Monday, June 20, 2011

É o gosto do prazer


É teu mel, rainha

Hei de suavemente, meu desejo, te sussurrar
No ouvido palavras fortes e ternas
Morder-te toda no colo, nas coxas, pernas
Para sentir toda humidade te molhar.

Hei de te lamber e banhar com a saliva
De um cão para que odeies o que amas
Perdida nas minhas mãos, do prazer cativa.
A rendição externada no rigor de tuas mamas

Que minha língua na tua se intrometa
Como no teu clitóris a espada se arremeta
Como uma faca que encontra sua bainha.

Que, de joelhos, como se implorasse,
Que possas extrair o êxtase maior, rainha
De encher a boca de mel, se mel sobrasse!

Sunday, June 19, 2011

Ainda Anna Inés


¡Oh buen amor!

Anna Inés Bonnin

¡Oh, ternura divina siempre en llamas!
¡Oh buen amor, paciente, generoso!
Llegas a mí, brindándome reposo;
no me impones tu afán, porque me amas.

¡Oh ternura divina! De tus ramas
presiento el florecer maravilloso.
Tú quieres que yo sea fruto hermoso,
cosecha de tu huerto. Me reclamas.

Escucho conmovida la voz tuya.
Me llega triste; no le doy consuelo;
rechazo su dolor y su agonía.

Perdóname, Señor. Cuando destruya
las ansias que me clavan en el suelo,
entonces iré a Ti sin rebeldía.

Oh bom amor!

Oh, ternura divina sempre em chamas!
Oh amor bom, paciente, generoso!
Chegas a mim, brindando-me com repouso;
Não me imponhes teu desejo, porque me amas.

Ternura divina! De tuas ramas
Pressinto um florescer maravilhoso.
Tu queres que eu seja seu fruto formoso,
colheita de tua horta. Me reclamas.

Eu escuto comovido a voz tua .
Me chega triste; não te dou consolo;
Rejeito tua dor e tua agonia.

Perdoe-me, senhora. quando destruir
as ansias que me cravam ao solo,
Então irei a ti, sem rebeldia.

Ilustração: topdelivery.wordpress.com

Anna Inés Bonnin

No me dejes, amor, en la añoranza...

Anna Inés Bonnin

No me dejes, amor, en la añoranza.
Dame, por fin, seguro y alto vuelo.
Desarráigame, fíjame. Recelo
que aquí no lograré paz ni bonanza.

Mi sed inextinguible se abalanza
y busca un ancho río, paralelo
de un mísero y exhausto riachuelo.
¡Amor! Sacia mi sed; dame pujanza

para volcarte en molde sin orillas.
¿Por qué, por qué te ciñes y encastillas
cuando posees fuerza de coloso?

Quisiera derramar esta ternura,
que rebasa mi pecho, en la mesura
de un pecho inmensamente generoso.


Não me deixes, amor, na esperança ...

Não me deixes, amor, na esperança.
Dá-me, por fim, seguro e alto meio.
Desgarra-me, fixa-me. Receio
que aqui não lograrei paz nem bonança.

Minha sede insaciável se balança
e procura um rio largo, paralelo
de um miséro e exausto riachuelo.
Amor! Sacia minha sede, dá-me pujança

para levar-te a um mundo sem fronteiras.
Por quê, por quê te cinges e encastelas
quando possuis a força de um colosso?

Quisera derramar esta ternura
que excede do meu peito, na largura
de um peito imensamente generoso.

Hei um dia de amor e de desejo...


Doçura apimentada

Sei que comerás e beberás pimenta,
Minha bela e comovente criatura,
Na medida em que a quentura
e o ardor em ti são inseparáveis.
É verdade que nem precisavas
Da ajuda inútil de um pimentão
Que o vermelho em ti
É como uma segunda pele,
Como os teus ruivos cabelos
Que parecem feitos
Para embelezar o galope de cavalos ao vento...
Hei de um dia de amor e de desejo
Ser como uma malagueta em ti
Penetrando tão feroz e docemente
Que nos desfaremos como um pó
Em um só, em um só...
E ainda assim de pimenta-
Se isto te contenta!

Ilustração: Nymbopolis

Tuesday, June 14, 2011

É melhor viver assim



É melhor viver assim
Apaixonado e distante
Do que ser o melhor amante
Incompreendido e descontente.

É melhor viver assim
Amando quando se pode
Loucamente enamorado
Que viver mal lado a lado.

É melhor viver assim
Amando quando possível
Que viver qual vegetal
Todo dia sempre igual.

É melhor viver assim
Sendo feliz vez por outra,
Mas, com este amor tão feroz
Que sobrevive em nós

Fonte: http://poesiasdepietra.blogspot.com/

Das certezas do caminho


Convencido

Hei de dizer
Com prazer mal disfarçado
Ainda que me deixes amanhã:
“O túnel da vida atravessei
e sei,
se alguma coisa sei,
que o amor que tive tão pouco
me compensou dos uivos dos coiotes
e dos corvos que me rodeiam”.
E nada mais será preciso.

Ilustração: http://catarsispopayan.blogspot.com/

Sunday, June 12, 2011

Emily Dickinson


Presentiment is that long shadow on the lawn

Emily Dickinson


Presentiment is that long shadow on the lawn
Indicative that suns go down;
The notice to the startled grass
That darkness is about to pass.

O pressentimento é como uma longa sombra sobre o gramado

O pressentimento é como uma longa sombra sobre o gramado
Indicativo de que sol vem para baixo;
O aviso para a grama assustada
Que a escuridão está prestes a passar.

