Thursday, January 23, 2014

Camilo Pessanha


En un retrato

Camilo Pessanha

Cuando, bajo el montón cuadrangular
de tierra fresca que me ha de enterrar,

y después de ya mucho haber llovido,
cuando la hierba avance hacia el olvido,

aún, amigo, mi mirar de antaño,
cruzando el mar vendrá, sin un engaño,

a envolverte en un gesto enternecido,
como el de un pobre perro agradecido.

Num retrato

Quando, sob o monte quadrangular
de terra fresca que me há de enterrar,

e depois de já muito tempo ter chovido,
quando a grama avançar até o esquecimento,

Ainda, amigo, o meu olhar do passado,
cruzando o mar estará, sem um engano,

a envolver-te num gesto enternecido,

como o de um pobre cão agradecido.

Francisco Pino



Lenguaje

Francisco Pino

¿Dónde está la voz del aire?
Tú la escuchas. Es silencio.
Sus palabras son las nubes,
la luz y el viento sus verbos.

Linguagem

Onde está a voz do ar?
Tu a escutas. É o silêncio.
Suas palavras são as nuvens,

 a luz  e o vento, seus verbos.

Friday, January 17, 2014

Juan Gelman



Epitafio

Juan Gelman

Un pájaro vivía en mí.
Una flor viajaba en mi sangre.
Mi corazón era un violín.
Quise o no quise. Pero a veces
me quisieron. También a mí
me alegraban: la primavera,
las manos juntas, lo feliz.
¡Digo que el hombre debe serlo!
(Aquí yace un pájaro.
Una flor.
Un violín.)

EPITÁFIO

Um pássaro vivia em mim.
Uma flor viajava no meu sangue.
Meu coração era um violino.

Quisesse ou não quisesse. Porém, às vezes,
me quiseram. Também a mim
me alegravam: a primavera
as mãos juntas, o ser feliz.
Digo que o homem deve sê-lo!

(Aqui jaz um pássaro.
Uma flor.

Um violino).

Thursday, January 16, 2014

Rogelio Guedea


Del silencio

Rogelio Guedea

Mientras el cuerpo nos protege
del desastre

y un turbión hace cauce en nuestras venas
y se nos cubren los ojos de raíces agrias

mi alma sabe que allá del otro lado
en la esquina o tienda o consultorio
también tú te sufres en la oscuridad
con los brazos abiertos
Para recibirme.
  
O silêncio

Enquanto o corpo nos protege
do desastre

e um turbilhão faz tempestade em nossas veias
e se nos cobrem os olhos de raízes amargas

minha alma sabe que além, do outro lado,
na esquina, na loja ou no escritório
também tu sofres na escuridão
de braços abertos
para me receber.


Ilustração: www.rimasdopreto.com 

Max Aub



Simún 

Max Aub

Viento loco, tierra seca,
boca sedienta, sediento.
Mundo ciego, arena en el cielo.
Polvo, tormenta, tormento.

Vuela y entierra y aúlla
la arena de duna en duna.
Tierra que aterra y entierra
en cielo vuelto y revuelto.

Vento

Vento louco, terra seca,
boca sedenta, sedento.
Mundo cego, areia no céu.
Poeira, tormenta, tormento.

Voa e enterra e uiva
a areia de duna em duna.
Terra que aterra e enterra
no céu volto e revolto.  


Ilustração: soldadodafe.wordpress.com  

Wednesday, January 15, 2014

Jorge Rojas



El amor 

Jorge Rojas

Estar nuestro querer
gozándose en sí mismo
al pasmo de un instante
no soñado. Vivido.

Sin pedir ni dar nada
ver mi fondo en tu fondo.
Ser objeto e imagen
como el agua del pozo.

Beatitud de lo cierto:
aquiescencia de Dios.
Nescencia de la duda:
presencia de tu amor.

O amor

Está nosso querer
regozijando-se consigo mesmo
no espanto de um instante
não sonhado. Vivido.

Sem pedir nem dar nada
vendo  o meu ser no teu ser.  
Ser objeto e imagem
como a água do poço.

Beatitude do certo:
aquiescência de Deus.
A falência da dúvida:
a presença de teu amor.


Ilustração: gabiibearari.blogspot.com 

Ana María Rodas



La luna, siempre 

Ana María Rodas

Redonda, hinchada de frotarse contra el cielo
rasga mi piel con su delgada luz
Cae sobre mi pelo
con la levedad de una sirena
que no se hubiera dado cuenta
que no posee piernas
Solivianta mi sangre
me enciende de locura
me regala una piel fosforescente
y me convierte
aceite hirviendo
en fauna
(cascos y cuernos y cabello desbocado
bajo el lúbrico soplo de lo oscuro).

A lua, sempre

Redonda, inchada de esfregar-se contra o céu
rasgando a minha pele com a sua fina luz.
Cai sobre meu cabelo
com a leveza de uma sereia
que não se havia dado conta
que não possui pernas.
Aferventa o meu sangue
me acende a loucura
me oferta uma pele fosforescente
e me converte
em óleo fervente
em um ser selvagem
(cascos e chifres e cabelos desgrenhados
sob o lúbrico sopro do escuro).




