Monday, January 25, 2021

Uma poesia de María Ángeles Pérez López

 

EL PERFECTO DIBUJO 

 

María Ángeles Pérez López


El perfecto dibujo de la piel amarrada,

a sí misma amarrada,

desplazando el aire con cada movimiento,

tiene un perfil de piedra,

de palote de niño dibujando.

Tiene un peso de piedra

y el oscuro entrecejo de la luz resbalada

porque la luz siempre resbala sobre las cosas

y no lo entiendo.

O DESENHO PERFEITO

O desenho perfeito da pele amarrada,

a si mesma amarrada,

despregando no ar a cada movimento,

têm um perfil de pedra,

de lápis de desenho infantil.

Tem um peso de pedra

e a escura sobrancelha da luz resvalada

porque a luz sempre resvala sobre as coisas

e eu não entendo.

Ilustração: https://www.orebic.com.hr/.  

Uma poesia de Francisco Gálvez

 


CRISIS

Francisco Gálvez

 

Tu voz parece de otro tiempo,
ya no tiene aquel tono cálido
de antes, ni la complicidad
de siempre, sólo son palabras
y su afecto es ahora discreto:
en tus mensajes ya no hay mensaje.

CRISE

Tua voz parece de outro tempo,

Já não tem aquele tom cálido

de antes, nem a cumplicidade

de sempre, são só palavras

e seu afeto é agora discreto:

em tuas mensagens já não há mensagem.

Ilustração: https://www.elblogdeyes.com/.

Friday, January 22, 2021

Uma poesia de Elizabeth Barrett Browning

 


SONETO 38

Elizabeth Barrett Browning

First time he kissed me, he but only kissed

The fingers of this hand wherewith I write;

And ever since, it grew more clean and white,

Slow to world-greetings, quick with its 'Oh, list,'

When the angels speak. A ring of amethyst

I could not wear here, plainer to my sight,

Than that first kiss. The second passed in height

The first, and sought the forehead, and half missed,

Half falling on the hair. O beyond meed!

That was the chrism of love, which love's own crown,

With sanctifying sweetness, did precede.

The third upon my lips was folded down

In perfect, purple state; since when, indeed,

I have been proud and said, 'My love, my own.'

 

SONETO 38

A primeira vez ele me beijou, porém,  ele só beijou

Os dedos desta mão com que escrevo;

E desde então, tudo ficou mais limpo e branco,

Lento para saudações ao mundo, rápido com seu 'Oh!, a lista,'

Quando os anjos falam. Um anel de ametista

Eu não poderia usar aqui, mais claro à minha vista,

Do que aquele primeiro beijo. O segundo passou em altura

o primeiro, e buscou a testa, e quase errou muito,

metade sobre o cabelo. O além de mim!

Este era o crisma do amor, que é a coroa do próprio amor,

Com doçura santificadora, precedeu.

O terceiro em meus lábios estava dobrado

Em perfeito estado roxo; desde então, de fato,

Fiquei orgulhoso e disse: 'Meu amor, é meu.'

Ilustração: https://gauchazh.clicrbs.com.br/.

Mais uma poesia de Blas de Otero Munõz

 


Es inútil

Con hambre quedará si en esto queda...

Juan Boscán

 Blas de Otero Muñoz

Cada beso que doy, como un zarpazo

En el vacío, es carne olfateada

De Dios, hambre de dios, sed abrasada

En la trenzada hoguera de un abrazo.

 

Me pego a ti, me tiendo en tu regazo

Como un náufrago atroz que gime y nada,

Trago trozos de mar y agua rosada:

Senos las olas son, suave el bandazo.

 

Se te quiebran los ojos y la vida.

Lloras sangre de Dios por una herida

Que hace nacer, para el amor, la muerte.

 

¡Y es inútil pensar que nos unimos!

¡Es locura creer que pueda verte,

Oh dios, abriendo, entre la sombra, limos!

É inútil

 Com fome ficarás na tua queda ...

Juan Boscan

Cada beijo que eu dou, como uma patada

No vazio, é carne já cheirada

De Deus, fome de Deus, sede abrasada

Como um abraço numa fogueira trançada.

 

Me pego a ti, me tendo em teu regaço

Como um náufrago atroz que geme e nada,

Trago traços do mar e água rosada:

Seios as ondas são, suaves ao descaso.

 

Se te quebram os olhos e a vida.

Choras sangue de Deus por uma ferida

Que faz nascer, para o amor, a morte.

 

E é inútil pensar que nos unimos!

É loucura crer que possa ver-te,

Oh deus, abrindo, entre as sombras, limos!

Ilustração: Amazon.com.

