Thursday, February 13, 2014

José María Eguren




La luz de Varsovia

José María Eguren

 Y en la racha que sube a los techos
 Se pierden, al punto, las mudas señales,
 Y al compás alegre de enanos deshechos
 Se elevan divinos los cantos nupciales.

 Y en la bruma de la pesadilla
 Se ahogan luceros azules y raros,
 Y, al punto, se extiende como nubecilla
 El mago misterio de los ojos claros.

A luz de Varsóvia

E na marca que sobe para o teto
Se perdem, ao fim, os mudos sinais,
E ao compasso alegre de pequenios resíduos
se elevam divinos os cantos nupciais.   

E na névoa do pesadelo 
se afogam estrelas azuis e raras, 
E, ao fim, se espalha como uma nuvenzinha
O mistério mágico de uns olhos claros.


Ilustração: o-jacaranda.blogspot.com 
 

Monday, February 10, 2014

Baldomero Fernández Moreno


Los amantes

Baldomero Fernández Moreno

Ved en sombras el cuarto, y en el lecho
desnudos, sonrosados, rozagantes,
el nudo vivo de los dos amantes
boca con boca y pecho contra pecho.
Se hace más apretado el nudo estrecho,
bailotean los dedos delirantes,
suspéndase el aliento unos instantes...
y he aquí el nudo sexual deshecho.
Un desorden de sábanas y almohadas,
dos pálidas cabezas despeinadas,
una suelta palabra indiferente,
un poco de hambre, un poco de tristeza,
un infantil deseo de pureza
y un vago olor cualquiera en el ambiente.

Os amantes

Veja nas sombras do quarto, e no leito
nus, rosados, ofegantes,
o nó vivo dos dois amantes
boca com boca e peito contra peito.

O nó se faz mais apertado,
bailam os dedos delirantes
Suspendendo a respiração alguns instantes...
e eis o nó sexual desfeito.

Uma confusão de lençóis e travesseiros,
duas pálidas cabeças despenteadas,
uma palavra solta indiferente,
um pouco de fome, um pouco de tristeza,
um infantil desejo de pureza

e um cheiro vago flutua no ambiente.

Alejandra Pizarnik



El infierno musical

Alejandra Pizarnik

Golpean com soles.
Nada se acopla com nada aqui.
Y de tanto animal muerto en el cementerio de
huesos filosos de mi memoria.
Y de tantas monjas como cuervos que se precipitan a hurgar
entre mis pernas.
La cantidad de fragmentos me desgarra.
Impuro diálogo.
Un provectarse desesperado de la materia verbal
liberada a si misma.
Naufragando em si misma.

O inferno musical

Golpeiam com sóis.
Nada se harmoniza com nada aqui.
E de tantos animais mortos no cemitério
ossos afiados na minha memória.
E muitas freiras como corvos que se precipitam a futucar
entre as minhas pernas.
A quantidade de fragmentos me desgarra.
Diálogo impuro.
Um projetar-se desesperado de material verbal
liberado de si mesma.
Afundando em si mesma.

Raul Pough



Versitos

Raul Pough

yo no creo
en menudos versos
pero que los hay... kai


Versinhos

Eu não creio 
 em pequenos versos,
porém, que eles há...kai

Jorge Luiz Borges



UNA BRÚJULA

Jorge Luiz Borges


Detrás del nombre hay lo que no se nombra;
Hoy he sentido gravitar su sombra
En esta aguja azul, lúcida y leve,

Que hacia el confín de un mar tiende su empeño,
Con algo de reloj visto en un sueño
Y algo de ave dormida que se mueve. 


Uma bussóla

Detrás do nome há o que não se nomeia;
Hoje senti gravitar sua sombra
nesta agulha azul, lúcida e leve.

Que fazia o confim de um mar ter seu empenho
com algo de relógio visto em um sonho
e algo de pássaro dormido que se move.


Friday, February 07, 2014

Isaac Felipe Azofeifa



                
   

POEMA VI
       
Isaac Felipe Azofeifa
         
       ¿Tú me dejas aquí o partes conmigo?
      ¿Estoy dentro de ti o es que me llamas?
       ¿Vives única en mí o encuentro el mundo en ti, contigo ?
        El orden de las cosas en que te amo,
       ¿dónde empieza o acaba?
      
       Ahora está el silencio aposentado
       en la rosa del aire
        y un árbol cerca trina entre los pájaros
        para sombrar tu sueño, ¿ o es mi sueño?

      ¿Es esta una prisión o acaso el vasto cielo
        empieza aquí donde tus pies
        tocan juntos la tierra, o es la luna?

        De pronto entro en la luz que ya habito
        y mis ojos se encuentran con tu frente.
        Busco salir de ti y te llevo dentro
        de mí, sin encontrarte.
        Sin cómo, dónde o cuándo

        Ciego en la luz con mi mirada abierta
         a tanta multitud de ti que ando
                 extraviado en la noche en la mitad del día.

Poema VI

Tu me deixas aqui ou partes comigo?
Estou dentro de ti ou é que me chamas?
Vives única em mim ou encontro o mundo em ti,
                                                                   contigo ?

 A ordem das coisas em que te amo ,
 onde começa ou acaba?
 Agora, o silêncio está aposentado
 numa rosa no ar
 e uma árvore gorjeia entre os pássaros
 para sombrear o teu sonho, ou será o meu sonho ?

 Isto acaso é uma prisão ou talvez o vasto céu
 começa aqui onde teus pés
 tocam juntos a terra ou será a lua ?

 De repente entro na luz que já hábito
 e os meus olhos se encontram com teus olhos.
 Busco sair de ti e te levo dentro
 de mim, sem te encontrar.
 Sem como, onde ou quando.

 Tão cego na luz com os olhos abertos
  para a multidão de ti  que ando
  extraviado na noite na metade do dia .

Thursday, February 06, 2014

Poemas mal-comportados




Balada da porquinha

Dedilho mansamente tuas tetinhas
Enquanto estremeces,
grunhes,
tremes
as carnes tenras, saborosas.
Ah! Minha porquinha, querida,
se és tão doce
tão melhor ficarás
quando sem vida,
numa travessa,
bem assada, puderes ser saboreada.