Thursday, October 10, 2024

Uma poesia de Juanjo Muñoz Knudsen

 


Canciones nostálgicas de youtube a las 23:33

Juanjo Muñoz Knudsen

Perritos chiquititos que son mis amigos,
perrones grandes
que me acompañan cuando camino,
un gati, con la pancita blanca
y un lunar o mancha negra
que lo hace más dulce
de alguna manera

El perrito de un meme
que bailaba cumbia.
Perrito cumbiero
te quiero mucho.
O el que tenía un amigo
que lo subía a un caballo mecánico
y se divertía un montón.

¿Cómo hacen? Para decirnos tanto
con su colita contenta,
yo me pregunto.
También me pregunto si creen en mí
si confían en mis decisiones
como yo a veces me intento convencer
de que sí
de que confío
en mis
decisiones

CANÇÕES NOSTÁLGICAS DE YOUTUBE ÀS 23H33

Cachorrinhos que são meus amigos,

cachorros grandes

que me acompanham quando caminho,

um gatinho, com barriguinha branca

e uma verruga ou mancha preta

que o faz mais doce

de alguma maneira

 

O cachorrinho de um meme

que dançava cumbia.

Cachorro cumbiero

eu te quero muito.

Ou o que tinha um amigo

quem o subia num cavalo mecânico

e se divertia de montão.

 

Como fazem? Para nos dizer tanto

com sua caudinha feliz,

eu me pergunto.

Também me pergunto se creem em mim

se confiam nas minhas decisões

como eu, às vezes, tento me convencer

de que sim

de que confio

nas minhas

decisões

Ilustração: Amigo Energy.

Amor Musical

 


A delicadeza do teu querer

Vibra em cada fibra de minha alma

Com o suave toque de tuas mãos

Que uma partitura invisível segue

Despertando em nossos corpos

Harmonias insuspeitas de prazer

Para tornar o nosso amor

Uma sinfonia inacabada,

E sempre repetida,

Música inesquecível de gozo e vida

Que sempre acaba em suor e prazer. 

Ilustração: Vox Music. 


Wednesday, October 09, 2024

Uma poesia de Andrea Cote

 


DE AUSENCIA

Andrea Cote

Es para el dios de lo deshabitado
que se alzan templos invisibles
en la borrasca del desierto.
Es para él
que los árboles enanos inclinan en la arena sus ramas
humildes,
fervorosas.
Es para que no te aferres
que existe un dios de la ausencia,
señor del desierto
y de las cosas que,
como la sombra,
existen por la fuerza de la luz que las rechaza.

DE AUSÊNCIA

É para o deus do desabitado

que se elevam templos invisíveis

na tempestade no deserto.

É para ele

que as árvores anãs inclinam seus ramos na areia

humildes,

fervorosas.

É para não te aferres

que existe um deus da ausência,

senhor do deserto

e das coisas que,

como a sombra,

existem pela força da luz que as rechaça.

Ilustração: Canção Nova.

Uma poesia em homenagem a Fausto Nilo

 


QUANDO QUALQUER MÊS PASSAR

(Como se fosse um Fausto Nilo)

 

Quando fevereiro passar

Não pense que será diferente.

É só olhar o teu olhar

que passo a me sentir contente.

Ninguém terá o sentimento

que nós dois sentimos.

E depois do amor, ô, ô,ô,ô,

o prazer com que sorrimos!

O desejo que nos faz queimar

é chama que não se apaga.

É vontade que nos faz brincar

de vai e vem, mas, nunca larga.

O nosso amor só nos faz cometer

loucuras,

mas, bem sabemos

que, chorando ou rindo,

o tempo vai passar

é um presente

este querer,

que nem o tempo

pode apagar.

Só podemos lamentar

que não haverá mais de mil fevereiros,

ou qualquer que seja o mês,

em que possamos estar vivos

para mais amar

como se fosse a primeira vez,

como se dezembro

pudesse ser janeiro.

Tuesday, October 08, 2024

Outra vez Salomon de la Selva


 

TROPICAL TOWN

Salomón de la Selva

For Miss Eugenia L. V. Geisenheimer

Blue, pink, and yellow houses, and, afar,
The cemetery, where the green trees are.

Sometimes you see a hungry dog pass by,
And there are always buzzards in the sky.
Sometimes you hear the big cathedral bell,
A blindman rings it; and sometimes you hear
A rumbling ox-cart that brings wood to sell.
Else nothing ever breaks the ancient spell
That holds the town asleep, save, once a year,
The Easter festival . . .
                                                I come from there,
And when I tire of hoping, and despair
Is heavy over me, my thoughts go far,
Beyond that length of lazy street, to where 
The lonely green trees and the white graves are.

CIDADE TROPICAL

Para a Srta. Eugenia L. V. Geisenheimer

Casas azuis, rosas e amarelas, e, ao longe,

O cemitério, onde estão as árvores verdes.

