Thursday, September 15, 2011

Miguel Hernández


TODO ESTÁ LLENO DE TI

Miguel Hernández

Aunque tú no estás, mis ojos
de ti, de todo, están llenos.
No has nacido sólo a un alba,
sólo a un ocaso no he muerto.
El mundo lleno de ti
y nutrido el cementerio
de mí, por todas las cosas,
de los dos, por todo el pueblo.
En las calles voy dejando
algo que voy recogiendo:
pedazos de vida mía
perdidos desde muy lejos.
.
Libre soy en la agonía
y encarcelado me veo
en los radiantes umbrales,
radiantes de nacimientos.
Todo está lleno de mí:
de algo que es tuyo y recuerdo
perdido, pero encontrado
alguna vez, algún tiempo.
Tiempo que se queda atrás
decididamente negro,
indeleblemente rojo,
dorado sobre tu cuerpo.
Todo está lleno de ti,
traspasado de tu pelo:
de algo que no he conseguido
busco entre tus huesos.

Tudo está pleno de ti

Ainda que tu não estejas, meus olhos
de ti, de todo estão plenos.
Não nasceu nem uma manhã
nem um só sol se deitou.
O mundo pleno de ti
e nutrido o cemitério
de mim, por todas as coisas,
dos dois, por todas as pessoas.
Nas ruas eu vou deixando
algo que vou recolhendo:
pedaços da minha vida
perdidos muito distante.

Livre sou na agonia
e encarcerado me vejo
nos radiantes umbrais,
radiantes de nascimentos.
Tudo está cheio de mim
de algo que tiver e recordo
perdido, porém, encontrado
alguma vez, em algum
tempo que ficou atrás
decididamente negro,
indelevelmente vermelho
dourado sobre teu corpo.
Tudo está pleno de ti,
repleto de teus cabelos:
de algo que não consegui
e que busco entre teus ossos.

Tuesday, September 13, 2011

Outra vez Eliseo Diego


CANCIÓN PARA TODAS LAS QUE ERES

Eliseo Diego

No solo el hoy fragante de tus ojos amo
sino a la niña oculta que allá dentro
mira la vastedad del mundo con redondo
azoro, y amo a la extraña gris que me recuerda
en un rincón del tiempo que el invierno
ampara. La multitud de ti, la fuga de tus horas,
amo tus mil imágenes en vuelo
como un bando de pájaros salvajes.
No solo tu domingo breve de delicias
sino también un viernes trágico, quien
sabe, y un sábado de triunfos y de glorias
que no veré yo nunca, pero alabo.
Niña y muchacha y joven ya mujer,
tu todas, colman mi corazón, y en paz las amo.

Canção para todas que és

Não só, é hoje, flagrante que os teus olhos amo
como também a menina oculta lá dentro
que olha para a vastidão do mundo, com um olhar redondo,
confuso, e eu amo o cinza estranho que me lembra
um pedaço do tempo de inverno.
Amparo. A multidão de ti, a fuga de tuas horas,
amo as tuas mil imagens em vôo
como um bando de pássaros selvagens.
Não só teu domingo, breve de delícias,
mas, também a sexta-feira trágica, quem
sabe, e um sábado de triunfos e glórias
que não verei eu nunca, porém, louvo.
a menina e a moça e a jovem e a mulher,
tu, que és todas, enche meu coração e, em paz, as amo.

Ilustração: http://maisfilme.blogspot.com/2011/01/grande-menina-pequena-mulher.html

Sunday, September 11, 2011

Lina Zerón


CALENDARIO

Lina Zerón

Entre gritos y suspiros aprehendí tu alfabeto.
Hiedra en el muro
me sustento.
Construí secretos pasadizos hacia ti.
A mi acantilada soledad le diste aliento,
pasión a mis indescifrables instintos,
dicha a mis trozos de invierno.
Fui presente que tu boca delineó en el paraíso,
en el pasado tu cuerpo agua fue en mi cuerpo,
de tristezas compartidas construimos un futuro.
Hoy emergen los murmullos...
calendario de recuerdos.
zumbido de la abeja.