Ilustração: http://www.gramalinda.com.br/imagens/gramas/grama-esmeralda.jpg

Borges mais uma vez


El enamorado

Jorge Luiz Borges

Lunas, marfiles, instrumentos, rosas,
lámparas y la línea de Durero,
las nueve cifras y el cambiante cero,
debo fingir que existen esas cosas.
Debo fingir que en el pasado fueron
Persépolis y Roma y que una arena
sutil midió la suerte de la almena
que los siglos de hierro deshicieron.
Debo fingir las armas y la pira
de la epopeya y los pesados mares
que roen de la tierra los pilares.
Debo fingir que hay otros. Es mentira.
Sólo tú eres. Tú, mi desventura
y mi ventura, inagotable y pura.

O enamorado

Luas, marfins, ferramentas, rosas,
lâmpadas e as linhas de Dürer
os nove números e o cambiante zero,
devo fingir que existem estas coisas.
Devo fingir que no passado foram
Persépolis e Roma e que uma areia
sutil mediu a sorte da ameia
que os séculos de ferro desfizeram.
Devo fingir as armas e a pira
da epopéia e dos pesados mares
que roem da terra os pilares.
Devo fingir que existem outros. É uma mentira.
Só tu és. Tu, minha desventura
e minha felicidade, inesgotável e pura.

Joan Salvat-Papasseit


LA CASA QUE VULL

Joan Salvat-Papasseit

La casa que vull,
que la mar la vegi
i uns arbres amb fruit
que me la festegin.

Que hi dugui un camí
lluent de rosada,
no molt lluny dels pins
que la pluja amainen.

Per si em cal repòs
que la lluna hi vingui;
i quan surti el sol
que el bon dia em digui.

Que al temps de l'estiu
niui l'oreneta
al blanc de calç ric
del porxo amb abelles.

Oint la cançó
del pagès que cava;
amb la salabror
de la marinada.

Que es guaiti ciutat
des de la finestra,
i es sentin els clams
de guerra o de festa:
per ser-hi tot prest
si arriba una gesta.

A casa que quero

A casa que quero
É bem em frente ao mar,
Com árvores frutíferas,
Para me festejar.

Que tenha um caminho
Reluzente de gotas,
Não muito longe dos pinhos
Que amenizem a chuva

Que não me falte o repouso
De uma luz da lua suave e macia
E que, quando venha o sol,
Me diga, feliz, bom dia.

Que, nos tempos de estio,
Venham cantar os passarinhos
No branco de cal de um fino fio
Em contraste com o tom das abelhas.

Que escutando a canção
Do lavrador que cava
Sinta o gosto salgado
Que vem da brisa do mar.

Que se vigie a cidade
Desd’as janelas,
E se sinta os clamores
De guerra ou de festa:
Para se estar preparado
Que a vida é só esta!

Friday, June 10, 2011

Paolo Ruffilli


L’OGGETTO DEL PENSIERO

Paolo Ruffilli


E’ un’astrazione
e non un fatto:
l’oggetto
di un pensiero
un concetto
più che un sentimento
uno stato desiderato
inseguito dalla mente
eppure insoddisfatto
perduto prima
di averlo conquistato
e, dunque, mai goduto
(sempre sul punto
di essere... ) creduto
e delirato:
il senso del piacere.

O objeto do pensar


E uma abstração
e não um fato;
o objeto
de um pensar
um conceito
mais que um sentimento
um estado desejado
perseguido a partir da mente
e por isto insatisfeito
perdido antes
de ser conquistado
e, portanto, não gozado
(sempre próximo
de ser ... ) creio
e deliro:
o senso do prazer.

Wednesday, June 08, 2011

Poemas mal comportados


Índia

Ela chorava, ela gemia
E reclamava
Que bom mesmo é se doía
E mais pedia
E mais queria
Se descabelava, me mordia,
se mordia,
Queria mais, ela sempre mais queria,
Fosse noite ou fosse dia,
Me procurava e cada vez era uma agonia
E nunca que se contentava.
Me beliscava
E sempre ria
E me dizia:
-Eu sou é índia. Gosto é de selvageria.

Tuesday, June 07, 2011

Sir Walter Raleigh


Life

Sir Walter Raleigh


What is our life? A play of passion,
Our mirth the music of division,
Our mother's wombs the tiring-houses be,
Where we are dressed for this short comedy.
Heaven the judicious sharp spectator is,
That sits and marks still who doth act amiss.
Our graves that hide us from the setting sun
Are like drawn curtains when the play is done.
Thus march we, playing, to our latest rest,
Only we die in earnest, that's no jest.

Vida

O que é a nossa vida? Um jogo de paixão,
Nossa alegria uma divisão da música,
Os ventres das mães são casas de descanso,
Onde estamos vestidos para uma curta comédia.
O céu, um espectador judicioso e sagaz é,
Que se senta e marca ainda ao acaso o ato errado.
Nossas covas, que nos escondem do sol,
São como cortinas fechadas quando o jogo é feito.
Assim caminhamos nós, brincando, para o nosso último descanso,
Sómente que morremos de verdade, isto não é brincadeira.

Sunday, June 05, 2011

Todo amor é dor


Arquiteta moderna

Talvez no mundo lá fora
Outra mulher seja a minha,
Porém, nos meus pensamentos
Será que tu adivinhas
Quem é que me abraça o corpo
No leito me faz carinho?
Quem é que beija meu rosto,
Quem é que morde meu peito?
Quem é que me fala doce
Sobre um mundo já esquecido?
- És tu, dona dos meus olhos,
Senhora dos meus sentidos
Que docemente na cama
Me honra com seus gemidos
E que ao se perder me perde
De uma forma tão concreta
Que enche o mundo de magia
E de poesia, uma reta
Fazendo castelos de sonhos
Onde só há parca areia.
Tu és uma aranha melosa
Que faz um edifício ou uma teia
Com traços e perfume de rosas
E meu coração incendeia
Tornando a vida formosa.

