Tuesday, July 19, 2011
Carlos Marzal
El juego de la rosa
Carlos Marzal
Hay una rosa escrita en esta página,
y vive aquí, carnal pero intangible.
Es la rosa más pura, de la que otros han dicho
que es todas las rosas. Tiene un cuerpo
de amor, mortal y rosa, y su perfume
arde en la sinrazón de esta alta noche.
Es la cúbica rosa de los sueños,
la rosa de los sueños,
la rosa del otoño de las rosas.
Y esa rosa perdura en la palabra
rosa, cien vidas más allá de cuanto dura
el imposible juego de la vida.
Hay una rosa escrita en esta página,
y vive aquí, carnal e inmarcesible.
O jogo da rosa
Há uma rosa escrita nesta página
e vive aqui, carnal, porém, intangível.
É a rosa mais pura, das que os outros disseram
que são todas as rosas. Ela tem um corpo
amor, mortal e rosa, e seu perfume
arde na insensatez desta alta noite.
É a cúbica rosa dos sonhos,
a rosa dos sonhos,
a rosa do outono das rosas.
E esta rosa perdura na palavra
rosa, cem vidas mais além do quanto dura
o impossível jogo da vida.
Há uma rosa escrita nesta página,
e vive aqui, carnal, e imorredoura.
Sunday, July 17, 2011
Meu amor
Argumento
Por seres, como és, tão mansa,
Muitas vezes não imagino
Como podes ser
Tão imensamente forte quanto és,
Porém, mesmo distante,
Sou um amante aos teus pés
Que pode até te incomodar
Com o silêncio e a falta de palavras,
Que dizes ser tão poderosa,
No entanto, sou o que sou, o espinho.
Tu, tu és a rosa.
E só teu perfume e beleza
Me faz crer que a vida
É tão boa de se viver!
Sahagún mais uma vez
Quede mi nombre
Carlos Sahagún
Que mi reino no sea
la soledad del héroe pensativo,
sino tu fortaleza amurallada.
Hallen en ti refugio los días claros,
roto ya por mil flancos
el combatido cerco de la noche.
Y cuando zarpe el último navío
rumbo a la decepción definitiva,
quede mi nombre escrito sobre el agua,
indefenso, esperando
la hora en que tú desciendas suavemente,
sabiendo ya el camino, a recordarme.
Lembra meu nome
Que o meu reino não seja
a solidão do herói pensativo,
senão tua fortaleza murada.
Quedem no refúgio os dias claros,
roto já por mil flancos
o combatido cerco da noite.
E quando zarpar o último navio
rumo à decepção definitiva,
que meu nome permaneça na água
indefeso, esperando
o tempo em que tu desças suavemente
sabendo já o caminho, a lembrar de mim.
Sahagún
Insomnio
Carlos Sahagún
Insaciable,
entré en tu edad madura, en la maleza,
busqué el tenso bambú, la carne cimbreante,
con el designio de un tardío acoso,
y como el sueño no era sino un viaje
cuyo mayor dolor es el regreso,
hacia la tapia fulgurante y ciega
acompañé tu imagen, sufrí su maleficio,
oh misteriosa y húmeda concavidad vacía,
cuerpo más que la aurora vacilante,
desolación para los que esperábamos,
tras noches de ansiedad, siglos de entrega.
Insônia
Insaciável
entrei na tua idade madura, na floresta,
busquei o bambu tenso, a carne macia,
com o desígnio de um assédio tardio
como o sono não era senão uma viagem
cuja maior dor é o retorno
até a parede fulgurante e cega
acompanhei a tua imagem, sofri o teu feitiço,
oh! misteriosa e úmida concavidade vazia,
corpo maior que a aurora vacilante,
desolação para o que esperávamos,
depois de noites de ansiedade, séculos de entrega.
Saturday, July 16, 2011
Desconstruindo Noel
Provei ao contrário
Provei do amor toda doçura que ele tem
E até pensei que não amaria mais ninguém,
Porém, agora, apareceu alguém
Que me faz tão feliz, que me faz tão bem
Quem fala bem do amor sabe a vida gozar
Quem bendiz o próprio amor
Tem amor e sabe amar.
Sunday, July 10, 2011
Florit outra vez
El deseo
Eugenio Florit
Quisiera haber escrito más, pero no pude.
Lo escrito escrito está. No me arrepiento.
Hubiera Dios querido, lo que siento
dentro de mí, como una espina, al viento
pudo salir, fuerte de luz, de verso lleno.
Pero no pudo ser. Y aquí me quedo
sin gloria ni valer, que no apetezco.
Tan sólo un poquitín de pensamiento
cuando no sea yo más que otro muerto.
Otro muerto cualquiera. Un gran deseo...
Y este amor a la tierra en que estoy dentro.
(¿Los árboles, las flores, el mar? Pues todo ello
aquí, muriendo como yo, en mi cuerpo.)
O desejo
Quisera haver escrito mais, porém, não pude.
O escrito está escrito. Não me arrependo.
Houvera Deus querido, o que sinto
dentro de mim como uma espinha, ao vento
poder sair, forte de luz, de verso cheio.
Porém, não pode ser. E aqui eu fico
sem glória ou valor, que não apeteço.
Tão só um pouquinho de pensamento
quando não seja eu, mas, que outro morto.
Outro morto qualquer. Um grande desejo ...
E este amor à terra em que estou dentro.
(As árvores, as flores, o mar? Para todos eles
aqui, morrendo como eu, em meu corpo.)
Eugenio Florit
Momento
Eugenio Florit
Si no me falta nada. Si estoy bueno.
Si hay sol con frío por el aire.
Tengo cariño a mano. Mas no tengo
el que dentro de mi tener querría.
Es tranquila esta paz, pero me duele
con un vacío que no tiene nombre.
Y no acierto a decir lo que quisiera...
Tal vez un poco de melancolía.
Momento
Se não me falta nada. Se estou bem.
