Friday, January 07, 2011

Para começo de ano Neruda não faz nenhum mal


Poesia

Pablo Neruda

Y fue a esa edad... Llegó la poesía
a buscarme. No sé, no sé de dónde
salió, de invierno o río.
No sé cómo ni cuándo,
no, no eran voces, no eran
palabras, ni silencio,
pero desde una calle me llamaba,
desde las ramas de la noche,
de pronto entre los otros,
entre fuegos violentos
o regresando solo,
allí estaba sin rostro
y me tocaba.


Yo no sabía qué decir, mi boca
no sabía
nombrar,
mis ojos eran ciegos,
y algo golpeaba en mi alma,
fiebre o alas perdidas,
y me fui haciendo solo,
descifrando
aquella quemadura,
y escribí la primera línea vaga,
vaga, sin cuerpo, pura
tontería,
pura sabiduría
del que no sabe nada,
y vi de pronto
el cielo
desgranado
y abierto,
planetas,
plantaciones palpitantes,
la sombra perforada,
acribillada
por flechas, fuego y flores,
la noche arrolladora, el universo.


Y yo, mínimo ser,
ebrio del gran vacío
constelado,
a semejanza, a imagen
del misterio,
me sentí parte pura
del abismo,
rodé con las estrellas,
mi corazón se desató en el viento.


Poesia

E foi nesta idade... que chegou a poesia
a me buscar. Não sei, não sei de onde
saiu, se do inverno ou do rio.
Não sei como, nem quando,
não, não eram vozes, não eram
palavras, nem silêncio,
porém, desde de uma rua me chamava,
desde dos princípios da noite,
de pronto entre os outros,
entre fogos violentos
ou regressando só,
ali estava sem rosto
e me tocava.

Eu não sabia o que dizer, minha boca
não sabia
nomear,
meus olhos eram cegos,
e algo golpeava minha alma,
febre ou asas perdidas,
e me fui fazendo só,
decifrando
aquela queimadura,
e escrevi a primeira linha vaga,
vaga, sem corpo, pura
tolice,
pura sabedoria
do que não sabe nada,
e vi de pronto
o céu
descerrado
e aberto,
planetas,
plantações palpitantes,
a sombra perfurada,
crivada
por flechas, fogo e flores,
a noite dominadora, o universo.

E eu, mínimo ser,
ébrio do grande vazio
constelado,
à semelhança, à imagem
do mistério,
me senti parte pura
do abismo,
rodeado das estrelas,
meu coração se desatou ao vento.

2 comments:

Mirze Souza said...

Bárbaro esse poema do Neruda!

Conheço quase tudo dele, mas esse eu não conhecia.

Estou encantada!

Abraços

Mirze

Mirze Souza said...

Bárbaro esse poema do Neruda!

Conheço quase tudo dele, mas esse eu não conhecia.

Estou encantada!

Abraços

Mirze