendo que hay un plan infinito,
sin reglas ni esperanza, sin miedo a lo que ocurra,
por encima de todo procura ser feliz.
Feliz porque la lucha por llegar a la cima
basta para colmar el corazón de un hombre.

O CORAÇÃO DO HOMEM

Ainda que esta noite escapem fagulhas da fogueira

e o vento faça tremer os ramos das árvores,

ainda que esta noite role a pedra costa abaixo

como todas as noites de tua vida até agora,

ainda que fiquem pendentes demasiados desejos

para seguir acreditando que há um plano infinito,

sem regras, sem esperança, sem medo do que ocorra,

acima de tudo procura ser feliz.

Feliz porque a luta por chegar lá em cima

Basta para satisfazer o coração de um homem.

Ilustração: https://www.artmajeur.com/.

Monday, November 07, 2022

Poema dos Olhos Teus


Teus olhos não querem dizer nada

e não dizem coisa nenhuma. 

Mas, ver teus olhos assim

com este ar de quem não está nem aí

me faz pensar

que sou o moleque saci

ou um boi voador.

E, percebo sim, sem reflexão maior

que gosto de teus olhos 

de qualquer jeito,

porém eles só me parecem 

mais perfeitos

quando me olham 

com amor!

Ilustração: Clouding Coach.

Sunday, November 06, 2022

AMOR AOS PEDAÇINHOS

 


Eu não queria te dizer,

Mas, o mundo vai acabar

E esperando por você

Ainda vivo a sonhar....

Não queria te dizer,

Porém, mesmo depois do fim

Este amor doendo em mim

Vai ainda perdurar.

E se antes te encontrar,

No sol ou na escuridão,

Sou capaz de te amar

No instante da explosão.

E assim, em pedaçinhos,

Confetizinhos de amor

Nós seremos mais felizes

No mundo que se acabou!

 

 

Friday, November 04, 2022

A Primeira Vez

 

I

Aproxime-se.

Não tenhas receio.

Sabes que resistir dói mais

do que deixar fluir o desejo.

Não. Não fuja

me dá, suavemente, o teu beijo.

O resto acontece, é natural.

II

Temer é a primeira reação

contra esta torrente de emoção.

Este calor, porém que torna rósea 

tua pele clara,

que arrepia e avermelha o tecido te delata.

Não estremeces, nem depois, de medo,

é o prazer que vem, cedo ou tarde, 

desfazer os segredos 

e do prazer fazer alarde.

III

Não te culpes... nem expliques

(ninguém, nem nada no mundo é inocente)

agarra, com paixão, com a tua mão

docemente a vida que sentes

pulsar, crescer, se levantar.

Agora saberás na tua carne,

com a dor que arde,

o que viver e amar, 

enquanto a sensação 

de voar, perdurar!!! 

Ilustração: materialincognita.com,br. 




Wednesday, November 02, 2022

O DESABROCHAR

 


Sem dúvida a flor desconhecida

que procuro,

entre encontros e desencontros

de bocas, pernas e mãos,

deve florescer sem pressa, 

longe das pedras e muros, 

como florescem as melhores flores do amor. 

Este calor que sinto,

o frio, o calafrio, o tremor

e os lábios quentes e molhados

me dizem 

que a hora chegou de sermos felizes,

enfim, 

depois de carícias, de recuos,

de medos e arrepios,

estás pronta, 

para a festa da floração, 

para deixar que teu coração

sorva o espasmo, 

a palpitação doce e sagrada, 

da flor que, 

depois de tanta preparação, 

surge em todo o seu esplendor 

espargindo o perfume do amor. 

Uma poesia de Santiago Galán


 

Santiago Galán

 

Quizás no seamos
descendientes de alabadas dinastías,
quizás no con el cuerpo
sino con la electricidad
húmeda
de las naves y los platillos volantes
pueda accederse allí,
indefinido allí
que define el choque entre dos crótalos.

 

Pueden afirmarse los adverbios
y su afirmación será duda siempre:
ante la lucidez del dromedario
sólo queda replegarse.

Quem sabe não sejamos

descendentes de dinastias aclamadas,

quem sabe não com o corpo

sim com a eletricidade

úmida

de navios e discos voadores

possa ser acessado lá

indefinida lá

onde se define o choque entre dois pratos.

 

Podem afirmar-se os advérbios

e sua afirmação será sempre duvidosa:

antes da lucidez do dromedário

só resta recuar.

