Thursday, July 10, 2014

Alfredo Lavergne


Aterrizaje

Alfredo Lavergne

De un Dios cansado de dictar el acto de crear
De los poetas hermanos del tiempo
De esta corta historia de Repúblicas
De piel De persianas De asfalto
De la siempre ciudad de ayer
Es la flor que llevamos
En los ojos En el corazón En la mano
Y sin esconderla
En la frontera Dos países nos delatan

Aterrissagem

De um Deus cansado de ditar o ato de criar
De poetas irmãos do tempo
Desta curta história de repúblicas  
De pele, de persianas de asfalto
Da sempre cidade de ontem
É a flor que levamos
Nos olhos no coração na mão  
E sem escondê-la
Na fronteira dos países que nos delatam.

Ilustração: flickrhivemind.net


Wednesday, July 09, 2014

Com vocês Jorge Teiller




BLUE

Jorge Teiller

Veré nuevos rostros
Veré nuevos días
Seré olvidado
Tendré recuerdos
Veré salir el sol cuando sale el sol
Veré caer la lluvia cuando llueve
Me pasearé sin asunto
De un lado a otro
Aburriré a medio mundo
Contando la misma historia
Me sentaré a escribir una carta
Que no me interesa enviar
O a mirar a los niños
En los parques de juego.
Siempre llegaré al mismo puente
A mirar el mismo río
Iré a ver películas tontas
Abriré los brazos para abrazar el vacío
Tomaré vino sí me ofrecen vino
Tomaré agua si me ofrecen agua
Y me engañaré diciendo:
"Vendrán nuevos rostros
Vendrán nuevos días".

De “Para un pueblo fantasma”, 1978.

Azul

Verei novos rostos
Verei os novos dias
Serei esquecido
Tenho lembranças
Verei sair o sol quando o sol sai
Verei cair a chuva quando chove
Vou passear sem assunto
De um lado a outro
Aborrecerei a meio mundo
Contando a mesma história
Me sentarei para escrever uma carta
Que não me interessa enviar
Ou olharei  as crianças
Nos parques de jogo.
Sempre chegarei a mesma ponte
A olhar para o mesmo rio
Irei ver filmes bobos
Abrirei os braços para abraçar o vazio
Beberei vinho se me oferecerem vinho
Beberei água se me oferecerem água
E me enganarei dizendo:
"Virão novos rostos
Virão novos dias".

De “Para um povo fantasma”, 1978.


Ilustração: www.dasmariasblog.com

Tuesday, July 08, 2014

De volta Roberto Juarroz


NO SE TRATA DE HABLAR...

Roberto Juarroz

No se trata de hablar,
ni tampoco de callar:
se trata de abrir algo
entre la palabra y el silencio.
Quizá cuando transcurra todo,
también la palabra y el silencio,
quede esa zona abierta
como una esperanza hacia atrás.
Y tal vez ese signo invertido
constituya un toque de atención
para este mutismo ilimitado
donde palpablemente nos hundimos.

Não se trata de falar

Não se trata de falar,
nem tampouco de calar:
se trata de abrir algo
entre a palavra e o silêncio.
Quiçá quando tudo transcorra,
também a palavra e o silêncio,
quede esta zona aberta
como uma esperança para trás.
E, talvez, este signo invertido
constitua um toque de atenção
para este mutismo ilimitado
onde palpavelmente nos afundamos.

Ilustração: mulher.uol.com.br

Roberto Juarroz


14

Roberto Juarroz

Callar algunos poemas,
no traducirlos del silencio,
no vestir sus figuras,
no llegar ni siquiera a formarlas:
dejar que se concentren como pájaros inmóviles.
en la rama enterrada.

Solo así brotarán otros poemas.
Solo así la sangre se abre paso.
Solo así la visión que nos enciende
se multiplicará como los panes.

Los poemas acallados
nos prueban que el milagro es siempre joven.
Y al final, cuando todo enmudezca,
tal vez esos poemas
hagan surgir también otro poema.

14

Calar alguns poemas,
não traduzi-los do silêncio
Não vestir suas figuras,
não chegar nem sequer a  formá-las:
deixar que se concentrem como pássaros imóveis.
nos ramos enterrada. .

Só assim brotarão outros poemas.
Só assim o sangue brotará ao passo.
Só assim a visão que nos eleva
será multiplicada como os pães.

Os poemas calados
nos provam que o milagre é sempre jovem.
E, ao fim, quando tudo emudeça
talvez esses poemas
façam surgir também outro poema.


Ilustração: www.simplesmenteoutono.blogger.com.br

Sunday, July 06, 2014

Miguel Antonio Jiménez


Soneto con estrambote

Miguel Antonio Jiménez

Senos peras parecen tus violines
desnudos en mi música los muerdo
como cuerpos en fuga los recuerdo
en la gimiente forma sus delfines

Son la carne redonda de sus curvas
que el sueño toca al aire suspendido
en la música forma del gemido
en el verde sombra de sus curvas

Inclina ya la tarde tus pezones
y a través de la música diluye
el mundo que consiente tus razones

Son formas pero son ondulante caricia
fundiéndose en la página que fluye
como tus dos sentidos de justicia.