Se há sol com frio pelo ar.
Tenho carinho à mão. Mas, não tenho
o que dentro de mim queria ter.
É tranquila esta paz, porém, me dói
com um vazio que não tem nome.
E não acerto dizer o que queria ...
Talvez um pouco melancólica.
Novamente Casal
Las horas
Julián del Casal
¡Qué tristes son las horas! Cual rebaño
de ovejas que caminan por el cielo
entre el fragor horrísono del trueno,
y bajo un cielo de color de estaño.
Cruzan sombrías en tropel huraño,
de la insondable Eternidad al seno,
sin que me traigan ningún bien terreno,
ni siquiera el temor de un mal extraño.
Yo las siento pasar sin dejar huellas,
cual pasan por el cielo las estrellas,
y aunque siempre la última acobarda,
de no verla llegar ya desconfío,
y más me tarda cuanto más la ansío
y más la ansío cuanto más me tarda.
As horas
Que triste são as horas! Qual um rebanho
de ovelhas que caminham pela amplidão
entre o fragor horrível do trovão,
e sob um céu da cor do estanho.
Cruzam sombrias num tropel medonho,
da eternidade o insondável seio,
sem que me tragam nem um bem no meio,
nem sequer o temor de um mal estranho.
Eu as sinto passar sem deixar sombras,
como passam pelo céu, as estrelas,
ainda que sempre a última se acovarda,
de não vê-la chegar já desconfio,
e mais demora quanto mais anseio
e mais anseio quanto mais me tarda.
Julián del Casal
Ruego
Julián del Casal
Déjame reposar en tu regazo
el corazón, donde se encuentra impreso
el cálido perfume de tu beso
y la presión de tu primer abrazo.
Caí del mal en el potente lazo,
pero a tu lado en libertad regreso,
como retorna un día el cisne preso
al blando nido del natal ribazo.
Quiero en ti recobrar perdida calma
y rendirme en tus labios carmesíes,
o al extasiarme en tus pupilas bellas,
sentir en las tinieblas de mi alma
como vago perfume de alelíes,
como cercana irradiación de estrellas.
Rogo
Deixa-me repousar no teu regaço
o coração, onde se encontra impresso
o cálido perfume de teu beijo
e a pressão de teu primeiro abraço.
Caí do mal em poderoso laço,
porém, a teu lado em liberdade regresso,
como retorna um dia o cisne preso
ao macio ninho, o seu natal berço.
Quero em ti recobrar a perdida calma
e render-me a teus lábios carmezins
ou ao êxtase de teus olhos belos,
sentir na escuridão da minha alma
como um vago perfume de jasmins,
como próximas irradiações de estrelas.
Thursday, July 07, 2011
E mais uma vez Zaid
Nacimiento de Venus
Gabriel Zaid
Así surges del agua,
clarísima,
y tus largos cabellos son del mar todavía,
y los vientos te empujan, las olas te conducen,
como el amanecer, por olas, serenísima.
Así llegas de pronto, como el amanecer,
y renace, en la playa, el misterio del día.
Nascimento de Vênus
Assim surges da água,
claríssima,
e teus longos cabelos são do mar, todavia,
e os ventos te empurram, as ondas te conduzem,
como a aurora, por ondas, sereníssima.
Então, chegas de pronto, como o amanhecer,
e renasce, na praia, o mistério do dia.
Ilustração: Di Cavalcanti
Gabriel Zaid
Así surges del agua,
clarísima,
y tus largos cabellos son del mar todavía,
y los vientos te empujan, las olas te conducen,
como el amanecer, por olas, serenísima.
Así llegas de pronto, como el amanecer,
y renace, en la playa, el misterio del día.
Nascimento de Vênus
Assim surges da água,
claríssima,
e teus longos cabelos são do mar, todavia,
e os ventos te empurram, as ondas te conduzem,
como a aurora, por ondas, sereníssima.
Então, chegas de pronto, como o amanhecer,
e renasce, na praia, o mistério do dia.
Ilustração: Di Cavalcanti
Novamente Zaid
La ofrenda
Gabriel Zaid
Mi amada es una tierra agradecida.
Jamás se pierde lo que en ella se siembra.
Toda fe puesta en ella fructifica.
Aun la menor palabra en ella da su fruto.
Todo en ella se cumple, todo llega al verano.
Cargada está de dádivas, pródiga y en sazón.
En sus labios la gracia se siente agradecida.
En sus ojos, su pecho, sus actos, su silencio.
Le he dado lo que es suyo, por eso me lo entrega.
Es el altar, la diosa y el cuerpo de la ofrenda.
A oferenda
Minha amada és uma terra agradecida.
Jamais se perde o que nela se semeia.
Toda fé posta nela frutifica.
Mesmo uma única palavra nela dá fruto.
Tudo nela se cumpre, tudo chega ao verão.
Carregada está de dádivas, pródiga e na estação.
Nos seus lábios a graça se sente agradecida.
Nos seus olhos, seu peito, seus atos, seu silencio.
Eu lhe dou o que é seu, por isso me entrego.
És o altar, a deusa e o corpo da minha oferenda.
Gabriel Zaid
Canción de seguimiento
Gabriel Zaid
No soy el viento ni la vela
sino el timón que vela.
No soy el agua ni el timón
sino el que canta esta canción.
No soy la voz ni la garganta
sino lo que se canta.
No sé quién soy ni lo que digo
pero voy y te sigo.
Canção do seguimento
Eu não sou o vento nem a vela
sim o timão que vela.
Não sou a água nem o timão
sim quem canta esta canção.
Não sou a voz nem a garganta
sim o que canta.
Não sei quem sou nem o que digo
porém, vou e te sigo.
Sunday, July 03, 2011
Poemas mal comportados
Enquanto seu Manuel arfava
quase morrendo num esforço furibundo
Josefá Santana olhava entediada
a televisão, de saia levantada,
sonhando com outro lugar no mundo
e, intimamente, já contabilizando
a grana do portugues
filosofando,resignada, por sua vez
"O que a gente não faz por uns trocados"!