Algumas vezes você vê um cachorro faminto passar,

E estão lá sempre os urubus no céu.

Algumas vezes você ouve o grande sino da catedral,

Um cego o toca; e às vezes você escuta

Uma carroça de bois barulhenta que traz madeira para vender.

De outra forma, nada quebra o antigo feitiço

Que mantém a cidade adormecida, exceto, uma vez por ano,

O festival da Páscoa...

Eu venho de lá,

E quando me canso de esperar, e o desespero

Pesa sobre mim, meus pensamentos vão longe,

Além daquela extensão de rua preguiçosa, para onde

As árvores verdes solitárias e os túmulos brancos estão.

Ilustração: Viagem e Turismo.

Outra poesia de Luis Eguílaz

 



3

Luis Eguílaz

En una nave estábamos los dos
comiendo palmeras de chocolate.
Estuvimos treinta días en la nave.
Una vez una lucecita hizo su presencia.
Era la lucecita amistad.
Tuvimos que regresar a casa
porque había una fiesta familiar.
A la mañana croaba una rana
y antes de dormir me ponía el pijama

3

Em um navio estávamos nós dois

comendo palmeiras de chocolate.

Estivemos trinta dias no navio.

Uma vez, uma luzinha se fez presente.

Era a luzinha da amizade.

Tivemos que regressar para casa

porque houve uma festa familiar.

De manhã coaxava uma rã

e antes de dormir pus meu pijama

Ilustração: Ponto Biologia. 

Monday, October 07, 2024

Uma poesia de Kary Lederer

 

 

 


   LITHOPEDION

Katy Lederer

 

Breaking like a ninepin inside. We were fulfilled but also
petrified. Tied up by an adhesion, this is the story that we like
to tell: divided into parts. This is the story of an arm, a leg,
an “armistice immobile.” Hands as if taped to the head, legs
akimbo. “We slid the bright contraption over calves.” Now,
through this curtain we can see our rolling dawn: white
and encased, how many eons in the making. The sun now
rising through its tubes, we wonder if we are a ball or pin.

LITHOPEDIAN

Quebrando como um pino de nove pinos inserido. Éramos completos, mas também 

petrificados. Atados por uma adesão, esta é a história que gostamos

de contar: divididos em partes. Esta é a história de um braço, uma perna,

 um "armistício imóvel". Mãos como se estivessem presas à cabeça, pernas

na cintura.

"Nós deslizamos a engenhoca brilhante sobre as panturrilhas." Agora,

através desta cortina, podemos ver nossa aurora rolante: branca

e envolta, quantos éons em formação. O sol agora nascendo através de seus tubos, nos perguntamos se somos uma bola ou um alfinete.

Ilustração: CNN. 

A Esperança na ilusão geral



Há o fato lídimo e insofismável

de que, se os pássaros voam,

então, elefantes tem dificuldade de voar,

mas nem todo animal pesado é imprestável 

nem totalmente incapaz de flutuar. 

Nem as palavras 

por mais doces que sejam

fazem o concreto, de fato, se realizar.

Em tudo há necessidade de projeto

sejam nas coisas grandes ou banais

e ninguém pode ser assim tão correto

que escape dos mexericos dos jornais.

Embora estejamos colocados

numa época pré-solar,

não se percebe inocentes nem culpados,

nem com tanta confusão dá para avaliar. 

Há uma certeza, porém 

que nos alegra

e nos enche de fé o coração. 

Depois de tanta gente esperta e brega

mandando com determinação

podemos ter uma recuperação

(não se sabe quando nem onde)

porque se mente tanto nesta nação

que pode até mesmo melhorar

se todos os idiotas adotarem 

esta ilusão. 

Ilustração: Outras Palavras.

Sunday, October 06, 2024

Um poema de Salomón de la Selva

 


A SONG FOR WALL STREET

Salomón de la Selva

In Nicaragua, my Nicaragua, 
    What can you buy for a penny there?—
A basketful of apricots, 
    A water jug of earthenware, 
A rosary of coral beads
    And a priest’s prayer. 

And for two pennies? For two new pennies?—
    The strangest music ever heard
All from the brittle little throat
    Of a clay bird, 
And, for good measure, we will give you
    A patriot’s word. 

And for a nickel? A bright white nickel?—
    It’s lots of land a man can buy,
A golden mine that’s long and deep,
    A forest growing high, 
And a little house with a red roof
    And a river passing by. 

But for your dollar, your dirty dollar, 
    Your greenish leprosy, 
It’s only hatred you shall get
    From all my folks and me;
So keep your dollar where it belongs 
    And let us be!

UMA CANÇÃO PARA WALL STREET

Na Nicarágua, minha Nicarágua,

O que você pode comprar por um centavo lá?-

Uma cesta cheia de damascos,

Um jarro de água de barro,

Um rosário de contas de coral

E a oração de um padre.

