Saturday, August 22, 2015

Uma poesia de Siracusa Bravo Guerrero

 
MALA                                                                               
Siracusa Bravo Guerrero

Tenías la mala costumbre
de no acabar lo que empezabas.

Supongo que seré la excepción
que confirma la regla.

De un portazo te fuiste esta mañana,
dijiste:
!Ojalá se te pudra el corazón!

Podrida está la manzana
que dejaste ayer a medio comer,

a mí
me comiste entera.

MAU

Tinhas o mau costume
de não acabar o que começavas.

Supunha que seria a exceção
que confirma a regra.

Com barulho te fostes esta manhã,
Dissestes:
Oxalá que te apodreça o coração!

Podre esta a maça
Que deixastes, ontem, metade comida,

a mim
me comestes inteira.

Ilustração: marahagemann.blogspot.com

Friday, August 21, 2015

Uma poesia de Juan Guerrero

ASÍ                                                                                   

Juan Guerrero

Aquí,
en esta noche,
descanso en tu sonrisa,
respiro los caminos que bajan por tu cuello,
me detengo, asombrado, ante tu blanco pecho,
mis labios se entreabren para hablar en silencio,
me alzo hasta tu boca,
en donde los temores se pierden en amores,
desciendo hacia los valles que rozan tus caderas,
asciendo la colina hasta que el viento canta,
regreso a tu sonrisa,
tus manos desbocadas me empujan insolentes,
y desciendo de nuevo,
y moro entre los valles hasta que el cielo gime,
los vientos se desatan;
y entonces yo sonrío
y sobre la colina que se estremece y tiembla
en este interminable verano del olvido
ascienden las estrellas.


Bem

aqui,
nesta noite,
descanso em teu sorriso,
respiro os caminhos que baixam por teu pescoço,
me detenho, assombrado, ante teu branco peito,
meus lábios se entreabrem para falar em silêncio,
me levanto até tua boca,
onde os medos se perdem em amores,
descendo para os vales que roçam teus quadris,
subindo a colina onde o vento canta,
regresso para o teu sorriso,
tuas mãos fugitivas me empurram insolentes,
e descendo de novo,
e moro entre os vales até que o céu geme,
os ventos se desatam;
e, então, sorrio
e sobre a colina que se estrece e treme
neste verão sem  esquecimento
ascendem as estrelas.

Thursday, August 20, 2015

Um poema de Silvia Tomasa Rivera

Silvia Tomasa Rivera                                                          
Hay una niña que llega
a mediosueño
y enciende el quinqué.

Un murmullo de agua horada las paredes
de la casa de adobe.

Al centro está la mesa, y sobre ella
una bandeja de manzanas.

Todos los ojos miran
desde la negrura del campo
a la niña que sale
a sobarse las piernas
bajo la bugambilia.


Há uma menina que chega
meio sonolenta
e acende a lâmpada.

Um murmúrio de água penetra nas paredes
da casa de adobe.

No centro está a mesa, e sobre ela
uma bandeja de maçãs.

Todos os olhos olham
da escuridão do campo
a menina que sai
para esfregar as pernas
sob os buganviles.


Ilustração: www.flickr.com

Wednesday, August 19, 2015

De volta Margareth Atwood

 
THE SHADOW VOICE                     

Margareth Atwood

My shadow said to me:
what is the matter

Isn't the moon warm
enough for you
why do you need
the blanket of another body

Whose kiss is moss

Around the picnic tables
The bright pink hands held sandwiches
crumbled by distance. Flies crawl
over the sweet instant

You know what is in these blankets

The trees outside are bending with
children shooting guns. Leave
them alone. They are playing
games of their own.

I give water, I give clean crusts


Aren't there enough words
flowing in your veins
to keep you going.

A VOZ DA SOMBRA

Minha sombra me perguntou:
O que se passa?

A  lua não é quente
O suficiente para ti?
por que necessitas
do cobertor de outro corpo

cujo beijo é  mofo?

Em redor das mesas de piquinique
as mãos rosadas  sustêm sanduiches
desintegrados pela distância. As moscas
voam sobre a doçura do  instante

Tu sabes o que há nessas  mantas

As àrvores se dobram sob o peso
dos meninos que disparam suas armas.
Deixá-oos em paz. Que joguem
Os seus próprios jogos.

Te dou  água, te dou certezas limpas

Não  há suficientes palavras
flutuando em tuas veias
tanto para manter como para seguir?


