Wednesday, March 21, 2018

Outra poesia de Gabriel García Márquez


Soneto casi insistente en una noche de serenatas

Gabriel García Márquez

Quisiera una mujer de sangre y plata.
Cualquier mujer. Una mujer cualquiera,
cuando en las noches de la primavera
se oye a lo lejos una serenata.

Esa música es alma. Y aunque no fuera
verdad tanta mentira sería grato
el saber que su voz siempre retrata
el corazón de una mujer cualquiera.

Quiero querer con música. Y quiero
que me quieran con tono verdadero
Casi en azul y casi eternamente.

Será porque ese ritmo me arrebata,
o tal vez porque oyendo serenatas
me duele el Corazón musicalmente.

SONETO QUASE INSISTENTE EM UMA NOITE DE SERENATA

Quisera uma mulher de sangue e prata.
Qualquer mulher. Uma mulher qualquer,
quando nas noites de primavera
se ouve, ao longe, uma serenata.

Essa música é alma. E ainda que não fora
verdade tanta mentira seria grato
o saber que sua voz sempre retrata
o coração de uma mulher qualquer.

Quero querer com música. E quero
que me queiram com o tom verdadeiro
quase em azul e quase eternamente.

Será porque esse ritmo me arrebata,
ou talvez porque ouvindo serenatas
me dói o coração musicalmente.

Ilustração: Dreamstime.com.

Tuesday, March 20, 2018

Uma poesia de Gabriel García Márquez

                                             
“Si alguien llama a tu puerta…”

Gabriel García Márquez

Si alguien llama a tu puerta, amiga mía,
y algo en tu sangre late y no reposa
y en su tallo de agua, temblorosa,
la fuente es una líquida armonía.

Si alguien llama a tu puerta y todavía
te sobra tiempo para ser hermosa
y cabe todo abril en una rosa
y por la rosa se desangra el día.

Si alguien llama a tu puerta una mañana
sonora de palomas y campanas
y aún crees en el dolor y en la poesía.

Si aún la vida es verdad y el verso existe.
Si alguien llama a tu puerta y estás triste,
abre, que es el amor, amiga mía.

SE ALGUÉM BATE À TUA PORTA

Se alguém tocar em tua porta, amiga minha,
e algo em teu sangue bate e não descansa
e em seu tronco de água, temerosa,
a fonte é uma líquida harmonia.

Se alguém toca à tua porta e, todavia,
te sobra tempo para ser formosa
e cabe todo abril em uma rosa
e pela rosa se sangra o dia.

Se alguém bate à tua porta uma manhã
ao som de pombos e de sinos
e ainda crês em dor e na poesia.

Se ainda a vida é verdade e o verso existe.
Se alguém bate à tua porta e estás triste,
Abre, que é o amor, amiga minha.

Ilustração: Clave Mágica - WordPress.com.

Monday, March 19, 2018

FALAR DE AMOR





Hoje desejo falar do amor
como quem procura palavras espalhadas pelo chão
ou tenta justificar sua religião.
Falar do amor sabendo
que o amor só conduz a confusões, a desastres, a fugir da realidade que nos cerca e nos contamina,
tentando explicar o que a vida não ensina.
O amor não tem lógica,
não tem nada de racional, de simples, de transmissível.
O amor só como catástrofe é possível. 
O amor é um alvo móvel.
Um alvo que nunca se acerta,
ou, se certeira a flecha,
se vê que era o alvo errado.
E cansado do amor e das palavras
quero falar do amor
como desses monstros
que só se satisfazem com lágrimas e dramas.
Quero falar do amor,
como acontece entre nós dois,
doce, 
inesperado.
O amor do acaso,
da inconsequência e da impossibilidade
que se alimenta de sua própria incoerência
e cresce, se expande, 
flutua com o ar, com a lua 
e arde em nós
e nos faz viver.
É indispensável falar do amor.
Falar do amor e da saudade que sinto de você!

Uma poesia de Eira Steberg


TO SPEAK OF LOVE                                              

Eira Margot Helene Stenberg

To speak of love,
of what one cannot speak -
a blind alley, a mirror
in which someone hangs
upside down from an invisible tree
feet wrapped around a branch
as if wrestling gravity,
mouth open,
no voice.

Or to speak as if
love were a door
to which longing is the key
and behind the door, the tree would blaze
into visibility,
the fetus would straighten its legs and dive
up to the surface,
would speak to you, juggler
who tosses his head from hand to hand
like a die,
would offer you a fresh leaf
after the flood.

PARA FALAR DE AMOR

Para falar de amor,
do que não se pode falar -
um beco sem saída, um espelho
em que alguém trava
de cabeça para baixo de uma árvore invisível
pés enrolados em torno de um ramo
como se estivesse lutando contra a gravidade,
boca aberta,
sem voz.

