Friday, March 17, 2017

Uma poesia de Ali Al Jalawi

Tratando de entender               
Ali Al Jalawi

¿Qué pasaría
Si fingiendo ser un mago te pusiera
En un sombrero y te sacara convertida
En palomas?
¿Qué pasaría
Si por error me besaras
Y luego para disculparte me
Volvieras a besar?
¿Qué pasaría
Si pusiera mi mano en tu pecho
Buscando una luna que perdí?
¿Qué pasaría
Si mis manos penetraran en tus ojos
Para sacar todas las gaviotas que hay
En ellos?
¿Qué pasaría
Si no hubieras existido?
El universo sería imperfecto
Y los poetas perderían
Su musa.
¿Pasar?
No pasa nada,
cuando tú no estás.

TRATANDO DE ENTENDER

Que se passaria
Se fingindo ser um mago te pusesse
Num chapéu e te sacasse convertida
Em pombas?
Que se passaria
Se por um erro me beijasses
e, logo, para desculpar-se, tu
voltasses a me beijar?
Que se passaria
Se pusesse a minha mão nos teus seios
Buscando uma lua que perdi?
Que se passaria
Se minhas mãos penetrassem nos teus olhos
Para retirar todas as gaivotas que há
Neles?
Que se passaria
Se não houvesses existido?
O universo seria imperfeito
E os poetas perderiam
Sua musa.
Passar?
Não se passa nada,
Quando tu não estás.


Ilustração: Fatos Desconhecidos. 

Uma poesia de Giovanny Gómez

UNA PALABRA COMO CASA                                             
Giovanny Gómez

Señor dame una palabra
que tenga la forma de un barco
un barco de velas inextinguibles
donde pueda ir a conocer el mar.
Dame esta palabra por casa
por vestido por amante
deja que ella sea mi soledad
mi alimento y no pueda sobrevivirla.
Aquí estoy tan vacío de formas
y silencio...
Toda mi inspiración semeja
el ruido de unas manos atadas
necesito un barco por cuerpo
y el amor por mar.
Escúchame por estas alucinaciones
y la vastedad de las cosas que vuelven
a su lugar.

UMA PALAVRA COMO CASA

Senhor, dá-me uma palavra
que tenha a forma de um barco
um barco de velas inextinguíveis
com o qual se possa conhecer o mar.
Dá-me esta palavra por casa
por vestido, por amante
deixa que ela seja minha solidão
meu alimento e que não possa sobrevivê-la.
Aqui estou tão vazio de formas
e silêncio...
Toda minha inspiração se assemelha
ao ruído de umas mãos atadas
necessito um barco por corpo
e o amor por mar.
Escuta-me por estas alucinações
e pela vastidão das coisas que voltam
ao seu lugar. 

Ilustração: Sonho certo. 

Outra poesia de Obediah Michael Smith


EN DIETA

Obediah Michael Smith

ella chupaba con tal determinación
como si estuviera en deuda conmigo

había de pagar hoy o moría, cada centavo
por el contrario me dejaba en deuda con ella

mi hombría entre sus garras
dos manos, dos puños, aferrándola
la chupaba con fuerza, la chupaba dulcemente
qué experta, qué dama

cuando me vine ella tragó
me sentí precioso, me sentí santificado

sosteniéndome con convicción, firmemente
bebió cada gota de aquello, de mí

demasiado preciado para desperdiciar, para cuestionarse
qué otra cosa hacer con el semen
que dejarlo nadar

debe gustarle el sabor de los renacuajos
para habérselos comido vivos, con sus colas latigando,
azotando

NA DIETA

Ela chupava com tal determinação
como se estivesse em dívida comigo

haveria de pagar hoje ou morria, cada centavo,
pois, ao contrário me deixava em dívida com ela

minha virilidade entre suas garras
duas mãos, dois punhos, aferrando-a
a chupava com força, a chupava docemente
que esperta, que senhora

quando me vi ela tragou
me senti precioso, me senti santificado

sustentando-me com convicção, firmemente
bebeu cada gota daquilo, de mim

demasiado precioso para desperdiçar, para questionar-se
que outra coisa fazer com o sêmen
que deixá-lo nadar

deve gostar do sabor dos girinos
para havê-los comido vivos, com suas caudas latejando,
sacolejando

Ilustração: ni entre amigos - blogger



Uma poesia de Louis Calaferte



C'est vrai qu'il pleut à Londres...