Ilustração: joaofarias.wordpress.com

Uma poesia de Ana Perez Cañamares

 
Ana Perez Cañamares                                                                          

Si dijera que nunca quise a nadie así
sería terriblemente injusta con el pasado y sus pobladores.
Si lo dijera sería de una precisión
cruel, innecesaria.
Pero lo digo: nunca quise a nadie así,
porque ser honesta está en mi temperamento
porque añoro la linealidad de las fórmulas
los índices de los libros de instrucciones.
Porque sé que te gusta
que resurja del lodo de las dudas
y juegue a ser diosa
que ha bajado del cielo a follarse a un humano.


Se dissesse que nunca quis ninguém assim
seria terrivelmente injusta com o passado e seu povo.
Se dissesse seria de uma precisão
cruel, desnecessária.
Porém, o digo: nunca quis a ninguém assim,
porque, para ser honesta está em meu temperamento
porque choro a linearidade das fórmulas
os índices de livros de instruções.
Porque sei que tu gostas
que ressurja da lama das dúvidas
e julgue ser uma deusa
que desceu do céu para ferrar um ser humano.


Ilustração: vida-de-indio.blogspot.com

Tuesday, August 18, 2015

Uma poesia de Sergio Arlandis

Pigmalión                                                                   
Sergio Arlandis

Justo ahora que un ladrón de deseos
no me aturde en la noche con su voz,
y me convierto
en animal libre de culpa,
cuando no tengo más pecados
para llenar con nombres,
ni esta aguja del tiempo
muestra qué muerte
tendrán estos momentos
una vez pasen por mis manos:
podré mirarte
                         con la inocencia
                                                      de las palabras
que no ha bañado todavía el vino,
para luego tomarte por la espalda
con la trama que cada noche
caza uno de mis días.
Y hacerte presa
de mis vacíos cotidianos.
Qué lenta conversión la de tu mármol:
cómo en ti crece el ángel
                                            negro de mis caídas,
la fiera indócil que serás,
al menos hoy, sobre mi vientre.


Pigmalião

Justo agora que um ladrão de desejos
não me impressiona à noite com sua voz,
e me converto
num animal livre de culpa,
quando não tenho mais pecados
para preencher com nomes,
nem esta agulha do tempo
mostra que a morte
terá estes momentos
uma vez que passem por minhas mãos:
poderei te olhar
                          com inocência
                                                       das palavras
que ainda não banhei, todavia, com vinho,
para logo tomar-te por trás
com a trama  que cada noite
caça um de meus dias.
E fazer-te presa
de meus vazios cotidianos. 
Que lenta conversão a de teu mármore:
como em ti cresce o anjo
                                negro das minhas quedas,
a besta incontrolável que será,
pelo menos hoje, no meu ventre.


Ilustração: www.fotolog.com

Monday, August 17, 2015

Uma poesia de Kira Kariakin

DESPERFECTO                                                     
Kira Kariakin

tengo un hueco en el corazón
es seco y oscuro

si introduzco un dedo
siento la aspereza
de la arena oculta
de mis sequías
y la negrura densa
que aprieta
como una boa
insomne e insatisfecha

mi corazón
es tuerto de sentimiento

el viento en él no encuentra nido
ni la luz reposo

yo vivo con un hueco ciego
en el pecho


DEFEITO

Tenho um buraco no  meu coração
Que é seco e escuro

se introduzo um dedo
sinto a aspereza
da areia oculta
das minhas secas
e a escuridão densa
apertando
como uma cobra
insone e insatisfeita

meu coração
é zarolho de sentimentos

o vento nele não encontra ninho
nem a luz, repouso

Eu vivo com um furo cego
no meu peito


Ilustração: genius.com

Saturday, August 15, 2015

Outra poesia de Margareth Atwood

TRUE STORIES                                                                 
Margareth Atwood

I

Don't ask for the true story;
why do you need it?

It's not what I set out with,
or what I carry.

What I'm sailing with,
a knife, blue fire,
luck, a few good words 
that still work, and the tide.

II

The true story was lost
on the way down to the beach; it's something 

I never had, that black tangle
of branches in a shifting light,

my blurred footprints 

filling with salt

water, this handful
of tiny bones, this owl's kill.
a moon, crumpled papers, a coin,
the glint of an old picnic,
the hollows made by lovers 
in the sand a hundred

years ago: no clue.

III

The true story lies
among the other stories,
a mess of colors, like jumbled clothing,
thrown off or away,

like hearts on marble, like syllables, like 
butchers' discards.

The true story is vicious
and multiple and untrue
after all. Why do you 
need it? Don't ever

ask for the true story.