Soneto com estrambote

Seus seios peras parecem violinos
desnudos na minha música os mordo
como corpos em fuga os recordo
na gemente forma de golfinhos

São as carnes redondas de suas curvas
que o sono toca no ar suspendido
na música em forma de gemido
na  verde sombra das suas curvas

Inclina já mais tarde os seus mamilos
e através da música diluí
o mundo que consente tuas razões

São formas, porém, ondulante carícia
fundindo-se na página que flui
como teus dois sentidos de justiça

Ilustração: joperpereira1958.blogspot.com


Miguel Hernandez


Besarse, mujer

Miguel Hernandez

Besarse, mujer,
al sol, es besarnos
e toda la vida.

Ascienden los labios
eléctricamente
vibrantes los rayos,
con todo el fulgor
de un sol entre cuatro.

Besarse a la luna,          
mujer, es besarnos
en toda la muerte.

Descienden los labios
con toda la luna
pidiendo su ocaso,
gastada y helada
y en cuatro pedazos.

Beijar-se mulher

Beijar-se, mulher,
ao sol, é nos beijarmos
e toda vida útil.

Ascendem os lábios
eletricamente
vibrantes os raios,
com todo o brilho
de um sol em quatro.

Beijar-se à lua,
mulher, é nos beijarmos
em toda a morte.

Descendo dos lábios
com toda a lua
pedindo seu ocaso,
cortada e gelada
em quatro pedaços.

Saturday, July 05, 2014

Poeminha da ausência


Eu morreria deste amor tão puro
Se ele não tivesse esta avassaladora e imoral paixão
de te querer deixar morta de prazer.
Eu viveria deste amor tão louco
Se ele não fosse como é tão lógico e disforme
que, mesmo se estais em Canoa Quebrada,
és a única estrela que brilha na minha mente.
Eu nem sei o que farei deste amor tão presente,
que parece melhor quanto mais distante,
e vive em mim de forma tão constante.

Thursday, July 03, 2014

Any Carmona


Prisionera

Any Carmona

No queda nada
de nuestro amor
Solo el hilo del discurso
hecho hilachas
sobre la cama,
campo devastado.
Y mi ojo clavado
en tu rastro,
epílogo fatal em retirada.
Estou sola,
soy como el punto final,
la última huella,
o que quedó
después  de la batalla.
Prisionera,
te pertenezco,
hasta el tratado de paz
o la amnistia.

Prisioneiro

Nada fica
do nosso amor.
Só o fio do discurso
feito lençóis
sobre a cama,
campo devastado.
E meu olho cravado
no teu rastro,
epílogo fatal em retirada.
Estou só,
só como um ponto final,
a última pegada,
o que restou
depois da batalha.
Prisioneiro,
te pertenço,
até o tratado de paz
ou a anistia. 

José Martí

 
Cuando me puse a pensar

José Martí

Cuando me puse a pensar
La razón me dio a elegir
Entre ser quien soy, o ir
El ser ajeno a emprestar,
Mas me dije: si el copiar
Fuera ley, no nacería
Hombre alguno, pues haría
Lo que antes de él se ha hecho:
Y dije, llamando al pecho,
¡Sé quien eres, alma mía!?

Quando me pus a pensar

Quando me pus a pensar
A razão me deu como escolha
Entre ser quem sou, ou o ir
A um ser estranho pedir emprestado,
Mas, me disse, se a cópia
Fosse a lei, não nasceria
Qualquer homem, pois, seria
O que antes dele se havia feito:
E disse, chamando ao peito,
Seja quem és, alma minha!?

Ilustração: ilusoes-em-mim.blogspot.com

Outra vez Salvador Díaz Mirón


 IN HOC SIGNO...
(Canción para mi hija Rosa)
                                 
Salvador Díaz Mirón

Cautivo un gorrión estaba,
Y de un astro se prendó;
Y en su música decía:
Llegue a ti mi dulce voz.

Por azar, o por astucia,
El pajarillo escapó;
Y al cielo se fue trinando
Alas tengo y libre soy.

Y el ave a la rica estrella
Pudo subir, y cantó:
Ni cadenas ni distancias
vedan triunfos al amor.

SIGN IN HOC ...

(Uma canção para minha filha cor-de-rosa)

Cativo um pardal estava,
E por uma estrela se apaixonou;
E na sua música, dizia:
Chega até mim doce voz.

Por acaso, ou por astúcia,
O pássaro escapou;
E pelo céu foi cantando
Asas tenho e livre sou.

E a ave à estrela rica
Pode subir, e cantar:
Não há correntes nem distâncias
Que vedem os triunfos do amor.

Ilustração: http://continuitas.wordpress.com/

Salvador Díaz Mirón


LA NUBE

Salvador Díaz Mirón

¿Qué te acongoja mientras que sube
del horizonte del mar la nube,
          negro capuz ?
¡Tendrán por ella frescura el cielo,
pureza el aire, verdor el suelo,
          matiz la luz!

No tiembles. Deja que el viento amague
y el trueno asorde y el rayo estrague
          campo y ciudad.
Tales rigores no han de ser vanos...
¡Los pueblos hacen con rojas manos
          la Libertad!

A nuvem
  
O que te faz lamentar ainda que subas
do horizonte do mar à nuvem,  
           negro capuz?
Terão por ela frescor o céu,
 pureza o ar, verdor o solo
           matiz, a luz!

Não tremas. Deixe que o vento amaine
e os trovões acordem e  os relâmpagos estraguem
                 campo e cidade.
Tais rigores não hão de ser vãos ...
Os povos fazem com as mãos vermelhas
           a liberdade!


Ilustração: www.mundorosas.com