Monday, January 11, 2016

Um poema de Augusto Tamayo Vargas

 
VOCES QUE RONDAN EL HOTEL                           

Augusto Tamayo Vargas

Las voces en círculo
asedian mi tristeza
            rondan
                        rondan
rondan
            rondan
Yo tengo una en la mano
y se me vuela
Palomas asustadas
rompen barreras de papel
de satélites amarrados al cielo
dulces arrullos
en la música del teléfono
y ferrovías sin presagio
en vacíos del ala ya perdida
            rondan
rondan            
                           rondan

            rondan
Las siento caminar dentro del pulso
acaricio su sombra
estoy tras de la trampa que me he puesto
y se han ido
                        Se
                        han
                        ido!
No sirve el vino rojo de Toscana
guardado en Nueva York
Ni la oración en San Patricio
Ni las aguas de lila en el crepúsculo

Ni soñar hoteles ni cafés
cual si fueran hogares que me aguardan
porque se vuelven tumbas
como aquella que tengo tan de cerca
Sólo voces:
            el correo que arriba
            el tren que marcha
            el timbre que te envuelve
            el murmullo silente en mi cabeza
            rondan
rondan             rondan
            rondan
volando en mi tristeza

Vozes que rondam o hotel

As vozes em círculos
assediam minha tristeza
                  rondam
rondam    
                                   rondam
                 rondam
Eu tenho uma na mão
e se me voa
pombos assustados
rompem barreiras de papel
de satélites amarrados ao céu
doces arrulhos
da música do telefone
e ferrovias sem presságios
em vazios da asa perdida
                  rondam
rondam    
                                   rondam
                 rondam
As sinto caminhar dentro do pulso
acaricio sua sombra
estou atrás da armadilha em que me puseram
e se foram.
               Se
               foram!
Não serve o vinho vermelho de Toscana
guardado em Nova Yorque
Nem a oração de São Patrício
Nem as àguas lilás do entardecer

Nem sonhar com hotéis ou cafés
como se fossem lugares que me aguardam
porque se tornam túmulos           
como aquele que tenho tão próximo
Só vozes:
          o correio que chega
          o trem que parte
          o timbre que te envolve
          o murmúrio silencioso em minha cabeça
 
                 rondam
rondam    
                                      rondam
                 rondam
voando em minha tristeza


Ilustração: insider.pro

Uma poesia de Livio Gómez

EPIGRAMA 2                                                                          
Livio Gómez

Tu juventud te irá dejando
te irá dejando tu hermosura,
hasta ya no ser
ni de los espejos simiescos,
ni de los fatigados cosméticos
hasta ya no ser
ni de las desmemoriadas fuentes.

Yo, el despreciado, para ti escribí
este siempre joven epigrama
de puntualidad incorruptible.

Epigrama 2


Tua juventude irá te deixando
te irá deixando a tua formosura,
até já não ser
nem dos espelhos simiescos,
nem dos fatigados cosméticos
até já não ser
nem das desmemoriadas fontes.

Eu, o desprezado, para  ti escreverei
este sempre jovem epigrama
de pontualidade incorruptível.

Sunday, January 10, 2016

Uma poesia de Legna Rodríguez Iglesias

 
GULA                                                                                            
Legna Rodríguez Iglesias

figuras que produce el viento
es lo que realmente me sale de la vagina
porque de la uretra me salen cien palabras
y yo no las escribo
regresé porque jamás escribí sobre la arena
jamás escribí sobre nada que pareciera una hoja
qué nombre le pongo al libro
qué nombre le pongo al brazo si todos son apopléjicos
las personas semejantes no debieran tener nombre
esta sed no tiene nombre
esta sed se me sale por la uretra
acompañada de gérmenes y susto
ya olvidé la mitad de las palabras


Gula

As figuras que produzem o vento
São as que, realmente, me saíram da vagina
porque da uretra me saem cem palavras
e eu não as escrevo
regressei porque jamais escrevi sobre a areia
jamais escrevi sobre nada que parecesse uma folha
que nome ponho no livro
que nome ponho no braço se todos são apopléticos
as pessoas semelhantes não deveriam ter nome
esta sede não tem nome
esta sede me sai pela uretra
acompanhada de germes e susto
já esqueci a metade das palavras


