Thursday, April 10, 2014

Gustavo Adolfo Bécquer de volta



RIMA XXX

Gustavo Adolfo Bécquer

Asomaba a sus ojos una lágrima
y a mi labio una frase de perdón;
habló el orgullo y se enjugó su llanto,
y la frase en mis labios expiró.

Yo voy por un camino; ella, por otro;
pero, al pensar en nuestro mutuo amor,
yo digo aún: —¿Por qué callé aquel día?
Y ella dirá: —¿Por qué no lloré yo?


Rima XXX

Assomava em seus olhos uma lágrima
E nos meus lábios uma frase de perdão;
falou o orgulho e se enxugou o pranto,
e a frase em meus lábios expirou.

Eu fui por um caminho; ela, por outro;
porém, ao pensar em nosso amor mútuo,
eu digo ainda: - Por que me calei naquele dia?
E ela dirá: - Por que não chorei eu?


Tuesday, April 08, 2014

Rafael Alberti


LO QUE DEJÉ POR TI

Rafael Alberti

Dejé por ti mis bosques, mi perdida

arboleda, mis perros desvelados,

mis capitales años desterrados

hasta casi el invierno de la vida.

 

Dejé un temblor, dejé una sacudida,

un resplandor de fuegos no apagados,

dejé mi sombra en los desesperados

ojos sangrantes de la despedida.

 

Dejé palomas tristes junto a un río,

caballos sobre el sol de las arenas,

dejé de oler la mar, dejé de verte.

 

Dejé por ti todo lo que era mío.

Dame tú, Roma, a cambio de mis penas,

tanto como dejé para tenerte.

 

O que deixei por ti


Deixei por ti meus bosques, minha perdida

floresta, meus cães desvelados,

meus melhores anos desterrados

até quase o inverno da vida.

 

Deixei um tremor, deixei uma sacudida,

um resplendor de fogos não apagados,

Deixei minha sombra nos desesperados

olhos sangrando na despedida.

 

Deixei os pombos tristes junto ao rio,

cavalos sob o sol nas areias,

Deixei de sentir o cheiro do mar, deixei de ver-te.

 

Deixei por ti tudo o que era meu.

Dá-me tu, Roma, em troca de minhas penas,

tanto como deixei por ti querer-te.

Sunday, April 06, 2014

Baltasar de Alcázar


Amor, no es para mí ya tu ejercicio

Baltasar de Alcázar

Amor, no es para mí ya tu ejercicio,
porque cosa que importa no la hago;
antes, lo que tu intentas yo lo estrago,
porque no valgo un cuarto en el oficio.

Hazme, pues, por tu fe, este beneficio:
que me sueltes y des carta de pago.
Infamia es que tus tiros den en vago:
procura sangre nueva en tu servicio.

Ya yo con solas cuentas y buen vino
holgaré de pasar hasta el extremo;
y si me libras de prisión tan fiera,

de aquí te ofrezco un viejo, mi vecino,
que te sirva por mí en el propio remo,
como quien se rescata de galera.

O amor já não é para mim seu exercício

O amor já não é para mim seu exercício,
porque coisa que não me importa não o faço;
antes, o que tu intentas, o estrago,
porque pouco valho em tal ofício.

Faz-me, pois, por tua fé, este benefício:
que me soltes e dê o carimbo de pago.
Vergonha é que teus tiros sejam vagos:
procura sangue novo em teu serviço.

Já eu, com as próprias contas e um bom vinho,
folgarei de me mover ao extremo;
e se me livras de prisão tão feroz,

daqui te ofereço um velho, meu vizinho,
que te sirva por mim no próprio remo,
como quem resgata uma galera.

Ilustração: meucantinho34.wordpress.com 


Saturday, April 05, 2014

Howard Altmann


In Vino Veritas

  by Howard Altmann

And I gave myself to the poem.
And the poem gave to me.
And I gave myself to the sky.
And the sky gave to me.
And I gave myself to the wind.
And the wind took what I gave
and passed it to the sky.

And I gave myself to women.
And women gave to me.
And I gave myself to the wound.
And the wound gave to me.
And I gave myself to hope.
And hope took what I gave
and passed it to the wound.

And I gave myself to wine.
And wine gave to me.
And I gave myself to candlelight.
And candlelight gave to me.
And I gave myself to memory.
And memory took what I gave
and passed it to candlelight.