 

Uma poesia de Féi Hernandez


SINGING FUNERAL

féi hernandez

I’ve avoided opening my throat in fear the dead would rise, walk out of me, leave me emptier after their fleeting, and still get deported back into the abyss they climbed from. I don’t think they hunger me. They want to abandon and find a soft rock to lay their head on, a voice, an empty water jug, a song, the striking pain of a windless and deserted desert or a revolver or drugs or gang affiliations. Instead I hoax them to sit perched, their black wings all slick and crow-like while I drag the weight of Mexican unsung mourning in choir. Now I have someone to blame. My brother isn’t coming back from the dead and I won’t fix my scale. The tone will always be off, a crooked meteor slicing what’s left of the sky. Songs will remain unsung, the diaphragm, a cheap staircase, not even lullabies can squeeze out, my voice box sealed, a better state line than the Mexican-American border. This time mami won’t become one million doves in the driver seat while she sings to Jenni Rivera as we drive through the sandstorm. Instead she hardens, tells me of the desert roses tumbling across the desert, how just like us they have razor sharp petals as armor on their body from tumbling aimlessly for years. Memory still doesn’t strike a guitar string, the tíos are turning in their grave, while abuelita twists her mouth so we don’t see her teethless. We all have this disease, a black dove chewing on its feathers inside of a country inside us, trapped in the cave of us, we rage or corridos Chihuahuenses or a dying ensemble, but even if the song kills me I won’t set it free. It’s obvious I must avoid the eulogy that comes after talking about my brother’s death because it’ll haunt me, his death, it will follow me and take me too, and I want to sleep tonight.

FUNERAL CANTADO

Evitei abrir minha garganta com medo de que os mortos se levantassem, saíssem de mim, me deixassem mais vazia depois de sua fugaz e ainda fossem deportados de volta ao abismo de onde subiram. Eu não acho que eles têm fome de mim. Eles querem abandonar e encontrar uma rocha macia para deitar a cabeça, uma voz, um jarro de água vazio, uma música, a dor pungente de um deserto sem vento e deserto ou um revólver ou drogas ou filiações a gangues. Em vez disto, eu os engano para se sentarem empoleirados, suas asas negras todas escorregadias e parecidas com corvos, enquanto eu arrasto o peso do luto mexicano não cantado no coro. Agora eu tenho alguém para culpar. Meu irmão não está voltando dos mortos e eu não vou consertar minha balança. O tom sempre será desligado, um meteoro torto cortando o que resta do céu. As músicas permanecerão sem ser cantadas, o diafragma, uma escada barata, nem mesmo as canções de ninar podem espremer, minha caixa de voz selada, uma linha de estado melhor do que a fronteira mexicano-americana. Desta vez, mami não se tornará um milhão de pombas no banco do motorista enquanto canta para Jenni Rivera enquanto dirigimos pela tempestade de areia. Em vez disto, ela endurece, me conta sobre as o deserto de rosas caindo pelo deserto, como, assim como nós, elas têm pétalas afiadas como armaduras em seu corpo por terem caído sem rumo por anos. A memória ainda não bate na corda do violão, os tios estão se revirando no túmulo, enquanto avozinha torce a boca para não a vermos sem dentes. Todos nós temos essa doença, uma pomba preta roendo suas penas dentro de um país dentro de nós, preso na caverna de nós, nós enfurecemos ou corridos Chihuahuenses ou um conjunto moribundo, mas mesmo que a música me mate eu não vou deixar gratuitamente. É óbvio que devo evitar o elogio que vem depois de falar sobre a morte do meu irmão porque isso vai me assombrar, a morte dele, vai me seguir e me levar também, e eu quero dormir esta noite.

Ilustração: Sempre Família.

Tuesday, November 01, 2022

NÃO TE DIGO....

 


Não te digo, podes ficar vaidosa,

Sou teu espinho, ò rosa!

Quando parece que te abandono,

Quando na distância pareces esquecida

é que, meu amor, querida

como as águas do mar vão e vem,

mas, para voltar sempre mais forte.

E, com tanto tempo assim,

te prepara para mim,

que chegarei com a força de um tsunami,

pedindo, chorando, implorando

para que me ame!!!

Ilustração: Juciara Oliveira.

Monday, October 24, 2022

Cidade Maravilhosa, terra de encantos mil...

 

 

Já fui de Água Santa..Saudades tantas...

                             Para Luiz Carlos Marques

É verdade que,

Com esta memória vaga,

Não lembro mais nada.