Saturday, June 25, 2011
Jamais serei um poeta como Chico
Sem habilitação
Se for requisito para ser grande poeta
A necessidade de amar uma mulher sem orifícios
Dispenso a láurea de ser grande neste ofício,
Pois, me vale muito mais ser um poeta menor
E aproveitar os orifícios ao redor
Que renunciar a tamanha fonte de prazer.
Ilustração: http://cslqseama.blogspot.com
Poemas mal comportados
Da indispensabilidade dos orifícios
Se há neste mundo de meu Deus
Uma coisa que me parece indispensável,
E, neste caso, dispenso o parecer dos notáveis,
É da necessidade evidente de orifícios.
Entre meus mais prazerosos vícios
Está o de visitar estes lugares
Que tem o gosto, o sabor, os paladares
Dos pratos mais saborosos
E o prazer que deles extraio
É, com certeza, o dos melhores manjares
De cama e mesa.
Ilustração: http://oimpenetravel.blogspot.com/
Thursday, June 23, 2011
Dionísio Ridruejo
Memória
Dionísio Ridruejo
Y resbaló el amor estremecido
por las mudas orillas de tu ausencia.
La noche se hizo cuerpo de tu esencia
y el campo abierto se plegó vencido.
Un ayer de tus labios en mi oído,
una huella sonora, una cadencia,
hizo flor de latidos tu presencia
en el último borde del olvido.
Viniste sobre un aire de amapolas.
Como suspiros estallando rojos,
bajo el ardor de las estrellas plenas,
los labios avanzaron como olas.
Y sumido en el sueño de tus ojos
murió el dolor en las floridas venas.
Memória
E resvalou o amor estremecido
pelas mudas margens de tua ausência.
A noite se fez corpo de tua essência
e o campo aberto se quedou vencido.
Um ontem de teus lábios ao meu ouvido,
uma trilha sonora, uma cadência,
fez-se flor de latidos a tua presença
na fronteira última do esquecimento.
Viestes com um ar de papoulas.
Como suspiros estalando de vermelhos,
sob o calor forte das estrelas plenas,
os lábios que avançaram como ondas.
E sumiram no sono de teus olhos
morreram na dor das veias mais floridas.
Tuesday, June 21, 2011
Ainda Mistral
Yo canto lo que tú amabas, vida mía...
Gabriela Mistral
Yo canto lo que tú amabas, vida mía,
por si te acercas y escuchas, vida mía,
por si te acuerdas del mundo que viviste,
al atardecer yo canto, sombra mía.
Yo no quiero enmudecer, vida mía.
¿Cómo sin mi grito fiel me hallarías?
¿Cuál señal, cuál me declara, vida mía?
Soy la misma que fue tuya, vida mía.
Ni lenta ni trascordada ni perdida.
Acude al anochecer, vida mía;
ven recordando un canto, vida mía,
si la canción reconoces de aprendida
y si mi nombre recuerdas todavía.
Te espero sin plazo ni tiempo.
No temas noche, neblina ni aguacero.
Acude con sendero o sin sendero.
Llámame a donde tú eres, alma mía,
y marcha recto hacia mí, compañero.
Eu canto o que tu amavas, vida minha
Eu canto o que tu amavas, vida minha
por si te acercas e escutas, vida minha,
por si acordas do mundo em que vivestes,
ao entardecer eu canto, sombra minha.
Eu não quero emudecer, vida minha.
Como sem meu grito fiel me falarias?
Qual sinal, me declara, vida minha?
Sou o mesmo que foi teu, vida minha.
Nem lento nem trasacordado ou perdido.
Acode ao anoitecer, vida minha,
vem recordando uma canção, vida minha,
se a canção reconheces de aprendida
e se o meu nome reconheces, todavia.
Te espero sem prazo nem tempo.
Não temas noite, neblina nem aguaceiro.
Acode com caminho ou sem caminho.
Chama-me onde estiveres, alma minha,
e marcha reto até a mim, teu companheiro.
Ilustração: http://diariodekaelle.blogspot.com/2011/03/ressucita-me_28.html
Gabriela Mistral
Desvelada
Gabriela Mistral
Como soy reina y fui mendiga, ahora
vivo en puro temblor de que me dejes,
y te pregunto, pálida, a cada hora:
«¿Estás conmigo aún? ¡Ay, no te alejes!»
Quisiera hacer las marchas sonriendo
y confiando ahora que has venido;
pero hasta en el dormir estoy temiendo
y pregunto entre sueños: «¿No te has ido?»
Desamparada
Como sou rainha e fui mendiga, agora
vivo em puro pavor de que me deixes,
e te pergunto, pálida, a cada hora:
“Estais comigo ainda? Ò, não te alheies”.
Quisera poder marchar sorrindo
e confiando agora que tens vindo;
porém, basta dormir estou temendo
e pergunto entre os sonhos: “Não hás ido?”.
Ilustração: wwwcorazonenfuga.blogspot.com
Monday, June 20, 2011
Melhor pouco do que nada
Presente
Este viver cotidiano,
simples é nosso futuro.
É um presente puro
de nosso vão engano.
É este amor que não temos
e, no entanto, é nosso.
Uma prova do que posso
e de que nós podemos.
Ainda bem menor do que queremos.
É o gosto do prazer
É teu mel, rainha
Hei de suavemente, meu desejo, te sussurrar
No ouvido palavras fortes e ternas
Morder-te toda no colo, nas coxas, pernas
Para sentir toda humidade te molhar.
Hei de te lamber e banhar com a saliva
De um cão para que odeies o que amas
Perdida nas minhas mãos, do prazer cativa.
A rendição externada no rigor de tuas mamas
Que minha língua na tua se intrometa
Como no teu clitóris a espada se arremeta
Como uma faca que encontra sua bainha.
