Saturday, January 28, 2012

Juan Gelman


La puerta

Juan Gelman

abrí la puerta/amor mío
levantá/abrí la puerta
tengo el alma pegada al paladar
temblando de terror

el jabalí del monte me pisoteó
el asno salvaje me persiguió
en esta media noche del exilio
soy yo mismo una bestia

A porta

Abre a porta/meu amor
levanta/abre a porta
que tenho a alma presa ao paladar
tremendo de terror

o javali do monte me pisoteou
o asno selvagem me perseguiu
nesta meia-noite do exílio
eu sou mesmo é uma besta.

Ilustração: http://avante7.com.br/o-desafio-da-cumplicidade/

Claribel Alegira refeita


Amor

Claribel Alegria

Todos lo que amo
están en ti
y tú
en todo lo que amo.

Amor

Todos os que amo
estão em ti
e tu
estais em tudo que amo.

Ilustração: http://compondonojardim.blogspot.com/2010_12_01_archive.html

Thursday, January 26, 2012

Outra poesia de Jorge Carrera Andrade


Vendrá un día más puro que los otros...

Jorge Carrera Andrade

Vendrá un día más puro que los otros:
estallará la paz sobre la tierra
como un sol de cristal. Un fulgor nuevo
envolverá las cosas.
Los hombres cantarán en los caminos,
libres ya de la muerte solapada.
El trigo crecerá sobre los restos
de las armas destruidas
y nadie verterá
la sangre de su hermano,
El mundo será entonces de las fuentes
y las espigas, que impondrán su imperio
de abundancia y frescura sin fronteras.
Los ancianos tan sólo, en el domingo
de su vida apacible,
esperarán la muerte,
la muerte natural, fin de jornada,
paisaje más hermoso que el poniente.

Virá um dia mais puro que os outros ...

Virá um dia mais puro que os outros:
que instalará a paz por sobre a terra
como um sol de cristal. Um fulgor novo
que envolverá as coisas.
Os homens cantarão pelos caminhos
livres, já, da morte disfarçada.
O trigo crescerá sobre os restos
das armas destruídas
e ninguém derramará
o sangue de seu irmão.
O mundo será, então, das fontes
e espigas, que imporão o seu domínio
de abundância e frescura sem fronteiras.
Só os idosos , nos domingos
de suas vidas pacíficas,
esperarão a morte,
morte natural, o fim da jornada,
paisagem mais bonita que o poente.

Ilustração: http://denyse-melo.blogspot.com

Wednesday, January 25, 2012

Jorge Carrera Andrade


Golondrinas

Jorge Carrera Andrade

Que me busquen mañana.
Hoy tengo cita con las golondrinas.
En las plumas mojadas por la primera lluvia
llega el mensaje fresco de los nidos celestes.
La luz anda buscando un escondite.
Las ventanas voltean páginas fulgurantes
que se apagan de pronto en vagas profecías.
Mi conciencia fue ayer un país fértil.
Hoy es campo de rocas.
Me resigno al silencio
pero comprendo el grito de los pájaros
el grito gris de angustia
ante la luz ahogada por la primera lluvia.

Andorinhas

Que me procurem amanhã.
Hoje eu tenho um encontro com as andorinhas.
Nas penas molhadas pela primeira chuva
chega a mensagem fresca dos ninhos celestes.
A luz anda buscando um esconderijo.
As janelas folheiam páginas fulgurantes
que se apagam em vagas profecias.
Minha consciência foi ontem um país fértil.
Hoje é campo de rochas.
Resigno-me ao silêncio,
porém, compreendo o grito das aves
o grito cinzento de angústia
ante a luz afogada pela primeira chuva.

Tuesday, January 24, 2012

CRISTIAN AVECILLAS


HOMO DELIRANS

CRISTIAN AVECILLAS

I
Y en tu piel preparas el vocablo porque la paciencia te traerá la entraña:
Ser artista es inventar la carne donde no hay persona
Y mirar el hueso donde todos ven futuro.

II
Y preparas la armonía de tu sangre con la herida del deseo eliminado,
La feroz fidelidad ante lo acústico,
La feroz epanortosis de lo acústico:
Y preparas la cordura de tus miembros en la elipsis de la ajena suculencia,
La retórica es un grito en la distancia
Al que no darás socorro para no romper el ritmo.

III
Y preparas la elocuencia de tu sombra
Cuando arrojas tu linaje en el desierto:
Poblarás la nada
Hasta inventar la desnudez.

HOMO DELIRANS

I
E na tua pele preparas a palavra porque a paciência lhe trairá as entranhas:
Ser artista é inventar a carne onde não há pessoa
E olhar o osso onde todo mundo vê o futuro.