Calendário

Entre gritos e suspiros aprendi teu alfabeto.
Erva no muro
Me sustento.
Construi secretos paraísos até a ti.
A minha acantonada solidão destes alento,
Paixão a meus indecifráveis instintos,
Sorte a meus pedaços de inverno.
Fui presente que tua boca desenhou no paraíso,
No passado teu corpo foi água no meu corpo,
De tristezas compartilhadas construímos um futuro.
Hoje emergimos dos murmúrios....
Calendário de recordações.
Zumbido de abelha.

Ainda Eliseo Diego


CALMA

Eliseo Diego

Este silencio,
blanco, ilimitado,
este silencio
del mar tranquilo, inmóvil,

que de pronto
rompen los leves caracoles
por un impulso de la brisa,

Se extiende acaso
de la tarde a la noche, se remansa
tal vez por la arenilla
de fuego,

la infinita
playa desierta,
de manera

que no acaba,
quizás,
este silencio,

nunca?

Calma

Este silencio,
branco, ilimitado,
este silencio
do mar tranqüilo, imóvel,

Que de pronto
rompe os leves caracóis
por um impulso da brisa,

Se estende acaso
da tarde a noite, se remansa
talvez pelas areiazinhas
de fogo,

A infinita
praia deserta,
de maneira

Que não acaba,
talvez,
este silencio,

nunca?

Eliseo Diego


TESTAMENTO

Eliseo Diego

Habiendo llegado al tiempo en que
la penumbra ya no me consuela más
y me apocan los presagios pequeños;

habiendo llegado a este tiempo;

y como las heces del café
abren de pronto ahora para mí
sus redondas bocas amargas;

habiendo llegado a este tiempo;

y perdida ya toda esperanza de
algún merecido ascenso, de
ver el manar sereno de la sombra;

y no poseyendo más que este tiempo;

no poseyendo más, en fin,
que mi memoria de las noches y
su vibrante delicadeza enorme;

no poseyendo más
entre cielo y tierra que
mi memoria, que este tiempo;

decido hacer mi testamento.

Es este:
les dejo

el tiempo, todo el tiempo.

Testamento

Tendo chegado ao tempo
em que as penumbras já não me confortam mais
E me apoucam os presságios pequenos;

tendo chegado neste momento;

como, às vezes, as sementes de café
se abrem, de repente, para mim agora
as suas redondas formas amargas;

tendo chegado neste momento;

e perdida toda a esperança de
alguma merecida ascensão, de
ver o fluir sereno da sombra;

e não possuindo mais do que este momento;

não possuindo mais, finalmente,
que minha memória das noites e
e sua vibrante e enorme delicadeza;

não possuindo mais,
entre o céu e a terra que
minha memória, que este tempo;

decidi fazer meu testamento.

É este:
lhes deixo

o tempo, todo o tempo.

Miguel Arteche Salinas


DAMA

Miguel Arteche Salinas

Esta dama sin cara ni camisa,
alta de cuello, suave de cintura,
tiene todo el temblor de la hermosura
que el tiempo oculta y el amor desliza.
Esta dama que viene de la brisa
y el rango lleva de su propia altura,
tiene ese no sé qué de la ternura
de una dama sin fin, bella y precisa.
Aunque esta dama nunca duerma en cama
parece dama sin que sea dama
y domina desnuda el mundo entero.
Esta dama perdona y no perdona.
Y para eso luce una corona
esta dama que reina en el tablero.

Dama

Esta dama sem rosto nem camisa,
Alta de colo, suave de cintura,
Tem todo o esplendor da formosura
Que o tempo oculta e o amor desliza.
Esta dama que flutua com a brisa
E tem o tamanho de sua própria altura,
Tem este não sei o quê da ternura
De uma dama sem fim, bela e precisa.
Ainda que esta dama nunca durma na cama
Parece uma dama sem que seja dama
E domina desnuda o mundo inteiro.
Esta dama perdoa e não perdoa.
E para isto ilumina uma coroa
Esta dama que reina no tabuleiro.