Que, de joelhos, como se implorasse,
Que possas extrair o êxtase maior, rainha
De encher a boca de mel, se mel sobrasse!
Sunday, June 19, 2011
Ainda Anna Inés
¡Oh buen amor!
Anna Inés Bonnin
¡Oh, ternura divina siempre en llamas!
¡Oh buen amor, paciente, generoso!
Llegas a mí, brindándome reposo;
no me impones tu afán, porque me amas.
¡Oh ternura divina! De tus ramas
presiento el florecer maravilloso.
Tú quieres que yo sea fruto hermoso,
cosecha de tu huerto. Me reclamas.
Escucho conmovida la voz tuya.
Me llega triste; no le doy consuelo;
rechazo su dolor y su agonía.
Perdóname, Señor. Cuando destruya
las ansias que me clavan en el suelo,
entonces iré a Ti sin rebeldía.
Oh bom amor!
Oh, ternura divina sempre em chamas!
Oh amor bom, paciente, generoso!
Chegas a mim, brindando-me com repouso;
Não me imponhes teu desejo, porque me amas.
Ternura divina! De tuas ramas
Pressinto um florescer maravilhoso.
Tu queres que eu seja seu fruto formoso,
colheita de tua horta. Me reclamas.
Eu escuto comovido a voz tua .
Me chega triste; não te dou consolo;
Rejeito tua dor e tua agonia.
Perdoe-me, senhora. quando destruir
as ansias que me cravam ao solo,
Então irei a ti, sem rebeldia.
Ilustração: topdelivery.wordpress.com
Anna Inés Bonnin
No me dejes, amor, en la añoranza...
Anna Inés Bonnin
No me dejes, amor, en la añoranza.
Dame, por fin, seguro y alto vuelo.
Desarráigame, fíjame. Recelo
que aquí no lograré paz ni bonanza.
Mi sed inextinguible se abalanza
y busca un ancho río, paralelo
de un mísero y exhausto riachuelo.
¡Amor! Sacia mi sed; dame pujanza
para volcarte en molde sin orillas.
¿Por qué, por qué te ciñes y encastillas
cuando posees fuerza de coloso?
Quisiera derramar esta ternura,
que rebasa mi pecho, en la mesura
de un pecho inmensamente generoso.
Não me deixes, amor, na esperança ...
Não me deixes, amor, na esperança.
Dá-me, por fim, seguro e alto meio.
Desgarra-me, fixa-me. Receio
que aqui não lograrei paz nem bonança.
Minha sede insaciável se balança
e procura um rio largo, paralelo
de um miséro e exausto riachuelo.
Amor! Sacia minha sede, dá-me pujança
para levar-te a um mundo sem fronteiras.
Por quê, por quê te cinges e encastelas
quando possuis a força de um colosso?
Quisera derramar esta ternura
que excede do meu peito, na largura
de um peito imensamente generoso.
Anna Inés Bonnin
No me dejes, amor, en la añoranza.
Dame, por fin, seguro y alto vuelo.
Desarráigame, fíjame. Recelo
que aquí no lograré paz ni bonanza.
Mi sed inextinguible se abalanza
y busca un ancho río, paralelo
de un mísero y exhausto riachuelo.
¡Amor! Sacia mi sed; dame pujanza
para volcarte en molde sin orillas.
¿Por qué, por qué te ciñes y encastillas
cuando posees fuerza de coloso?
Quisiera derramar esta ternura,
que rebasa mi pecho, en la mesura
de un pecho inmensamente generoso.
Não me deixes, amor, na esperança ...
Não me deixes, amor, na esperança.
Dá-me, por fim, seguro e alto meio.
Desgarra-me, fixa-me. Receio
que aqui não lograrei paz nem bonança.
Minha sede insaciável se balança
e procura um rio largo, paralelo
de um miséro e exausto riachuelo.
Amor! Sacia minha sede, dá-me pujança
para levar-te a um mundo sem fronteiras.
Por quê, por quê te cinges e encastelas
quando possuis a força de um colosso?
Quisera derramar esta ternura
que excede do meu peito, na largura
de um peito imensamente generoso.
Hei um dia de amor e de desejo...
Doçura apimentada
Sei que comerás e beberás pimenta,
Minha bela e comovente criatura,
Na medida em que a quentura
e o ardor em ti são inseparáveis.
É verdade que nem precisavas
Da ajuda inútil de um pimentão
Que o vermelho em ti
É como uma segunda pele,
Como os teus ruivos cabelos
Que parecem feitos
Para embelezar o galope de cavalos ao vento...
Hei de um dia de amor e de desejo
Ser como uma malagueta em ti
Penetrando tão feroz e docemente
Que nos desfaremos como um pó
Em um só, em um só...
E ainda assim de pimenta-
Se isto te contenta!
Ilustração: Nymbopolis
Tuesday, June 14, 2011
É melhor viver assim
É melhor viver assim
Apaixonado e distante
Do que ser o melhor amante
Incompreendido e descontente.
É melhor viver assim
Amando quando se pode
Loucamente enamorado
Que viver mal lado a lado.
É melhor viver assim
Amando quando possível
Que viver qual vegetal
Todo dia sempre igual.
É melhor viver assim
Sendo feliz vez por outra,
Mas, com este amor tão feroz
Que sobrevive em nós
Fonte: http://poesiasdepietra.blogspot.com/
Das certezas do caminho
Convencido
Hei de dizer
Com prazer mal disfarçado
Ainda que me deixes amanhã:
“O túnel da vida atravessei
e sei,
se alguma coisa sei,
que o amor que tive tão pouco
me compensou dos uivos dos coiotes
e dos corvos que me rodeiam”.
E nada mais será preciso.
Ilustração: http://catarsispopayan.blogspot.com/
Sunday, June 12, 2011
Emily Dickinson
Presentiment is that long shadow on the lawn
Emily Dickinson
Presentiment is that long shadow on the lawn
Indicative that suns go down;
The notice to the startled grass
That darkness is about to pass.