 

E por dois centavos? Por dois novos centavos?-

A música mais estranha já ouvida

Tudo da garganta frágil

De um pássaro de barro,

E, por uma boa medida, nós lhe daremos

A palavra de um patriota.

 

E por um níquel? Um níquel branco brilhante?-

É lote de terra que um homem pode comprar,

Uma mina de ouro longa e profunda,

Uma floresta crescendo alta,

E uma pequena casa com um telhado vermelho

E um rio passando.

 

Mas pelo seu dólar, seu dólar sujo,

Sua lepra esverdeada,

É apenas ódio que você receberá

De todos os meus pais e de mim;

Então mantenha seu dólar aonde ele pertence

E nos deixe ser!

Ilustração: Livecoins.

Uma poesia de Luis Eguílaz

 


5

Luis Eguílaz

Fiesta,

ella quería más fiestas,

pero su tipiti

soldado robótico

se lo impedía.

 

Después, Uja, la gran

princesa robótica

que presentaba la primicia,

ui ui ui, la gran gala

de la mujer robótica.

 

Dan dan dan dan, los marcianitos

van a bailar, dan dan, en vida futura,

la la la, todos a cantar.

 

5

Festa,

ela queria mais festas,

mas seu tipiti

soldado robótico

a impedia.

 

Depois, Uja, a grande

princesa robótica

que apresentava o primórdio,

ui ui ui, a grande gala

da mulher robótica.

 

Dan dan dan dan, os marcianozinhos

vão dançar, dan dan, na vida futura,

la la la, todo mundo canta.

Ilustração: Devian Art.

Movimento é vida


Gosto dos movimentos lentos

como as folhas ao vento.


Nem me importa se o universo

vibra de luz ou lamento.


Importa sim o leve rumor 

da incerteza revelar o movimento.


No ar, mesmo seca, a folha é vida

E toda vida, movimento. 

Ilustração: Capivari online. 

 




Saturday, October 05, 2024

Um poema de ocasião de Giorgio Caproni

 


L’occasione

Giorgio Caproni

L’occasione era bella.
Volli sperare anch’io.
Puntai in alto. Una stella
o l’occhio (il gelo) di Dio?

A OCASIÃO

A ocasião era bela.

Eu queria ter esperança também.

Apontei no alto. Uma estrela

ou o olho (geada) de Deus?

Ilustração: Mdig.

Friday, October 04, 2024

Um poema de Tan Lin

 


SENT & SCENTED WITH 10 EMOTICONS

Tan Lin

U R a “swan” inside my
afternoon.

Delirium is a trinket
cut in half.

2:50: river plaid state
2:51 gymnasium lily

In the bath tub
I wrote NOTES

about
yr fleece and yr math.

I wrote a Lincoln and baked
myself awake

I swam all summer,
indeterminately

(your) oblong
comets

thumb velvet
in an indentation

of purring.
2:53

Eleven dogs cried
the color of reptiles,

plus or minus the inside,
hurt in Leffe

a pattern
in a tablecloth repeats.

At 2:54 (some articles of loathing)
(the Teflon in a river *

of beer
U R November,

what) is a year
Black,

and a few
ellipses

) *)
in a summer powder

ENVIADO E SENTIDO EM 10 EMOTICONS

Enviado e perfumado com 10 emoticons

Vc é um "cisne" dentro da minha

tarde.

Delírio é uma bugiganga

cortada pelo meio.

2:50: xadrez do rio estado

2:51 lírio do ginásio

Na banheira

Eu escrevi NOTAS

sobre

seu velocino e sua matemática.

Eu escrevi um Lincoln e me cozi

até acordar

Eu nadei o verão todo,

indeterminadamente

(seus) cometas

oblongos

 

veludo de polegar

em uma reentrância

de ronronar.

2:53

Onze cães choraram

a cor dos répteis,

mais ou menos o interior,

machucado na esquerda

um padrão

em uma toalha de mesa se repete.

Às 2:54 (alguns artigos de aversão)

(o Teflon em um rio *

de cerveja

você novembro,

o que) é um ano

negro,

e algumas

elipses

) *)

no pó de verão

Ilustração: Maxi Popular.

Outra poesia de Ana Carolina Quiñonez Salpietro

 


LA FELICIDAD ERA ESTAR INCOMPLETOS  

Ana Carolina Quiñonez Salpietro 

Corríamos por el pasillo
de una casa prestada.
Teníamos cinco o seis años.
Nos perseguía un monstruo
con el abrigo de piel de la abuela
y la cara verde
de arcilla.
Los cepillos viejos resucitaban
como pinceles
También pelábamos arvejas
y separaba las más pequeñas
en mi bolsillo
Mamá no había cumplido treinta años.
Nosotros éramos tres
que tirábamos de ella
exigíamos aprender a leer
mientras otro tenía fiebre
comer con las manos
los ojos
hasta la pared de enfrente
cuando alguno tenía dientes
que pendían de un hilo
y a otro lo recogían tarde.
Nadie quería
dormir entre ella
y ese desconocido
al que hacíamos
siempre más alto
en los dibujos familiares.