Ilustração: http://www.amordealmas.com/2010/08/o-reconhecimento-medico-da-dor-de-amor.html

Jogos eróticos ou recordações juvenis


Brincar de amor

Embora a dureza da madeira tenha,
suave pode ser e, com jeito, vou
prender-te e te prensar, e todo o meu amor
e desejo, mais forte e teso que amarras em catapultas,
ou as cordas da guitarra em ti, eu vou,
meter até a sétima costela
até que sintas, minha bela,
o prazer enorme de gemer de amor.

Pablo de Rokha


Nocturno muy obscuro

Pablo de Rokha

La noche inmensa no resuena, estalla
como un bramido colosal, retumba
con un tremendo estruendo de batalla
que saliera de adentro de una tumba.

Fué un pedazo de espanto que restalla
o una convicción que se derrumba,
una doncella a quien violó un canalla
y una montura en una catacumba.

Calla con un lenguaje de volcanes,
como si un escuadrón de capitanes
galopara en caballos de basalto.

Porque el silencio es tan infinito
tan espantoso y grande como un grito
que cae degollado desde lo alto.


Noturno muito obscuro

A noite imensa não ressoa, estala
como um rugido colossal, retumba
com um tremendo estrondo de batalha
sair sairá de dentro de uma tumba.

Foi um pedaço de espanto que resvala
ou uma convicção que se derrama,
uma donzela a quem violou um canalha
e um monte sobre uma catacumba.

Cala com uma linguagem de vulcões
como se um esquadrão de capitães
galopando em cavalos de basalto.

Porque o silêncio é tão infinito
tão espantoso e grande como um grito
que cai degolado lá do alto.

Ilustração: http://leonardo-gothic-compositor.blogspot.com/2010/04/poema-goticofalsas-esperancas.html

Saturday, June 04, 2011

Ilumina-nos senhora


Se teus lábios não sabem o que dizer
me dá de teus olhos a alegria,
e enche o vazio das minhas mãos
com a tua pele tão macia.

Faz do que sonhei a água,
de uma realidade em que só (sou) rio.
Não cabe em quem colhe a rosa mágoa.
Usa-me, acende a chama, sou o teu pavio!

Poemas mal comportados


Nem de todo errado

Eu sempre errei mais do que devia..
E sempre tive a fantasia
de que quando o amor chegasse
não poderia errar.
Eu sei, meu bem, que errei de novo
e que, por mais que tente, tornarei a errar.
Não, não vou pedir para me perdoar.
Sei que você já amou homens perfeitos
e maravilhosos.
Pessoas muito mais capazes
de ter dar muito mais do que eu posso dar
e sem esta capacidade assim de errar tanto
e continuar a errar.
Mas, com todos os meus erros,
posso perguntar:
-Será que não é por ser tão errado
que sou tão feliz e apaixonado?

Ilustração: http://carlossimo.arteblog.com.br/15/

Friday, June 03, 2011

Pedro Salinas


Pensarte es tenerte

Pedro Salinas

¡Cómo me dejas que te piense!
Pensar en ti no lo hago solo, yo.
Pensar en ti es tenerte,
como el desnudo cuerpo ante los besos,
toda ante mí, entregada.
Siento cómo te das a mi memoria,
cómo te rindes al pensar ardiente,
tu gran consentimiento en la distancia,
y más que consentir, más que entregarte,
me ayudas, vienes hasta mí, me enseñas
recuerdos en escorzo, me haces señas
con las delicias, vivas, del pasado,
invitándome.
Me dices desde allá
que hagamos lo que quiero
-unirnos- al pensarte,
y entramos por el beso que me abres,
y pensamos en ti, los dos, yo solo.

Pensar em ti é te ter

Como me deixas que te pense!
Pensar em ti não faço sozinho, eu.
Pensar em ti é te ter,
como o corpo nu ante os meus beijos,
tudo para mim, entregue.
Sinto como se tu me dás a minha memória
como te rendes ao pensar ardente
o teu grande consentimento na distância,
e mais do que consentir, do que entregar,
me ajudas, vindo até mim, me ensinar
memórias sem esforço, a me fazer sinais
com as delícias, vivas, do passado,
convidativo.
Me dizes desde lá
que façamos o que eu quero
-unirmo-nos- em pensar-te,
e entramos pelo beijo que me abres,
e pensamos em ti, os dois, eu só.

Ilustração: http://pryibarros.blogspot.com/2011_02_01_archive.html

Antonio Machado


Noite de verano

Antonio Machado

Es una hermosa noche de verano.
Tienen las altas casas
abiertos los balcones
del viejo pueblo a la anchurosa plaza.
En el amplio rectángulo desierto,
bancos de piedra, evónimos y acacias
simétricos dibujan
sus negras sombras en la arena blanca.
En el cénit, la luna, y en la torre,
la esfera del reloj iluminada.
Yo en este viejo pueblo paseando
solo, como un fantasma.

Noite de verão

Numa formosa noite de verão
tinham as casas altas
abertas suas varandas,
do velho povoado a espaçosa praça.
No amplo retângulo deserto,
bancos de pedras, evônimos e acácias
simétricos desenham
suas negras sombras na areia branca.
No zênite, a lua, e na torre,
a esfera do relógio iluminada.
Eu neste velho povoado passeando
só, como um fantasma.

Ilustração: http://www.bhkleinsonhosprojetos.com.br/barinas---m-rida.htm
Pensarte es tenerte

Neruda por te querer...


Soneto LXVI

Pablo Neruda

No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.

Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.

Tal vez consumirá la luz de enero,
su rayo cruel, mi corazón entero,
robándome la llave del sosiego.

En esta historia sólo yo me muero
y moriré de amor porque te quiero,
porque te quiero, amor, a sangre y fuego.

Soneto LXVI

Não te quero senão porque te quero
e de querer-te a não querer-te chego
e de esperar-te quando não te espero
pula meu coração do frio ao fogo.

