Sunday, September 23, 2007

VIVER SÓ POR VIVER

SIGNIFICADO

A emoção pretendo,
com todas as forças,
Que um desesperado
pode ter...
A emoção...
De uma maneira forte,
definitiva,
Qual um corpo que cai,
Uma lâmina que,
de repente,
rasga o buraco,
por onde a vida
se esvai...
A emoção alcanço.
E , feito o amor,
Não significa senão um momento
Que logo, em seguida, se desfaz.
De vez que toda vida
é mero vento,
leve tremor,
nada mais.
(Do livro "Viagem aos Sonhos de Ninguém").

Wednesday, September 19, 2007

SAUDOSAMENTE BRANCO E VAZIO

POEMA BRANCO

Não há muitos planos a serem feitos mais.
Nem mesmo a espera de algo especial.
Nem mesmo razões para crer num amanhã
Que só pode me legar o esquecimento.

Você, que nada exigia, senão o amor
Me dava sonhos
Sem precisar do sono.
E, agora, até meus sonhos
São brancos, planos longos, espaços
Que jamais serão preenchidos....

É assim que lembro,
Com admiração, dos dias de amor
Da falta da necessidade de explicações,
Do quanto os dias eram doces e intensos
De prazer e gozo.
Nada do que fiz ontem, hoje, amanhã e depois
Pode ser mais igual.
Pode trazer de volta o perdão
Para o crime do tempo perdido.

Só me resta fazer um poema
Um triste poema, branco como os versos,
de um suicídio reconhecido.
A confissão plena
De que sempre foste mais sábia do que minha instrução
Jamais poderia entender.

E, agora, que entendo
Tão pouca importa
Se a vida passou e vivi sem viver.

E o vazio dos dias que virão me contempla
Enquanto o silêncio em volta
Parece amplificar tua voz
Que ressoa do passado
Voltando a me dizer:
“-Meu lindo, que importa isto se nós vamos morrer?”

HÁ OUTRAS VERSÕES

Esta é a minha

THE SICK ROSE

William Blake

O Rose thou art sick.
The Invisible worm,
That flies in the night
In the howling storm:
Has found out thy bed
Of Crimson joy:
And his dark secret love
Does thy life destroy.

A ROSA DOENTE

Ó Rosa ser tão doente.
O verme invisível
Voou na noite insensível
Na tempestade uivante:
E te encontrou no leito
Cativante de menina:
E seu negro amor secreto
A vida te elimina.

Tuesday, September 18, 2007

UM POETA CUBANO

SONETO MORANDIANO

Severo Sarduy

Una lámpara. Un vaso. Una botella.
Sin más utilidad ni pertinencia
que estar ahí, que dar a la consciencia
un soporte casual. Mas no la huella

del hombre que la enciende o que los usa
para beber: todo ha sido blanqueado
o cubierto de cal y nada acusa
abandono, descuido ni cuidado.

Sólo la luz es familiar y escueta
el relieve eficaz: la sombra neta
se alarga en el mantel. El día quedo

sigue el paso del tiempo con su vaga
irrealidad. La tarde ya se apaga.
Los objetos se abrazan: tienen miedo.

SONETO MORANDIANO

Uma lâmpada. Um copo. Uma garrafa.
Sem mais utilidade nem pertinência
que estar ali, que dar à consciência
um suporte casual, mas não grafa

o traço humano que acende o que os usa
para beber: tudo foi branqueado
ou coberto de cal e nada acusa
abandono, descuido ou falta de cuidado.

Somente a luz é familiar e acesa
põe em relevo a toalha posta à mesa
que a sombra alarga. O dia caindo

Segue o passo do tempo na sua vaga
irrealidade. A tarde já se apaga.
Abraçam-se os objetos: sentem medo.

UMA POETISA DO URUGUAI

ESA MINÚSCULA MELODÍA DE LLUVIA

Carmen Borda

Esa minúscula melodía de lluvia
que te lleva y trae
es la música permanente
que vive en mí
me persigue
me asesina por las noches
hamaca tu rosto en la oscuridad
y me desangra
lentamente
a cuenta gotas.