Friday, September 09, 2011

Paolo Ruffilli


L’INTANTO

Paolo Ruffilli

L’origine segreta
la fessura
la scaturigine
la fonte, di un proiettarsi
al meglio, al positivo.
In ciò che, stante,
creduto per durare
diventa poi stato
inamovibile cessato.
Ma, intanto, è geiser
soffione boracifero
spumante.

Enquanto isto

A origem secreta
a fissura
a abertura original
A fonte de um projetar-se
na melhor das hipóteses, para o positivo.
Na qual, pois,
creio perdurar
tornando-se um estado
inamovível e imóvel.
Mas, enquanto isto, os gêiseres
se põem a borrifar
vinho espumante.

Thursday, September 08, 2011

Canção da Ausência


O tempo não se mede mais senão pela saudade...
Inútil as palavras para preencher
este vazio que se alonga além do mar e do infinito.
Claro que ninguém ouve,
mas, meu grito, tem subtons e densidades que os ouvidos não escutam,
silencioso, na sua forma bruta de cortar a carne sem deixar sinais visíveis.
Por um momento a ilusão de que estais aqui
é mais forte que tua ausência,
então, percebo que é fruto exclusivo da demência,
deste querer que o tempo ou a desesperança não extingue
e transformo em canto
como única forma de mostrar
que o meu amor ainda está vivo.

Toni García Arias


Ausencia

Toni García Arias

Qué poco dura
la huella de una página
o el sabor de un verso,
o el saber de tan débil arquitectura;
poesía;
mezcla de tejidos y piel y memoria,
alquimia de fluidos y sangre y fotos y nada
sobre la palma inerte de esta hoja
que mide su tiempo
en ausencias al cuadrado.

Ausência

O pouco que dura
o traço de uma página
ou o sabor de um verso,
ou o saber de tão débil arquitetura;
poesia;
mistura de tecidos e de pele e memória
alquimia de fluidos e sangue e fotos e nada
sobre a palma inerte desta página
que mede o seu tempo
em ausências ao quadrado.

Ilustração: http://devaneiosepoemas.blogspot.com/2010/06/meu-desassossego-e-do-tamanho-da-tua.html

E Borges sobre o mesmo tema


Ausencia

Jorge Luis Borges

Habré de levantar la vasta vida
que aún ahora es tu espejo:
cada mañana habré de reconstruirla.
Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nicho de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas,
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos.
¿En qué hondonada esconderé mi alma
para que no vea tu ausencia
que como un sol terrible, sin ocaso,
brilla definitiva y despiadada?
Tu ausencia me rodea
como la cuerda a la garganta,
el mar al que se hunde.

Ausencia

Hei de levantar a vasta vida
que ainda agora é o teu espelho:
Cada manhã irei reconstruí-la.
Desde que te fostes,
quantos lugares se tornaram inúteis
e sem sentido, igual
à luz durante o dia.
As tardes foram nichos de tua imagem
músicas com que sempre me aguardavas,
são palavras daquele tempo,
eu terei que quebrá-las com as minhas mãos.
Como poderei esconder a minha alma vazia
para que não veja a tua ausência
que, como um sol terrível, sem ocaso,
brilha definitiva e desapiedadamente ?
Tua ausência me rodeia
como a corda na garganta,
e o mar que se afunda.

Ilustração: http://menosehdmais.wordpress.com/page/72/

Neruda para alegrar a quinta-feira



AUSENCIA

Pablo Neruda

Apenas te he dejado,
vas en mí, cristalina
o temblorosa,
o inquieta, herida por mí mismo
o colmada de amor, como cuando tus ojos
se cierran sobre el don de la vida
que sin cesar te entrego.
Amor mío
nos hemos encontrado
sedientos y nos hemos
bebido toda el agua y la sangre,
nos encontramos
con hambre
y nos mordimos
como el fuego muerde,
dejándonos heridas.
Pero espérame,
guárdame tu dulzura.
Yo te daré también
una rosa.