Te quero só porque é a ti que quero,
te odeio sem fim e a odiar te rogo,
e a medida de meu amor passageiro
é não te ver e te amar como um cego.

Talvez consumirá a luz de algum janeiro,
com seu raio cruel, meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego.

Nesta história só sou eu quem morro
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero, amor, a sangue e fogo.

Ilustração: http://dembiskipoesias.blogspot.com/2010/01/que-fogo-e-este.html

Poemas mal comportados


Homem objeto

Tua delicadeza é feita de unhas afiadas
que me arranham, cortam e me desenham
o corpo com linhas e riscos obscuros
no teu abraço de virgem e de serpente.

Nem tens cuidado com a pele delicada
ou pensas que as forças me acaba;
me sugas com a soberba dos deuses
e a voracidade das piores feras.

Já eras-me dizes- enquanto as mãos
febris querem extrair mais de onde não há
e a língua e os dentes se põem a passear
com um sorriso de quem há de tirar a última gota.

E só tenho como última lembrança antes do sono
o calor do teu desejo apaixonado e raivoso
se satisfazendo como pode sobre meu ser inerte
que adormece feliz de ser teu objeto.

Wednesday, June 01, 2011

Antonio Gala


Voy a hacerte feliz. Sufrirás tanto

Antonio Gala

Voy a hacerte feliz. Sufrirás tanto
que le pondrás mi nombre a la tristeza.
Mal contrastada, en tu balanza empieza
la caricia a valer menos que el llanto.

Cuánto me vas a enriquecer y cuánto
te vas a avergonzar de tu pobreza,
cuando aprendas -a solas- qué belleza
tiene la cara amarga del encanto.

Para ser tan feliz como yo he sido,
besa la espina, tiembla ante la rosa,
bendice con el labio malherido,

juégate entero contra cualquier cosa.
Yo entero me jugué. Ya me he perdido.
Mira si mi venganza es generosa.

Eu vou te fazer feliz. Sofrerás tanto

Eu vou te fazer feliz. Sofrerás tanto
que colocarás meu nome na tristeza.
Na tua balança mal ajustada começa
a carícia a valer menos que o pranto.

Quanto me vais enriquecer e quanto
tu vais te envergonhar de tua pobreza,
quando aprenderes- a sós- que a beleza
tem o rosto amargo do encanto.

Para ser feliz como tenho sido,
beijo o espinho, e tremo ante a rosa,
abençoado com o lábio ferido,

Joga-te inteiro contra qualquer coisa.
Eu inteiro me joguei. E já estou perdido.
Veja como minha vingança é generosa.

Ilustração: http://danielleosantos.blogspot.com/

Sara Huber


Nunca

Sara Huber

Nunca, nunca otros labios te besarán así;
ni unos ojos habrá que lloren de amor,
como he llorado, ni manos que, temblando,
se acerquen hasta ti con la ternura inmensa
con que yo me he acercado.
Ni corazón más claro ni dolor más fecundo
hallará la arrogancia de tu frente cansada,
ni un decir más sencillo ni un sentir más profundo
encontrarás de nuevo en la larga jornada.
Y cuando yo haya muerto y camines doliente,
evocando un nombre ante cada mujer,
como yo te llamaba, me llamarás, ferviente.
¡Y ya no podrá ser!

Nunca

Nunca, nunca outros lábios te beijaram assim;
nem olhos terão que chorem de amor
como chorei, nem mãos que tremendo,
se aproximem de ti com a ternura imensa
com as quais tenho te cercado.
Nem coração mais claro nem dor mais fecunda
encontrará a arrogância de teu rosto cansado
nem um dizer mais sensível nem um sentir mais profundo
encontraras novamente na longa jornada.
E quando estiver morto e caminhes chorosa ,
evocando um nome ante cada mulher,
como eu te chamava, hás de me chamar com fervor.
E já não poderá ser!

Ilustração: do blog "Confissões Insanas"

Sunday, May 29, 2011

Leopoldo Alas


Razón de amor

Leopoldo Alas

No es sólo la pasión de los abrazos,
la saliva, el aroma, el vértigo, los besos
o el plácido desvelo de la ausencia.

Mi amor es la fábula y la trama,
el relato interior que sigue a cada encuentro,
la glosa que acompaña los adioses,
el minucioso examen de las frases
y el eco que tu voz le pone a mi silencio.

Mi amor es ser feliz y no engañarme
anticipando el daño del negro desengaño,
cuando el sexo se esfume en el recuerdo
remoto y resentido de un orgasmo.
El consentir la calma en las mareas
y atesorar las horas y los días
de la fiesta de luz que celebramos,
del banquete voraz de los sentidos.

Y abolir la frontera de los cuerpos,
detenernos, subiendo la escalera,
a besarnos en todos los peldaños .

Razão do amor

Não é só a paixão dos abraços,
A saliva, o perfume, a vertigem, os beijos
ou a plácida vigília da ausência.

Meu amor é a fábula e a trama
o relato interior que se segue a cada encontro,
o brilho que acompanha os adeuses,
o minucioso exame das frases
e o eco que tua voz põe no silêncio.

Meu amor é ser feliz e não enganar-me
antecipando o dano do negro desengano,
quando o sexo se esvai na recordação
remota e ressentida de um orgasmo.
É consentir a calma nas marés
e entesourar as horas e os dias
da festa de luz que celebramos,
do voraz banquete dos sentidos.

E abolir as fronteiras dos corpos
nos detendo, subindo na escada,
a nos beijar em todos os degraus.

Ilustração: http://lucesysombras-sofia.blogspot.com/2010_07_01_archive.html

Arturo Camacho R.


Nada es mayor que tú: sólo la rosa...

Arturo Camacho R.