María Clara González


Súplica

María Clara González

Por hoy
dame la mano
para engañarme

Dame tu cuerpo
para saciar mi sed

Por hoy
sólo por hoy
enséñame a mentir
como te mientes
cuando repites

que únicamente el vuelo
de un ave migratoria
te une a mi

Súplica

Por hoje
me dá a mão
para enganar-me

Dá-me teu corpo
para saciar minha sede

Por hoje
só por hoje
ensina-me a mentir
como te mentes
quando repetes

que unicamente o vôo
de uma ave migratória
te une a mim

Ilustração: sirfelipe.blogspot.com 



Fina García Marruz

Cine mudo                                   

Fina García Marruz

No es que le falte
el sonido,
es que tiene
el silencio.

Cinema mudo

Não que lhe falte  
o som,
é que ele tem  

o silêncio.

Wednesday, January 08, 2014

Pablo Neruda de volta


Soneto XIV

Pablo Neruda

Me falta tiempo para celebrar tus cabellos.
Uno por uno debo contarlos y alabarlos:
otros amantes quieren vivir con ciertos ojos,
yo sólo quiero ser tu peluquero.

En Italia te bautizaron Medusa
por la encrespada y alta luz de tu cabellera.
Yo te llamo chascona mía y enmarañada:
mi corazón conoce las puertas de tu pelo.

Cuando tú te extravíes en tus propios cabellos,
no me olvides, acuérdate que te amo,
no me dejes perdido ir sin tu cabellera.

por el mundo sombrío de todos los caminos
que sólo tiene sombra, transitorios dolores,
hasta que el sol sube a la torre de tu pelo.

Soneto XIV

Me falta tempo para celebrar os teus cabelos. 
Um por um devo contá-los e elogiá-los:
outros amantes querem viver com certos olhos,
eu somente desejo ser o teu cabeleireiro. 

Na Itália te batizaram de Medusa 
pelo encrespado e alto brilho de tua cabeleira.
Eu te chamo minha enganadora e emaranhada:
meu coração conhece as portas de teus pelos. 

Quando tu te extravias em teus próprios cabelos, 
não me esqueças, lembra-te que te amo,
não me deixes perdido ir sem a tua cabeleira 

pelo mundo sombrio de todos os caminhos 
que só tem sombra, transitórias dores,
até que o sol suba à torre de teu pelo.


Ilustração: pt-br.facebook.com

Tuesday, January 07, 2014

Gabriella von Schadewitz


Bliss

Gabriella von Schadewitz

Colours of Love!

to wake up and see the new day coming
like a white paper, 
 cleaned by the fairies of the night,
bare of the past and waiting for the future.

Filling this empty paper by giving it the colours
of love, joy and happiness, of LIFE.
At the end of the day I would like to review it,
to see that there is no blank spot on it and no dirt.
I want to see that I did not abuse this gift and that the colours of love

are the main colours of this painting.

Felicidade

Cores do amor!

Acordar e ver o novo dia que vem vindo
como uma folha de papel em branco,
 limpa pelas fadas da noite,
nua do passado e esperando o futuro.

Enchendo este papel vazio, dando-lhe as cores
do amor, da alegria e felicidade, da vida.
E, ao fim do dia, gostaria de revê-lo,
para ver que não há nenhum ponto em branco e nada sujo.
Eu quero ver que não abusei deste presente que as cores do amor

são as principais cores desta pintura.


Monday, January 06, 2014

Ainda Juan Ramón Jiménez


El viaje definitivo

Juan Ramón Jiménez


Y yo me iré. Y se quedarán los pájaros
cantando.
Y se quedará mi huerto con su verde árbol,
y con su pozo blanco.

Todas las tardes el cielo será azul y plácido,
y tocarán, como esta tarde están tocando,
las campanas del campanario.

Se morirán aquellos que me amaron
y el pueblo se hará nuevo cada año;
y lejos del bullicio distinto, sordo, raro
del domingo cerrado,
del coche de las cinco, de las siestas del baño,
en el rincón secreto de mi huerto florido y encalado,
mi espíritu de hoy errará, nostáljico...

Y yo me iré, y seré otro, sin hogar, sin árbol
verde, sin pozo blanco,
sin cielo azul y plácido...
Y se quedarán los pájaros cantando.

A viagem definitiva

E eu me irei. E os pássaros vão ficar
cantando.
E o meu jardim com sua verde árvore,
e seu poço limpo.

Todas as tardes o céu será azul e plácido,
e tocarão, como esta tarde estão tocando,
os sinos do campanário.

E morrerão aqueles que me amaram
E o povo será novo a cada ano;
e longe do bulício diferente, surdo, alegre
do domingo fechado
do carro das cinco, dos cochilos do banho,
no canto secreto do meu jardim florido, encalacrado
o meu espírito de hoje vagará, nostálgico ...

E eu me irei, e serei outro sem lugar, árvore
verde, sem poço limpo
sem o céu azul e plácido ...
E o canto aves ficarão.