II
E preparars a harmonia de teu sangue com a ferida do desejo eliminado,
A feroz fidelidade ao acústico,
A feroz ressureição do acústico
E preparas a mansidão de teus membros na elipse de alheia suculência,
A retórica é um grito na distância
A que não darás socorro para não quebrar o ritmo.

III
E prepararas a eloqüência de tua sombra
Quando arrojas tua linhagem no deserto:
Povoarás o nada
Atér inventar es a nudez.

CRISTIAN AVECILLAS


HOMO RIDENS

Cristian Avecillas

Y te dices:
Que el poema encienda lo que ayer la llama
Para que arda una mujer en el verano.

Homo Ridens

E tu dizes:
O poema incendeia o que ontem era chama
Para que arda uma mulher no verão.

Ilustração: cristina.com.br

Simón Zavala Guzmán


RECONSTRUCCION DE LA VERDAD

Simón Zavala Guzmán

Espejo de lodo la mentira
todo lo que ella arguye
inventa
escupe
sirve para tapar el sol con el dedo
meñique.
La verdad
la pobre y huérfana verdad
siempre tendrá la estatura de
una desconocida
pero no será un cadáver de mármol
velàndose entre gusanos.
Por eso uno piensa que en la claridad
de los sábios
hay un sol más hondo
donde los seres aparecen realmente
como son.
La verdad es un rostro de cristal
cuerpo tíbio de mujer.
La verdad tiene un sitio
por donde se puede respirar aire libre
llega como inconmovible fruta
llena de olas
y ahoga en su momento a tanto
mercader
a tanto mono de organillero
a tanto político de subasta.


A RECONSTRUÇÃO DA VERDADE

Espelho de toda a mentira
tudo o que ela argúi
inventa
cospe
serve para tapar o sol com o dedo
mindinho.
A verdade,
a pobre e órfã verdade,
sempre terá o tamanho de
uma desconhecida,
porém, não será um cadáver de mármore
velando-se entre os vermes.
Por isto se pensa que na claridade
dos sábios
há um sol mais profundo
onde os seres realmente aparecem
como são.
A verdade é um rosto de cristal,
como um corpo frágil de mulher
A verdade vive num local
onde é possível respirar ar livre
chega como inamovível fruta
plena de ondas
e afoga em seu momento tanto
o empresário,
tanto macaco tocador de realejo
como o político venal

Ilustração: http://fabiopestanaramos.blogspot.com/2011/09/concepcao-filosofica-da-verdade.html

Sunday, January 22, 2012

Concha García outra vez



Alegoría del tiempo


Concha García

Somos moderadamente felices,
los dos vivíamos en una afinidad
absoluta: las palabras
no pueden expresar la experiencia.
Yo tampoco.


Alegoria do tempo

Somos moderadamente felizes,
nós dois viviamos numa afinidade
absoluta: as palavras
não podem expressar a experiência.
Nem eu, tampouco.

Concha García


Bajo los auspícios

Concha García

La cosa más profunda que he vivido
ya la he olvidado. Ahora sólo me importa
arreglar la ventana si se rompiera, o
limpiar los cristales. Todas las verdades
han sido un largo pronunciamiento sin fecha,
de pronto no recuerdo ninguna. Se confunden
encaramadas bajo los auspicios de mi necedad
que tampoco se precia. A mí me gusta
el encantamiento de ciertas tardes, cuando
lo evidente no es real.


Sob os auspícios

A coisa mais profunda que já vivi
eu já esqueci. Agora só me importa
fechar a janela, se quebradas, ou
limpar as janelas. Todas as verdades
tem sido um enorme discurso sem data,
de repente não me lembro de nenhuma. Se confudem
empoleiradas sob os auspícios da minha loucura
que tampouco se aprecia. Eu gosto
do feitiço de certas tardes, quando
o evidente não é real.

Mario Benedetti


El soneto de rigor

Las rosas están insoportables en el florero
JAIME SABINES

Tal vez haya un rigor para encontrarte
el corazón de rosa rigurosa
ya que hablando en rigor no es poca cosa
que tu rigor de rosa no te harte.

Rosa que estás aquí o en cualquier parte
con tu rigor de pétalos, qué sosa
es tu fórmula intacta, tan hermosa
que ya es de rigor desprestigiarte.

Así que abandonándote en tus ramos
o dejándote al borde del camino
aplicarte el rigor es lo mejor.

Y el rigor no permite que te hagamos
liras ni odas cual floreros, sino
apenas el soneto de rigor.

