Wednesday, May 23, 2018

E, de volta, a poesia de Liliana Ponce



MANIFIESTO...

Liliana Ponce

Manifiesto, rehizo la región lejana del espacio donde te sorprende.
En el aspecto descubrió la transformación.
Juego –desplazamiento lunar, sol, serpiente de algún peligro.

Aureola opalina que inunda el placer, que crece inconfundible.
He aquí un día:
mientras no he sido todavía cortado.
MANIFESTO

Manifesto, refazendo a região distante do espaço onde te surpreende.
No aspecto, descobriu a transformação.
Jogo - deslocamento lunar, sol, serpente de algum perigo.

Auréola  opalina que inunda o prazer, que se torna inconfundível.
Há aqui um dia:
enquanto não haja sido, todavia, cortado.



Uma poesia de Francisco Pinzón Bedoya


ENGAÑO                      
Francisco Pinzón Bedoya

Venzo mis miedos –eso creo-
Me separo de lo que me ata
Me veo esclavo y llegando al surco
Finjo ser un rey nuevo
Veo mi consciencia sonreír
y me lanzo...
Tejo alegrías sobre mi fantástico mundo
y de nuevo... corro a sus brazos
Ella sólo me mira en desaprobación
Sabe que no es sino un sueño
recurrente y lleno de cobardía

ENGANO

Venço meus medos-isso creio-
Me separo do que me ata
Me vejo escravo e chegando ao sulco
Finjo ser um novo rei.
Vejo minha consciência sorrir
e me lanço...
Teço alegrias sobre meu fantástico mundo
e de novo...corro para os seus braços.
Ela só me olha em desaprovação.
Sabe que não é senão um sonho
recorrente e cheio de covardia. 



Ilustração: Blog do Pedlowski.

Tuesday, May 22, 2018

POEMAS MAL COMPORTADOS

SEM CURA                  

Que fazer versos é uma doença
me esclareceu meu psicanalista: 
-Seja realista!Não insista 
numa atividade tão inútil 
e que não compensa!
Sai convicto do consultório,
para a poesia certo de minha indiferença, 
todavia, ouvi teu riso, 
vi teus olhos brilhando, 
me encantei com tua formosura 
e o mundo me pareceu todo cantando...
E, sem pensar, contrariando toda reflexão, 
num guardanapo fui rimando, 
intuitivamente,
buscando inutilmente 
louvar tua beleza 
que está muito além de todas as palavras. 

Ilustração: oiludidosonhador.com.   

Outra poesia de Javier Galarza


MONÓLOGO DE EURÍDICE       Javier Galarza

quisiera encantarme una vez más en las melodías
de tu condenada lira
pero todo lo que digo y hago me excede está más allá
no deja de no decirme no cesa de no escribirme
a cada instante
nada hay que me circunscriba
nada
                que me limite o delimite
apenas
algo de buen dolor, perdición y magia de antaño

cómo sostendré entre mis brazos las dimensiones
de esta sombra que soy
                       que fui
                       que fuimos
                       todo esto que aún tiembla
entre nosotros convocando al mito y la leyenda?

MONÓLOGO DE EURÍDICE

Quisera encantar-me uma vez mais com as melodias
de tua condenada lira,
porém, tudo o que digo e faço me excede, está mais além,
não deixa de não dizer-me, não cessa de não escrever-me
a cada instante
nada há que me circunscreva
nada
         que me limite ou delimite
apenas
algo da boa dor, perdição e magia de outrora
como a sustentar entre meus braços as dimensões
desta sombra que sou
                     que fui
                     que fomos
                     tudo isto que ainda treme
entre nós convocando o mito e a lenda?

Ilustração: Goa Magazine. 


E ainda outra poesia de Yves Bonnefoy


LES CHEMINS                          
Yves Bonnefoy

Chemins, parmi
La matière des arbres. Dieux, parmi
Les touffes de ce chant inlassable d'oiseaux.
Et tout ton sang voûté sous une main rêveuse,
O proche, ô tout mon jour.

Qui ramassa le fer
Rouillé, parmi les hautes herbes, n'oublie plus
Qu'aux grumeaux du métal la lumière peut prendre
Et consumer le sel du doute et de la mort.