Ou falar como se
o amor fosse uma porta
para o qual a saudade é a chave
e atrás da porta, a árvore arderia
em visibilidade,
o feto endireitaria as pernas e mergulha
até a superfície,
falaria com você, malabarista
como quem joga a cabeça de mão em mão
como um dado,
oferecer-lhe-ia uma folha fresca
depois do dilúvio.

Ilustração: Público. 




Friday, March 16, 2018

Outra poesia de Pino Ojeda Quevedo



TE BUSQUÉ POR LOS SUEÑOS 

Pino Ojeda Quevedo 

Te busqué por la tierra, por largos
pasillos de seres. Te busqué por las noches,
por calles y sombras, por quietas esquinas
agudas. Te busqué por los días. Nadie
con carne y tacto me descubría tu nombre.
Te busqué por los bosques: altas miradas
rodaron por copas, por ramas, por quietas
palmeras, por viejos pinos lejanos. Pero nada,
nada tenía escrito tu nombre.
Te busqué por las hojas sobre vientres
de campos morenos. Te busqué por los trigos,
por valles y praderas de lirios, por montañas,
por fuentes. Por cada sendero oculto
iba gritando tu nombre.
Te busqué por los mares, por frágiles
barcas de marineros mojados. Te busqué
por algas, por peces, por rocas agudas,
por olas y anchas playas doradas.
Te busqué más abajo, en lo hondo, entre
viejas astillas de barcos remotos. Olvidadas
cartas marinas no decían tu nombre.
Te busqué por estrellas, por nubes,
por albas, por quietos celajes. Te busqué
por los aires, por la luna callejera,
por locas primaveras saltando.
Te busqué por el tiempo, por los siglos:
fríos cementerios no tenían tu nombre.
Te busqué por un signo, un signo de ave
y nadie, nadie podría encontrarte.
Te busqué por los sueños:
por los sueños, tú me estabas esperando.

TE BUSQUEI PELOS SONHOS

Te busquei pela terra, por largos
corredores de seres. Te busquei pelas noites,
através de ruas e sombras, por quietas esquinas
afiadas. Te busquei pelos dias. Ninguém
Com carne e tato, me descobria teu nome.
Busquei por florestas: altos olhares
rolaram pelas copas, pelos ramos, por quietas
palmeiras, por velhos pinheiros distantes. Porém, nada,
nada tinha escrito o teu nome.
Te busquei pelas folhas, pelos ventres
de campos escuros. Te busquei pelos trigos,
por vales e prados de lírios, por montanhas,
por fontes. Por cada caminho oculto
ia gritando teu nome.
Te busquei pelos mares, por frágeis
barcos de marinheiros molhados. Te busquei
por algas, por peixe, por pedras afiadas,
por ondas e largas praias douradas.
Te busquei mais abaixo, no fundo, entre
velhas aparas de navios remotos. Esquecidas
cartas marinhas não diziam seu nome.
Te busquei por estrelas, por nuvens,
por amanheceres, por quistos céus enevoados. Te busquei
pelos ares, por uma lua rueira,
por loucas primavera saltando.
Te busquei pelo tempo, pelos séculos:
trios cemitérios não tinham teu nome.
Te busquei por um sinal, um sinal de pássaro
e ninguém, ninguém podia encontar-te.
Te busquei pelos sonhos:
e pelos sonhos, tu estavas me esperando.


Outra poesia de Rodolfo Häsler


VISIÓN DEL MERCADO                  

Rodolfo Häsler

(para Conchi Jubany)

Lo único que nos detendrá, te dije, será la visita
al mercado de Algeciras.

El mar, que aparece sin ser visto,
es un reino de fuerza que se asienta en la cabeza
y tiene el color potente de una aguamarina.

Recorremos un camino de aceitunas moradas,
limones cortados que salpican el rostro,
cestos de higos secos que esconden el áspid,
carne de pez espada donde gime el corazón.

Poco antes de abrir los ojos
el gesto de tus manos entre el pescado
me eleva en el espacio con la plenitud
de un ángel sobreviviente.

VISÃO DE MERCADO

(para Conchi Jubany)

A única coisa que vai nos deterá, te disse, será a visita
ao mercado de Algeciras.

O mar, que aparece sem ser visto,
é um reino de força que se assenta na cabeça
e tem a cor potente de uma água marinha.

Percorremos um caminho de azeitonas roxas,
limões cortados que salpicam o rosto,
cestos de figos secos que escondem as áspides,
carne de peixe-espada onde geme o coração.