Nada es mayor que tú: sólo la rosa
tiene tu edad suspensa, ilimitada:
eres la primavera deseada,
sin ser la primavera ni la rosa.
Vago espejo de amor donde la rosa
inaugura su forma deseada,
absorta, inmensa, pura, ilimitada,
imagen, sí, pero sin ser la rosa.
Bajo tu piel de nube marinera,
luz girante tu sangre silenciosa
despliega su escarlata arborecida.
Nada es mayor que tú, rosa y no rosa,
primavera sin ser la primavera:
arpegio en la garganta de la vida.

Nada é maior que você: só a rosa

Nada é maior que você: só a rosa
tem sua idade suspensa, ilimitada:
és a primavera desejada,
sem sem ser a primavera nem a rosa.
Vago espelho de amor onde a rosa
inaugura a sua forma desejada
absorta, imensa, pura, ilimitada,
imagem, sim, porém, sem ser a rosa.
Sob sua pele de marinheira
luz circular teu sangue silenciosamente
desprega seu ramos vermelhos.
Nada é maior que você, rosa ou não rosa,
primavera sem ser primavera:
arpejo na garganta da vida.

Ilustração: http://poesiadelia.blogspot.com/2010/09/um-coracao-ferido.html

De volta Carlos Bousoño


Eres feliz

Carlos Bousoño

Eres feliz. Saber no quieras
lo que brilla en los ojos humanos.
Sonríe tú como mañana fresca,
como tarde colmada en su ocaso.
Porque eres eso, sí: la tarde pura
en que a veces yo mojo mis manos,
en que a veces yo hundo mi rostro.
¡La tarde pura en su placer dorado!
La savia dulce de la primavera,
toda la luz de la tarde en un cántico,
sube entonces feliz y presurosa
desde tu corazón hasta mis labios.

És feliz

És feliz. Saber não queiras
o que brilha nos olhos humanos.
sorria tu como a manhã refrescante,
como a tarde gloriosa em seu ocaso.

Porque és isto sim, a tarde pura
em que às vezes molhei minha mão,
em que às vezes afundo meu rosto.
A tarde pura em seu prazer dourado!
A doce seiva da primavera,
toda a luz da tarde num cântico,
sobe então feliz e pressurosa
, em seguida, corre
do teu coração para os meus lábios.

Ilustração: http://danielpolcaro.files.wordpress.com/2010/05/angelina-jolie-2817.gif

Carlos Bousoño



El amante viejo

Carlos Bousoño


¡Amabas tanto...! Acaso
con amargura, acaso con tristeza
lo dijiste. ¡Amabas tanto! En el espejo
viste tu faz que se iba haciendo vieja,

y tomaste a decir: «...amor...» Soñabas,
y en la alta noche silenciosa y queda,
lejos se oía lento el rumor manso
de un agua que pasaba mansa y lenta.

O velho amante

Amavas tanto ...! Talvez
com amargura, talvez com tristeza
o dissestes. Amavas tanto! No espelho
vi teu rosto, que estava se fazendo velho,

e tornaste a dizer: “... amor ..." sonhavas,
e na alta noite silenciosa e calma,
longe se ouvia lento o rumor manso
de uma água que passava mansa e lenta.

Ilustração: http://porentremontesevales.blogspot.com/2008/10/o-velho-da-horta.html

Tuesday, May 24, 2011

É claro que não preciso de ti...


Sobre o supérfluo

Eu não preciso de ti
Ainda que teu amor
Seja como a lava de um vulcão ou a água mansa
E me faça parecer que o mundo dança
Em êxtase uma canção de vida.
Eu não preciso de ti.
Repito desfolhando a margarida,
Um trevo em que procuro sorte,
Um livro em que procuro histórias
Que sejam assim tão grandes como a nossa.
Eu não preciso de ti
Mesmo que de meu pensamento
Tua imagem não se desloque um só momento
E mesmo quando durmo ainda sonho
Com o teu semblante tão risonho
Chegando para me amar.
Eu não preciso de ti
Reclamo ao vento que sorrateiro
Me traz teu perfume, a saudade,
Esta dor doce que ligeiro
Me enche da única verdade
De que és um supérfluo
Tremendamente essencial.

Ilustração: http://antondiego.blogspot.es/img/Superfluo.jpg

É preciso esta dor...


Antecipação

Não se precisa muito mais
que umas conversas, alguns risos, um beijo,
uns gestos de carinho, a ternura no olhar
para se gostar.
Mas, para se viver um grande amor,
é preciso esta dor
de mesmo na amarga distância
considerar que a vida é doce
somente porque existes
e, por mais que os dias longes sejam tristes,
a beleza persiste em saber
que há alguém com tanto amor
em algum lugar esperando para amar
e que a vida ainda será uma festa
quando nos teus braços me encontrar....

Ilustração: Arthur Cruzeiro Seixas

Outro mal comportadozinho


I wanna be a cockroach!

A verdade, meu amor, é uma só:
Desde que te vi virei barata.
Dizem que elas vivem
Nove dias sem cabeça
E, não se aborreça,
Porém, já fazem anos
Que vivo sem pensar.
E meu sangue,
Se sangue em mim há,
Só pode ser de barata
Porque não mais me maltrata
Nem a saudade
Nem o longo tempo
Sem te amar.

Ilustração: http://bioloblogmais.blogspot.com/2010_06_01_archive.html

Poemas mal comportados


Padrão desviado

Ela foi uma boa filha.
É a própria mãe maravilha
Pelo desvelo, o zelo, o carinho
Com que criou suas filhas.
Tão competente no trabalho
É louvada como se fosse o às do baralho.
É o que se pode chamar de funcionário padrão
Esteio e orgulho de qualquer patrão.
Seria um exemplar ideal
Da espécie feminina,
Caso fosse normal.
Não foi, não é, nunca será
Talvez seja genético,
Uns gens do Ceará ou do Pará.
E, apesar de toda esta loucura,
Que não tem cura,
Sou muito mais louco ainda
Porque na minha visão ela é linda
E só penso a toda hora em beijar
todo lugar desta mulher.