ESTA MINÚSCULA MELODIA DA CHUVA

Esta minúscula melodía da chuva
Que te leva e traz
É a música permanente que vive em mim
me persegue
Me assassina pelas noites
Escurece teu rosto na obscuridade
E me sangra
lentamente
em conta-gotas.

Monday, September 17, 2007

VÃS VAIDADES

A GRANDE LIÇÃO

No meio dos melhores livros do mundo
O grande sábio,
Incontestável senhor da Verdade,
Curvou-se,um dia, sobre sua mesa
E derramou incontrolável tristeza
Que, desfeita em lágrimas,
Destruiu suas mais perfeitas teorias.
E, completamente alucinado de amor,
Chorou até morrer
Legando, como único conhecimento útil,
Sua convicção de que não há
Ciência possível
Para o amor, a dor e a vida.

(De "Viagem aos Sonhos de Ninguém".
Ilustração de Harmen Steenwijk com o nome de "An Allegory of the Vanities Human Life" extraída do Blog http://blog.uncovering.org)

Saturday, September 15, 2007

UM POETA ESPANHOL


DIARIO DE UN SEDUCTOR

Leopoldo María Panero

No es tu sexo lo que en tu sexo busco
sino ensuciar tu alma:
desflorar
con todo el barro de la vida
lo que aún no ha vivido.

Diário de um sedutor

Não é o teu sexo que no teu sexo busco
Sim enlamear tua alma:
Desfolhar
Com todo o barro da vida
O que ainda não vivi.

Friday, September 14, 2007

UMA POETISA DA COLÔMBIA

SE BUSCA UN PARAGUAS

Yadi Maria Henao

Aún no logro viajar hasta los sueños de un gato.
Ni dormir en el centro de un huracán.

Esto es un tratado sobre ratas.
Por la izquierda ahuyento al roedor del insomnio.
Por la derecha oculto la huella de un recuerdo.

Si las ratas cierran un ojo, escribo.
Si lo abren, se llevan lo que callo.

Hay vírgenes rojas que habitan la ratonera del vacío.
Discursos metódicos que a nadie hacen feliz.

Amanece en la boca la sed que amanece en la mirada.

La palabra se moja como un paraguas
bajo un diluvio de abrazos perdidos.

La muy sola palabra se dice a solas
entre los solos de noviembre.

EM BUSCA UM GUARDA-CHUVA

Ainda não consegui viajar nos sonhos de um gato.

Nem dormir no centro de um furacão.

Este é um tratado sobre os ratos.
Pela esquerda afugento o roedor da insônia.
Pela direita oculto a sombra de uma lembrança.

Se os ratos fecham um olho, escrevo.
Se abrem, carregam o que calo.

Há virgens vermelhas que habitam a ratoeira do vazio.
Discurso metódicos que não fazem ninguém feliz.

Amanhece na boca a sede que nasce do olhar.

A palavra se molha como um guarda-chuva
sob um dilúvio de abraços perdidos.

A solitária palavra se diz a sós
entre os solos de novembro.

Wednesday, September 12, 2007

NO DIVÃ

É evidente que o real,
Hoje em dia,
Requer interpretações.

Sou do tempo do preto e branco.
Do tempo do amor para a vida toda.
Em que o amor era para valer.

Hoje me sinto no divã
E falo de um tempo em que o amor era doce,
Como se fosse uma joía irrecuperável,
Um tempo que passou da hora.
A psiquiatra de tão amável
Me parece inodora.

A saudade é o passado que chora!

Tuesday, September 11, 2007

UM POETA DO PANAMÁ

DESPEDIDAS

Carlos Enrique Ungo

No desperdicies tu noche
el puño desafiante de mi odio.

Retrocede
y llévate contigo los poemas de amor
las miradas
las caricias
los secretos
compartidos a voces y en silencio.

Déjame completar el ritual del condenado
y compartir con aquellos
los ausentes
ese futuro que exige con premura
su cuota de presente.
Déjame ofrecer este último poema
con la cara al sol
y sonriente
para que luego
con el fusil al hombro y el odio en un bolsillo
me apreste a afinar la puntería.

