Thursday, August 09, 2018

E, de volta, mais uma poesia de Mallarmé




O, si chère de loin...

Stephane Mallarmé

O si chère de loin et proche et blanche, si
Délicieusement toi, Mary, que je songe
À quelque baume rare émané par mensonge
Sur aucun bouquetier de cristal obscurci

Le sais-tu, oui ! pour moi voici des ans, voici
Toujours que ton sourire éblouissant prolonge
La même rose avec son bel été qui plonge
Dans autrefois et puis dans le futur aussi.

Mon coeur qui dans les nuits parfois cherche à s'entendre
Ou de quel dernier mot t'appeler le plus tendre
S'exalte en celui rien que chuchoté de soeur

N'étant, très grand trésor et tête si petite,
Que tu m'enseignes bien toute une autre douceur
Tout bas par le baiser seul dans tes cheveux dite.

TÃO QUERIDA DE LONGE

Tão querida de longe e branca e perto, tão
Deliciosamente tu, Maria, que imagino
Algum bálsamo raro por embuste emanado
Sobre o escurecido cristal de algum jarro

Não o sabes? Sim! Como fazem já muitos anos,
Que sempre, para mim, seu sorriso se prolonga
A mesma rosa com seu formoso verão que mergulha
No antigo e, logo, também no futuro.

Meu coração que, às vezes, nas noites se ausculta
Ou busca o nome último e mais terno que dar-te
Se exalta em apenas ter murmurado irmã

Salvo, meu grande tesouro de cabeça pequena,
Porque me ensinas uma doçura bem distinta
Fico feliz em somente beijar os teus cabelos.

Ilustração: Yana Moussa & Jérémy Garandet - WordPress.com.

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