Sunday, May 22, 2011

Lizalde de volta


Bellísima

Eduardo Lizalde

Y si uno de esos ángeles
me estrechara de pronto sobre su corazón,
yo sucumbiría ahogado por su existencia
más poderosa.

Rilke, de nuevo

Óigame usted, bellísima,
no soporto su amor.
Míreme, observe de qué modo
su amor daña y destruye.
Si fuera usted un poco menos bella,
si tuviera un defecto en algún sitio,
un dedo mutilado y evidente,
alguna cosa ríspida en la voz,
una pequeña cicatriz junto a esos labios
de fruta en movimiento,
una peca en el alma,
una mala pincelada imperceptible
en la sonrisa...
yo podría tolerarla.

Pero su cruel belleza es implacable,
bellísima;
no hay una fronda de reposo
para su hiriente luz
de estrella en permanente fuga
y desespera comprender
que aun la mutilación la haría más bella,
como a ciertas estatuas.

De: La zorra enferma

Belíssima

Ouça-me você, belíssima,
não suporto o seu amor.
Olhe-me, observe como
seu amor dana e destrói.
Se você fosse um pouco menos bela,
se tivesse algum defeito em algum lugar,
um dedo mutilado e evidente,
um tom ríspido na voz,
uma pequena cicatriz junto a esses lábios
de fruta em movimento,
um defeito na alma,
uma má pincelada imperceptível
no sorriso
eu poderia tolerar.

Porém, sua beleza é implacável,
belíssima;
não há uma fresta de repouso
para sua contundente luz
de estrela em permanente fuga
e desespera compreender
que ainda que houvesse qualquer mutilação
somente a faria mais bela
como a certas estátuas.

Eduardo Lizalde


Recuerdo que el amor era una blanda furia...

Eduardo Lizalde

"Lo he leído, pienso, lo imagino;
existió el amor en otro tiempo."
Será sin valor mi testimonio.

(Rubén Bonifaz Nuño)

Recuerdo que el amor era una blanda furia
no expresable en palabras.
Y mismamente recuerdo
que el amor era una fiera lentísima:
mordía con sus colmillos de azúcar
y endulzaba el muñón al desprender el brazo.
Eso sí lo recuerdo.
Rey de las fieras,
jauría de flores carnívoras, ramo de tigres
era el amor, según recuerdo.
Recuerdo bien que los perros
se asustaban de verme,
que se erizaban de amor todas las perras
de sólo otear la aureola, oler el brillo de mi amor
—como si lo estuviera viendo—.

Lo recuerdo casi de memoria:
los muebles de madera
florecían al roce de mi mano,
me seguían como falderos
grandes y magros ríos,
y los árboles —aun no siendo frutales—
daban por dentro resentidos frutos amargos.
Recuerdo muy bien todo eso, amada,
ahora que las abejas
se derrumban a mi alrededor
con el buche cargado de excremento.

De: El tigre en la casa

Recordo que o amor era uma fúria branda ...

"Eu leio, penso, o imagino;
existia o amor em outro tempo.
Será sem valor meu testemunho”.

Rubén Bonifaz Nuño


Recordo que o amor era uma fúria branda
não expressável em palavras.
E a mesmamente recordo
que o amor era uma fera lentíssima:
mordia com seus dentes de açúcar
e adoçava o coto ao despedaçar o braço.
Isto eu recordo.
Rei das feras,
maço de flores carnívoras, buquê de tigre
era amor, se bem me recordo.
Recordo bem que os cães
se assustavam ao me ver,
que se eriçavam de amor todas as cadelas
ao verificar apenas a aura, o cheiro, o brilho do meu amor
-Como se o estivesse vendo.

Eu me recordo quase de memória:
os móveis de madeira
floresciam ao roçar de minha mão,
Me seguiam como crianças de colo
os magros e grandes rios,
e as árvores, mesmo não sendo de frutos,
davam ressentidos frutos amargos por dentro.
Recordo bem de tudo isto, amada,
agora que as abelhas
caem em torno de mim
com a barriga cheia de excrementos.

Sunday, May 15, 2011

Robayna de novo


El libro tras la duna II

Andrés Sánchez Robayna

Todo comienzo es ilusorio.
Todo comienzo es sólo un enlazarse
del principio y del fin en la cadena
del tiempo, es el instante
en que creímos ver el nacimiento
y el nacimiento es sólo un acto
de lo incesantemente renacido
—es decir, estas líneas semejan un comienzo
pero el comienzo surge a cada instante,
como la lluvia que esta tarde
vi caer sobre el mar
y esta tarde es tan solo una tarde del tiempo que renace
en un eterno recomienzo
y la lluvia y la tarde se han hundido en el tiempo
en el que ruedan siempre las nubes agolpadas
sobre los mármoles celestes

y la línea inicial es un comienzo
y la línea final será un comienzo.

O livro por trás da duna II

Todo começo é ilusório.
Todo começo é apenas um enlaçar-se
do princípio e do fim da cadeia
do tempo, é o momento
em que acreditamos ver o nascimento
e o nascimento é só um ato
do incessante renascer
-quer dizer, estas linhas semeiam um começo
porém, o início surge a cada instante
como a chuva desta tarde
vi cair sobre o mar
e esta tarde é tão só uma tarde do tempo que renasce
em um eterno recomeço
e a chuva e a tarde se fundiram no tempo
em que rodam sempre as nuvens apressadas
sobre os mármores celestes

e a linha inicial é um começo
e a linha final será um começo.

Um tema eterno


Foi Assim

O meu amor aconteceu
como acontece, em geral, o amor.
Como um passarinho veio,
de mansinho pousou
e, sem precisão, bicou meu coração
que despertou
e me deixou tão tolo, tão contente
tão feliz que, de repente,
me vejo assim fazendo versos para você.

