Friday, March 16, 2018

Outra poesia de Pino Ojeda Quevedo



TE BUSQUÉ POR LOS SUEÑOS 

Pino Ojeda Quevedo 

Te busqué por la tierra, por largos
pasillos de seres. Te busqué por las noches,
por calles y sombras, por quietas esquinas
agudas. Te busqué por los días. Nadie
con carne y tacto me descubría tu nombre.
Te busqué por los bosques: altas miradas
rodaron por copas, por ramas, por quietas
palmeras, por viejos pinos lejanos. Pero nada,
nada tenía escrito tu nombre.
Te busqué por las hojas sobre vientres
de campos morenos. Te busqué por los trigos,
por valles y praderas de lirios, por montañas,
por fuentes. Por cada sendero oculto
iba gritando tu nombre.
Te busqué por los mares, por frágiles
barcas de marineros mojados. Te busqué
por algas, por peces, por rocas agudas,
por olas y anchas playas doradas.
Te busqué más abajo, en lo hondo, entre
viejas astillas de barcos remotos. Olvidadas
cartas marinas no decían tu nombre.
Te busqué por estrellas, por nubes,
por albas, por quietos celajes. Te busqué
por los aires, por la luna callejera,
por locas primaveras saltando.
Te busqué por el tiempo, por los siglos:
fríos cementerios no tenían tu nombre.
Te busqué por un signo, un signo de ave
y nadie, nadie podría encontrarte.
Te busqué por los sueños:
por los sueños, tú me estabas esperando.

TE BUSQUEI PELOS SONHOS

Te busquei pela terra, por largos
corredores de seres. Te busquei pelas noites,
através de ruas e sombras, por quietas esquinas
afiadas. Te busquei pelos dias. Ninguém
Com carne e tato, me descobria teu nome.
Busquei por florestas: altos olhares
rolaram pelas copas, pelos ramos, por quietas
palmeiras, por velhos pinheiros distantes. Porém, nada,
nada tinha escrito o teu nome.
Te busquei pelas folhas, pelos ventres
de campos escuros. Te busquei pelos trigos,
por vales e prados de lírios, por montanhas,
por fontes. Por cada caminho oculto
ia gritando teu nome.
Te busquei pelos mares, por frágeis
barcos de marinheiros molhados. Te busquei
por algas, por peixe, por pedras afiadas,
por ondas e largas praias douradas.
Te busquei mais abaixo, no fundo, entre
velhas aparas de navios remotos. Esquecidas
cartas marinhas não diziam seu nome.
Te busquei por estrelas, por nuvens,
por amanheceres, por quistos céus enevoados. Te busquei
pelos ares, por uma lua rueira,
por loucas primavera saltando.
Te busquei pelo tempo, pelos séculos:
trios cemitérios não tinham teu nome.
Te busquei por um sinal, um sinal de pássaro
e ninguém, ninguém podia encontar-te.
Te busquei pelos sonhos:
e pelos sonhos, tu estavas me esperando.


Outra poesia de Rodolfo Häsler


VISIÓN DEL MERCADO                  

Rodolfo Häsler

(para Conchi Jubany)

Lo único que nos detendrá, te dije, será la visita
al mercado de Algeciras.

El mar, que aparece sin ser visto,
es un reino de fuerza que se asienta en la cabeza
y tiene el color potente de una aguamarina.

Recorremos un camino de aceitunas moradas,
limones cortados que salpican el rostro,
cestos de higos secos que esconden el áspid,
carne de pez espada donde gime el corazón.

Poco antes de abrir los ojos
el gesto de tus manos entre el pescado
me eleva en el espacio con la plenitud
de un ángel sobreviviente.

VISÃO DE MERCADO

(para Conchi Jubany)

A única coisa que vai nos deterá, te disse, será a visita
ao mercado de Algeciras.

O mar, que aparece sem ser visto,
é um reino de força que se assenta na cabeça
e tem a cor potente de uma água marinha.

Percorremos um caminho de azeitonas roxas,
limões cortados que salpicam o rosto,
cestos de figos secos que escondem as áspides,
carne de peixe-espada onde geme o coração.

Pouco antes de abrir os olhos
o gesto de suas mãos entre os peixes
me eleva ao espaço com a plenitude
de um anjo sobrevivente.



Ilustração: blogdRuta.com.

