Friday, March 09, 2018

Outra poesia de Stephen Crane


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And you love me by

 Stephen Crane

And you love me

I love you.

You are, then, cold coward.

Aye; but, beloved,
When I strive to come to you,
Man's opinions, a thousand thickets,
My interwoven existence,
My life,
Caught in the stubble of the world
Like a tender veil-
This stays me.
No strange move can I make
Without noise of tearing
I dare not.

If love loves,
There is no world
Nor word.
All is lost
Save thought of love
And place to dream.
You love me?

I love you.

You are, then, cold coward.

Aye; but, beloved –

E VOCÊ ME AMA

E você me ama.

Eu te amo.

Você é, então, um frio covarde.

Sim; mas, amado,
Quando me esforço para ir até você,
As opiniões do homem, mil covardes,
Se intrometem na minha existência,
Minha vida,
Pega nos detritos do mundo
Como um véu macio -
Isto me mantém.
Nenhum movimento estranho posso fazer
Sem o ruido de rasgar
Não me atrevo.

Se o amor ama,
Não há mundo
Nem uma palavra.
Tudo está perdido
Salvar o pensamento de amor
E um lugar para sonhar.
Você
 me ama?

Eu te amo.

Você é, então, um frio covarde.

Sim; mas, amado -

Ilustração: Guia Avaré.


Uma poesia de Stephen Crane




Black riders came from the sea

Stephen Crane

Black riders came from the sea.
There was clang and clang of spear and shield,
And clash and clash of hoof and heel,
Wild shouts and the wave of hair
In the rush upon the wind:
Thus the ride of sin.


CAVALEIROS NEGROS VIERAM DO MAR

Cavaleiros negros vieram do mar.
Havia o tinir e o tinir de lança e escudo,
E o choque e o choque de cascos e calcanhares,
Gritos selvagens e uma onda de cabelo
Agitados pelo  vento:
Assim, a corrida do pecado.

Ilustração: Tomos de Sabedoria.

Thursday, March 08, 2018

Mais uma poesia de Alexis Gómez Rosa


SOLEDAD COLECTIVA                       
Alexis Gómez Rosa

Este poema cargado de voces
no es un árbol.
Lo he hallado en el aliento
de un perro callejero,
es un árbol,
que ignora el miserable lugar
de sus raíces.
(¡Fantástico¡
-cómo no ha de ser?).
Este poema
ha crecido a orillas del Harlen River
como un buen árbol,
-dicen que mueve
sus frutos y linternas en el vagón
de un silbido…
Esta voz,
estas negras palabras
que a nuestra casa regresan.
Me traslado a otro silencio.

SOLIDÃO COLETIVA

Este poema carregado de vozes
não é uma árvore.
O achei na respiração
de um cão vadio,
é uma árvore,
que ignora o miserável lugar
de suas raízes.
(Fantástico!
-como não há de ser?).
Este poema
cresceu nas margens do rio Harlen
como uma boa árvore,
- Dizem que move
seus frutos e lanternas no vagão
de um apito ...
Esta voz,
estas negras palavras
que a nossa casa regressam.
Me traslado para outro silêncio.

Ilustração:O Banquete de Edson. 

Wednesday, March 07, 2018

Vou me repetir...


É difícil, para mim, decorar (e até mesmo ler) os poemas que já fiz. Sempre me parecem faltar alguma coisa, então, quando releio algum e, nem sei explicar a razão, gosto, aproveito para me repetir. Nós, de qualquer forma, somos sempre repetitivos...

DO MODO CORRETO DE SER CRUEL 

Sim, meu bem,
Fui, sou e serei cruel contigo
Como os mais insensíveis verdugos.
Esparramarei chocolate no teu ventre, no umbigo,
Os teus seios cobrirei de doce
E os teus pés de vatapá 
Para toda te lambuzar 
E toda, toda te chupar 
Com a volúpia de um dragão.
E me perderei em ti, 
Como um barco no alto mar, 
Com a insensibilidade de quem 
A felicidade vai encontrar 
Em ser o mais cruel que se pode ser.  
E, depois de tudo, sem culpas ou pecados, 
Me vangloriarei da maldade 
De ter te amado 
Do modo mais suave, terno e cruel 
E, como amante malvado, 
Ter experimentado na terra
As delícias do céu! 

Ilustração: Amino Apps. 

Tuesday, March 06, 2018

Uma poesia de Elvira Hernández


 
HUEVICHE SUMMUM

Elvira Hernández

Cero claridad. Durmiendo el día y despertando de noche. La ampolleta apagó la luz en mitad de la escalera. Cayó sobre mí una montaña ardiendo, una ruma de piedras caldeadas o me tragué un pan muy picante. Crucificada en los escalones yo sólo hubiera querido echar lava por la boca. Después estaba en cueros, sucia, goteando, como salida de un terremoto pero intacta, y mi corazón parado de un solo campanazo.