O soneto do rigor


Talvez haja um rigor para encontrar-te
o coração de rosa rigorosa
porque a rigor não é pouca coisa
que teu rigor de rosa não te falte.

Rosa que estas aqui ou em qualquer parte
con teu rigor de suas pétalas, que coisa
é tua fórmula intacta, tão formosa
que já é de rigor desprestigiar-te.

Assim, abandonar-te em teus ramos
ou deixando-te à beira da estrada
Aplicar-te o rigor é o melhor.

E o rigor não permite que te façamos
liras nem odes qual vasos, nem mais nada
apenas o soneto do rigor.

VISLUMBRE


Eu sei que, quando se lê o tarot,
nada se sabe,
mas, também começamos na vida,
na verdade, sem nada saber.

Tiro um arcano
na esperança que me mostre o caminho
e o que me ensina
tem os fumos do embaraço,
de modo que venho, vou e passo
na busca de uma interpretação
que não ultrapassa jamais
meu nível de consciência.

E me afundo em estudos
para ter ciência
de que conhecer
é sempre só um prisma do diamante.

E só o que vejo passo adiante
e, mesmo assim, é ajuda e luz,
de forma que me saúdam como sábio
sendo tão ignorante.

Wednesday, January 18, 2012

Ronald Rivas


AMINTA

Ronald Rivas

Aminta la hija inmortal del viento
Dejó su secreto disperso
En la hierba de las horas
Cuando soy, a penas,
Un escarabajo
Que recoge su tedio en las líneas más densas de la grama,
Planta su sonrisa mientras acaricia mi huesudo corazón
Y desearía ser el gatito en medio de sus piernas.

Aminta

Aminta, a filha imortal do vento,
Deixou seu segredo disperso
Na grama das horas.
Quando sou, apenas,
Um escaravelho
Que recolhe o seu tédio nas linhas mais densas da grama,
Planta o seu sorriso enquanto acaricia meu coração de osso
E desejaria ser o gatinho no meio de suas pernas.

Ilustração: pautandosemprepm3.blogspot.com

Sunday, January 15, 2012

Uma poetisa bissexta


A MOMENT OF BLISS

February 1, 2010
Lilita do Acre

Finished the chores of the day
I wearily reached for my favorite window .
And Lo! What a pleasure,
Finding the rain coming down again,
Bringing together the adorable scent
Of newly wet grass!

People complain against the rain
When it should be seen as divine bliss
For nature is preparing the forthcoming season,
Of fruit and fish in the Amazon.

Instead of complaints we should salute nature
In its wise change of seasons
Each one favoring men and creatures
With nurturing abundance of every sort.

I can only complain against fate
For not allowing me
The wonder of sharing this moment with you.


Um momento de felicidade

Concluída as tarefas do dia
Eu cansada alcanço minha janela favorita.
E eis! Que prazer,
Encontrar a chuva caindo novamente,
Trazendo junto o perfume adorável
Da grama recém molhada!

As pessoas reclamam da chuva
Quando deveria ser vista como uma benção divina
Para a natureza que prepara a próxima estação,
De frutas e de peixes na Amazônia.

Em vez de queixas, devemos louvar a natureza
Na sua sábia mudança das estações
Cada uma favorecendo os homens e as criaturas
Com o carinho abundante de cada espécie.

Só posso reclamar do meu destino
Que não me permite
Compartilhar este maravilhoso momento com você.

Cristóbal Zapata

EL GUSANITO

Cristóbal Zapata

Como una polilla inmune a mis venenos y mis trampas
el amor me corroe pacientemente.

Mi corazón está sucio
como el revés de una mesa
donde los comensales han ido guardando
los residuos que estorban la masticación.

Pongo una mano debajo de mi corazón
y la mano salta espantada, llena de mugre y dolor.
Pongo otra mano sobre mi corazón
y el gusanito empieza a roer
sin prisa, sin culpa, sin temor.

Verme

Como uma borboleta imune ao meu veneno e as minhas armadilhas
o amor me corrói pacientemente.

Meu coração está sujo
como embaixo de uma mesa
onde os comensais estão jogando
os restos da comida difícil de mastigar.

Ponho uma mão debaixo do meu coração
e a mão salta assustada, cheia de sujeira e dor.
Ponho outra mão sobre o meu coração
e o verme começa a roer
sem pressa, sem culpa, sem medo.

Friday, January 13, 2012

Walter Cruz


Tarde

Walter Cruz

El tiempo se alimenta de belleza...
es evidente en las mujeres y en las cosas
y es tan voraz y tan sutil su paso lento
que engañados por su suave persistencia
siempre tarde comprendemos que la esencia
del dolor y la amargura esta en aquello
que pudimos y no hicimos...la belleza
que era nuestra y no supimos.