DESPEDIDAS

Não desperdices tua noite
Com o punho desafiante de meu ódio.

Retrocede
e leva contigo os poemas de amor
os olhares
as carícias
os segredos
compartilhados com as vozes e o silêncio.

Deixa-me completar o ritual do condenado
e compartilhar com
os ausentes
este futuro que exige prematuramente
sua quota de presente.
Deixa-me oferecer este último poema
com a face para o sol
e sorridente
para que logo
com o fuzil no ombro e ódio no bolso
me apresse em acertar a pontaria.

Friday, September 07, 2007

AGORA NO ESTIO

A ROSA MAIS PURA

A úmida flor
Que minha mão colhe
Tépida, febril, nervosa
É carne, é liquido,
é espírito, é rosa.
Porta e porto.
Começo e fim
Do sonho e da loucura
E nada sei
Senão, ò criatura,
Que é mais linda
Do que as de todos os jardins.

MAIS UMA POETISA ARGENTINA

BIEN PUDIERA SER...

ALFONSINA STORNI

Pudiera ser que todo lo que en verso he sentido
No fuera más que aquello que nunca pudo ser,
No fuera más que algo vedado y reprimido
De familia en familia, de mujer en mujer.
Dicen que en los solares de mi gente, medido
Estaba todo aquello que se debía hacer...
Dicen que silenciosas las mujeres han sido
De mi casa materna... Ah, bien pudiera ser...
A veces en mi madre apuntaron antojos
De liberarse, pero se le subió a los ojos
Una honda amargura, y en la sombra lloró.
Y todo eso mordiente, vencido, mutilado,
Todo eso que se hallaba en sua alma encerrado,
Pienso que sin quererlo lo he libertado yo.





BEM PODE SER

Bem pode ser que tudo o que no meu verso senti
Não foi mais que aquilo que nunca pôde ser,
Não foi mais do que algo que vedei e reprimi
De família em família, de mulher em mulher.
Dizem que nos lares dos meus, medido
Estava tudo aquilo que se devia fazer...
Dizem que silenciosas as mulheres têm sido
Em minha casa materna... Ah, sim, bem pode ser...
Às vezes minha mãe sentiu os empecilhos
E anseio de liberar-se, porém subiu-lhe aos olhos
Uma funda amargura, e na sombra só chorou.
E tudo este peso mordaz, vencido, mutilado,
Tudo o que se encontrava na alma guardado,
Penso que sem querer fui eu quem libertou.

COISAS DO PASSADO

RECEITA

Ouve a música....olha o mar
Sob essas estrelas
Tendo por leito a areia
Vamos amar.

Vamos amar
Como se nem a morte nem o dia
Fosse chegar.
Amemos, pois,
Com o desespero
De quem come arroz com fome
Decorando a noite de gemidos e ais
Como se fosse só hoje e nunca mais..

Wednesday, August 29, 2007

A INDIADA CONTINUA A MESMA



MINHA CADELA DE TODOS NÓS


Na tina
Limpo a América Latina,
Minha cadela de pulgas douradas,
Certo de que, sobre seus ossos magros,
A pele maltratada que conduz
Ainda pode criar a luz da gordura.
Imagino-a no cio,
Pobre vira-lata,
Tantos cachorros a desejá-la,
Tantos
Buldogues americanos,
Pastores alemães
e cães vadios.
Sinto mesmo um arrepio
De vê-la tão nova e indefesa
Ante espadas de carne
Que lhe cospem
Com o desprezo imbecil dos dominadores.
Pobre América Latina!
Pobre prostituta de amostra grátis.
Por que não morde ?
Por que não late ?
Por que só se deixa penetrar assim
sem reação alguma ?
Ela só me olha
E lambe suas feridas
Com a mesma resignação e doçura
Com que enfrenta a vida
E, limpa e perfumada, corre novamente
Para sua servidão canina
Sem refletir
Que tem direito
de traçar sua própria sina.