O pressentimento é como uma longa sombra sobre o gramado
O pressentimento é como uma longa sombra sobre o gramado
Indicativo de que sol vem para baixo;
O aviso para a grama assustada
Que a escuridão está prestes a passar.
Ilustração: http://www.gramalinda.com.br/imagens/gramas/grama-esmeralda.jpg
Borges mais uma vez
El enamorado
Jorge Luiz Borges
Lunas, marfiles, instrumentos, rosas,
lámparas y la línea de Durero,
las nueve cifras y el cambiante cero,
debo fingir que existen esas cosas.
Debo fingir que en el pasado fueron
Persépolis y Roma y que una arena
sutil midió la suerte de la almena
que los siglos de hierro deshicieron.
Debo fingir las armas y la pira
de la epopeya y los pesados mares
que roen de la tierra los pilares.
Debo fingir que hay otros. Es mentira.
Sólo tú eres. Tú, mi desventura
y mi ventura, inagotable y pura.
O enamorado
Luas, marfins, ferramentas, rosas,
lâmpadas e as linhas de Dürer
os nove números e o cambiante zero,
devo fingir que existem estas coisas.
Devo fingir que no passado foram
Persépolis e Roma e que uma areia
sutil mediu a sorte da ameia
que os séculos de ferro desfizeram.
Devo fingir as armas e a pira
da epopéia e dos pesados mares
que roem da terra os pilares.
Devo fingir que existem outros. É uma mentira.
Só tu és. Tu, minha desventura
e minha felicidade, inesgotável e pura.
Joan Salvat-Papasseit
LA CASA QUE VULL
Joan Salvat-Papasseit
La casa que vull,
que la mar la vegi
i uns arbres amb fruit
que me la festegin.
Que hi dugui un camí
lluent de rosada,
no molt lluny dels pins
que la pluja amainen.
Per si em cal repòs
que la lluna hi vingui;
i quan surti el sol
que el bon dia em digui.
Que al temps de l'estiu
niui l'oreneta
al blanc de calç ric
del porxo amb abelles.
Oint la cançó
del pagès que cava;
amb la salabror
de la marinada.
Que es guaiti ciutat
des de la finestra,
i es sentin els clams
de guerra o de festa:
per ser-hi tot prest
si arriba una gesta.
A casa que quero
A casa que quero
É bem em frente ao mar,
Com árvores frutíferas,
Para me festejar.
Que tenha um caminho
Reluzente de gotas,
Não muito longe dos pinhos
Que amenizem a chuva
Que não me falte o repouso
De uma luz da lua suave e macia
E que, quando venha o sol,
Me diga, feliz, bom dia.
Que, nos tempos de estio,
Venham cantar os passarinhos
No branco de cal de um fino fio
Em contraste com o tom das abelhas.
Que escutando a canção
Do lavrador que cava
Sinta o gosto salgado
Que vem da brisa do mar.
Que se vigie a cidade
Desd’as janelas,
E se sinta os clamores
De guerra ou de festa:
Para se estar preparado
Que a vida é só esta!
Friday, June 10, 2011
Paolo Ruffilli
L’OGGETTO DEL PENSIERO
Paolo Ruffilli
E’ un’astrazione
e non un fatto:
l’oggetto
di un pensiero
un concetto
più che un sentimento
uno stato desiderato
inseguito dalla mente
eppure insoddisfatto
perduto prima
di averlo conquistato
e, dunque, mai goduto
(sempre sul punto
di essere... ) creduto
e delirato:
il senso del piacere.
O objeto do pensar
E uma abstração
e não um fato;
o objeto
de um pensar
um conceito
mais que um sentimento
um estado desejado
perseguido a partir da mente
e por isto insatisfeito
perdido antes
de ser conquistado
e, portanto, não gozado
(sempre próximo
de ser ... ) creio
e deliro:
o senso do prazer.
Wednesday, June 08, 2011
Poemas mal comportados
Índia
Ela chorava, ela gemia
E reclamava
Que bom mesmo é se doía
E mais pedia
E mais queria
Se descabelava, me mordia,
se mordia,
Queria mais, ela sempre mais queria,
Fosse noite ou fosse dia,
Me procurava e cada vez era uma agonia
E nunca que se contentava.
Me beliscava
E sempre ria
E me dizia:
-Eu sou é índia. Gosto é de selvageria.
Tuesday, June 07, 2011
Sir Walter Raleigh
Life
Sir Walter Raleigh
What is our life? A play of passion,
Our mirth the music of division,
Our mother's wombs the tiring-houses be,
Where we are dressed for this short comedy.
Heaven the judicious sharp spectator is,
That sits and marks still who doth act amiss.
Our graves that hide us from the setting sun
Are like drawn curtains when the play is done.
Thus march we, playing, to our latest rest,
Only we die in earnest, that's no jest.
Vida
O que é a nossa vida? Um jogo de paixão,
Nossa alegria uma divisão da música,
Os ventres das mães são casas de descanso,
Onde estamos vestidos para uma curta comédia.
O céu, um espectador judicioso e sagaz é,
Que se senta e marca ainda ao acaso o ato errado.
Nossas covas, que nos escondem do sol,
São como cortinas fechadas quando o jogo é feito.
Assim caminhamos nós, brincando, para o nosso último descanso,
Sómente que morremos de verdade, isto não é brincadeira.
Sunday, June 05, 2011
Todo amor é dor
Arquiteta moderna
Talvez no mundo lá fora
Outra mulher seja a minha,
Porém, nos meus pensamentos
Será que tu adivinhas
Quem é que me abraça o corpo
No leito me faz carinho?
Quem é que beija meu rosto,
Quem é que morde meu peito?
Quem é que me fala doce
Sobre um mundo já esquecido?
