Thursday, August 13, 2015

Uma poesia de Margareth Atwood

HABITATION                                                                
Margareth Atwood
Marriage is not
a house or even a tent

it is before that, and colder:

the edge of the forest, the edge
of the desert
the unpainted stairs
at the back where we squat
outside, eating popcorn

the edge of the receding glacier

where painfully and with wonder
at having survived even
this far

we are learning to make fire


Habitação

O casamento não é
uma casa ou  até mesmo uma tenda

é anterior a isto, e mais frío:

o  limite da floresta, o limite
do deserto
a escada não pintada
por detrás do pátio
onde nos agachamos
comendo pipoca

o límite do que retrocede ao  glacial

onde com  a dor e o assombro
de termos sobrevivido indo
tão longe

nós estamos aprendendo a fazer fogo


Ilustração: kertesz.blog.hu

Wednesday, August 12, 2015

E ainda uma vez mais Amado Nervo

Pero te amo                                                         

Amado Nervo

Yo no sé nada de la vida,
Yo no sé nada del destino,
Yo no sé nada de la muerte;
¡Pero te amo!

Según la buena lógica, tú eres luz extinguida;
Mi devoción es loca, mi culto, desatino,
Y hay una insensatez infinita en quererte;
¡Pero te amo!

Porém, te amo

Eu não sei de nada da vida,
Eu não sei nada do destino,
Eu não sei nada da morte;
Porém, te amo!

Segundo a boa lógica, tu és luz extinguida;
Minha devoção é louca, meu culto, desatino.,
E há uma insensatez infinita em querer-te;

Porém, te amo! 

Tuesday, August 11, 2015

Uma poesia de Pedro Miguel Obligado

 
Mis errores                                                                       

Pedro Miguel Obligado

No fue sino un error esperar tanto
Las cosas que, quizá, no han existido
Y esforzarme por ser lo que no he sido,
Como aquel que sin voz, estudia canto.
No fue sino un error, lo mismo,
Cuanto luché por comprender,
Cuanto he querido;
Y olvidar como el árbol florecido,
La otoñal enseñanza del quebranto.
El amor resultó un malentendido;
Y así, hasta fue un error el desencanto,
Pues perdí lo que nunca he conseguido.
Hoy, ante todo lo soñado y lo sufrido,
Sé que aunque en mi experiencia, no adelanto,
Gracias a mis errores he vivido.

Meus erros

Não foi senão um erro esperar tanto
As coisas que, talvez, não tenham existido
E esforçar-me por ser o que não tenho sido,
Como aquele que sem voz, estuda canto.
Não foi senão um erro, o mesmo,
Quando lutei por compreender,
O quanto havia te querido;
E esquecer, como a arvore há florescido,
O ensino outonal do quebranto.
O amor resultou um mal-entendido;
E assim, até foi um erro o desencanto,
Pois, perdi o que nunca havia conseguido.
Hoje, ante todo o sonhado e o sofrido,
Sei  que, ainda com minha experiência, não adianto,
E graças a meus erros tenho vivido. 

Monday, August 10, 2015

E Amado Nervo nunca é demais...

Me besaba mucho                                             
Amado Nervo

Me besaba mucho; como si temiera
Irse muy temprano... Su cariño era
Inquieto, nervioso.

Yo no comprendía
Tan febril premura. Mi intención grosera
Nunca vio muy lejos...
¡Ella presentía!

Ella presentía que era corto el plazo,
Que la vela herida por el latigazo
Del viento, aguardaba ya... y en su ansiedad
Quería dejarme su alma en cada abrazo,
Poner en sus besos una eternidad.


Me  beijava  muito

Me beijava muito; como se temesse
Ir-se muito cedo ... Seu carinho era
Inquieto, nervoso.

Eu não compreendia
Tão febril urgência. Minha intenção 
grosseira
Nunca via muito longe ...
Ela pressentia!

Ela pressentia que o tempo era curto,
Que a vela fora ferida pela chicotada
Do vento, e aguardava  já... e na sua ansiedade
Queria deixar-me  a sua alma em cada abraço,
Por em seus beijos uma eternidade.


Sunday, August 09, 2015

Canção da ausência

O tempo não se mede mais senão pela saudade...             Inútil as palavras para preencher
este vazio que se alonga além do mar e do infinito.
Claro que ninguém ouve,
mas, meu grito, tem subtons e densidades
que os ouvidos não escutam,
silencioso, na sua forma bruta de cortar a carne
sem deixar sinais visíveis.
Por um momento a ilusão
de que estais aqui
é mais forte que tua ausência,
então, percebo que é fruto exclusivo da demência,
deste querer que o tempo,
ou  a desesperança, não extingue
e transformo em canto
como única forma de mostrar
que o meu amor ainda está vivo. 