And I gave myself to music.
And music gave to me.
And I gave myself to the tree.
And the tree gave to me.
And I gave myself to change.
And change took what I gave
and passed it to the tree.

And I gave myself to silence.
And silence gave to me.
And I gave myself to light.
And light gave to me.
And I gave myself to night.
And night took what I gave
and passed it to the stars.

In Vino Veritas

E eu me dei ao poema.
E o poema foi meu.
E eu me dei ao céu.
E o céu foi meu.
E me dei ao vento.
E o vento me tomou, me levou
e me passou ao céu.

E eu me dei às mulheres.
E as mulheres foram minhas.
E eu me dei à dor.
E a dor foi minha.
E me dei à esperança .
E a esperança me tomou e me levou
e me passou para a dor.

E eu me dei ao vinho.
E o vinho foi meu.
E me dei à luz das velas.
E a luz das velas foi minha.
E eu me dei à memória.
E a memória me tomou e me levou
e me passou para velas.

E eu me dei à música.
E a música foi minha.
E eu me dei à árvore.
E a árvore foi minha.
E eu me dei à mudança.
E a mudança me tomou e me levou
e me passou para a árvore.

E eu me dei ao silêncio.
E o silêncio foi meu.
E eu me dei à luz.
E a luz foi minha.
E eu me dei à noite.
E a noite me tomou e me pegou
e me passou para as estrelas.


Ilustração: mundusvinus.blogspot.com 
Nadia Yung

Friday, April 04, 2014

Uma poesia de William Carlos Williams


This is Just to Say

William Carlos Williams

I have eaten
the plums
that were in
the icebox


and which
you were probably
saving
for breakfast


Forgive me
they were delicious
so sweet
and so cold


Isto é só para te dizer

Eu comi
as ameixas
que estavam
na geladeira

as quais
você provavelmente  
guardou
do café da manhã

Perdoe-me
elas estavam deliciosas
tão doces
e tão frias

Ilustração: www.ceasacampinas.com.br

Amy Uyematsu

The Meaning of Zero: A Love Poem                      


  by Amy Uyematsu  

          —Is where space ends called death or infinity?
                        Pablo Neruda, The Book of Questions

A mere eyelid’s distance between you and me.

It took us a long time to discover the number zero.

John’s brother is afraid to go outside.
He claims he knows
the meaning of zero.

I want to kiss you.

A mathematician once told me you can add infinity
to infinity.

There is a zero vector, which starts and ends
at the same place, its force
and movement impossible
to record with
rays or maps or words.
It intersects yet runs parallel
with all others.

A young man I know
wants me to prove
the zero vector exists.
I tell him I can't,
but nothing in my world
makes sense without it.

O Significado do Zero: Um poema do amor

           -É onde termina o espaço chamado de morte ou infinito?
                          Pablo Neruda, The Book of Questions


A mera distância de uma pálpebra entre você e eu.

Levamos um longo tempo para descobrir o número zero.

O irmão de João tem medo de ir lá fora.
Ele afirma que sabe
o significado do zero.

Eu quero te beijar.

Um matemático uma vez me disse que tu podes adicionar o infinito
ao infinito.

Há um vetor de zero, que se inicia e acaba
no mesmo lugar, uma força
e movimento impossível
de gravar com
raios ou mapas ou palavras.
Ele intercepta ainda a corrida das paralelas
com todas as outras.

Um jovem homem, eu sei
pede-me que prove
que existe o vetor zero.
Digo-lhe que não posso,
porém, nada em meu mundo
faz sentido sem ele.

Ilustração: terrordovestiba.blogspot.com

Thursday, April 03, 2014

Mais uma vez Gamoneda


AMOR

Antonio Gamoneda

Mi manera de amarte es sencilla:
te aprieto a mí
como si hubiera un poco de justicia en mi corazón
y yo te la pudiese dar con el cuerpo.

Cuando revuelvo tus cabellos
algo hermoso se forma entre mis manos.

Y casi no sé más. Yo sólo aspiro
a estar contigo en paz y a estar en paz
con un deber desconocido
que a veces pesa también en mi corazón.

Amor

Minha maneira de te amar é simples:
me aperto a ti
como se houvesse um pouco de justiça no meu coração
e que te poderia dar meu corpo.

Quando aliso o teu cabelo
Algo formoso se forma em minhas mãos.

E quase não sei mais. Eu só aspiro
estar com você em paz e a estar em paz
como um dever desconhecido
que, às vezes, também pesa no meu coração.