Uma poesia de Rodolfo Häsler


VISIÓN DEL CÁLAMO                                             

Rodolfo Häsler

(para Blanca Andreu)

Me hallo en un esmerado jardín
con dos cipreses lanceolados, un melocotonero
en flor y una fuente. En su perfección lo tomo
por un huerto persa. Mientras contemplo
ensimismado la eclosión de una rosa
una voz me devuelve a la belleza del vergel,
una extraña voz, voz hermafrodita: toma el cálamo
y escribe, toma el cálamo y escribe cuanto sabes.

VISÃO DO CÁLAMO

(para Blanca Andreu)

Me encontro em um esmerado jardim
com dois ciprestes em forma de lança, uma árvore de pessegueiro
em flor e uma fonte. Na sua perfeição, o tomo
por um jardim persa. Enquanto contemplo
ensimesmado a eclosão de uma rosa
uma voz me devolve a beleza do pomar,
uma voz estranha, voz hermafrodita: pegue o cálamo
e escreva, pegue o cálamo e escreve o quanto sabes.

Ilustração: Divagar sobre tudo um pouco – Blogspot.

Uma poesia de Russel Edson


ANGELS                       

Russell Edson

They have little use. They are best as objects of torment.
No government cares what you do with them.

Like birds, and yet so human . . .
They mate by briefly looking at the other.
Their eggs are like white jellybeans.

Sometimes they have been said to inspire a man
to do more with his life than he might have.
But what is there for a man to do with his life?

. . . They burn beautifully with a blue flame.

When they cry out it is like the screech of a tiny hinge;
the cry of a bat. No one hears it . . .

ANJOS

Eles têm pouco uso. Eles são melhores como objetos de tormento.
Nenhum governo se importa com o que você faz com eles.

São como pássaros, e ainda tão humanos. . .
Eles se casam olhando brevemente para o outro.
Seus ovos são como jujubas brancas.

Às vezes, eles têm falado para inspirar um homem
para fazer mais com a vida do que ele poderia ter.
Mas, o que há para um homem fazer com sua vida?

. . . Eles queimam lindamente com uma chama azul.

Quando choram, é como o grito de uma pequena dobradiça;
o choro de um morcego. Ninguém os ouve. . .

Ilustração: JW.org.

Uma poesia de R. S. Thomas


SORRY                           
R. S. Thomas

Dear parents,
I forgive you my life,
Begotten in a drab town,
The intention was good;
Passing the street now,
I see still the remains of sunlight.

It was not the bone buckled;
You gave me enough food
To renew myself.
It was the mind's weight
Kept me bent, as I grew tall.

It was not your fault.
What should have gone on,
Arrow aimed from a tried bow
At a tried target, has turned back,
Wounding itself
With questions you had not asked.


DESCULPE

Queridos pais,
Eu lhes perdoo por minha vida,
gerado em uma monótona cidade,
Sei que intenção era boa;
Passando pela rua agora,
Eu vejo que ainda há restos de luz solar.

Não era um pacote fechado;
Vocês me deram comida suficiente
Para me renovar.
Era o peso da mente
que me manteve curvado, enquanto eu crescia alto.

A culpa não foi de vocês.
O que deveria ter acontecido,
se a flecha  foi destinada a um arco marcado
e  o alvo marcado, por seu turno, voltou,
ferindo-se
com perguntas que vocês não tinham perguntado.

Ilustração: Vigilantes da Autoestima - UOL Blog.



Cançãozinha dos dias que se perderam

                                                                                 
Sei que sem te ver
os dias passam
mais longos e mais tristes
e a chuva, que persiste,
imita o meu coração,
na nevoa e na escuridão, 
que busca superar a tristeza
com uma bela canção
que garante que vais voltar
ainda que nunca tenhas ido
porque todo este tempo sem ti
não existe ou foi perdido.

Ilustração: El Blog de Alakan

Friday, March 09, 2018

Uma poesia de Cecilia Vicuña


PUESTA DE SOL                                     
 Cecilia Vicuña

El sol se pone en el horizonte
como un pan sobre la mesa.

Y el ocaso
no es un acaso
que prefiere decir
un o...
para dejar abiertos
los casos
que sucederán
al sol
al otro lado
del ocaso?

O sol se põe no horizonte
como um pão sobre a mesa.

POR DE SOL
E o ocaso
não é um acaso
que preferes dizer
um ou...
para deixar abertos
os casos que sucederam
ao sol
do outro lado
do ocaso?