HISTÓRIAS REAIS

I

Não me pergunte pela história real,
por que a queres?

não é por onde começo
nem o que levo comigo.

nem o que levo navegando,
uma faca, um fogo azul,

sorte, duas ou três palavras boas
que, todavia, funcionam, e a maré.

II

A história real está perdida
no caminho na praia, é alguma coisa

que nunca tive, este negro emaranado
de ramos sob uma luz cambiante,
minhas pegadas borradas
enchendo-se de água

salgada, este punhado
de pequenos ossos, esta caçada de corujas;
uma lua, papéis amassados, uma moeda,
o resplendor de um velho piquenique,
os buracos que os amantes
deixaram feitos na areia 

cem anos: nem ideia.

III

A história real está
entre as outras histórias,
uma confusão de cores, como roupa enrolada,
tirada ou esparramada,

como os corações sobre o mármore, como as sílabas
como as sobras do açougueiro.

A história real é mesquinha
e múltipla e falsa
depois de tudo. ¿Para que 
a queres? Nunca me perguntes

pela historia real.

Ilustração: produto.mercadolivre.com.br

Friday, August 14, 2015

De volta Pedro Miguel Obligado

No tiene importancia                                                     
Pedro Miguel Obligado

Esta pena mía
No tiene importancia.
Sólo es la tristeza de una melodía,
Y el íntimo ensueño de alguna fragancia.
-Que todo se muere,
Que la vida es triste,
Que no vendrás nunca, por más que te espere,
Pues ya no me quieres como me quisiste-.
No tiene importancia…
Yo soy razonable;
No puedo pedirte ni amor ni constancia:
¡Si es mía la culpa de no ser variable!
¿Qué valen mis quejas
Si no las escuchas;
Y qué mis caricias desde que las dejas
Quizá despreciadas porque fueron muchas?
¡Si esta pena mía
No es más que el ensueño de alguna fragancia,
No es más que la sombra de una melodía!
Ya ves que no tiene ninguna importancia…

Não tem importância

Esta pena minha
Não tem importância.
Só é a tristeza de uma melodia
E o intimo sonho de alguma fragrância.
-Que tudo morre,
Que a vida é triste,
Que não virás nunca, por mais que te espere,
Pois, já não me queres como me quisestes-.
Não tem importância...
Eu sou razoável;
Não posso pedir-te nem amor nem constância:
Se é minha a culpa de não ser variável!
Que valem minhas queixas
Se não as escutas;
E que minhas carícias, desde logo deixas,
Quem sabe depreciadas por não terem  sido muitas?
Se esta é minha pena
Não és mais do que o sonho de alguma fragância,
Não és mais que a sombra de uma melodia!
E já vês que não tem nenhuma importância....


Ilustração: www.canalfoto.org

Thursday, August 13, 2015

Uma poesia de Leonard Cohen

Thousands                                  
Leonard Cohen

Out of the thousands
who are known,
or who want to be known
as poets,
maybe one or two
are genuine
and the rest are fakes,
hanging around the sacred precincts
trying to look like the real thing.
Needless to say
I am one of the fakes,
and this is my story.

Os milhares

Entre os milhares
que são conhecidos,
ou que desejam ser
como poetas,
quem sabe, um ou dois
são genuínos
os outros são falsos,
girando nos recintos sagrados
tentando mostrar que são reais.
Desnecessário dizer
que eu sou um dos falsos,
e esta é a minha história


Ilustração: www.guiaexclusivo.com.br

Uma poesia de Jorge Etcheverry

Nacimiento del tópico                                                   

Jorge Etcheverry

Cuando he apresado el tiempo por las repeticiones
he cubierto calles y nombres de ceniza
Lo he medido también por mis heridas
pero han sido escasas y no bastan
para las numerosas mediciones
que nos gastan las manos en ajenas labores

Yo pudiera establecer
que sólo soy una nota
                    de tu melodía oh tiempo
pero sería decir cosas que se ignoran
o taparnos los hechos con mentiras
como en efecto hace la poesía.

Nascimento do tópico

Quando aprisionei o tempo pelas repetições
encobri as ruas e os nomes de cinzas
o que também medi por minhas feridas,
porém, foram escassas e não bastam
para as numerosas medições
que nos gastam as mãos em tarefas alheias

Eu poderia estabelecer
Que sou apenas uma nota
                      de tua melodia, oh! Tempo,
porém, seria dizer coisas que se ignoram
ou tapar os fatos com mentiras,
como, com efeito, se faz a poesia.


Ilustração: www.danigarlet.com.br