Wednesday, April 02, 2014

De volta Juan Pomponio


Pétalos de arena

Juan Pomponio

Antiguas profecías
anuncian tu piel.
Escribo sin tinta en el cielo
y aparece tu nombre,
pequeñas flores que brillan la noche.
La marea llega,
música nocturna que despliega
sonidos sin tiempo.
En olas audaces
estallan las rocas,
pronuncian tu ausencia.
Sueño sin la tinta sobre la tierra:
de tu sonrisa vuelan pétalos
adormecidos de luna.
Dejan tu aroma,
trazan tu nombre en la arena.

Pétalas de areia

Antigas profecias
anunciam a tua pele.
Escrevo sem tinta no céu
e aparece o teu nome,
pequenas flores que brilham na noite.
A maré vem,
uma música noturna que se desprende
soa atemporal.
em ondas audaciosas
explodindo rochas,
pronunciando a tua ausência.
Sonho sem a tinta sobre a terra:
de teu sorriso voam pétalas
adormecidas de lua.
Deixam o teu perfume,
desenham o teu nome na areia.

Ilustração: fotolog.com

Tuesday, April 01, 2014

Uma nova poesia de Pablo Neruda














SI TÚ ME OLVIDAS

Pablo Neruda 

QUIERO que sepas
una cosa.

Tú sabes cómo es esto:
si miro
la luna de cristal, la rama roja
del lento otoño en mi ventana,
si toco
junto al fuego
la impalpable ceniza
o el arrugado cuerpo de la leña,
todo me lleva a ti,
como si todo lo que existe,
aromas, luz, metales,
fueran pequeños barcos que navegan
hacia las islas tuyas que me aguardan.

Ahora bien,
si poco a poco dejas de quererme
dejaré de quererte poco a poco.

Si de pronto
me olvidas
no me busques,
que ya te habré olvidado.

Si consideras largo y loco
el viento de banderas
que pasa por mi vida
y te decides
a dejarme a la orilla
del corazón en que tengo raíces,
piensa
que en ese día,
a esa hora
levantaré los brazos
y saldrán mis raíces
a buscar otra tierra.

Pero
si cada día,
cada hora
sientes que a mí estás destinada
con dulzura implacable.
Si cada día sube
una flor a tus labios a buscarme,
ay amor mío, ay mía,
en mí todo ese fuego se repite,
en mí nada se apaga ni se olvida,
mi amor se nutre de tu amor, amada,
y mientras vivas estará en tus brazos
sin salir de los míos.


Se tu me esqueces
 
Eu quero que tu saibas
uma coisa.

Tu sabes como é isto:
 se olho
 a lua de cristal, o ramo vermelho
 o outono lento na minha janela ,
 se toco
 junto ao fogo
 a cinza impalpável
 ou o corpo enrugado da lenha,
 tudo me leva a ti,
 como se tudo o que existe,
 aromas, luz , metais,
 fossem pequenos barcos que navegam
até as ilhas tuas que aguardam.

Agora
se pouco a pouco deixas de querer-me
deixarei de querer-te pouco a pouco.

Se de repente
 me esqueces
 não me buscas,
 que já terei te esquecido.

Se consideras largo e louco
o vento das bandeiras
que passa por minha vida
e se decides
me deixar na costa
do coração em que tenho raízes ,
pensa
que neste dia,
nesta hora,
então,
levantarei os braços
e sairão as minhas raízes
a procurar outra terra .

Porém,
se a cada dia ,
cada hora
sentes que a mim estais destinada
com doçura implacável .
Se cada dia que passa
pões  uma flor em teus lábios para me procurar,
ah meu amor, ah minha,
em mim todo este fogo se repete ,
em mim nada se apaga ou se esquece,
 meu amor se alimenta do teu amor , amada,
 e enquanto viveres estará em teus braços
 sem sair dos meus.


Ilustração: www.maissentido.com.br

Monday, March 31, 2014

W. B. Yeats


A Drinking Song

  by W. B. Yeats        

Wine comes in at the mouth  
And love comes in at the eye;  
That’s all we shall know for truth  
Before we grow old and die.  
I lift the glass to my mouth,
I look at you, and I sigh.

Uma canção para beber

Quando o vinho vem à boca
O amor vem ao olhar;
É tudo que nós devemos saber da verdade
Antes de envelhecer e morrer.
Eu levanto o copo à boca,
Eu olho para você, e suspiro.

Ilustração: www.groupon.com.br