Ilustração: olhares.sapo.pt

Outra poesia de Stephen Crane


Adicionar legenda
And you love me by

 Stephen Crane

And you love me

I love you.

You are, then, cold coward.

Aye; but, beloved,
When I strive to come to you,
Man's opinions, a thousand thickets,
My interwoven existence,
My life,
Caught in the stubble of the world
Like a tender veil-
This stays me.
No strange move can I make
Without noise of tearing
I dare not.

If love loves,
There is no world
Nor word.
All is lost
Save thought of love
And place to dream.
You love me?

I love you.

You are, then, cold coward.

Aye; but, beloved –

E VOCÊ ME AMA

E você me ama.

Eu te amo.

Você é, então, um frio covarde.

Sim; mas, amado,
Quando me esforço para ir até você,
As opiniões do homem, mil covardes,
Se intrometem na minha existência,
Minha vida,
Pega nos detritos do mundo
Como um véu macio -
Isto me mantém.
Nenhum movimento estranho posso fazer
Sem o ruido de rasgar
Não me atrevo.

Se o amor ama,
Não há mundo
Nem uma palavra.
Tudo está perdido
Salvar o pensamento de amor
E um lugar para sonhar.
Você
 me ama?

Eu te amo.

Você é, então, um frio covarde.

Sim; mas, amado -

Ilustração: Guia Avaré.


Uma poesia de Stephen Crane




Black riders came from the sea

Stephen Crane

Black riders came from the sea.
There was clang and clang of spear and shield,
And clash and clash of hoof and heel,
Wild shouts and the wave of hair
In the rush upon the wind:
Thus the ride of sin.


CAVALEIROS NEGROS VIERAM DO MAR

Cavaleiros negros vieram do mar.
Havia o tinir e o tinir de lança e escudo,
E o choque e o choque de cascos e calcanhares,
Gritos selvagens e uma onda de cabelo
Agitados pelo  vento:
Assim, a corrida do pecado.

Ilustração: Tomos de Sabedoria.

Thursday, March 08, 2018

Mais uma poesia de Alexis Gómez Rosa


SOLEDAD COLECTIVA                       
Alexis Gómez Rosa

Este poema cargado de voces
no es un árbol.
Lo he hallado en el aliento
de un perro callejero,
es un árbol,
que ignora el miserable lugar
de sus raíces.
(¡Fantástico¡
-cómo no ha de ser?).
Este poema
ha crecido a orillas del Harlen River
como un buen árbol,
-dicen que mueve
sus frutos y linternas en el vagón
de un silbido…
Esta voz,
estas negras palabras
que a nuestra casa regresan.
Me traslado a otro silencio.

SOLIDÃO COLETIVA

Este poema carregado de vozes
não é uma árvore.
O achei na respiração
de um cão vadio,
é uma árvore,
que ignora o miserável lugar
de suas raízes.
(Fantástico!
-como não há de ser?).
Este poema
cresceu nas margens do rio Harlen
como uma boa árvore,
- Dizem que move
seus frutos e lanternas no vagão
de um apito ...
Esta voz,
estas negras palavras
que a nossa casa regressam.
Me traslado para outro silêncio.

Ilustração:O Banquete de Edson. 

Wednesday, March 07, 2018

Vou me repetir...


É difícil, para mim, decorar (e até mesmo ler) os poemas que já fiz. Sempre me parecem faltar alguma coisa, então, quando releio algum e, nem sei explicar a razão, gosto, aproveito para me repetir. Nós, de qualquer forma, somos sempre repetitivos...

DO MODO CORRETO DE SER CRUEL 

Sim, meu bem,
Fui, sou e serei cruel contigo
Como os mais insensíveis verdugos.
Esparramarei chocolate no teu ventre, no umbigo,
Os teus seios cobrirei de doce
E os teus pés de vatapá 
Para toda te lambuzar 
E toda, toda te chupar 
Com a volúpia de um dragão.
E me perderei em ti, 
Como um barco no alto mar, 
Com a insensibilidade de quem 
A felicidade vai encontrar 
Em ser o mais cruel que se pode ser.  
E, depois de tudo, sem culpas ou pecados, 
Me vangloriarei da maldade 
De ter te amado 
Do modo mais suave, terno e cruel 
E, como amante malvado, 
Ter experimentado na terra
As delícias do céu! 

Ilustração: Amino Apps.