OS CAMINHOS

Caminhos, entre
A matéria das árvores.  Deuses, por entre
Os tufos desse canto incansável de pássaros.
E todo o seu sangue sob uma mão sonhadora
O próximo, ó meu dia inteiro.

Quem pegou o ferro
Enferrujado, entre as altas ervas, não esquece
Que as protuberâncias do metal a luz pode prender
E consumir o sal da dúvida e da morte. 

Ilustração: Somos todos um.

Uma poesia de Javier Galarza


ARQUITECTA            

Javier Galarza

cómo duele
esta impensada calma
esta perfecta geometría
esta arquitectura
esta precisión
con la que lentamente
construyes
un mundo sin mí

ARQUITETA

Como dói
esta impensada calma
esta perfeita geometria
esta arquitetura
esta precisão
com que lentamente
constróis
um mundo sem mim



Ilustração: Memórias de Joana Poesia.

E mais uma poesia de Yves Bonnefoy


UNE VOIX                       
Yves Bonnefoy

Quelle maison veux-tu dresser pour moi,
Quelle écriture noire quand vient le feu?
                                                                *
J'ai reculé longtemps devant tes signes,
Tu m'as chassée de toute densité.

                                                               *
Mais voici que la nuit incessante me garde,
Par de sombres chevaux je me sauve de toi


UMA VOZ

Que casa queres erguer para mim,
Que escrita negra quando vem o fogo?
                                                               *
Já recuei muito tempo aos teus sinais,
Tu me cassaste de toda densidade.
                                                               *
Mas, aqui a noite incessante me protege,
Por cavalos escuros salvo-me de ti.


Monday, May 21, 2018

Mais uma poesia de Gonzalo Rojas




¿Qué se ama cuando se ama?

Gonzalo Rojas

¿Qué se ama cuando se ama, mi Dios: la luz terrible de la vida
o la luz de la muerte? ¿Qué se busca, qué se halla, qué
es eso: ¿amor? ¿Quién es? ¿La mujer con su hondura, sus rosas, sus volcanes,
o este sol colorado que es mi sangre furiosa
cuando entro en ella hasta las últimas raíces?

¿O todo es un gran juego, Dios mío, y no hay mujer
ni hay hombre sino un solo cuerpo: el tuyo,
repartido en estrellas de hermosura, en partículas fugaces
de eternidad visible?

Me muero en esto, oh Dios, en esta guerra
de ir y venir entre ellas por las calles, de no poder amar
trescientas a la vez, porque estoy condenado siempre a una,
a esa una, a esa única que me diste en el viejo paraíso.

O que se ama quando se ama?

O que se ama quando se ama, meu Deus: a luz terrível da vida
ou a luz da morte? O que se busca, o que se acha, o que
é isso: amor? Quem é? A mulher com sua profundidade, suas rosas, seus vulcões,
ou este sol vermelho que é o meu sangue furioso
quando nela entro até as últimas raízes?

Ou é tudo um grande jogo, Deus meu, e não há mulher
nem há homem senão um só corpo: o teu
repartido em estrelas de formosura, em partículas fugazes
de eternidade visível?

Me morro nisso, oh Deus, nesta guerra
de ir e vir entre elas pelas ruas, de não poder amar
trezentas de cada vez, porque estou sempre condenado a uma,
à essa uma, à essa única que me deste no velho paraíso.


Ilustração: Oba Oba.

E, de volta, Virgilio Piñera


TESTAMENTO              
Virgilio Piñera

Como he sido iconoclasta
me niego a que me hagan estatua:
si en la vida he sido carne,
en la muerte no quiero ser mármol.
Como yo soy de un lugar
de demonios y de ángeles,
en ángel y demonio muerto
seguiré por esas calles…
En tal eternidad veré
nuevos demonios y ángeles,
con ellos conversaré
en un lenguaje cifrado.
Y todos entenderán
el yo no lloro, mi hermano….
Así fui, así viví,
así soñé. Pasé el trance.