Um tema singelo


A mesa e as frutas

As frutas soltas na mesa
parecem uma lição

do mundo sobre o método
e da feroz necessidade

de ter diversidade, mas,
com limites e organização.

Parecem mesmo pedir,
rogar por alguma mão

ou, quem sabe, uma cesta
que dê a cada um seu lugar

e traga para tudo ordem
que, em certas horas, é beleza.

Andrés Sánchez Robayna


Mesas y naranjas

Andrés Sánchez Robayna

las líneas de la mesa
interrumpidas por naranjas

dispuestas en un plano
sobre la luz del cuarto blanco

abajo el mar se tiende
bajo la mano de los elipses

la luz inunda el cuarto
y las naranjas se acumulan

sobre la luz que entra
y que se tiende en la blancura

de este cuarto y el plano
de las naranjas y la mesa

De "La roca" 1984

Mesas e laranjas

As linhas da mesa
interrompidas por laranjas

dispostas em um plano
sobre a luz do quarto branco

tende a seguir o mar abaixo
sob as mãos das elipses

a luz inunda o quarto
e as laranjas e acumulam

sobre a luz que entra
e que se estende na brancura

deste quarto e o plano
das laranjas e e da mesa

Friday, May 13, 2011

Beneditti outra vez


El infinito

Mario Benedetti

De un tiempo a esta parte
el infinito
se ha encogido
peligrosamente.

Quién iba a suponer
que segundo a segundo
cada migaja
de su pan sin límites
iba así a despeñarse
como canto rodado
en el abismo.

O infinito

De um tempo para cá
o infinito
se encolheu
perigosamente.

Quem iria supor
que segundo a segundo
cada migalha
de seu pão sem limites
iria, assim despedaçar-se
como um seixo que rola
no abismo.

Mario Benedetti


Sobrevivientes

Mario Beneditti

Cuando en un accidente
una explósion
un terremoto
un atentado
se salva cuatro o cinco
creemos
insensatos
que derrotamos a la muerte

pero la muerte nunca
se impacienta
seguramente porque
sabe mejor que nadie
que los sobrevivientes
tambien mueren


Sobreviventes

Quando num acidente
uma explosão
um terremoto
um atentado
se salvam quatro ou cino
acreditamos
insensatos
que derrotamos a morte

porém, a morte nunca
se impacienta
seguramente porque
sabe melhor que ninguém
que os sobreviventes
também morrem

Wednesday, May 11, 2011

Poemas mal comportados


Eu sou um cachorro sim!

Que todo homem é um cachorro-ela me disse.
Tentei argumentar que era tolice
E até apelar para Waldick Soriano em vão.
Tive que admitir que sou um cão
De tão fiel ao meu grande amor
Que chego ao ponto de ter o maior pavor
De perder seu apaixonado coração.
Me chame de cachorro que não me importo não.
Mas, não me deixe, por favor, não.
Que ficarei, eterno e manso cão
Lambendo, lambendo...a sua mão!

Ilustração: Site Bobagens

Poemas mal comportados


A melhor droga

Na vida se embriagar é uma necessidade.
Qual o seu tipo preferido? Sua verdade?
O vinho, o amor ou a prece, tanto faz.
O essencial é afogar a razão
Criar uma desculpa para o sentido vão.
É buscar a ilusão que nos satisfaz
Porque até mesmo a religião é uma droga
Que, por meio de preces, a embriagues roga
E o amor acaba, como o álcool, sendo
Só um meio do medo se ir vencendo
Para quem na vida precisa de um esteio.
Vem, amor, me beija, que me beijar
Como tudo na vida é apenas um meio
De provar que é preciso se embriagar.

Ilustração: falarica.blogspot.com

Sunday, May 08, 2011

Borges mais uma vez


El enamorado

Lunas, marfiles, instrumentos, rosas,
lámparas y la línea de Durero,
las nueve cifras y el cambiante cero,
debo fingir que existen esas cosas.
Debo fingir que en el pasado fueron
Persépolis y Roma y que una arena
sutil midió la suerte de la almena
que los siglos de hierro deshicieron.
Debo fingir las armas y la pira
de la epopeya y los pesados mares
que roen de la tierra los pilares.
Debo fingir que hay otros. Es mentira.
Sólo tú eres. Tú, mi desventura
y mi ventura, inagotable y pura.

O enamorado

Luas, marfins, ferramentas, rosas,
lâmpadas e as linhas de Dürer
os nove números e o cambiante zero,
devo fingir que essas existem coisas.
Devo fingir que no passado foram
Persépolis e Roma e que uma areia
sutil mediu a sorte de uma ameia
que os séculos de ferro desfizeram.
Devo fingir as armas e a pira
da epopéia e dos pesados mares
que roem da terra os pilares.
Devo fingir que existem outros. É uma mentira.
Só tu és. Tu, minha desventura
e minha felicidade, inesgotável e pura.

Borges


Despedida

Jorge Luiz Borges

Entre mi amor y yo han de levantarse
trescientas noches como trescientas paredes
y el mar será una magia entre nosotros.
No habrá sino recuerdos.
¡Oh tardes merecidas por la pena!
Noches esperanzadas de mirarte,
campos de mi camino, firmamento
que estoy viendo y perdiendo....
Definitiva como un mármol
entristecerá tu ausencia otras tardes.

Despedida

Entre meu amor e eu hão de levantar-se
trezentas noite como trezentas paredes
e o mar será uma magia entre nós.
Não haverá senão recordações.
Oh! Tardes merecidas como penas!
Noites esperançosas de te olhar,
campos do meu caminho, firmamento
que estou vendo e perdendo...
Definitiva como um mármore
tua ausência entristecerá outras tardes.