Thursday, January 21, 2021

De novo Pierre Rosin

 

Dans ce banquet

Pierre Rosin

Dans ce banquet

Il y aura du vin du miel des épices

Poivre noir cannelle cardamome

Des musiciens une gitane qui danse

Un poète dira l’amour

Un autre

Dans l’euphorie le soir

Chantera des amours plus colorées

 

Muscade clous de girofle

Coriandre

Safran piment vert

 

Ma main glisse sur ton épaule

Un frisson au bout des doigts

Tu caresses mes cheveux

Je te regarde

Tu me souris

 

Le ciel a pris des reflets rose et ocre

La fête va durer

Nous les retrouverons

Au petit matin

 

NESTE BANQUETE

 

Neste banquete

Há de haver especiarias de vinho de mel

de pimenta preta canela cardamomo

de músicos um cigano que dança

um poeta dirá amor

outro

na euforia da noite

cantará dos amores as cores

 

Noz-moscada

coentro

pimenta verde açafrão

 

Minha mão desliza no seu ombro

uma emoção na ponta dos dedos

tu acaricias meu cabelo

Eu te olho

Tu me sorris

 

O céu ostenta reflexos rosa e ocre

a festa vai durar

nós os encontraremos novamente

de manhã

 

Ilustração: Bem Paraná.

Ainda a poesia de Manuel Gutiérrez Nájera

 


Última necat

 Manuel Gutiérrez Nájera

¡Huyen los años como raudas naves!

¡Rápidos huyen! Infecunda Parca

pálida espera. La salobre Estygia

calla dormida.

 

¡Voladores años!

 

¡Dado me fuera detener convulso,

horas fugaces, vuestra blanca veste!

Pasan las dichas y temblando llegan

mudos inviernos...

 

Las fragantes rosas

mustias se vuelven, y el enhiesto cáliz

cae de la mano. Pensativa el alba

baja del monte. Los placeres todos

duermen rendidos...

 

En mis brazos flojos

Cintia descansa.

 

A ÚLTIMA MATA

 

Os anos fogem como rápidos navios!

Fugir rapidamente! Ceifadora infecunda

Pálida espera. O Estygia salgado

Cala a boca adormecida.

 

Voadores anos!

 

Dado que me fora deter convulso,

horas fugazes, o seu vestido branco!

Passam os bons tempos e tremendo chegam

mudos invernos...

 

As rosas perfumadas

murchas se tornam e o cálice

ereto cai da mão. Pensativo o amanhecer

baixa sobre o monte. Todos os prazeres

dormem rendidos ...

 

Nos meus braços frouxos

Cintia descansa.

Ilustração: FreePik.

Wednesday, January 20, 2021

E, mais uma poesia, de Rafael Obligado

 


VISIÓN

 

Rafael Obligado



Se sueña, se presiente, se adivina,
Estremécese el labio y no la nombra;
El alba la ve huir de la colina
Velada entre los pliegues de la sombra,

Espira el meláncolico perfume
De la rosa de un féretro olvidada;
Se deshace en incienso, se consume
A la rápida luz de una mirada.

Hermana de la tarde, pensativa
En el fondo del valle resplandece;
Un instante deslumbra, y fugitiva
En el pálido azul se desvanece.

 VISÃO

Se sonha, se pressente, se adivinha,

Estremece o lábio e não o nomeia;

Amanhece e se vê fugir da colina

Velada entre as pregas da sombra,

 

Expira o melancólico perfume

Da rosa de um caixão esquecido;

Se desfaz em incenso, se consome

À luz rápida de um olhar sumido.

 

Irmã da tarde, pensativa

No fundo do vale, brilha;

Um instante deslumbrante, e fugitiva.

No azul pálido desaparece.

Ilustração: WordPress.

 

Mais uma poesia de David Maria Turoldo

 


MEMORIA

 David Maria Turoldo

 È la memoria una distesa

di campi assopiti

e i ricordi in essa

chiomati di nebbia e di sole.

 

Respira

una pianura

rotta solo

dagli eguali ciuffi di sterpi:

 

in essa

unico albero verde

la mia serenità.

 

 

MEMÓRIA

 

É a memória uma extensão

de campos dormentes

e lembro

sua cabelereira de névoa e sol.

 

Respira

um plano

uma rota só

dos mesmos tufos de mato:

 

nela,

única árvore verde,

a minha serenidade.

 

Ilustração: WordPress.com.

O amor renasce

 


Foi você que inventou teu amor por mim

e, a culpa é minha sim, acreditei.

A fé, a fé é uma força imensa

e tive como recompensa

dias de felicidade, 

sonhos e realidades,

os beijos de amor que te dei.

Agora vens querer desinventar o amor

me oferecendo a dor da separação.

Não é ilusão, 

mas, sinto muito e te digo não. 

O amor, como a flor, 

depois de crescer 

derrama beleza e perfume.

Vou ficar aqui, como de costume, 

pode ir. 

Pode partir. 

Faça boa viagem. 

Porém, por mais que pense que não,

a semente ficou no teu coração

e basta chover um dia,

que, para minha alegria, 

com o frio e a chuva 

tua pele há de tremer 

e todo amor vai renascer. 

Ilustração: Bernadete Alves.com

Monday, January 18, 2021

Outra poesia de Blas de Otero Munõz

 

En el principio

 Blas de Otero Muñoz

Si he perdido la vida, el tiempo, todo

Lo que tiré, como un anillo, al agua,

Si he perdido la voz en la maleza,

Me queda la palabra.