Ilustração:  badio.pt

Uma poesia de Paula Simonetti




Paula Simonetti

Armar el cuadro otra vez/ reconstruirlo
como si una fuerza extraña lo hubiera fracturado
como los evacuados como los exiliados
como los que incendiaban sus propias casas
como después de las  guerras y de los desastres
y también como cosas más sutiles
como sobrevivirle al amor como después
de esos finales
como después de la muerte como después
de los padres
y después de los hijos
y también como cosas más sutiles
como cuando amanece


Armar o quadro outra vez/reconstruí-lo
como se uma força estranha o houvesse fraturado
como os evacuados, como os exilados
como os que incendiavam suas proprias casas
como depois das guerras e dos desastres
e também como coisas mais sutis
como sobreviver ao amor como depois
desses finais
como depois da morte  como depois
dos pais
e depois dos filhos
e também como coisas mais sutis
como quando amanhece


Ilustração: www.garapuabrasil.com

Outra poesia de Santiago Montobbio

EN EL ARTE CAVO, ESCARBO. ME HUNDO Y SALVO

Santiago Montobbio

En el arte consigo trazar tu rostro
sin que lo manche el olvido.
Legiones de adioses se encuentran y dispersan
en andenes siempre vacíos. Allí
y en el arte estoy, mientras me busco,
mientras soy dios o soy diablo
y de mi nombre ausculto los latidos.
La noche a veces me cerca en ellos.
A veces estás tú y despunta el día.
Pero siempre cavo, escarbo. Me hundo y salvo,
como he dicho al principio. Porque
tengo que hacerlo. Es una salvación
y un deber, una cruz, un modo de estar vivo
que no permite declinarse. El arte
se cumple hasta en su olvido.
A las palabras también el silencio las sostiene, y es
agua estancada que en el corazón algún día se libere.


Na arte cavo, escavo, me afundo e salvo

Na arte consigo traçar teu rosto
sem que o manche o esquecimento.
Legiões de adeuses se encontram e se dispersam
em plataformas sempre vazias. Ali,
na arte estou, enquanto me busco.
Enquanto sou deus e o diabo
e de meu nome ausculto os batimentos.
A noite, às vezes, me cerca neles.
Às vezes, estais tu e desponta o dia.
Porém, sempre cavo, escavo. Me afundo e salvo,
como  disse no principio. Porque
tenho que fazê-lo. É uma salvação
e um dever, uma cruz, um modo de estar vivo
que não permite declinar-se. A arte
se cumpre até o esquecimento.
As palabras também o silêncio as sustentam, e é
água estancada que, no coração, algum dia, será liberada.


Ilustração: umesobretudo.blogspot.com

Saturday, January 09, 2016

Uma poesia de Karen Valladares


Cielo

                                                                              Si te imaginas que al final
                                                                              el cielo sólo fuera un anuncio de papel.
                                                                                            Agustín Fernández Mallo
Karen Valladares

Me faltan siglos
para dejar de ser.

La palabra
me sobra a veces.

Los movimientos de la tarde
se desprenden hasta caer en la curvatura de mis ojos.

El sol es un conjunto de monedas lanzadas al aire.

Un trazo de papel
rayado por un niño es el cielo.



Céu
                                                             Se você  imaginar, ao final,
                                                                            o céu só foi um anúncio de papel.
                                                                               Agustín Fernández Mallo


Me faltam séculos
para deixar de ser.

A palavra
me sobra, às vezes.

Os movimentos da tarde
se desprendem até cair na curvatura de meus olhos.

O sol é um conjunto de moedas lançadas ao ar.

Um traço de papel
riscado por uma criança é o céu.