- És tu, dona dos meus olhos,
Senhora dos meus sentidos
Que docemente na cama
Me honra com seus gemidos
E que ao se perder me perde
De uma forma tão concreta
Que enche o mundo de magia
E de poesia, uma reta
Fazendo castelos de sonhos
Onde só há parca areia.
Tu és uma aranha melosa
Que faz um edifício ou uma teia
Com traços e perfume de rosas
E meu coração incendeia
Tornando a vida formosa.
Ilustração: http://www.amordealmas.com/2010/08/o-reconhecimento-medico-da-dor-de-amor.html
Jogos eróticos ou recordações juvenis
Brincar de amor
Embora a dureza da madeira tenha,
suave pode ser e, com jeito, vou
prender-te e te prensar, e todo o meu amor
e desejo, mais forte e teso que amarras em catapultas,
ou as cordas da guitarra em ti, eu vou,
meter até a sétima costela
até que sintas, minha bela,
o prazer enorme de gemer de amor.
Pablo de Rokha
Nocturno muy obscuro
Pablo de Rokha
La noche inmensa no resuena, estalla
como un bramido colosal, retumba
con un tremendo estruendo de batalla
que saliera de adentro de una tumba.
Fué un pedazo de espanto que restalla
o una convicción que se derrumba,
una doncella a quien violó un canalla
y una montura en una catacumba.
Calla con un lenguaje de volcanes,
como si un escuadrón de capitanes
galopara en caballos de basalto.
Porque el silencio es tan infinito
tan espantoso y grande como un grito
que cae degollado desde lo alto.
Noturno muito obscuro
A noite imensa não ressoa, estala
como um rugido colossal, retumba
com um tremendo estrondo de batalha
sair sairá de dentro de uma tumba.
Foi um pedaço de espanto que resvala
ou uma convicção que se derrama,
uma donzela a quem violou um canalha
e um monte sobre uma catacumba.
Cala com uma linguagem de vulcões
como se um esquadrão de capitães
galopando em cavalos de basalto.
Porque o silêncio é tão infinito
tão espantoso e grande como um grito
que cai degolado lá do alto.
Ilustração: http://leonardo-gothic-compositor.blogspot.com/2010/04/poema-goticofalsas-esperancas.html
Saturday, June 04, 2011
Ilumina-nos senhora
Se teus lábios não sabem o que dizer
me dá de teus olhos a alegria,
e enche o vazio das minhas mãos
com a tua pele tão macia.
Faz do que sonhei a água,
de uma realidade em que só (sou) rio.
Não cabe em quem colhe a rosa mágoa.
Usa-me, acende a chama, sou o teu pavio!
Poemas mal comportados
Nem de todo errado
Eu sempre errei mais do que devia..
E sempre tive a fantasia
de que quando o amor chegasse
não poderia errar.
Eu sei, meu bem, que errei de novo
e que, por mais que tente, tornarei a errar.
Não, não vou pedir para me perdoar.
Sei que você já amou homens perfeitos
e maravilhosos.
Pessoas muito mais capazes
de ter dar muito mais do que eu posso dar
e sem esta capacidade assim de errar tanto
e continuar a errar.
Mas, com todos os meus erros,
posso perguntar:
-Será que não é por ser tão errado
que sou tão feliz e apaixonado?
Ilustração: http://carlossimo.arteblog.com.br/15/
Friday, June 03, 2011
Pedro Salinas
Pensarte es tenerte
Pedro Salinas
¡Cómo me dejas que te piense!
Pensar en ti no lo hago solo, yo.
Pensar en ti es tenerte,
como el desnudo cuerpo ante los besos,
toda ante mí, entregada.
Siento cómo te das a mi memoria,
cómo te rindes al pensar ardiente,
tu gran consentimiento en la distancia,
y más que consentir, más que entregarte,
me ayudas, vienes hasta mí, me enseñas
recuerdos en escorzo, me haces señas
con las delicias, vivas, del pasado,
invitándome.
Me dices desde allá
que hagamos lo que quiero
-unirnos- al pensarte,
y entramos por el beso que me abres,
y pensamos en ti, los dos, yo solo.
Pensar em ti é te ter
Como me deixas que te pense!
Pensar em ti não faço sozinho, eu.
Pensar em ti é te ter,
como o corpo nu ante os meus beijos,
tudo para mim, entregue.
Sinto como se tu me dás a minha memória
como te rendes ao pensar ardente
o teu grande consentimento na distância,
e mais do que consentir, do que entregar,
me ajudas, vindo até mim, me ensinar
memórias sem esforço, a me fazer sinais
com as delícias, vivas, do passado,
convidativo.
Me dizes desde lá
que façamos o que eu quero
-unirmo-nos- em pensar-te,
e entramos pelo beijo que me abres,
e pensamos em ti, os dois, eu só.
Ilustração: http://pryibarros.blogspot.com/2011_02_01_archive.html
Antonio Machado
Noite de verano
Antonio Machado
Es una hermosa noche de verano.
Tienen las altas casas
abiertos los balcones
del viejo pueblo a la anchurosa plaza.
En el amplio rectángulo desierto,
bancos de piedra, evónimos y acacias
simétricos dibujan
sus negras sombras en la arena blanca.
En el cénit, la luna, y en la torre,
la esfera del reloj iluminada.
Yo en este viejo pueblo paseando
solo, como un fantasma.
Noite de verão
Numa formosa noite de verão
tinham as casas altas
abertas suas varandas,
do velho povoado a espaçosa praça.
No amplo retângulo deserto,
bancos de pedras, evônimos e acácias
simétricos desenham
suas negras sombras na areia branca.
No zênite, a lua, e na torre,
a esfera do relógio iluminada.
Eu neste velho povoado passeando
só, como um fantasma.
Ilustração: http://www.bhkleinsonhosprojetos.com.br/barinas---m-rida.htm
Pensarte es tenerte
Neruda por te querer...
Soneto LXVI
Pablo Neruda
No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.
Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.
Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.
En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego.
Soneto LXVI
Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
pula meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque é a ti que quero,
te odeio sem fim e a odiar te rogo,
e a medida de meu amor passageiro
é não te ver e te amar como um cego.
Talvez consumirá a luz de algum janeiro,
com seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só sou eu quem morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo.
Ilustração: http://dembiskipoesias.blogspot.com/2010/01/que-fogo-e-este.html
Poemas mal comportados
Homem objeto
Tua delicadeza é feita de unhas afiadas
que me arranham, cortam e me desenham
o corpo com linhas e riscos obscuros
no teu abraço de virgem e de serpente.
Nem tens cuidado com a pele delicada
ou pensas que as forças me acaba;
me sugas com a soberba dos deuses
e a voracidade das piores feras.
Já eras-me dizes- enquanto as mãos
febris querem extrair mais de onde não há
e a língua e os dentes se põem a passear
com um sorriso de quem há de tirar a última gota.
E só tenho como última lembrança antes do sono
o calor do teu desejo apaixonado e raivoso
se satisfazendo como pode sobre meu ser inerte
que adormece feliz de ser teu objeto.
Wednesday, June 01, 2011
Antonio Gala
Voy a hacerte feliz. Sufrirás tanto
Antonio Gala
Voy a hacerte feliz. Sufrirás tanto
que le pondrás mi nombre a la tristeza.
Mal contrastada, en tu balanza empieza
la caricia a valer menos que el llanto.
Cuánto me vas a enriquecer y cuánto
te vas a avergonzar de tu pobreza,
cuando aprendas -a solas- qué belleza
tiene la cara amarga del encanto.
Para ser tan feliz como yo he sido,
besa la espina, tiembla ante la rosa,
bendice con el labio malherido,
juégate entero contra cualquier cosa.
Yo entero me jugué. Ya me he perdido.
Mira si mi venganza es generosa.
Eu vou te fazer feliz. Sofrerás tanto
Eu vou te fazer feliz. Sofrerás tanto
que colocarás meu nome na tristeza.
Na tua balança mal ajustada começa
a carícia a valer menos que o pranto.
Quanto me vais enriquecer e quanto
tu vais te envergonhar de tua pobreza,
quando aprenderes- a sós- que a beleza
tem o rosto amargo do encanto.
Para ser feliz como tenho sido,
beijo o espinho, e tremo ante a rosa,
abençoado com o lábio ferido,
Joga-te inteiro contra qualquer coisa.
Eu inteiro me joguei. E já estou perdido.
Veja como minha vingança é generosa.
Ilustração: http://danielleosantos.blogspot.com/
Sara Huber
Nunca
Sara Huber
Nunca, nunca otros labios te besarán así;
ni unos ojos habrá que lloren de amor,
como he llorado, ni manos que, temblando,
se acerquen hasta ti con la ternura inmensa
con que yo me he acercado.
Ni corazón más claro ni dolor más fecundo
hallará la arrogancia de tu frente cansada,
ni un decir más sencillo ni un sentir más profundo
encontrarás de nuevo en la larga jornada.
Y cuando yo haya muerto y camines doliente,
evocando un nombre ante cada mujer,
como yo te llamaba, me llamarás, ferviente.
¡Y ya no podrá ser!
Nunca
Nunca, nunca outros lábios te beijaram assim;
nem olhos terão que chorem de amor
como chorei, nem mãos que tremendo,
se aproximem de ti com a ternura imensa
com as quais tenho te cercado.
Nem coração mais claro nem dor mais fecunda
encontrará a arrogância de teu rosto cansado
nem um dizer mais sensível nem um sentir mais profundo
encontraras novamente na longa jornada.
E quando estiver morto e caminhes chorosa ,
evocando um nome ante cada mulher,
como eu te chamava, hás de me chamar com fervor.
E já não poderá ser!
Ilustração: do blog "Confissões Insanas"
Sunday, May 29, 2011
Leopoldo Alas
Razón de amor
Leopoldo Alas
No es sólo la pasión de los abrazos,
la saliva, el aroma, el vértigo, los besos
o el plácido desvelo de la ausencia.
Mi amor es la fábula y la trama,
el relato interior que sigue a cada encuentro,
la glosa que acompaña los adioses,
el minucioso examen de las frases
y el eco que tu voz le pone a mi silencio.
Mi amor es ser feliz y no engañarme
anticipando el daño del negro desengaño,
cuando el sexo se esfume en el recuerdo
remoto y resentido de un orgasmo.
El consentir la calma en las mareas
y atesorar las horas y los días
de la fiesta de luz que celebramos,
del banquete voraz de los sentidos.
Y abolir la frontera de los cuerpos,
detenernos, subiendo la escalera,
a besarnos en todos los peldaños .
Razão do amor
Não é só a paixão dos abraços,
A saliva, o perfume, a vertigem, os beijos
ou a plácida vigília da ausência.
Meu amor é a fábula e a trama
o relato interior que se segue a cada encontro,
o brilho que acompanha os adeuses,
o minucioso exame das frases
e o eco que tua voz põe no silêncio.
Meu amor é ser feliz e não enganar-me
antecipando o dano do negro desengano,
quando o sexo se esvai na recordação
remota e ressentida de um orgasmo.
É consentir a calma nas marés
e entesourar as horas e os dias
da festa de luz que celebramos,
do voraz banquete dos sentidos.
E abolir as fronteiras dos corpos
nos detendo, subindo na escada,
a nos beijar em todos os degraus.
Ilustração: http://lucesysombras-sofia.blogspot.com/2010_07_01_archive.html
Arturo Camacho R.
Nada es mayor que tú: sólo la rosa...
Arturo Camacho R.
Nada es mayor que tú: sólo la rosa
tiene tu edad suspensa, ilimitada:
eres la primavera deseada,
sin ser la primavera ni la rosa.