Sunday, January 05, 2014

Juan Ramón Jiménez


Yo no soy yo

Juan Ramón Jiménez

Yo no soy yo.
Soy este
que va a mi lado sin yo verlo,
que, a veces, voy a ver,
y que, a veces olvido.
El que calla, sereno, cuando hablo,
el que perdona, dulce, cuando odio,
el que pasea por donde no estoy,
el que quedará en pie cuando yo muera.

Eu não sou eu

Eu não sou eu.
Eu sou este
que  vai ao meu lado sem eu vê-lo,
que, às vezes, chego a ver,
e que, às vezes esqueço.
O que cala sereno, quando falo,
o que perdoa, doce, quando odeio,
o que passeia por onde não estou,
o que permanecerá de pé quando eu morrer.


Saturday, January 04, 2014

De volta Bernhard Pappe


Absurd Poem 2

Bernhard Pappe

Sandy clouds and desert storms
Are turning in my head
Heavy rains und water floods
Are turning in my head
Whatever turns
Whatever burns
It learns
To keep wide open
The doors into my head  

Poema Absurdo 2

Nuvens de areia e tempestades do deserto
estão girando na minha cabeça
as fortes chuvas causam inundações
que giram na minha cabeça
seja qual forem as voltas
seja qual forem as queimadas
estou aprendendo
a manter abertas
as portas na minha cabeça


Bernhard Pappe


Absurd Poem

Bernhard Pappe

Mighty clowns in spinning wheels are turning in my head.
Lilac clouds and purple rain are storming in my head.
Strange thinking is spreading in my head.
Absurd poems are coming up in my head.
A vanity fair is taking place in my head.
Don’t think about!
Feel free for deliverance.

Poema absurdo

Poderosos palhaços em rodas de fiar pulam na minha cabeça.
Nuvens lilás e chuvas douradas fazem tempestade  na minha cabeça.
Um estranho pensamento está se espalhando na minha cabeça.
Um poema absurdos está chegando na minha cabeça.
Uma feira de vaidades está acontecendo na minha cabeça.
Não pense a respeito!

Sinta-se livre para libertar-se. 

Ilustração: www.elo7.com.br 

Friday, January 03, 2014

Zul Ariffin


Pure

Zul Ariffin

I cannot for the life of me
Think of how I can be
Travelling through the stars
Bouncing from starlight so bright

Falling gravel, molten core
Rock and sand I abhor
Yet all this while,
Covered in stardust so pure

Pureza

Eu não posso para a minha vida
pensar em como posso ser
viajando através das estrelas
saltando sobre a luz das estrelas tão brilhantes

Queda de cascalho, núcleo derretido
rocha e areia eu abomino,
no entanto, tudo isto ao mesmo tempo,
é a cobertura de poeira estelar tão  pura. 

Luis Fidel Feliz


SI TU ME AMARA

Luis Fidel Feliz

Si tu me amaras lo gritaria a los cuatros vientos desde la torre de Paris;  
Si tu me amaras subiria ele monte Everet sin cuerda y sin abrigo;  
Si tu me amara cruzaria los siete mares em uma tabla de surfing;
Si tu me amaras volaria de Norte  Azul, en una ala tu amor e en la outra el mio

Si tu me amaras cruzaria el Sahara para asi poderte ver;  
Si tu  me amaras me lanzaria al vacio hasta el centro de tu ser
Si tu me amaras me robaria una islã y te llevaria conmigo.
Si tu me amaras se lo diria a todo el mundo en todo lugar y sitio.  

Se tu me amasses

Se tu me amasses o gritaria aos quatro ventos desd’ a torre de Paris;  
se tu me amasses subiria ao monte Everest sem corda e sem abrigo;
se tu me amasses cruzaria os sete mares numa prancha de surf;
se tu me amasses voaria de norte a sul numa asa de teu amor e em outra do meu.

Se tu me amasses cruzaria o Saara para assim pode te ver;
se tu me amasses me lançaria ao vazio até o centro de teu ser  
se tu me amasses roubaria uma ilha e te levaria comigo;

se tu me amasses eu diria a todo mundo e em todo lugar e local. 

Thursday, January 02, 2014

1º de janeiro

Todo dia primeiro de janeiro começa um ano.
E recomeçam as esperanças e as promessas,
como se a vida não fosse um oceano,
que sempre se renova como as ondas
das mesmas velhas e sofridas águas.
Eis no horizonte o milenário mar
que, preguiçosamente, lambe a praia
emoldurado pelo mesmo céu
que ensaia o mesmo tempo.
Enfim, tudo igual ao velho ano,
Mas, o ano é novo,
E, com o pó do otimismo, até me engano
que tudo se renova até penso... 

Wednesday, January 01, 2014

Dia primeiro


Como o dia, que é primeiro,
Como o tempo, que é ligeiro,
Feito o ano e o calendário
Urge me reinventar.
Criar outra identidade
Ser um outro, na verdade,
Ainda que na memória
Conservando toda história,
Porém, sendo, outra pessoa,
Um ser de luz, coisa boa,
Fonte de amor e conforto.
Ser a jangada e o porto,
O portador da esperança,
Ser de novo tão criança
Que creia , mesmo, sem  prova
Que a vida será nova!