Pouco antes de abrir os olhos
o gesto de suas mãos entre os peixes
me eleva ao espaço com a plenitude
de um anjo sobrevivente.



Ilustração: blogdRuta.com.

Uma poesia de Rodolfo Häsler


VISIÓN DEL CÁLAMO                                             

Rodolfo Häsler

(para Blanca Andreu)

Me hallo en un esmerado jardín
con dos cipreses lanceolados, un melocotonero
en flor y una fuente. En su perfección lo tomo
por un huerto persa. Mientras contemplo
ensimismado la eclosión de una rosa
una voz me devuelve a la belleza del vergel,
una extraña voz, voz hermafrodita: toma el cálamo
y escribe, toma el cálamo y escribe cuanto sabes.

VISÃO DO CÁLAMO

(para Blanca Andreu)

Me encontro em um esmerado jardim
com dois ciprestes em forma de lança, uma árvore de pessegueiro
em flor e uma fonte. Na sua perfeição, o tomo
por um jardim persa. Enquanto contemplo
ensimesmado a eclosão de uma rosa
uma voz me devolve a beleza do pomar,
uma voz estranha, voz hermafrodita: pegue o cálamo
e escreva, pegue o cálamo e escreve o quanto sabes.

Ilustração: Divagar sobre tudo um pouco – Blogspot.

Uma poesia de Russel Edson


ANGELS                       

Russell Edson

They have little use. They are best as objects of torment.
No government cares what you do with them.

Like birds, and yet so human . . .
They mate by briefly looking at the other.
Their eggs are like white jellybeans.

Sometimes they have been said to inspire a man
to do more with his life than he might have.
But what is there for a man to do with his life?

. . . They burn beautifully with a blue flame.

When they cry out it is like the screech of a tiny hinge;
the cry of a bat. No one hears it . . .

ANJOS

Eles têm pouco uso. Eles são melhores como objetos de tormento.
Nenhum governo se importa com o que você faz com eles.

São como pássaros, e ainda tão humanos. . .
Eles se casam olhando brevemente para o outro.
Seus ovos são como jujubas brancas.

Às vezes, eles têm falado para inspirar um homem
para fazer mais com a vida do que ele poderia ter.
Mas, o que há para um homem fazer com sua vida?

. . . Eles queimam lindamente com uma chama azul.

Quando choram, é como o grito de uma pequena dobradiça;
o choro de um morcego. Ninguém os ouve. . .

Ilustração: JW.org.

Uma poesia de R. S. Thomas


SORRY                           
R. S. Thomas

Dear parents,
I forgive you my life,
Begotten in a drab town,
The intention was good;
Passing the street now,
I see still the remains of sunlight.

It was not the bone buckled;
You gave me enough food
To renew myself.
It was the mind's weight
Kept me bent, as I grew tall.

It was not your fault.
What should have gone on,
Arrow aimed from a tried bow
At a tried target, has turned back,
Wounding itself
With questions you had not asked.


DESCULPE

Queridos pais,
Eu lhes perdoo por minha vida,
gerado em uma monótona cidade,
Sei que intenção era boa;
Passando pela rua agora,
Eu vejo que ainda há restos de luz solar.

Não era um pacote fechado;
Vocês me deram comida suficiente
Para me renovar.
Era o peso da mente
que me manteve curvado, enquanto eu crescia alto.

A culpa não foi de vocês.
O que deveria ter acontecido,
se a flecha  foi destinada a um arco marcado
e  o alvo marcado, por seu turno, voltou,
ferindo-se
com perguntas que vocês não tinham perguntado.

Ilustração: Vigilantes da Autoestima - UOL Blog.



Cançãozinha dos dias que se perderam

                                                                                 
Sei que sem te ver
os dias passam
mais longos e mais tristes
e a chuva, que persiste,
imita o meu coração,
na nevoa e na escuridão, 
que busca superar a tristeza
com uma bela canção
que garante que vais voltar
ainda que nunca tenhas ido
porque todo este tempo sem ti
não existe ou foi perdido.

Ilustração: El Blog de Alakan

Friday, March 09, 2018

Uma poesia de Cecilia Vicuña


PUESTA DE SOL                                     
 Cecilia Vicuña

El sol se pone en el horizonte
como un pan sobre la mesa.

Y el ocaso
no es un acaso
que prefiere decir
un o...
para dejar abiertos
los casos
que sucederán
al sol
al otro lado
del ocaso?

O sol se põe no horizonte
como um pão sobre a mesa.

POR DE SOL
E o ocaso
não é um acaso
que preferes dizer
um ou...
para deixar abertos
os casos que sucederam
ao sol
do outro lado
do ocaso?

Ilustração: olhares.sapo.pt