Tuesday, August 21, 2007

UM POETA DO CHILE


CUENTO SOBRE UNA RAMA DE MIRTO

Jorge Tellier

Había una vez una muchacha
que amaba dormir en el lecho de un río.
Y sin temor paseaba por el bosque
porque llevaba en la mano
una jaula con un grillo guardián.
Para esperarla yo me convertía
en la casa de madera de sus antepasados
alzada a orillas de un brumoso lago.
Las puertas y las ventanas siempre estaban abiertas
pero sólo nos visitaba su primo el Porquerizo
que nos traía de regalo
perezosos gatos
que a veces abrían sus ojos
para que viéramos pasar por sus pupilas
cortejos de bodas campesinas.
El sacerdote había muerto
y todo ramo de mirto se marchitaba.
Teníamos tres hijas
descalzas y silenciosas como la belladona.
Todas las mañanas recogían helechos
y nos hablaron sólo para decirnos
que un jinete las llevaría
a ciudades cuyos nombres nunca conoceríamos.
Pero nos revelaron el conjuro
con el cual las abejas
sabrían que éramos sus amos
y el molino
nos daría trigo
sin permiso del viento.
Nosotros esperamos a nuestros hijos
crueles y fascinantes
como halcones en el puño del cazador.

CONTO DE UM RAMO DE MIRTA

Era uma vez uma moça
que adorava dormir no leito de um rio.
E sem temor passeava pelo bosque
porque levava na mão
uma jaula com um grilo guardião.
Para esperá-la eu me convertia
na casa de madeira de seus antepassados
erguida às margens de um cinzento lago.
As portas e as janelas sempre estavam abertas,
Porém nos visitava apenas o primo criador de porcos
que nos trazia de presente
preguiçosos gatos
que às vezes abriam seus olhos
para que pudéssemos ver passar por suas pupilas
cortejos de bodas caipiras.
O sacerdote havia morrido
e todo ramo de mirta murchava.
Tínhamos três filhas
descalças e silenciosas como a beladona.
Recolhiam ervas
e nos falavam para dizer
que um ginete as levaria
a cidades cujos nomes nunca conheceríamos.
Mas nos revelaram o conjuro
com o qual as abelhas
saberiam que éramos seus amos
e o moinho
nos daria trigo
sem permissão do vento.
Nós esperamos nossos filhos
cruéis e fascinantes
como falcões na mão do caçador.

Thursday, August 09, 2007

UM POETA DA VENEZUELA

LA TROMPETA CULPABLE
Gabriel Jiménez Emán
Hace una semana o tal vez más,
quizá hace dos, o un mes
sueño que toco la trompeta.
Una mujer me dice que no puede ser
que ella jamás imaginó un sonido tan sublime.
Pero yo la toco otra vez
y le demuestro que los sonidos salen
como flujo magnético
metiéndose en el almuerzo
y provocando exclamaciones
en los demás asistentes.
Mis dedos en los pistones
son pequeñas serpientes doradas.
Alguien que no veo me aplaude,
después mi mujer me golpea con una cuchara,
luego mi hijo me dice que le duele
el oído.

Yo sigo hasta formar parte de un conjunto
famoso por beber whisky en los ensayos.
después llega mi madre y me reprende
me dice que voy a despertar a los muertos de la cuadra.

Mi trompeta va a dar a su estuche de felpa.

Entonces la primera mujer me vuelve a decir
que ella no lo cree
que yo estoy soñando y que ella sin embargo
me ama.
Yo me despierto cansado,
viendo a mi almohada asustada
arañándome la cara.

A TROMPETA CULPADA

Faz uma semana ou talvez mais,
talvez duas, ou um mês
que sonho que toco trompete.
Uma mulher me diz que não pode ser
que jamais imaginou um som assim tão sublime.
Porém volto a tocar
e demonstro que os sons saem
como um fluxo magnético
que se mete no almoço
e que provoca exclamações
nos outros ouvintes.
Meus dedos nos pistões
são serpentes douradas pequenas.
Alguém que não vejo me aplaude,
Depois minha mulher me golpeia com uma colher,
logo meu filho me diz que lhe fere
os ouvidos.