 

Si he sufrido la sed, el hambre, todo

Lo que era mío y resultó ser nada,

Si he segado las sombras en silencio,

Me queda la palabra.

 

Si abrí los labios para ver el rostro

Puro y terrible de mi patria,

Si abrí los labios hasta desgarrármelos,

Me queda la palabra.

 

No princípio

 

Se perdi a vida, o tempo, tudo

O que eu joguei, como um anel, na água,

Se perdi minha voz na ribanceira,

Me ficou a palavra.

 

Se sofri a sede, a fome, tudo

O que era meu e que acabou sendo nada,

Se fui ceifado nas sombras em silêncio,

Me ficou a palavra.

 

Se abri meus lábios para ver o rosto

Puro e terrível da minha pátria,

Se abri meus lábios até desvirtuá-los,

Me ficou a palavra.

 

Uma poesia de Garcilaso de La Vega

 


Soneto V

Garcilaso de La Vega

Escrito está en mi alma vuestro gesto,

y cuanto yo escribir de vos deseo;

vos sola lo escribisteis, yo lo leo

tan solo, que aun de vos me guardo en esto.

 

En esto estoy y estaré siempre puesto;

que aunque no cabe en mí cuanto en vos veo,

de tanto bien lo que no entiendo creo,

tomando ya la fe por presupuesto.

 

Yo no nací sino para quereros;

mi alma os ha cortado a su medida;

por hábito del alma mismo os quiero.

 

Cuanto tengo confieso yo deberos;

por vos nací, por vos tengo la vida,

por vos he de morir, y por vos muero.

Soneto V

Escrito está em minha alma o seu gesto,

e como eu escrevo de ti o que desejo;

só o que tu escrevestes, eu leio

tão só o que de ti guardo é isto.

 

E nisto estou e estarei sempre posto;

ainda que não caiba em mim o que em ti vejo,

de tanto bem que não entendo e creio,

tomando já a fé por pressuposto.

 

Eu não nasci senão para ti querer;

minha alma os há ajustado a sua medida;

hábito da alma eu te quero.

 

Quanto tenho confesso que te dever;

Por ti nasci, por ti eu tenho a vida,

por ti hei de morrer, e por ti morro.

Ilustração: www.saxmagazine.com.

Saturday, December 19, 2020

Uma poesia de Blas de Otero

 


Cuerpo de la mujer

Blas de Otero

Cuerpo de la mujer, río de oro

donde, hundidos los brazos, recibimos

un relámpago azul, unos racimos

de luz rasgada en un frondor de oro.

 

Cuerpo de la mujer o mar de oro

donde, amando las manos, no sabemos,

si los senos son olas, si son remos

los brazos, si son alas solas de oro…

 

Cuerpo de la mujer, fuente de llanto

donde, después de tanta luz, de tanto

tacto sutil, de Tántalo es la pena.

 

Suena la soledad de Dios. Sentimos

la soledad de dos. Y una cadena

que no suena, ancla en Dios almas y limos.


O corpo da mulher

O corpo da mulher, rio de ouro

onde, abraços afogados, recebemos

um relâmpago azul, uns cachos

de luz rasgada em esplendor de ouro.

 

O corpo da mulher ou mar de ouro

onde, as mãos amorosas, não sabemos,

Se são seios, são ondas, se são remos

os braços, se são asas de ouro ...

 

Corpo de mulher, fonte do pranto

onde, depois de tanta luz, de tanto

toque sutil, de Tântalo esbarra.

 

Sabe à solidão de Deus. Sentimos

a solidão dos dois. E uma cadeia

que não soa, atraca em Deus, almas e limos.

 

Ilustração: https://www.escoladelucifer.com.br/.

Outra poesia de Aleyda Quevedo Rojas

 

CORALES


Aleyda Quevedo Rojas

No importa la profundidad del descenso

o la imposible maleza derramada en el camino.

Es largo y frío el viaje sobre oscuros caballos.

Ejercicio de inmersión y belleza piadosa

hasta pisar altos jardines de coral negro.

Entre mi dolor —que conozco tanto desde el lodo—

y el universo poco explorado por la falta de tus palabras,

me quedan flotando la impenetrabilidad de la música y la sal.

Las medusas atrapadas entre mis pestañas me jalan rápido.

Más no importa el precio del descenso.

Es necesario volver al camino consciente del miedo

y el aliento del océano golpeándome en la nuca.

 

CORAIS

Não importa a profundidade da descida

ou o mal das impossíveis ervas daninhas derramadas no caminho.

É longa e fria a viagem em cavalos escuros.

Exercício de imersão e beleza piedosa

até pisar em jardins altos de coral negro.

Entre minha dor- que conheço tanto desde o lodo-

e o universo pouco explorado pela falta de palavras,

ficam flutuando em mim pela impenetrabilidade da música e do sal.

As água-vivas presas entre meus cílios me puxa rápido.

Mas não importa o preço da descida.

É necessário voltar ao caminho consciente do medo

e da respiração do oceano golpeando-me no pescoço.

Ilustração: www.infoescola.com.