Quanto mais quando

Vivi em Água Santa,

Tijuca, São Conrado, Niterói,

Vieira Souto

E estar longe do Cristo Redentor

Ainda me dói.

Dá saudades lembrar

Que comi rabicó de galinha na Penha,

tanajura em Bangu,

sardinha na Senador,

ou carpaccio de avestruz em Copacabana,

a memória,

a danada não me engana!

 

Torresmos, rabadas e carnes secas

Nunca faltaram na Zona Norte

Com cachaças, chopes, batidas.

E, para provar que sou forte

Me orgulho de já ter bebido,

Em procissão por pés sujos,

Guiado pelo Johnny Bradfort,

Quando ainda era magrinho

E bebia cachaça como se fosse água,

Tanto que queria me convencer

Que lutou no Canal de Suez!

 

Jurubebas, caipirinhas de limão cravo

Ou de pimenta rosa,

Juro, já me deixaram cheio de prosa

Me alimentando só de linguiçinha de porco,

Uns croquetes do Rebouças

ou bolinhos de aipim ou de bacalhau-

o que não é nada mau!

 

Afinal ser carioca

Não é nascer no Rio de Janeiro-

Este é um requisito maneiro.

Ser carioca

É aceitar o desafio

De buscar nesta cidade

O que ela tem de bom e de melhor...

Assim, meu companheiro,

Qualquer hora desembarco

Para aceitar seu desafio,

Com chuva ou sem,

De usufruir o melhor da vida:

Viver no Rio

O AVISO DO BOM BANDIDO

                       


                                          

                                                               "Os que tem posições de comando não devem abusar. Antes                                                                          devem iluminar com a sua luz os que vivem na sombra"                                                                                (Nilton Santos). 

Ora, senhor, se nada queres dar

como pretendes, então, manter teu reino?

Palavras e a fé não são jamais,

sem o apoio eficaz de algumas armas, 

possíveis de assegurar a paz. 

Se não quiseres abrir a bolsa

lembra que quanto melhor a louça, 

mais fina e delicada ela é, 

mais fácil de quebrar 

por qualquer coisa. 

Até agora somente admirei

a loja tão bonita que tu tens,

mas nenhum dos meus macacos já soltei. 

Pensa bem, 

reflete de verdade

e vê que é só um gesto de amizade 

abre tua bolsa que não te perturbarei. 

Depois não digas

que não sou teu amigo.

Depois não digas 

que não te avisei. 


MANIFESTO DA DIVERGÊNCIA


Eu quero festa.

E não há festa. 

Eles não desejam que haja festa

e até inventam que, 

por desejar viver a vida

sou terraplanista, 

sou negacionista, 

um ser que não respeita a ciência. 

Que devo ter paciência 

com o toque de recolher

perdi o direito 

de ser alegre

(até de me embriagar me impedem),

não tenho o direito e ir e vir

e me dão como motivo 

o bem estar coletivo

para me obrigar a ficar 

entre quatro paredes cativo. 

Eles fecham tudo. 

Eles sabem de tudo, 

menos como acabar com a epidemia

ou me explicar 

como a inflação e a fome, 

sem produção, 

vão evitar. 

Uma coisa sei que sabem:

é roubar a nossa liberdade!!!

Ilustração: Projeto Colabora. 

O UNGIDO


Quando, sob aplausos, subiu no palco,

e começou a falar como um profeta,

alguns disseram deve estar de porre

e os insensatos:grande é a sua meta. 

Bradou bem forte contra a iniquidade, 

esbravejou contra a corrupção, 

para todos prometeu o pão,

e que vinha para mudar os costumes, 

que encarnava a vida e a verdade.

Exortou a todos, e todas, a seguir

suas palavras e seu comando,

que o passado para trás deixassem

como se tudo com ele começasse. 

E dali por diante, a seu mando

que beijassem o chão onde passasse. 

Porém, no seu delírio de grandeza

nada além de palavras oferecia

e só alimentava os de sua mesa,

enquanto o resto de fome padecia, 

apesar das migalhas que oferecia. 

Custou, talvez, duas décadas 

enganando o povo com ração

até a rápida e cruel decepção 

movida por, cada vez maior,

desobediência e revolta. 

Mas, o predestinado, 

sem a menor paciência,

pois se dizia detentor da ciência, 

para ficar no poder

perseguiu e matou 

um terço da população,

antes de, estrepitosamente, 

se esborrachar no chão!

