Saturday, May 11, 2013

Uma poesia de Jorge Ariel Madrazo






Jorge Ariel Madrazo

INTIMIDAD del goce: vos y yo.
Navegar el planeta, la intemperie.

Esta noche será todas las noches.
Nuestras vidas anúdanse mañana.

Dos copas que se entibian; ojos, manos.
Fluir de las miradas (y algún tren).

Dos copas que se encienden. Ojos. Manos.
Intimidad del goce. Vos y yo.

La ciruela se encela sobre el plato.
Y un pasional jolgorio pese a todo.

Soñar tu boca (suspender la muerte).
Intimidad del goce. Y algún tren.

Dos copas que se incendian. Ojos. Manos
Un pasional jolgorio pese a todo.
Nuestras vidas anúdanse mañana.
La ciruela se encela sobre el plato.
Intimidad del goce, y algún tren.


INTIMIDADE do gozo: você e eu.
Navegar o planeta, a intempérie.

Esta noite será todas as noites.
Nossas vida amarram-se amanhã.

Dois copos que se esfriam, olhos, mãos.
Fluir dos olhares (e algum trem).

Dois copos que se incendeiam. Olhos. Mãos.
Intimidade do gozo. Você e eu.

A ciriguela se enciuma sobre o prato.
E uma diversão apaixonada, apesar de tudo.

Sonhar tua boca (suspender a morte).
Intimidade do gozo. E algum trem.

Dois copos que se incendeiam. Olhos. mãos
Uma diversão apaixonada, apesar de tudo.
Nossas vidas amarram-se amanhã.
A ciriguela se enciuma sobre o prato.
Intimidade do gozo, e algum trem.


Ilustração: destrave.cancaonova.com -



Alexandra Pizarnik




AMANTES
Alejandra Pizarnik

Una flor
            no lejos de la noche
            mi cuerpo mudo se abre
a la delicada urgencia del rocío

Amantes

Uma flor
             não muito longe da noite
             meu corpo mudo se abre
à delicada urgência do orvalho

Ilustração: obviousmag.org 

Novamente Gamoneda




AMOR

Antonio Gamoneda

Mi manera de amarte es sencilla:
te aprieto a mí
como si hubiera un poco de justicia en mi corazón
y yo te la pudiese dar con el cuerpo.

Cuando revuelvo tus cabellos
algo hermoso se forma entre mis manos.

Y casi no sé más. Yo sólo aspiro
a estar contigo en paz y a estar en paz
con un deber desconocido
que a veces pesa también en mi corazón.

Amor

Minha maneira de amar-te é simples:
te aperto contra mim 
como se houvesse alguma justiça no meu coração
e que eu te poderia dar com o corpo.

Quando remexo em teus cabelos
algo formoso se forma nas minhas mãos.

E quase não sei mais. Eu só aspiro
a estar contigo em paz e a estar em paz
com um dever desconhecido
que, às vezes, também pesa no meu coração.

Ilustração:  marjorieteles.com

Antonio Gamoneda






9.

Antonio Gamoneda

Ha venido tu lengua; está en mi boca
como una fruta en la melancolía.
Ten piedad en mi boca: liba, lame,
amor mío, la sombra.

9.

E veio a tua língua; está em minha boca
como uma fruta na melancolia.
Tenha piedade de minha boca: suga, lambe,
meu amor, a sombra.

Alda Merini




YO SÉ

Alda Merini
  
Yo sé
que el hijo mío y Tuyo
nadie lo verá
y todos lo verán.
Pero a José,
¿qué le diré?
¿A él que llora oculto en una lágrima,
en un canto?
¿Qué le diré?
¿Que Tú antes que él
viste mi soledad
y con ella hiciste un cuerpo?
¿Qué diré a José mi esposo?
¿Le diré que he sido infiel?
¿Le diré que lo he traicionado conTigo?
Pero, ¿cómo se puede traicionar a un hombre
que es en esencia divino?
¿Qué diré a José, Señor?
Esta tarea ingrata,
esta duda atroz,
todos los hombres la llevarán en su corazón
cuando vean a una virgen preñada
de Tu Propia Palabra.

Eu sei

Eu sei
que o filho meu e Seu
ninguém o verá
e todos o verão.
Porém a José,
o que  lhe direi?
A ele que chora oculto numa lágrima,
num canto?
Que lhe direi?
Que Tu antes que ele
viste minha solidão
e com ela fizestes um corpo?
Que direi a José o meu marido?
Lhe direi que fui infiel?
Quer direi que o traí comTigo?
Porém, como se pode trair um homem
que é, em essencia, divino?
Que direi a José, Senhor?
Esta tarefa ingrata
esta dúvida atroz,
todos os homens a levaram em seus corações
quando veem uma virgem grávida
de Tua própria Palavra.