Cero claridad. Ya he contado el veintiocho, el treinta y cinco, el cincuenta y seis y el setenta y cinco sin ver sangre. Sin ver el sol, sin ver nada. Sólo los perejiles que me pongo, y creo que alguien las verá verde.


HUEVICHE SUMMUM

Claridade zero. Dormindo de dia e despertando de noite. A lâmpada apagou  a luz na metade da escada. Caiu sobre mim uma montanha, uma porção de pedras quentes ou traguei um pão muito apimentado. Crucificado nos degraus, eu só desejaria derramar lava pela boca. Depois estava em couros, sujo, pingando, como se saída de um terremoto, porém, intacta, e meu coração parado de um só sino.

Claridade zero. Já contei vinte e oito, trinta e cinco, cinquenta e seis e setenta e cinco sem ver sangue. Sem ver o sol, sem ver nada. Só os adornos que me coloco, e acho que alguém os verá verde.



Ilustração: Joussiê Calou Jr.

Outra poesia de Shel Silverstein


 
RAIN                                 
Shel Silverstein

I opened my eyes
And looked up at the rain,
And it dripped in my head
And flowed into my brain,
And all that I hear as I lie in my bed
Is the slishity-slosh of the rain in my head.

I step very softly,
I walk very slow,
I can't do a handstand-
I might overflow,
So pardon the wild crazy thing I just said--
I'm just not the same since there's rain in my head.

CHUVA

Eu abri os meus olhos
e olhei para a chuva,
e gotejou na minha cabeça
e fluiu no meu cérebro
e tudo o que eu ouço, como se mentisse na minha cama,
é o tic-tac da chuva na minha cabeça.

Eu passo muito suavemente,
Eu ando muito devagar
Eu não posso fazer um carrinho de mão -
Eu posso transbordar,
Então, perdoe a coisa louca e selvagem que eu acabei de dizer ...
Eu não sou o mesmo desde que haja chuva na minha cabeça.

Ilustração: O ExClUíDo - WordPress.com.

Uma poesia de Shel Silverstein


Whatif                              
Shel Silverstein

Last night, while I lay thinking here,
some Whatifs crawled inside my ear
and pranced and partied all night long
and sang their same old Whatif song:
Whatif I'm dumb in school?
Whatif they've closed the swimming pool?
Whatif I get beat up?
Whatif there's poison in my cup?
Whatif I start to cry?
Whatif I get sick and die?
Whatif I flunk that test?
Whatif green hair grows on my chest?
Whatif nobody likes me?
Whatif a bolt of lightning strikes me?
Whatif I don't grow talle?
Whatif my head starts getting smaller?
Whatif the fish won't bite?
Whatif the wind tears up my kite?
Whatif they start a war?
Whatif my parents get divorced?
Whatif the bus is late?
Whatif my teeth don't grow in straight?
Whatif I tear my pants?
Whatif I never learn to dance?
Everything seems well, and then
the nighttime Whatifs strike again!

E SE....

Ontem à noite, enquanto eu pensava aqui,
alguns  "E se.." rastejaram dentro da minha orelha
e brincaram e festejaram a noite toda
e cantaram a mesma música antiga de "E se":
E se eu sou burro na escola?
E se eles fecharem a piscina?
E se baterem em mim?
E se tiver veneno na minha xícara?
E se eu começar a chorar?
E se eu ficar doente e morrer?
E se  eu reprovar nesse teste?
E se crescer cabelo verde no meu peito?
E se ninguém gostar de mim?
E se um relâmpago me golpeia?
E se eu não fico alto?
E se minha cabeça começa a diminuir?
E se o peixe não fisgar?
E se o vento rasgar minha pipa?
E se eles começam uma guerra?
E se meus pais se divorciam?
E se ônibus está atrasado?
E se meus dentes não crescerem em linha reta?
E se arrancarem minhas calças?
E se eu nunca aprender a dançar?
Tudo parece bem, e então
A no meio da noite o E se me ataca novamente!

Ilustração: Christiane Jatahy.

Outra poesia de Liliana Ponce


DIARIO                          
 Liliana Ponce

3
Días en que el sol abre un manto grave, denso. Y la lluvia imaginada es como una lámina de hojalata.
Todavía, francotirador de los domingos, me lanzo al chillido de los pájaros.
Hierba rala.
Me embriago con la luna, con los nombres de las quejas.
Cae el silencio: mi montaña, mi torre.
4
Es la tarde la que es eterna, la que deposita la melancolía sobre los párpados, la que me hunde en esta marea de espacios.
El punto relativo es el velo del dolor. No puedo caminar más que entre árboles.
¿Eres nueva en el puente invisible?  – dicen.
Transfórmame, amado mío, haz que crezca en lo perecedero, en la muerte de mi infancia.
5
La forma es la lunación.
Respiro el olvido a través de tu ojo azul.