Uma poesia de Carmen del Rio Bravo

 


DE NUEVO

Carmen del Río Bravo

Te enamoras de nuevo. Sientes que quieres de un modo diferente. Se te acelera el pulso cuando lo ves, cuando lo presientes, cuando lo recuerdas, cuando lo sueñas, cuando ni lo echas de menos. La piel se te vuelve viva, y hambrienta. Te descubres alerta, más carne y más deseo. Todo tiene olores y colores y sabores y sonidos de estreno. Y el tacto... hasta el papel adquiere uno más intenso, es mucho más suave y más rugoso.

Y a veces lo consigues. Eres correspondida. Todo parece diferente, nunca has sido tan piel, nunca tan sueño, nunca has volado tan alto tocando tanto el suelo.

Pasa el tiempo. Y un día amaneces con frío y cuando estiras el brazo no encuentras nada con que abrigarte. O lo que encuentras no abriga ya. Y poco a poco -no se suele tirar bruscamente- se agranda la distancia. Y te das cuenta de que hace tiempo que no te acaricia un folio ni te huele la sal en la cocina. Ya ni te mete mano la toalla. Y no hay más cera que la que arde. Y ésta no quema

Después de algún tiempo lo que más echas de menos es a ti misma en vuelo -en celo-. Tu carne, tu deseo, tu conciencia... Ya estás lista. De nuevo.

DE NOVO

Você se apaixona novamente. Sentes que queres de uma maneira diferente. Te acelera o pulso quando vai vê-lo, quando o pressente quando o lembra, quando sonhas com quando pensa  que o perdeu. A pele volta a ser viva e faminta. Te  descobres alerta, mais carne e mais desejo. Tudo tem cores e cheiros e sabores e sons de estréia. E o tato ... até o papel adquire uma forma mais intensa, é muito mais suave e mais repleto de saliências.

E às vezes o consegues. És correspondida. Tudo parece diferente, nunca há sido tão pele, nunca tanto sonho, nunca hás voado tão alto, tocando tanto o chão.

O tempo passa. E um dia amanheces com frio e quando esticas o  braço não consegues encontrar com que abrigar-te. Ou o que  encontras não te abriga mais. E, pouco a pouco, não se tira bruscamente- se alarga a distância. E se dá conta que, faz tempo não acaricia um pedaço de papel ou não sente o cheiro do sal na cozinha. E não recebe a mão ou toalha. E não há mais a cera  que  arde. E esta não queima.

Depois de algum tempo o que mais sente falta é de ti mesmo -em  vôo-em zelo-. Tua carne, teu desejo, tua consciência ... Estás pronta. De novo.

Ilustração: https://pt.aleteia.org/.

 

 

 

Sunday, October 23, 2022

CANTO BRANCO DE AMOR

Amo a brancura de tua pele

quando me fere

com sua doce entrega. 

O bico azul de teus seios, 

fontes de mel, nascedouros de  prazeres,

portos de precipícios de desejos, 

brinquedos lúdicos de sonhos infantis. 

Ainda sinto teus beijos,

muito tempo depois, 

no meu sono 

e ainda guardo os ardores insaciados,

os desejos guardados, 

ansiosos por poderem se expandir 

atrás de ti, 

como fantasmas da paixão,

que rondam as terras desconhecidas

atrás da flor fugaz do gozo, 

flor preciosa, 

entre as pernas

nos brancos campos de neves 

onde nunca chegaram 

a maciez ávida de minha língua, 

seca ainda, chorosa à míngua

dos líquidos que hão de brotar, 

do germinar sem fim 

do amor que há em ti,

que há em mim 

e quer te ver esposa, menina , mulher

a gemer, gritar, dizer 

que existe sim, 

que te guardastes tanto, 

de modo quase santo, 

a esperar por uma festa assim, 

a esperar tanto amor, 

a esperar por mim! 

DIRETOR SEM DIREÇÃO


Não há direção perfeita, 

nem perfeita tomada, 

ator que, por mais experiente, 

não perda o tempo da ação, 

quanto também se perdeu a direção. 

Às vezes, esqueço a cena,

a câmara, o som, o que desejo filmar.

É quando sinto que nada funciona bem 

e tudo se parece demais com a minha vida. 

Só falta, querida, para a tragédia se consumar

me avisar que não vai voltar, 

que já sabia,

que sou um desastre de direção,  

um fracasso certo de bilheteria.  

Ilustração: Geeks em Ação. 