Ilustração:  blog.cancaonova.com

Alex Pausides




Imitación de Li Moi

Alex Pausides

Gasté mis palabras en el encantamiento ante las cosas
Pasto soy del suave animal de la melancolía
No poseo más capital que mi silencio
He pasado la noche en medio de un paisaje ciertamente extraño
Mis párpados no podrán vivir tanto tiempo sin luz

Imitação de Li Moi

Gastei minhas palavras com o encantamento das coisas
Pasto sou do suave animal da melancolia.
Não possuo mais capital do que o meu silêncio
Passei a noite no meio de uma paisagem certamente estranha
Minhas pálpebras não poderão viver tanto tempo sem luz

Ilustração: http://last-tapes.blogspot.com.br/2009_01_01_archive.html

Friday, May 10, 2013

Verlaine em nova versão de Canção de Outono





Dizem os especialistas que os tradutores são tão traidores que, quando uma poesia é traduzida do mesmo jeito alguém somente copiou. Não acredito sempre nisto. Algumas vezes, há uma coincidência enorme na forma de tratar um tema com até as mesmas palavras, fruto de uma espécie de dever que a poesia nos impõe, mas, com certeza, isto é raro, e tenho que reconhecer que há razões sólidas no argumento tanto que esta mesma poesia já traduzi de forma completamente diferente. Não sei se esta versão é melhor, mas, é a que cosnegui fazer agora, num outro tempo, aliás, em que quase não sei mais nada de francês, embora, como a ignorância seja ousada, me arrisquei, pensando que este é um poema fácil de traduzir. Devo estar errado e certo. Errado como tradutor e certo no sentimento de poeta. 


CHANSON D'AUTOMNE

Paul Verlaine

Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.


Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure.


Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

Canção de outono

Os longos soluços
Dos violões
De outono
Doem no meu coração
como um langor
Monótono

Tão sufocante
E pálido, quando
A hora soa,
Lembro-me
De outrora
E minha alma chora.

E me vou
Ao vento malvado
Que me importa?
De cá para lá levado
Como uma
Folha morta. 


Thursday, May 09, 2013

Verlaine




Le foyer, la lueur

Paul Verlaine

Le foyer, la lueur étroite de la lampe;
La rêverie avec le doigt contre la tempe
Et les yeux se perdant parmi les yeux aimés;
L’heure du thé fumant et des livres fermés;
La douceur de sentir la fin de la soirée;
La fatigue charmante et l’attente adorée;
De l’ombre nuptiale et de la douce nuit,
Oh ! tout cela, mon rêve attendri le poursuit
Sans relâche, à travers toutes remises vaines,
Impatient mes mois, furieux des semaines!

A casa, o brilho da luz

A casa, a estreita luz da lâmpada;
O sonhar acordado com o dedo na têmpora
E os olhos perdidos nos olhos amados;
A hora do chá fumegante e os livros fechados;
A doçura de sentir o fim da tarde;
A fadiga encantadora e a espera que arde
Da sombra nupcial e da noite doce que se segue,
Oh! A tudo isto o meu sonho persegue
Sem relaxar, através das lidas cotidianas,
Impaciente devorando meus meses e semanas! 

Alegria de outono




Há todas as cores do outono
Em tons que lembram os sonhos que não tive.
As distorções, vagos deslizes,
De pincéis que me escaparam
São músicas que silenciosamente soaram
Como sinos alegres de um dia cinzento
Onde descubro o calor de teu corpo,
E me contento, com o prazer de viver.

Ilustração: http://poetaderua.tumblr.com/post/5003917663/outono

Tuesday, May 07, 2013

Caía a chuva, caía





Hoje de tarde choveu. Choveu e fez frio
e só tua imagem me aquecia.
Na imaginação povoava o vazio
Que meus braços sentiam, que meu corpo chorava.
Nada, nenhuma música que escutei
Me consolou nem me deu a tua imagem.
Só o tamborilar da chuva me falava
Da tua voz, do teu beijo, do teu amor
Que nos faria felizes nesta tarde triste.
Pensava nos teus lábios úmidos, no calor de teus seios,
Na quentura de tua pele, nos pelos, nas tuas pernas molhadas,
Não de chuva, mas, do desejo que me assaltava
E fazia do céu cinzento um manto de tristeza.
Chovia e o teu amor molhava a minha memória
E criava uma tristeza funda, cruel que era a tua glória:
Certeza de me fazias falta nesta tarde
Onde caía a chuva lenta como a tristeza no meu coração
A rolar por uma vasta cama em vão
Como a chuva cinzenta, fria, morta como a tarde.
.