Vago espejo de amor donde la rosa
inaugura su forma deseada,
absorta, inmensa, pura, ilimitada,
imagen, sí, pero sin ser la rosa.
Bajo tu piel de nube marinera,
luz girante tu sangre silenciosa
despliega su escarlata arborecida.
Nada es mayor que tú, rosa y no rosa,
primavera sin ser la primavera:
arpegio en la garganta de la vida.
Nada é maior que você: só a rosa
Nada é maior que você: só a rosa
tem sua idade suspensa, ilimitada:
és a primavera desejada,
sem sem ser a primavera nem a rosa.
Vago espelho de amor onde a rosa
inaugura a sua forma desejada
absorta, imensa, pura, ilimitada,
imagem, sim, porém, sem ser a rosa.
Sob sua pele de marinheira
luz circular teu sangue silenciosamente
desprega seu ramos vermelhos.
Nada é maior que você, rosa ou não rosa,
primavera sem ser primavera:
arpejo na garganta da vida.
Ilustração: http://poesiadelia.blogspot.com/2010/09/um-coracao-ferido.html
De volta Carlos Bousoño
Eres feliz
Carlos Bousoño
Eres feliz. Saber no quieras
lo que brilla en los ojos humanos.
Sonríe tú como mañana fresca,
como tarde colmada en su ocaso.
Porque eres eso, sí: la tarde pura
en que a veces yo mojo mis manos,
en que a veces yo hundo mi rostro.
¡La tarde pura en su placer dorado!
La savia dulce de la primavera,
toda la luz de la tarde en un cántico,
sube entonces feliz y presurosa
desde tu corazón hasta mis labios.
És feliz
És feliz. Saber não queiras
o que brilha nos olhos humanos.
sorria tu como a manhã refrescante,
como a tarde gloriosa em seu ocaso.
Porque és isto sim, a tarde pura
em que às vezes molhei minha mão,
em que às vezes afundo meu rosto.
A tarde pura em seu prazer dourado!
A doce seiva da primavera,
toda a luz da tarde num cântico,
sobe então feliz e pressurosa
, em seguida, corre
do teu coração para os meus lábios.
Ilustração: http://danielpolcaro.files.wordpress.com/2010/05/angelina-jolie-2817.gif
Carlos Bousoño
El amante viejo
Carlos Bousoño
¡Amabas tanto...! Acaso
con amargura, acaso con tristeza
lo dijiste. ¡Amabas tanto! En el espejo
viste tu faz que se iba haciendo vieja,
y tomaste a decir: «...amor...» Soñabas,
y en la alta noche silenciosa y queda,
lejos se oía lento el rumor manso
de un agua que pasaba mansa y lenta.
O velho amante
Amavas tanto ...! Talvez
com amargura, talvez com tristeza
o dissestes. Amavas tanto! No espelho
vi teu rosto, que estava se fazendo velho,
e tornaste a dizer: “... amor ..." sonhavas,
e na alta noite silenciosa e calma,
longe se ouvia lento o rumor manso
de uma água que passava mansa e lenta.
Ilustração: http://porentremontesevales.blogspot.com/2008/10/o-velho-da-horta.html
Tuesday, May 24, 2011
É claro que não preciso de ti...
Sobre o supérfluo
Eu não preciso de ti
Ainda que teu amor
Seja como a lava de um vulcão ou a água mansa
E me faça parecer que o mundo dança
Em êxtase uma canção de vida.
Eu não preciso de ti.
Repito desfolhando a margarida,
Um trevo em que procuro sorte,
Um livro em que procuro histórias
Que sejam assim tão grandes como a nossa.
Eu não preciso de ti
Mesmo que de meu pensamento
Tua imagem não se desloque um só momento
E mesmo quando durmo ainda sonho
Com o teu semblante tão risonho
Chegando para me amar.
Eu não preciso de ti
Reclamo ao vento que sorrateiro
Me traz teu perfume, a saudade,
Esta dor doce que ligeiro
Me enche da única verdade
De que és um supérfluo
Tremendamente essencial.
Ilustração: http://antondiego.blogspot.es/img/Superfluo.jpg
É preciso esta dor...
Antecipação
Não se precisa muito mais
que umas conversas, alguns risos, um beijo,
uns gestos de carinho, a ternura no olhar
para se gostar.
Mas, para se viver um grande amor,
é preciso esta dor
de mesmo na amarga distância
considerar que a vida é doce
somente porque existes
e, por mais que os dias longes sejam tristes,
a beleza persiste em saber
que há alguém com tanto amor
em algum lugar esperando para amar
e que a vida ainda será uma festa
quando nos teus braços me encontrar....
Ilustração: Arthur Cruzeiro Seixas
Outro mal comportadozinho
I wanna be a cockroach!
A verdade, meu amor, é uma só:
Desde que te vi virei barata.
Dizem que elas vivem
Nove dias sem cabeça
E, não se aborreça,
Porém, já fazem anos
Que vivo sem pensar.
E meu sangue,
Se sangue em mim há,
Só pode ser de barata
Porque não mais me maltrata
Nem a saudade
Nem o longo tempo
Sem te amar.
Ilustração: http://bioloblogmais.blogspot.com/2010_06_01_archive.html
Poemas mal comportados
Padrão desviado
Ela foi uma boa filha.
É a própria mãe maravilha
Pelo desvelo, o zelo, o carinho
Com que criou suas filhas.
Tão competente no trabalho
É louvada como se fosse o às do baralho.
É o que se pode chamar de funcionário padrão
Esteio e orgulho de qualquer patrão.
Seria um exemplar ideal
Da espécie feminina,
Caso fosse normal.
Não foi, não é, nunca será
Talvez seja genético,
Uns gens do Ceará ou do Pará.
E, apesar de toda esta loucura,
Que não tem cura,
Sou muito mais louco ainda
Porque na minha visão ela é linda
E só penso a toda hora em beijar
todo lugar desta mulher.
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