Ilustração: ultradownloads.com.br


Já fui de Água Santa..sem beber água benta

É verdade que,              
Com esta memória vaga,
Não lembro mais de nada.
Quanto mais quando
comi rabicó de galinha na Penha,
mais, tanajura em Bangu
ou carpaccio de avestruz em Copacabana
a danada não me engana!

Torresmos, rabadas e carnes secas
nunca faltaram  na Zona Norte
e, para provar que sou forte
me orgulho de já ter bebido,
em procissão por pés sujos,
guiado pelo Johnny Bradfort,
quando ainda era magrinho,
e bebia cachaça como se fosse água,
tanto que queria me convencer
que lutou no Canal de Suez!

Jurubebas, caipirinhas de limão cravo
ou de pimenta rosa,
juro, já me deixaram cheio de prosa
me alimentando só de linguiçinha de porco,
uns croquetes do Rebouças
ou bolinhos de aipim ou de bacalhau-
o que não é nada mau-
sempre deixam a vida bem melhor!

Afinal ser carioca
Não é nascer no Rio de Janeiro-
Este é um requisito maneiro.
Ser carioca
É aceitar o desafio
De buscar nesta cidade
O que ela tem de bom e de melhor...
Assim, meu companheiro,
Qualquer hora desembarco
Para aceitar seu desafio
De usufruir o melhor  da vida:
Viver no Rio-
sinônimo de ter prazer na vida!

Saturday, January 02, 2016

Uma poesia de Santiago Montobbio

ME EXTIENDO SOBRE UN DESIERTO DE OLVIDO

Santiago Montobbio

y soy la noche. No tengo fronteras
ni tierra alguna que me sostenga.
Soy también un mar que no termina.
Soy el alba, la luna, la daga. Soy
el silencio roto sobre el alma.
Ha llegado el tiempo de recoger su siembra
y que la espera florezca de algún modo, alumbre
un amor o una mañana, nos dé la mano con un calor
cercano y vivo, muy sentido, y en él sintamos que los días
vienen como lluvia
bendita y bendecida
desde el fondo de Dios
o de nosotros mismos. Es tiempo
de estar solos y ser libres
y de inundar quizá de un agua pura los adentros.
A veces sólo el arte logra dar con el camino.

ME ESTENDO SOBRE UM DESERTO DE ESQUECIMENTO
Eu sou a noite. Não tenho fronteiras
nem terra alguma que sustente.
Sou também um mar que não termina.
Sou o amanhecer, a lua, o punhal. Sou
o silêncio esgarçado sobre a alma.
Há chegado o tempo de recolher sua semeadura
e que a espera floresça de algum modo, ilumine
um amor ou uma manhã, nos dê a mão com um calor
próximo e vivo, muito sentido, e nele sintamos que os días
vem como a chuva
bendita e abençoada
desde o fundo de Deus
e de nós mesmos. O tempo
de estarmos sós e sermos libres
e de inundar, quem sabe, de uma água pura os interiores.
Às vezes, só a arte nos aponta o camino.


Ilustração: letouristeblog.com

Friday, January 01, 2016

Dois poemas de Nuria Mezquita

Nuria Mezquita                                 

En realidad no estoy buscando nada,
sólo desordeno y ordeno de nuevo,
confirmo que hay algo más
entre mis alas
que el puro deseo.


Na realidade não estou buscando nada,
só me desordeno e ordeno de novo,
confirmo que há algo mais
entre minhas asas
que o puro desejo.


Aquí, frente al espejo,
podría ponerle nombre a mi cara,
pero hoy no,
hoy no es el día.
Desabrocho da blusa
y mi mano acaricia
el pezón izquierdo,
lo rodea,
le da vueltas,
pellizca la puntao de su centro
y se escapa un breve susurro de mi boca.


Aqui, em frente ao espelho
podia por um nome no meu rosto,
porém, hoje não,
hoje não é o dia.
Desabrocho da blusa
e a minha mão acaricia
o mamilo esquerdo,
rodeando-o
dando-lhe voltas,
belisca a ponta de seu centro
e escapa um breve sussurro de minha boca.

Ilustração:  palavrasparaninguém.zip.net