Thursday, January 20, 2011

Ainda Leduc


Aquí se habla del tiempo perdido que como dice el dicho, los santos lloran

Renato Leduc

Sabia virtud de conocer el tiempo;
a tiempo amar y desatarse a tiempo;
como dice el refrán: dar tiempo al tiempo...
que de amor y dolor alivia el tiempo.

Aquel amor a quien amé a destiempo
martirizóme tanto y tanto tiempo
que no sentí jamás correr el tiempo,
tan acremente como en ese tiempo.

Amar queriendo como en otro tiempo
-ignoraba yo aún que el tiempo es oro-
cuánto tiempo perdí -ay- cuánto tiempo.

Y hoy que de amores ya no tengo tiempo,
amor de aquellos tiempos, cómo añoro
la dicha inicua de perder el tiempo...

De "Breve glosa al Libro de buen amor" 1939

Aqui se fala do tempo perdido que, como diz o ditado, os santos choram

Sábia virtude de conhecer o tempo;
a tempo de amar e desatar-se a tempo;
como diz o refrão: dar tempo ao tempo ...
que da dor e do amor alivia o tempo.

Aquele amor que adorei na hora errada
martirizou-me tanto, tanto tempo
que não senti jamais correr o tempo
tão amargamente como naquele tempo.

Amar querendo como em outro tempo
-ignorava eu ainda que o tempo é ouro-
Quanto tempo perdido-aí-quanto tempo.

E hoje, que para amor já não tenho tempo
amo aqueles tempos, que saudades,
do gozo perverso de perder tempo ...

Do "Breve brilho do Livro do Bom Amor" 1939

2 comments:

Mirze Souza said...

Silvio!

Acredito que as lembranças sempre são do tempo. Passam os amores, as coisas boas e ruins, e o que nos vem à lembrança é o tempo desses sentimentos.

Belo Poema!

Beijos, poeta!

Mirze

Isabela said...

Nada melhor para o tempo do que deixá-lo à vontade de fazer tudo em seu tempo.

Amei o poema, muito bom!