César outra vez


Algo secreto

César Simon
A Federico Chopin

Hay en tu vida algo secreto;
es una noche en una casa,
los balcones abiertos al jardín.
En las habitaciones ya no hay nadie,
y, fuera, sólo luz lunar.
Pero el piano suena quedamente
con una melodía muy antigua,
tan antigua que nunca ha enmudecido.
Un pájaro es quien canta, hay una rosa
y hay una espina, en el balcón.
Tú eres el pájaro que canta.
Tu voz es inmortal, porque no es tuya.
y tu carne es efímera y doliente.

De "Templo sin dioses" 1996

Algo secreto

Há em tua vida algo secreto;
uma noite em uma casa
as varandas abertas sobre o jardim.
Nos quartos não há ninguém,
e, lá fora, somente o luar.
Porém, o piano soa mansamente
com uma melodia muito antiga,
tão velha que nunca se acabou.
Um pássaro é quem canta, há uma rosa
e há um espinho na varanda.
Tu és o pássaro que canta.
Tua voz é imortal, porque não é tua.
e tua carne é efêmera e dolente.

César Simon


Vientos

César Simon

Sé que meditas. Pero ven,
saca la testa del rebozo
de oscuras lanas y arpilleras.
Mira esa leve sombra, oye el portazo
-sobre el desnudo- de los vientos.

De "Estupor final" 1971 - 1977

Ventos

Sei que tu meditas. Porém, vem,
toma da cabeça o xaile
de lã escura e serrapilheiras.
Veja esta leve sombra, ouve a porta bater
-sobre o nu-dos ventos.

Wednesday, May 04, 2011

Júlio César Pol


Catapulta
Júlio César Pol

Y descubrirnos esa vieja tecnología en los sexos. /
A rudos tropiezos adentramos pies y manos / a ese
acre olor de eras / a esa oscura cabina de poca luz. /
Y tensamos con fuerza instrumentos. / Quebramos
engranajes. / Movimos con desespero ejes oxidados
/ y nos afanamos en la torpeza; / nos descubrimos en
la torpeza / tanteando a oscuras manuales: / el braille
en los poros que no entendimos. /Así de inexpertos /
nos decidimos a correr la máquina / que nos arrastró
por vicios / y entrecuerpos.

Catapulta

E descobrimos essa velha tecnologia nos sexos. /
a rudes tropeços enfiamos pés e mãos / a esse
acre odor de eras/a essa obscura cabine de pouca luz./
E tensionamos com força os instrumento. / Quebramos
engrenagens. / Movemos com desespero os eixos oxidados
/e nos esforçamos na torpeza; nos descobrimos
na torpeza / tateando em escuros manuais; / o braille
nos poros que não entendemos. / Assim como inexperientes /
nos decidimos a mover a maquina / que nos arrastou
por vícios / e entrecorpos.

Felizinha!


Há loucuras das quais não se pode fugir
E, desde que te conheço,
Ando a rir como um demente
E, se isto é ser louco,
Estou louco de contente
E nem ligo se me apontam:
-Tão felizinha!
Podem zombar da minha loucura
tão doce, tão minha.
A lógica é só uma luzinha
E todo o prazer que tenho
Vem das sombras que ela tem
E deste meu imenso querer bem.

Sunday, May 01, 2011

Ainda Cristina Maya

Presencia

Cristina Maya

Todo lo llena tu presencia:
lo distante y lo próximo,
lo pequeño y lo grande,
el delicado nudo de los sueños.
El mundo es una larga huella tuya
y yo piso la tierra
desterrando el olvido.

Presença

Tudo está pleno de tua presença:
o distante e o próximo,
o pequeno e o grande
o delicado ninho dos sonhos.
O mundo é uma seqüência longa tua
e eu piso a terra
desterrando o esquecimento.

Cristina Maya


Tras tu sombra

Cristina Maya


Transfigurado en una luz más pura,
en ese límite soñado
que contemplamos juntos,
invencible en tu mundo y sublimado
surges en mi recuerdo como un símbolo.
¿En qué lugar, qué puerto,
qué territorio habitarás ahora?
Vivo por ti, viviendo tras tu sombra
y en el continuo miedo de perderte,
de no encontrar la ruta,
de dar mil vueltas
en la ilusión frenética del tiempo.
Tiembla la noche de mi insomnio,
¿qué país es el tuyo?
¿A dónde habrás viajado
desafiando las sombras?
Sólo sé que me adentro
sutilmente en la ausencia,
en un mundo impreciso que no tiene salida,
donde voy sumergiéndome
hondamente a tu lado.

Depois de tua sombra

Transfigurado na luz mais pura,
nesse limite sonhado
que contemplamos juntos,
invencível em teu mundo e sublimado
surges em minha memória como um símbolo.
Em que lugar, em que porto,
que território habitarás agora?
Vivo por ti, vivendo atrás da tua sombra
e com o medo constante de perder-te,
de não encontrar a rota,
de dar mil voltas
na ilusão frenética do tempo.
Treme a noite de minha insônia,
Que país é o teu?
Para onde tu viajastes
desafiando as sombras?
Só sei que me adentro
sutilmente na ausência
em um mundo impreciso que não tem saída,
onde estou submergindo
profundamente a teu lado.

Amor e risco


Não pense que te esqueço!
Não há possibilidade de te esquecer,
Enquanto o meu coração bater,
Enquanto houver em mim
Este desejo que me impele a pensar em ti
E me arrepia a pele e me faz sonhar.
Se, muitas vezes, mergulho no silêncio;
Se parece que nem me importo
Onde andas, onde estais,
É que meu coração precisa de alguma paz.
É que este fogo que me queima
Me faz querer muito mais do que eu posso dar,
Enfim, meu amor, é que não posso correr o risco
De morrer de tanto amar!
Ilustração: advola.blogspot.com