Louis Calaferte

C'est vrai qu'il pleut à Londres
et que les ponts s'ennuient

Le ciel mourant et hypocondre
aux nuages noués de suie

A Londres il pleut à Londres
paillettes de la pluie

On voyait la ville se fondre
comme irréelle comme enfuie

Un peuple indécis correspondre
sous les dômes des parapluies

Nos ombres allaient se confondre
dans l'ombre grise de la pluie

C'est vrai qu'il pleut à Londres
et que je t'ai suivie

É certo que chove em Londrina

É certo que chove em Londrina
e que se aborrecem as pontes

O céu agonizante e hipocondríaco
parece atado por nuvens de fuligem

Em Londrina, chove sobre Londrina
que brilha na chuva

Como se a cidade se derretesse
tão irreal quanto fugidia

As pessoas indecisas se comunicam
sob as cúpulas dos guarda-chuvas

Nossas  sombras se juntam
na sombra cinzenta da chuva

É certo que chove em Londrina
e que sigo a chuva

Ilustração: Gazeta do Povo- Foto de Daniel Castellano. 


Uma poesia de Obediah Michael Smith

 
NUESTROS OJOS SE ENCUENTRAN   

Obediah Michael Smith

como sus gestos
que son todos tan plenos
y prolongados hasta un punto
casi de estallar
casi de reventar 
como olas
alzadas contra una costa rocosa
la sangre en mi corazón
rompe de forma parecida
cuando la veo
y me quedo tan quieto como es posible
tan quieto como puedo
en la medida en que es posible echarle una mirada
en la medida que se encuentre a la vista
entonces me quedo embelesado
en lo que queda en el ojo de mi mente
en el ojo de mi mente
veo lo que queda proyectado
en la pantalla de mi mente

NOSSOS OLHOS SE ENCONTRAM

Como seus gestos
que são tão plenos
e prolongados até o ponto
quase de estalar
quase de se reiventar
como ondas
avançando sobre uma costa rochosa
o sangue em meu coração
rompe de forma parecida
quando a vejo
e me quedo tão quieto como é possível
tão quieto como posso,
na medida em que é possível te dar um olhar
na medida em que se encontre à vista,
então, me quedo enfeitiçado
no que queda no olho da minha mente
no olho da minha mente
vejo só o que queda projetado
na tela da minha mente.

Ilustração: clicRBS

Thursday, March 16, 2017

Uma poesia de Louise Labé

Baise m´encore...                          
Louise Labé

Baise m´encore, rebaise moi et baise:
Donne m´en un de tes plus savoureux,
Donne m´en un de tes plus amoureux:
Je t´en rendrai quatre plus chauds que braise.

Las, te plains-tu? Ça que ce mal j´apaise
En t´en donnant dix autres doucereux,
Ainsi mêlant nos baisers tant heureux
Jouissons-nous l´un de l´autre à notre aise.

Lors double vie à chacun en suivra,
Chacun en soi et son ami vivra.
Permets m´amour penser quelque folie:

Toujours suis mal, vivant discrètement,
Et ne me puis donner contentement
Si, hors de moi, ne fais quelque saillie.


BEIJA-ME OUTRA VEZ....

Beija-me outra vez e volta a me beijar:
Dá-me um de teus beijos mais saborosos,
Dá-me um de teus beijos amorosos,
Qual brasa ardente quatro irei te dar.

Te queixas? Vem, que eu acalmo o teu pesar,
Dando-te, ainda, dez beijos deleitosos.
E mesclando nossos beijos tão ditosos,
Do prazer que passamos a gozar.

Cada um assim uma dupla vida terá,
Porque em si e no seu amigo viverá.
Amor, permita-me esta loucura experimentar:

Sempre estou errado, se ficar quieto,
E não consigo sentir-me completo,
Se, fora de mim, não posso te agradar.


Ilustração: Andrei Protsouk. 

Tuesday, March 14, 2017

Mais uma poesia de Carlos Bousoño

YO IBA CONTIGO                   
Carlos Bousoño

Yo iba contigo. Tú con tristes ojos
parecías la tarde en la mañana.
Mi amor, al verte triste, atardecía.
Atardecía, pero alboreaba.

Pues yo te quise más. Para alegrarte,
la luz del mundo celebré más ancha.
Y mi alma entonces exhaló el perfume
agreste y fresco que madruga y canta.

Como el jilguero su garganta oprime
en donde suena una experiencia humana,
se escuchaban arrullos, liras, voces,
atambores, venturas, violas, arpas.

Y el mundo era el sonido no vivido
que en mi interior vivía y resonaba.