A FELICIDADE ERA SERMOS INCOMPLETOS

Corríamos pelo corredor

de uma casa emprestada.

Tínhamos cinco ou seis anos.

Nos perseguia um monstro

com casaco de pele da vovó

e o rosto verde

de barro.

Os pincéis velhos ressuscitados

como pincéis

Também descascamos as ervilhas

e separava os menores

no meu bolso

Mamãe ainda não tinha trinta anos.

Nós éramos três

que puxamos a ela

exigimos aprender a ler

enquanto outro tinha febre

comer com as mãos

os olhos

voltados para a parede oposta

quando alguém tinha dentes

que estavam pendurados por um fio

e a outro se recolhia tarde.

Ninguém queria

dormir entre ela

e esse desconhecido

ao qual fazíamos

sempre mais alto

em desenhos de família.

Ilustração: Revista Serrote.

Thursday, October 03, 2024

Outra poesia de Giorgio Caproni

 

Ricordo

Giorgio Caproni

Ricordo una chiesa antica,
romita,
nell’ora in cui l’aria s’arancia
e si scheggia ogni voce
sotto l’arcata del cielo.

Eri stanca,
e ci sedemmo sopra un gradino
come due mendicanti.

Invece il sangue ferveva
di meraviglia, a vedere
ogni uccello mutarsi in stella
nel cielo.

RECORDAÇÃO

Lembro-me de uma igreja antiga,

romita,

na hora em que o ar fica laranja

e se fragmenta toda voz

sob o arco do céu.

 

Estava cansado,

e nos sentamos sobre um degrau

como dois mendigos.

 

Em vez disso, o sangue fervia

de admiração, para ver

cada pássaro se transformar em estrela

no céu.

Ilustração: Creative Fabrica. 

Corrida Infinita

 


Todas as vezes que te procurava
Era para correr como um desesperado
Atrás de uma sombra que sempre corria mais.
Era uma corrida contínua e sem esperança
Ainda mais que uma voz me perseguia
Gritando com feroz autoridade
Que seria melhor esquecer antes que fosse tarde.
Mas, teimosamente, ainda assim persistia
E nem a corrida nem o pesadelo acabava
E lembro que era a vida que passava
Sem que jamais conseguisse te esquecer.

(De "Águas Passadas", Editora Per Se, 2013). 

Ilustração: Webrun. 

Wednesday, October 02, 2024

Steinway Tower


 

Na verdade,

a pura curiosidade,

levou-me a visitar

para comprar

(não riam...

jogo no Powerball)

o apartamento meia meia

do Steinway Tower

at 111 W 57 th.

Uma torre de Manhattan

de 84 andares,

que penetra os ares

e espanta o cliente

pelo preço

também estratósferico.

E só em pensar

nos seus 435 metros,

de estrutura esbelta,

nos faz perder o ar.

Sua fachada é espetacular

de calcário, tijolo e terracota

é uma joia da ilha majestosa

que invade os céus

feito uma agulha luminosa.

É para os bilionários

excêntricos que podem ter.

E, no fim da tarde,

maravilhoso de se ver.

Ilustração: https://www.facebook.com/SteinwayTowerNYC.

Tuesday, October 01, 2024

Dois poemas de Giorgio Caproni

 


Generalizzando

Giorgio Caproni

Tutti riceviamo un dono.
Poi, non ricordiamo più
né da chi né che sia.
Soltanto ne conserviamo
– pungente e senza condono –
la spina della nostalgia.

GENERALIZANDO

Todos nós recebemos um presente.

Então, não lembramos mais

nem de quem nem o que é.

Apenas mantemos isso

-pungente e sem perdão-

o espinho da nostalgia.

SASSATE

Giorgio Caproni

Ho provato a parlare.


Forse, ignoro la lingua.
Tutte frasi sbagliate.
Le risposte: sassate.

PEDRAS

Eu tentei falar.

Talvez, ignoro a língua.

Todas as frases erradas.

A resposta: pedras.

Ilustração: Marina Colasanti.

SINSALABIN


Quando era criança-

não sei explicar a razão-

mudava o mundo 

com o estalar dos dedos

e ria de todos os medos. 

Fazia os dragões e os monstros

desaparecerem 

com um simples abracadraba. 

Não sei como se desfez, 

no tempo, 

a minha mágica.

Só sei que tento tudo 

e, hoje, não consigo

mudar nada. 

Ilustração: Jornal do Comércio.