TESTAMENTO

Como fui iconoclasta
me nego que me façam uma estátua:
se na vida tive carne,
na morte não quero ser mármore.
Como eu sou de um lugar
de demônios e anjos,
em anjo e demônio morto
seguirei por essas ruas ...
Em tal eternidade verei
novos demônios e anjos
com eles conversarei
em uma linguagem cifrada.
E todos me entenderão
eu não choro, meu irmão ...
Assim fui, assim vivi
assim sonhei. Passei o transe.

Ilustração: Santos Pedro Advogados. 

Uma poesia de Gonzalo Rojas



Al silencio

Gonzalo Rojas

Oh voz, única voz: todo el hueco del mar,
todo el hueco del mar no bastaría,
todo el hueco del cielo,
toda la cavidad de la hermosura
no bastaría para contenerte,
y aunque el hombre callara y este mundo se hundiera
oh majestad, tú nunca,
tú nunca cesarías de estar en todas partes,
porque te sobra el tiempo y el ser, única voz,
porque estás y no estás, y casi eres mi Dios,
y casi eres mi padre cuando estoy más oscuro.

AO SILÊNCIO

Oh! Voz,  única voz: todo o oco do mar,
todo o buraco do mar não seria suficiente
toda a cavidade do céu
toda a cavidade da formosura
não bastaria para conter-te
e ainda que o homem calasse e este mundo afundasse
oh! Majestade, tu nunca
nunca deixaria de estar em todas as partes,
porque  te sobra o tempo e o ser, única voz,
porque estas e não estas, e quase és meu Deus,
e quase és meu pai quando estou mais escuro.



Thursday, May 17, 2018

E, de novo, Jaime Gil de Biedma


DE VITA BEATA                                            
Jaime Gil de Biedma

En un viejo país ineficiente,
algo así como España entre dos guerras
civiles, en un pueblo junto al mar,
poseer una casa y poça hacienda
y memoria ninguna. No leer,
no sufrir, no escribir, no pagar cuentas,
y vivir como un noble arruinado
entre las ruinas de mi inteligencia.

DA VIDA BEATA

Em um velho país ineficiente,
algo assim como a Espanha entre duas guerras
civis, numa vila junto ao mar,
possui uma casa, uma pequena fazenda
e memória nenhuma. Não ler,
não sofrer, não escrever, não pagar as contas,
e viver como um nobre arruinado
entre as ruínas da minha inteligência.

Ilustração: José Luiz. 

E, voltando, Derek Walcott



El amor después del amor

Derek Walcott

El tiempo vendrá
cuando, con gran alegría,
tú saludarás al tú mismo que llega
a tu puerta, en tu espejo,
y cada uno sonreirá a la bienvenida del otro,
y dirá, siéntate aquí. Come.
Seguirás amando al extraño que fue tú mismo.
Ofrece vino. Ofrece pan. Devuelve tu amor
a ti mismo, al extraño que te amó
toda tu vida, a quien no has conocido
para conocer a otro corazón,
que te conoce de memoria.
Recoge las cartas del escritorio,
las fotografías, las desesperadas líneas,
despega tu imagen del espejo.
Siéntate. Celebra tu vida.

O AMOR DEPOIS DO AMOR

A tempo virá
quando, com grande alegria,
tu saudarás a tu mesmo que chega
à tua porta, no teu espelho,
e cada um sorrirá dando as boas vindas ao outro,
e dirá, sente-se aqui. Come.
Seguirás amando o estranho que fui tu mesmo.
Oferece vinho. Oferece pão. Devolve o teu amor
a ti mesmo, o estranho que te amou
toda tua vida, a quem tu não conheceu
para conhecer a outro coração
que te conhece de memória.
Recolhe as cartas da escrivaninha,
as fotografias, as desesperadas linhas,
desprega tua imagem do espelho.
Senta-te. Celebre tua vida.

Uma poesia de Jaime Gil de Biedma


CANCIÓN FINAL            
Jaime Gil de Biedma

Las rosas de papel no son verdad
y queman
lo mismo que una frente pensativa
o el tacto de una lámina de hielo.

Las rosas de papel son, en verdad,
demasiado encendidas para el pecho.


CANÇÃO FINAL

As rosas de papel não são de verdade
e queimam
o mesmo que uma testa pensativa
ou o toque de uma lâmina de gelo.