Eu sigo até fazer parte de um conjunto
famoso para beber uísque nos ensaios.
Depois minha mãe me repreende
Dizendo que vou despertar os mortos do bloco.

Meu trompete está indo para sua caixa de feltro.

Então a primeira mulher volta para me dizer
que não crê que estou sonhando e não obstante
me ama.
Eu acordo cansado,
vendo minha almofada assustada
me arranhando o rosto.

Tuesday, August 07, 2007

UM POETA DO HAITI


AGITER AVANT UTILISATION

George Castera


jusqu’à l’aube
hermétique de la pierre
je te livre à l’abandon
des ponctuations
à l’affût des dissonances

la connivence du vent
dans ma passion

l’éternité nous dénude

AGITE ANTES DE USAR

Até o alvorecer
hermético da pedra
te entrego ao abandono
das pontuações
à espreita das dissonâncias

na conivência do vento
da minha paixão

a eternidade nos desnuda.

Monday, August 06, 2007

A SOLIDÃO É UMA FERA

TRISTE LAMENTO

É quase ontem em mim
Quando não sei de ti.Temo olhar no espelho
Os cabelos brancos,
Os dedos, inúteis .
Os braços, o peito, como o olhar, vazios,
Depois de tanto tempo
Sem finalidade.

Escondo o sabor amargo da saudade,
O tremor dos lábios,
A solidão dos dias sem movimento
Que cabem num poema também lento,
Triste lamento.

A pouca fé que resta
Lembra da festa,
Do prazer, do sexo glorioso,
Que ficou para trás.

E tudo, hoje, tem um gosto insípido de nunca mais.

Sunday, August 05, 2007

E DE SAUDADES VOU MORRENDO....

CONSTATAÇÃO

Ah! Se tu estivesses aqui, agora,
Nem que fosse uma meia-hora
Como o tempo se desfaria no ar
Com esta saudade que não vai passar.
Se estivesses aqui ao meu alcance
Nesta manhã chuvosa...que belo lance!
Nós dois seríamos muito mais felizes
Rememorando os acertos e deslizes
Na cumplicidade que nunca se desfez
O prazer teria seu momento e vez
E apagaria toda esta imensa dor
Se expressando, como sempre, em amor

Hoje, que nem imagino onde estais,
Imito a chuva e choro muito mais
Enquanto o mundo minha dor ignora
E até a dor o tempo leva embora...

BOA POESIA PARA DOMINGO


AT THE BALL GAME

William Carlos Wiliam

The crowd at the ball game
is moved uniformly

by a spirit of uselessness
which delights them-

all the exciting detail
of the chase

and escape, the error
the flash of genius-

all to no end save beauty
the eternal-

So in detail they, they crowd,
are beautiful

for this
to be warned against

saluted and defied-
It is alive, venomous

it smiles grimly
its words cut-

The flashy female with her
mother, get it-

The Jew get it straitght-it
is deadly, terrifying-

It is the Inquisition, the
Revolution

It is beauty it itself
that lives

Day by day in them
idly-


This is
the power of their faces

It is summer, it is the solstice
the crowd is

cheering, the crowd is laughing
in detail

permanently, seriously
without thought

No Jogo de Futebol

No jogo de futebol a torcida
Se move entusiasmada

Pelo espírito da inutilidade
Que a todos delicia-

Da excitante visão
Da perseguição da bola

E dos dribles, dos erros,
Do lampejo de gênio-

Tudo sem outro fim que não a beleza
Eterna de uma jogada-

Assim, no conjunto, as torcidas
São belas

Por isto
Convém nos prevenirmos contra

Sua força oculta na aparente fraqueza-
Ela vive e sua beleza é perigosa

Alegremente faz olá,
Mas suas palavras ferem

A bela mulher ao lado
De sua mãe, entende isto-

O judeu entende, de imediato-
Seu poder mortal, aterrador-

É a Inquisição, a
Revolução

É a própria beleza
Que emana

Minuto a minuto
Na sua força ociosa-

Este é o poder
Que mostram os rostos-

No calor, no apogeu
Da torcida

Que gritando, na alegria, explode
Inconsciente,

Uníssona e dioniásica
De um grito de gol!