EU IA CONTIGO

Eu ia contigo. Tu com os olhos tristes
parecias a tarde na manhã.
Meu amor, ao ver-te triste, entardecia.
Entardecia, porém, amanhecendo.

Pois, eu te queria mais. Para alegrar-te,
à luz do mundo celebre, mas, feliz.
E minha alma, então, exalou o perfume
Agreste e fresco que madruga e canta.

Como o pássaro sua garganta oprime
onde sonha uma experiência humana
se escutavam arrulhos, liras, vozes,
tambores, venturas, violas, harpas.

E o mundo era o som não vivido
Que, em meu interior, vivia e ressoava.

Ilustração: Tina Carvalhaes



Mais um poema de Williams Carlos Williams

A SORT OF A SONG                                                       
William Carlos Williams

Let the snake wait under
his weed
and the writing
be of words, slow and quick, sharp
to strike, quiet to wait,
sleepless.
-through metaphor to reconcile

the people and the stones.
Compose. (No ideas
but in things) Invent!
Saxifrage is my flower that splits
the rocks.

UMA ESPÉCIE DE CANÇÃO

Deixa a cobra espreitar sob
a erva
e a escrita
ser de palavras, lentas e velozes, cortantes
ao golpear, quietas na espera,
insones
- através da metáfora reconciliar
as pessoas e as pedras.
Componha. (Nenhuma ideia
apenas coisas.) Inventa!
Saxifraga é minha flor que parte
as rochas.


Ilustração: Garden and green. 

POESIAS MAL COMPORTADAS



SOBRE MALAS

Uma mala é uma mala,
Mas, nem toda mala é igual.
Nem toda mala é apenas uma mala.
Há malas de todos os tipos,
Malas diversas,
Na forma, no tamanho, na textura.
Malas de motivos persas,
Malas moles, duras,
De douradas fechaduras,
Malas pesadas, leves ou de rodinhas.
Malas grandes ou pequenininhas.
Malas com segredos ou cadeados
Ou, simplesmente, violáveis.
Há malas novas flexíveis,
Malas de cores berrantes, visíveis
Ou malas sóbrias, curiosas, delicadas.
Há malas perdidas, danificadas,
Malas estouradas.
Malas que se revestem de películas
Ou envoltórios.
Malas dormitórios
Ou que assumem formas humanas
E, para piorar, tão carregadas  
Que parecem fadadas a ficar pelo caminho.
E malas que precisam mesmo ser deixadas,
Malas sem futuro ou utilidade.
Malas que, na verdade, só se deve dizer:
-Vai, mala, vai embora de mansinho.
Chega de encher.


Ilustração: Blog da Saúde. 

Monday, March 13, 2017

Outra poesia de Vicente Quirarte

AMANTES                   

Vicente Quirarte

Y qué solos se quedan, los amantes:
Cómo se estrujan, muerden, lamen, frotan,
cómo sienten morirse sin el otro,
cómo llevan al otro al moridero.
Cómo siguen su rito sin relojes,
cómo sudan y huelen y combaten.
Afuera sale el sol, se afeita el día,
y los amantes siguen, siempre solos.
Siempre uno en el otro, caderamen
de un animal bisiesto de ocho miembros.
Y qué solo el amor del pelandrujo
que en la calle se acopla a su pareja.
Nada turba su ardor, ni el escobazo
que interrumpe el chillido de los gatos.
Y qué largo combate, mi enemiga,
el trabado en el lecho. Cuánta fuerza
para vencer al mal que los devora.
Afuera la ciudad,
sus plazas ya soleadas, sus corbatas.
Ellos en la noche de sus cuerpos,
solos con esa sed, con ese ansia.

OS AMANTES

E quão sozinhos ficam, os amantes:
Como se amassam, mordem, lambem, se esfregam,
como sentem morrer um sem o outro,
como levam o outro a morrer.
Como seguem seu rito sem relógios,
como suam e transpiram e combatem.
Lá fora o sol se levanta, nasce o dia,
e os amantes seguem, sempre sozinhos.
Sempre e o outro, na sua cadeira, 
um animal bissexto de oito membros.
E que só o amor grosseiro
na rua acopla ao seu parceiro.
Nada perturba o seu ardor, nem uma escovada
Interrompe o miar dos gatos.
E que longo combate, minha inimiga,
o travado no leito. Quanta força
para vencer o mal que os devora.
Lá fora a cidade,
suas praças já ensolaradas, os seus laços.
Eles, na noite de seus corpos,
sozinhos com essa sede, com essa ânsia.


Ilustração: Leila Amat Ortega - WordPress.com.