As rosas de papel são, na verdade,
demasiado iluminadas para o peito.


E, de volta, o grande José Agustin Goytisolo














A VECES                                                      

José Agustín Goytisolo

A veces
alguien te sonríe tímidamente en un supermercado
alguien te da un pañuelo
alguien te pregunta con pasión qué día es
hoy en la sala de espera del dentista
alguien mira a tu amante o a tu hombre con
envidia
alguien oye tu nombre y se pone a llorar.

A veces
encuentras en las páginas de un libro una
vieja foto de la persona que amas
y eso te da un tremendo escalofrío
vuelas sobre el Atlántico a más de mil kilómetros por hora y piensas en sus
ojos y en su pelo
estás en una celda mal iluminada y te acuerdas de un día luminoso
tocas un pie y te enervas como una quinceañera
regalas un sombrero y empiezas a dar gritos.

A veces
una muchacha canta y estás triste y la quieres
un ingeniero agrónomo te saca de quicio
una sirena te hace pensar en un bombero o
en un equilibrista
una muñeca rusa te incita a levantarle las
falda a tu prima
un viejo pantalón te hace desear con furia
y con dulzura a tu marido.

A veces
explican por la radio una historia ridícula
y recuerdas a un hombre que se llama
Leopoldo
disparan contra ti sin acertar y huyes penen tu mujer y en tu hija
ordenan que hagáis esto o aquello y enseguida te enamoras de quien no hace
ni caso
hablan del tiempo y sueñas con en una chica
egipcia
apagan lentamente las luces de la sala y ya
buscas la mano de tu amigo.
A veces
esperando en un bar a que ella vuelva escribes un poema en una servilleta de
papel muy fino
hablan en catalán y quisieras de gozo o lo
que sea morder a tu vecina
subes una escalera y piensas que sería bonito
que el chico que te gusta te violara
antes del cuarto piso
repican las campanas y amas al campanero
o al cura o a Dios si es que existiera
miras a quien te mira y quisieras tener todo
el poder preciso para mandar que en
ese mismo instante se detuvieran todos los relojes del mundo.

A veces
sólo a veces gran amor.

ÀS VEZES

Às vezes
alguém te sorri timidamente num supermercado
alguém te dá um lenço
alguém te pergunta com paixão que dia é
hoje na sala de espera do dentista
alguém olha para o seu amante ou seu homem com
inveja
Alguém ouve teu nome e se põe a chorar.

Às vezes
encontras nas páginas de um livro uma
foto antiga de uma pessoa que amas
e isso te dá um tremendo arrepio
voas sobre o Atlântico a mais de mil quilômetros por hora e pensas no seus
olhos e no cabelo dela
está em uma cela mal iluminada e te lembras de um dia luminoso
tocas um pé e ficas brava como uma debutante
lhes dá um chapéu e começa a gritar.

Às vezes
uma garota canta, ficas triste e a queres
um agrônomo te deixa louco
uma sirene te faz pensar em um bombeiro ou
em um equilibrista
uma boneca russa te incentiva a levantar
a saia da tua prima
uma velha calça te faz desejar com fúria
e docemente o teu marido.

Às vezes
Explicam pelo rádioa uma história ridícula
e te lembrad de um homem chamado
Leopoldo
disparam contra ti sem acertar e foge de tua esposa e tua filha
que ordenam que faça isso ou aquilo e imediatamente te apaixonas por quem não
faz nem caso
falam sobre o tempo e sonhas com uma garota
egípcia
lentamente desligam as luzes da sala e
procuras a mão do teu amigo.
Às vezes
esperando em um bar ela voltar escreves um poema em um guardanapo
de papel muito fino
falam em catalão e gostaria de brincadeira ou o que
seja morder tua vizinha
sobes uma escada e pensas que seria bonito
que o garoto que você gosta te violasse
antes do quarto andar
tocam os sinos e amas a campainha
ou o sacerdote de Deus, se houvesse um
olhas a quem te olha e querias ter tudo
o poder preciso para mandar que neste
mesmo instante se detivessem todos os relógios do mundo.

Às vezes
só às vezes, meu grande amor.

Ilustração: Deus me livro.