DIÁRIO
3

Dias quando o sol abre um manto grave, denso. E a chuva imaginada é como uma lamina de folha de lata.
Todavia, o franco atirador dos domingos, me lançou no grito dos pássaros.
Grama rala.
Me embriago com a lua, com os nomes das queixas.
O silêncio cai: minha montanha, minha torre.
4
É a tarde que é eterna, a que deposita a melancolia nas pálpebras, a que me mergulha nesta maré de espaços.
O ponto relativo é o véu da dor. Não posso caminhar mais entre as árvores.
És novo na ponte invisível? - dizem.
Transforma-me, meu amado, faz que cresça no perecível, na morte da minha infância.
5
A forma é a lunação.
Respiro o esquecimento através do teu olho azul.

Ilustração: EvangeBlog.

Uma poesia de Alexis Gómez Ros



IDEA FIJA

 Alexis Gómez Rosa

Entregado el cuerpo al sueño la cabeza continúa labrando una leyenda

Con espíritu de mujer negra y cuerpo de viento antillano, al lado mío, arrambla en su
vigilia, la noche con su carnaval de espejitos. Noche del diablo y su hermano,
albaricoque. Noche latigo y campana en la pleamar de su lamento.

Así, como la idea que avanza y engorda y en fiebre se convierte. Como la flecha orgullosa
que repetidamente hace blanco en la esfera, he contraído una noche que es todas
las noches (Borges), por la que se desprende un nerviosismo envuelto en una
imagen bifronte.

Dos expresiones: rostro de buenas tardes y nomeolvides, habilitando viajes de ida y vuelta
por los relieves de un sueño en el que no sobrevivo a su bestiario. Mujer diosa de
los condenados, -lugar común- en el que todo animal abreva y fija sus raíces.

Me he acostado contigo en la cabeza y ya tienes la dimensión del deseo en la manzana de
alto precio. El bosque todo paraíso en tu árbol. La luz (de fibras acanaladas),
arrastra en su lengua el cortejo de las moscas.

IDEIA FIXA

Entregado o corpo ao sono, a cabeça continua esculpindo uma lenda

Com o espírito de uma mulher negra e o corpo de um vento antilhano, ao meu lado, ela leva em sua
vigília, a noite com seu carnaval de espelhinhos. Noite do diabo e seu irmão,
damasco. Noturno chicote e sino na maré alta de seu lamento.

Assim, como a idéia que avança e  engorda e em febre se converte. Como a flecha orgulhosa
que repetidamente acerta o alvo na esfera, eu resumi uma noite que são
todas as noites (Borges), porque dela  se desprende um nervosismo envolvido em
uma
imagem bifronte.

Duas expressões: rosto de boa tarde e não me esqueças, permitindo viagens de ida e volta
para os relevos de um sonho em que eu não sobrevivi ao seu bestiário. Mulher
deusa
dos condenados, - lugar comum - em que todos os animais abreviam e fixam suas raízes.

Me encostei contigo na cabeça e já tens a dimensão do desejo na
maçã de
alto preço A floresta é todo o paraíso em sua árvore. A luz ( de fibras com nervuras),
arrasta em sua língua o namoro das moscas.

Ilustração: CineZen. 

Thursday, March 01, 2018

Uma poesia de Pino Betanco

                                             

BELLEZA TOTAL

Pino Betanco

Qué lindo eres, amor, aunque no seas
más largo que una noche de verano.
Aunque no tengas más valor que una
larga rosa en el hueco de una mano.

Qué lindo eres, amor, apenas duras
lo que dura un ensueño. Mas qué importa
tu brevedad de pájaro y de brisa.
La belleza total ha de ser corta.

Qué lindo eres amor. Hoy que no tengo
tu corona ciñéndome la frente.
tu perfume salvaje entre los labios,
despoblada me siento de repente.

Ven otra vez, amor, aunque de nuevo
seas una luz lejana, aunque un instante
me dure la ilusión de tu belleza
y te vuelvas de nuevo gris, distante.

Ven otra vez, amor. Ahora que entiendo
tu brevedad de flor, sabré adorarte
sin preguntar, sin esperar siquiera
mas que tu azul placer sobre mi carne.
  
BELEZA TOTAL

Que lindo és, amor, ainda que não seja
Mais do que uma noite de verão.
Mesmo que tu não tenhas mais valor do que um
Uma larga rosa no buraco de uma mão.

Que lindo és, amor, apenas duras
o que dura um sonho. Mas, que importa
tua brevidade de pássaro e brisa.
A beleza total há de ser curta.

Que lindo és amor. Hoje eu não tenho
tua coroa cingindo-me a testa.
teu perfume selvagem entre os lábios,
Despovoado sinto-me de repente.

Vem outra vez, amor, ainda que de novo
seja uma luz longínqua, embora seja um instante
que dure a ilusão de tua beleza
e tu voltes a ficar cinza, distante.

Vem outra, amor. Agora que entendo
tua brevidade de flor, saberei adorar-te
sem perguntar, sem esperar sequer
mais que teu prazer azul sobre minha carne.

Ilustração: New Hair Cabeleireiros