Wednesday, May 01, 2013

Sempre no meu coração



Atualização
Esta é uma poesia antiga que, ao reler, troquei o nome e alterei algumas coisinhas para ficar mais atual. Aliás, esta mais do que nunca.




Posso passar dias sem ver,
Todavia, sem esquecer,
Mas, nunca sem te lembrar...
Posso um e-mail não mandar;
Posso uma canção não postar
Ou mesmo, sem o menor tino,
Me comportar como um menino
E não estar onde  estou.
Ah! Tão descuidado que sou!
E ainda tenho a mania pagã
De, às vezes, me embriagar
Para manter a mente sã,
Pra te esquecer, ou lembrar,
E nem lembro nem esqueço
Até mesmo de contar
Que sou tão feliz contigo
Que perto ou distante nem ligo
E se tu me mandas andar
Até para a China sigo
Só uma coisa te digo
Como uma consolação
Te levo pra onde for
Dentro do meu coração. 

Ilustração: kellyzinha.blogspot.com 

Tuesday, April 30, 2013

Sem direção



Que a vida seja feita
de momentos, é um fato,
que não se pode esquecer.
Bem não era isto
que desejava te dizer
e, começar deste modo, estreita
a visão da peça para o ato.
Veja como tudo se perde
quando certo não se mira,
e o alvo também não se mede,
até a poesia se estira.
E era tão simples
o que queria te dizer:   
estou com uma enorme
saudade de você!

Amor antigo


São os prazeres o que nesta vida importa-
Disse a madre superiora-
Com o ar santo
De quem com o vigário
Sabia que alcançara a santidade,
Apesar do pouco que, agora, faziam.
Sabe a idade modera
Mesmo os apetites mais impetuosos
E até a paixão, com tantos anos,
Como o amor,
Vira uma rotina quase sem sabor
Quando se conserva o mesmo par
O fogo sempre há de se acabar.
Porém, era uma mulher teimosa
E trabalhava com tanto ardor
Que o velho cura, mesmo com esforço,
goza
E até finge, se preciso for. 

Poemas mal comportados



Mudança tardia

A vida toda
quebrei ossos,
cortei carnes
e vi o sangue escorrer
como normal.
Usar a faca
sem fazer alarde
na minha profissão é usual.
Cortei mais coisas do que desejava.
Perdi as contas das vidas que sangrei,
mas, a verdade, só agora sei
é que não se deve ser cruel assim.
Foi preciso, porém, um apendicite
e me cortarem sem dó nem piedade
para encarar a triste realidade
de que esta profissão
não é mais pra mim. 

Friday, April 26, 2013

Fazer arte


Fazer arte é, de fato, juntar coisas.
Evidente que este juntar
deve ter sentido
e fazer sentir
ou sonhar ou refletir.
Fazer arte é construir
um significado
com peças que não o tem
para captar uma intenção
que, no mundo, não há
ou alguém pode lhe dar.
Fazer arte
é fazer com um verso
uma nova compreensão do universo
que, fatalmente, será incompreendida.
Fazer arte é reiventar a vida. 

Thursday, April 25, 2013

A Criação


Tem coisas que precisam ser feitas
E não sei explicar porquê
Deve ser,
talvez que haja uma ordem inconsciente
que nos obriga a fazer o que deve ser feito
ou, quem sabe, haja um processo indefinível
para que se crie a beleza possível
e, assim como o acaso,
que faz nascer a flor
também floresça ao acaso
a obra de arte.

Sunday, April 14, 2013

Ainda María Dubón




Dame tu mano

María Dubón

Dormido te quedaste entre mis brazos
mientras yo te besaba.
Debajo de mi cuerpo, tu cuerpo
y junto a tu boca, mi boca.
Tú navegabas entre olas silenciosas,
sereno y suave te alejabas
tal vez para siempre...
Con hambre aún de tus besos,
me acurruqué a tu lado
y te tomé una mano.
Tu mano es cuanto tengo
en esta noche plena de nostalgia.
Brotó el amor, creció, se desparramó.
Acabó el amor y volvió la oscuridad.
Dame tu mano, la noche es
demasiado negra para que no me pierda.
Dame tu mano: es cuanto me queda
de esta farsa.

Dá-me tua mão

Dormindo tu ficastes entre meus braços
enquanto eu te beijava.
Debaixo do meu corpo, o teu corpo
e junto à tua boca, minha boca.
Tu navegavas entre as ondas silenciosas,
sereno e suave te afastavas 
talvez para sempre ...
Com fome ainda de teus beijos,
me aninhei a teu lado
e te tomei a mão.
Tua mão é tudo que quanto tenho
nesta noite cheia de nostalgia.
O amor brotou, cresceu, se derramou.
Acabou o amor e voltou a escuridão.
Dá-me a tua mão, a noite é
demasiado negra para que não me perda.
Dá-me a tua mão: o  tudo quanto me resta
desta farsa.