Saturday, October 22, 2022

Uma poesia de Aline Mello

 


THE IMMIGRANT

Aline Mello

will become a pessimist                            eventually

trying to find what’s lost                           will ransack the house

the overstayed visa                                     the recipe book

the birth certificate                                     the first passport

nowhere                                                        to be found

the immigrant                                             will travel

drive with the windows down                  stop at the rest stops

always in search                                          trying to find more

of what made you leave                             because nothing can satisfy

the first time around                                  there is something that pushed you out

this is the horrible secret                           this is the terrible secret

the immigrant always an immigrant       there is no returning

 

 

 

O IMIGRANTE

irá se tornar um pessimista                       eventualmente

tentando encontrar o que perdeu               irá saquear a casa

o visto vencido                                            o livro de receitas

a certidão de nascimento                             o primeiro passaporte

nenhum lugar                                                 para ser encontrado

o imigrante                                                irá viajar

dirigir com as janelas abertas   parar nas paradas de                                                                                                                                    descanso

procurando sempre                                    encontrar mais

do que deixou                                            porque nada pode satisfazer

aceca da primeira vez,                               há algo que o empurrou para fora

este é o segredo horrível                           este é o segredo terrível

o imigrante sempre imigrante                   não tem retorno.

Ilustração: CDHIC.   

Uma poesia de David López Sandoval

 


TODOS ESOS ESPEJOS

David López Sandoval

Todos esos espejos  

en los que un día me miré,¿qué imagen
guardan de mí?, ¿qué parte de mi vida
rebalsan? ¿Qué ocasiones
cabrillean aún sobre sus ondas?

 

TODOS ESSES ESPELHOS

Todos esses espelhos

em que um dia me olhei que imagem

guardam de mim? Que parte da minha vida

revelam? Que ocasiões

resplandecem ainda sobre suas ondas?

Ilustração: Minilua.  

Wednesday, October 19, 2022

DE REPENTE....O DESEJO




Existe sempre algo que nos faz querer.

Cair no risco bobo de se desejar.


e como é bom sentir vontade de amar

quando a paixão nos pega

em qualquer lugar.

 

Quando sutilmente

Só há no pensamento

a ideia de que beijar

a mulher que se ama

é o único intento.

É simples assim...

Não existe explicação.

o amor é como o vento

que vem, de repente,

sussurrar 

que é hora de amar,

ser feliz e viver contente!!

Ilustração: Estante Diagonal. 

SONETO DO AMOR RECOMPOSTO

 


Ah! Meu amor, não sei do que você reclama!

Na vida não há, como se deseja, a perfeição,

O tudo andar nos trilhos é uma grande ilusão,

Pois, onde há o encanto há também a lama. 

 

Na vida existe a arte, a maldade, o desespero.

Somente nos romances o verdadeiro amor

Transcorre como uma sinfonia. De fato, a dor

É do cotidiano, de toda paixão, o real tempero.

 

Toda relação, por maior que seja a delicadeza,

Envolve renúncias, silêncios... a tristeza

Que só com doçura e o bem querer se supera.

 

A construção do amor é a morte de ideais,

E só temos certeza de que amamos muito mais,

Quando se recria a vida da forma que não era!

Saturday, October 15, 2022

Viver é preciso

 


Em tudo o que vivemos,

Há a vida real e a imaginada,

Que, quanto, mais desejada,

Parece menos com a que temos,

Que insiste em não nos dar nada,

Por ser tão difícil e errada.

 

Mas, a vida é verdadeira.

Para o mal ou para o bem,  

Podendo, ou não, explicar

Temos, de qualquer maneira,

De viver a vida que se tem

E não a que se vive a sonhar.

Ilustração: Medium. 

Uma poesia de Rafael Arévalo Martinez

 


MI VIDA ES UN RECUERDO

Rafael Arévalo Martínez

Cuando la conocí me amé á mí mismo.

Fué la que tuvo mi mejor lirismo,

la que encendió mi obscura adolescencia,

la que mis ojos levantó hacia el cielo.

 

     Me humedeció su amor, que era una esencia,

doblé mi corazón como un pañuelo

y después le eché llave á mi existencia.

 

     Y por eso perfuma el alma mía

con lejana y diluida poesía.

MINHA VIDA É UMA MEMÓRIA

Quando a conheci me amei a mim mesmo.

Foi a que teve meu melhor lirismo,

a que incendiou minha obscura adolescência,

a que levantou meus olhos até o céu.

 

Me umedeceu seu amor, que era uma essênai,

dobrou meu coração como um lenço

e depois se fez a chave da minha existência.

 

E por isto perfuma minha alma

com a distante e diluída poesia.

Ilustração: Cursos CPT.