Tarde

O tempo se alimenta de beleza ...
é evidente nas mulheres e nas coisas
e é tão voraz e tão sutil seu passo lento
que enganados por sua suave persistência
sempre tarde compreendemos sua essência
da dor e da amargura que está naquilo
que podemos e não fizemos ...a beleza
que era nossa e não sabíamos.

Ilustração: corinepasso.blogspot.com

Thursday, January 12, 2012

Poeminha da única importância


No fim hás de ver que o que importa,
Por mais que o tempo não seja nosso aliado,
É o que nada vai conseguir apagar.

Um encontro inesperado no avião,
O carinho no momentos preciso.
Algumas poesias, as músicas, os risos,
O fato de que nós sentimos bem perto e distante
E que, apesar de tudo, vamos adiante
E, por muito que o tempo possa nos levar,
Nos deixa sempre a capacidade de amar.

Wednesday, January 11, 2012

Traição inglesa


Blue Wings

George Eliot (Mary Ann Evans)

Warm whisp'ring through the slender olive leaves
Came to me a gentle sound,
Whis'pring of a secret found
In the clear sunshine 'mid the golden sheaves:

Said it was sleeping for me in the morn,
Called it gladness, called it joy,
Drew me on 'Come hither, boy.'
To where the blue wings rested on the corn.

I thought the gentle sound had whispered true
Thought the little heaven mine,
Leaned to clutch the thing divine,
And saw the blue wings melt within the blue!

Asas azuis

Sussurrando quente do meio das folhas de oliveira
Veio a mim o suave som,
Como um segredo de primavera encontrado
Em meados do sol claro como "os feixes de ouro:

Disse que estava dormindo, para mim, na manhã,
Chamou-a alegria, chamou-a prazer,
Me atraiu com 'Vem cá, rapaz. "
Para lá onde as asas azul descansavam no milho.

Eu pensei que o som suave sussurrado era verdade
Pensei que o pequeno céu era meu,
Inclinei-me para embrenhar-me na coisa divina,
E só pude ver se derreter as asas azuis dentro do azul!

Tuesday, January 10, 2012

Rodolfo Naró


Deitada és um violoncelo em repouso

Rodolfo Naró

Acostada eres un cello en reposo,
tu sonido es de cuerdas,
en tus párpados hay notas,
risas de piano se asoman por tus ojos.
Sonata de pájaros en fuga.
No necesitas decirlo
pulsas música al moverte.
Si te distraes el mundo se silencia todo,
vuelve a afinarse. Lo sabes,
pero sigues en tu andar
como si nada.

Deitada és um violoncelo em repouso

Deitada és um violoncelo em repouso,
teu som é de cordas,
em tuas pálpebras há notas,
risos de piano se despejam de teus olhos.
Sonata de pássaros em fuga.
Não necessito dizê-lo
pulsas música ao mover-te.
Se te distrais o mundo se silencia todo,
voltas a se afinar. Tu sabes,
porém, segues em teu andar
como de costume.





Ilustração: cabarepsicodelico.blogspot.com

Monday, January 09, 2012

Javier Martínez


SEGUNDOS

Javier Martínez

La araña hizo su casa
en el segundero de mi reloj.
¡Astuta!
¡Ambiciosa!
Con su red da vueltas al círculo,
atrapa mis sueños,
desprecia el tiempo,
en movimiento trabaja.
¿Por qué en el segundero de mi reloj?

(El Amor Vestido de Asfalto)

Segundos

A aranha fez sua casa
no ponteiro de segundos do meu relógio.
Inteligente!
Ambiciosa!
Com sua rede dá voltas ao círculo,
atrapalha os meus sonhos,
deprecia o tempo,
no movimento trabalha.
Por que no ponteiro de segundos do meu relógio?

Sunday, January 08, 2012

René Char


LE CARREAU

René Char

Pures pluies, femmes attendues,
La face que vous essuyez,
De verre voué aux tourments,
Est la face du révolté;
L’autre, la vitre de l’heureux,
Frissone devant le feu de bois.

Je vous aime mystères jumeaux,
Je touche à chacun de vous;
J’ai mal et je suis léger.

A Telha


Chuvas puras, as mulheres esperando,
O rosto que lavais,
De vidro condenado aos sofrimentos,
É o rosto do revoltado;
O outro, a janela do feliz,
Tremendo diante do fogo na madeira.

Eu te amo, ó dúplice mistério,
Eu toco a cada um de vocês;
Dói-me e eu sou luz.