María Dubón




Ya no te tengo

María Dubón

Estiro los dedos para alcanzarte,
pero ya no puedo ni rozarte.
Tú moras en lugares remotos,
te escapas, me rehuyes.
Eres como una luz sedosa
que nunca puede apresarse.
Tú allí, lejano, inalcanzable.
Y yo siguiendo tu estela en vano.
Todo estuvo en nuestras manos:
el placer, el cariño, la ilusión.
Dos manos entrelazadas.
Dos bocas que se funden.
Dos sueños hechos realidad.
¿Era esto amor?, pregunto.
La soledad no sabe responderme.
La soledad calla y me ignora.
Fuimos tú y yo, partes de un todo.
Sola, sin ti, sin fuerzas ni esperanza
la tristeza me envuelve
como una fría y densa niebla.
Ya no te tengo y me pregunto:
¿Fue amor? ¿El amor es esto?
Un vivir muriendo,
una locura inexplicable,
un desangrarse sin el otro...




Já não te tenho


Estico os dedos para te alcançar,
porém, já não posso roçar-te.
Tu moras em lugares remotos,
tu escapas, foges de mim.
És como uma luz sedosa
que nunca pode apressar-se.
Tu ali, distante, inatingível.
E eu seguindo a tua esteira em vão.
Tudo estava em nossas mãos:
o prazer, o carinho, a ilusão.
Duas mãos entrelaçadas.
Duas bocas que se fundem.
Dois sonhos feito realidade.
Era isto o amor, pergunto?
A solidão não sabe me responder.
A solidão cala e me ignora.
Fomos tu e eu, partes de um todo.
Sozinho, sem ti, sem força ou esperança
a tristeza me envolve
como uma fria e densa névoa.
não te tenho e me pergunto:
Foi amor? O amor é isto?
Um viver morrendo,
uma loucura inexplicável
um sangramento sem o outro ...

Ilustração:  http://gylmusic.blogspot.com.br/

Outra vez Rocío



La palabra "amor" se escribe con las ocho letras de tu nombre  

Llevo tu corazón conmigo
(lo llevo en mi corazón).

E.E.Cummings 


Nunca le he dicho te quiero delante de nadie,
todavía nos da vergüenza la gente.
Aún nos estamos acostumbrando a las manos,
a llevar el mismo paso por la calle,
a decir nosotras.
Todavía nos sonrojamos si alguien nos dice algo:
qué buena pareja hacéis.
Entonces el rubor y el mirar hacia abajo
cogerse torpemente de los dedos
soltarse después,
hacer como que puedo caminar sola
unos pasos por delante.
Aún
no hemos empezado y ya
sé que podría estar aquí
durante toda la vida
escribiéndote esto.

A palavra “amor” se escreve com as oito letras de teu nome.

Levo teu coração comigo
(o levo no meu coração).

E.E.Cummings


Nunca lhe disse que te quero diante de ninguém,
todavia, nos dá vergonha das pessoas.
Ainda estamos nos acostumando com as mãos,
e a manter o mesmo ritmo pela rua,
a dizer nós.
Nós ainda coramos quando alguém diz alguma coisa:
que belo casal fazem.
De novo o rubor e o olhar para baixo
os dedos desajeitadamente a encolher-se
soltando-se depois
a fazer como ao se andar sozinho
dando alguns passos adiante.
Ainda
nós não tinhamos começado
e já sei que poderia estar aqui
durante toda a vida
escrevendo-te isto.

Ilustração: Klimt 

Rocío


Impaciencia 


Rocío

Un bloque de hormigón triste
que por las noches ruge
y un umbral sin puerta
ni felpudo de bienvenida.

Los días que van ardiendo como
un puñado de leña en el bosque
o en unos pulmones
y la sangre bombeando en alguna sien
ajena
siempre ajena.

Las ganas de acabar con todo
de decir basta
hasta luego,
me marcho,
no puedo esperar más
me incendio.

Impaciência

Um bloco de concreto triste
que pelas noites ruge
e um umbral sem porta
sem tapete de bem vindo.

Os dias que vão ardendo como
um monte de lenha na floresta
ou em alguns pulmões
e o sangue bombeando em algum templo
alheio
sempre alheio.

O desejo de acabar com tudo
de dizer basta
até logo,
me vou,
não pode esperar mais
me demito.