(Do livro "Jardim Dizpersivo" )
Ilustração: www.poemasprincesa.com.br

Saturday, August 08, 2015

Uma poesia de Ester G. Camps

                                                                                                             
BUEN VIAJE

Ester G. Camps

La primera vez ocurre que te miras en el espejo
y tu cara ya no es tu cara.
lo mismo sucede con las palmas

de tus manos

o con los dedos.

después, debes acercarte a tu mejor amiga
y decirle que hace tiempo que dejó de ser
tu mejor amiga.

y no esperar que llore.

también tienes que asumir que la definición
de las cosas ocultan su significado,
y que, tal vez,
tu padre se viene demasiadas veces abajo
y tu madre es feliz

pero sólo a ratos.

has de comprender que tropezar y caer
de rodillas,
no es lo mismo que arrodillarse.
que a veces,
la tragedia es la sonrisa perversa
del camino equivocado.

debes decidir si existes
y no olvidarlo.

y puede que, algún día,

con suerte
con mucha suerte

aprendas a atarte fuerte los cordones

antes de dar

el siguiente
paso.


Boa viagem

A primeira vez ocorre que te olhas no espelho
e teu rosto já não é mais teu rosto.
O mesmo sucede com  as palmas

de tuas mãos

ou com os dedos.

Depois deves aproximar-se de tua melhor amiga
e dizer-lhe que faz tempo que deixou de ser
tua melhor amiga.

E não esperar que ela chore.

Também  tens que assumir que a definição
das coisas ocultam seu significado,
e, que, talvez,
teu pai te venha demasiadas vezes para baixo
e tua mãe é feliz.

Porém, só de tempos em tempos.


Hás de compreender que tropeçar  e cair
de rodinhas
não é o mesmo que enrodilhar-se.
Que, às vezes,
a tragédia é o sorriso perverso  
do caminho equivocado.

Deves decidir se existes
e não esquecê-lo.

E, pode ser que, algum dia,

com sorte
com muita sorte

aprendas a atar  fortemente os cordões

antes de dar

o passo
seguinte.


Friday, August 07, 2015

Duas poesias de Gabriela Rosas

                                                                                                        FRÁGIL

Gabriela Rosas

"No fue triste. Dispersé sus cenizas y reuní mis pedazos."
Andrés Neuman

Soy una mujer amable para los perfumes
arruinada por las caricias
con uñas tan limpias que duelen
sin atenciones difíciles para lo ajeno
con trenzas en la garganta

soy una mujer que conoce
lo que ocurre en su refrigerador
Intolerante a la lactosa
por culpa de un desaire

hecha de un vidrio frágil a tus ojos.

FRÁGIL

"Foi triste. Dispersei suas cinzas e reuni os meus pedaços."
Andrés Neuman

Sou uma mulher amável para os perfumes
arruinada pelas carícias
com as  unhas tão limpas que doem
sem atenções difíceis para o estranho
com tranças na garganta

Sou uma mulher que conhece
o que ocorre na sua geladeira.
Intolerante à lactose
por culpa de um desajuste

feita de um vidro frágil em seus olhos.


VIII

Gabriela Rosas

No tiene casa el adiós
no hay puerta para regresar un amor
de donde nunca quiso irse

VIII

Não tem casa o adeus
Não existe porta para um amor regressar 
De onde nunca quis sair 

Ilustração: www.torange-pt.com

Wednesday, August 05, 2015

Ode a uma cidade exemplo


Lá, distante, na linha do horizonte, o contorno das montanhas, as arvores, as nuvens, o infinito....
Aqui, a agitação feroz, os passos, as vozes, os aviões, a espera sem alternativa, o ambiente frenético de um aeroporto em efervescência 
E o meu chope, amarelo como o futuro do mundo.
Sei, sinto, que há uma cidade, em volta, da qual, hoje, não sei nada
Que, contra as evidências, há uma luta, uma fé desesperada
De que o Brasil pode sair deste poço tão sem fundo....
Ah! Curitiba, cidade que, mesmo sem ver,
Sei que inova e busca caminhos.
Que Santa Felicidade!
Minha esperança é você!


Ilustração: img.estadao.com.br  

Tuesday, August 04, 2015

Uma poesia de Patricia Verón

Patricia Verón                                                          

Hablo de soledades
de un viaje jamás hecho
del peso de dos manos
del pan multiplicado y enterrado
no me hace falta la ginebra
de vez en cuando un vino
un lugar en la noche
un dolor reparado en los caminos
Hablo entre espacio y letra
que inicia una palabra
digo lo que no dicen
y prefiero callar los argumentos
en la belleza de un paisaje de ramas
y lunas perdidas entre óxidos de cinc

transparentada por el frío
y las nubes rosas que acompañan
la oscuridad

hablo y ahora
me voy a dormir.

Falo de solidões
De uma viagem jamais feita
Do peso de duas mãos
Do pão multiplicado e enterrado
Não me faz falta uma ginebra
De vez em quando um vinho
Um lugar na noite
Uma dor reparada nos caminhos
Falo entre o espaço e a letra
Que inicia uma palavra
Digo o que não dizem
E prefiro calar os argumentos
Na beleza de uma paisagem de ramos
E de luas perdidas entre óxidos de zinco

Atravessada pelo frio
E as nuvens rosas que acompanham
A escuridão

Falo e agora
Vou dormir.

Ilustração: kristalzinhoazul.blogspot.com


Monday, August 03, 2015

De volta Virginia Grütter Jiménez

 
FLOR ROJA                                                  
Virginia Grütter Jiménez

Detrás de la vitrina
Está la flor fea
La flor triste e hirsuta
la flor de piedra
La flor que cuando llega
La madrugada
Sólo tiene un sentido
Con la mirada.
La flor del campo
Temblorosa
Busca el sol con los ojos
Entre las hojas
Y encuentra
Si agua le llega
Rumor de mariposas
En sus orejas.
El campo limpio
Donde los labradores
Hicieron sitio.
¡Y si no miren
ojos mortales
la flor de la amapola
Por los trigales!

La flor del nacimiento
Y la de la novia
Suelen ser siempre blancas
¿Porqué no rojas?
Roja es la vida
Rojos los pajarillos
Roja la espiga
Todo lo que revienta
Suele ser rojo
Si se tiene bien limpio
Entrenado el ojo.
Las flores blancas
Si se miran bien vistas
Si no son santas
También son flores
Son música y palabras
Son de colores
¡Y si no miren
Ojos mortales

FLOR VERMELHA

Por trás da janela
Esta lá a flor feia
A flor triste e eriçada
A flor de pedra
A flor que quando chega
A madrugada
Só tem sentido
Com o olhar.
Flor do campo
Trêmula
Que busca o sol com os olhos
Entre as folhas
E encontra
Se a água chega até ele
Rumor de borboletas
Nos seus ouvidos.
O campo limpo
Onde os agricultores
Fizeram sitio.
E que não olhem
Olhos mortais
A amapola
Entre os trigais!

Flor do nascimento
E a da noiva
Sói ser sempre brancas
Por que não vermelhas?
Vermelho é a vida
Vermelhos os passarinhos
Vermelhas as espigas
Tudo o que se reiventa
Sói ser vermelho
Se se tem bem limpo
e treinado o olho.
As flores brancas
Se se olham, bem vistas
Se não são santas
Também são flores
Músicas e palavras
São de cores
E que não as olhem
olhos mortais


Ilustração: www.fotosefotos.com

Sunday, August 02, 2015

Mais uma poesia de Ninfa Farrach

UN CUENTO SIN HADAS                                                       

Ninfa Farrach

En este baile no perdí mi zapatilla
todo lo tenía puesto y se ha esfumado,
quedé con mis andrajos nuevamente
y he vuelto a las cenizas, a los rincones.
Ya no hay príncipe que busque mi presencia,
ni hadas, ni bailes, ni palacios,
sólo castillos dibujados en el polvo,
sin palabras, sin risas, sin ventanas.

Um conto sem fadas

Neste baile não perdi meus sapatinho
tudo o que havia posto se há esfumaçado,
fiquei com meus andrajos novamente
e voltei às cinzas, aos rincões.
Já não há princípe que busque minha presença,
Nem fadas, nem bailes, nem pálacios,
Somente castelos desenhados no pó,
Sem palavras, risos, sem janelas.

Fonte: http://emmagunst.blogspot.com.br/2015/08/ninfa-farrach-6-poemas-6.html
Ilustração: ojardimassombrado.blogspot.com


Saturday, August 01, 2015

Uma poesia de Ninfa Farrach

 
NIÑA PÁJARO

Soy Ninfa Farrach,
la hija de Ismael y Aura Estela.

La de las tardes sin permiso, la poeta.

La que una vez confesó sentir lástima

por los perros solitarios,
la rebelde desde niña, amorosa siempre.

Soy esa niña que ayer recorrió en bicicleta
la finca de su abuelo palestino,
la mayor de sus hermanos,
la que soñaba con tener una lámpara
maravillosa de Aladino.

Soy esa niña de ayer, en otro tiempo,
que juega cada tarde a ser libre
y moviliza estas alas que se han desarrollado,
la que en breve tiempo cruzará el océano
para ver la luna desde otra perspectiva.

NINA PASSARINHO

Sou Ninfa Farrach,
a filha de Ismael e Aura Estela.

A das tardes sem permissão, a poeta.

A que uma vez confessou sentir lástima

pelos cachorros solitários,
a rebelde desde menina, amorosa sempre.

Sou essa menina que ontem percorreu de bicicleta
a propriedade de seu avô palestino,
a mais velha de seus irmãos,
a que sonhava em ter uma lampâda
maravilhosa de Aladim.

Sou essa menina de ontem, em outro tempo,
que julga, a cada tarde, ser livre
e movimenta as asas que se hão desenvolvido,
a que, em breve tempo, cruzará o oceano
para ver a lua de outra perspectiva.


Fonte: http://emmagunst.blogspot.com.br/2015/08/ninfa-farrach-6-poemas-6.html 
Fotografía de Louis Lander Deacon