Ausência


Apenas te havia deixado,
segues em mim, cristalina
ou temerosa
ou inquieta, ferida por mim mesmo
ou repleta de amor, como quando teus olhos
se fecham sobre o dom da vida
que sem cessar te entrego.
Meu amor
nos temos nos encontrado
sedentos e não temos
bebido toda a água e sangue,
nos encontramos
famintos
e nos mordemos
como o fogo morde,
deixando-nos feridos.
Porém, espera-me
guarda-me tua doçura.
Eu te darei também
uma rosa.

Ilustração: corujicesnoturnas.blogspot.com

Tuesday, September 06, 2011

Marié Rojas Tamayo


Cita a ciegas

Marié Rojas Tamayo

Anuda una venda alrededor de tus ojos
Déjate guiar por el aroma de la hierba buena
Colócate de espaldas al viento adverso
Siente el sol en la frente
Desdeña los caminos
Los campos de amapolas
Sumérgete en el bosque
Persigue el canto de las aves que huyen a tu paso
Sigue más allá de tu cansancio
Hasta hollar la línea del horizonte.
Allí donde el mar se une con el cielo
Donde cada noche aguardo tu presencia
Te daré mis amores.

Encontro às cegas

Amarra uma venda ao redor dos teus olhos
Deixa-te guiar pelo cheiro de menta
Coloca-te de costas contra o vento
Sente o sol de frente
Desdenha das estradas
Os campos de papoula
Mergulha na floresta
Persegue o canto dos pássaros que fogem de teu passo
Continua para além do seu cansaço
Até pisar a linha do horizonte.
Ali onde o mar encontra o céu
Onde a cada noite aguardo tua presença
Eu te darei meus amores.

Como uma criança


Cansaço

Bem que eu queria te dizer coisas doces
Te falar que os tempos que virão
Serão bem mais felizes,
Mas, no meu caminho, foram tantas cicatrizes
Que não sei mais da cor ou do perfume das flores.

Bem que queria soar nos teus ouvidos
Como uma música suave,
Um som de velhos filmes,
Uma sonata de Chopin,
Porém, me encontro assim desanimado
Tão sem sonhos
Que só posso dizer que sou teu fã
Que só quero descansar
Sempre a teu lado
E, se possível, te amar
Como uma criança
Sem pecado.

Monday, September 05, 2011

Mónica Silvia Ugobono


INTRÍNSECA INCOMPATIBILIDAD

Mónica Silvia Ugobono

Si yo fuese de mar
envolvería tu cuerpo
con la espuma de mis venas.
Tus caricias naufragarían en mis labios.
Si tuviese el mar entre los huesos
construiría arrecifes para tus voces;
con corrientes variables,
abatiría tu mundo de escombros,
llevándome en todo regreso
una partícula de tus ruinas.
Si mi cuerpo fuera
un suave vaivén de transparencias
bañaría tus anhelos
y en cada uno de sus muelles
haría desembarcar a la confianza extraviada.
Pero mis miembros están rígidos
por la constante contemplación de las mareas.
Mi única fe se llama resignación.
Mi cuerpo ... duro estaño.

Intrínseca incompatibilidade

Se eu fosse de mar
envolveria teu corpo
com a espuma de minhas veias.
Tuas carícias naufragariam nos meus lábios.
Se tivesse o mar entre os ossos
construiria recifes para tuas vozes;
com correntes variáveis,
abateria teu mundo de escombros,
levando-me em todo regresso
como uma partícula de tuas ruínas.
Se meu corpo fosse
um suave vai e vem de transparências
banharia teus desejos
e em cada um dos pilares
desembarcaria a confiança perdida.
Porém, meus membros estão rígidos
pela constante contemplação das marés.
Minha única fé se chama resignação.
O meu corpo ... duro estanho.

Luis Fernando Moran


Feel love?

Luis Fernando Moran

Vamos se como el alcohol
quema mis labios
mientras las diosas ovulan su ultma oportunidad
juntate a la danza sensual de crear amor en lecho de sexo
mientras nos lanzamos a la perdicion de ser lo que somos
seres necesitados de algo a que amar
para hacerlo mierda ...

Sentir amor?

Vamos como o álcool
que queima os meus lábios
enquanto as deusas ovulam sua última oportunidade
junta-te à dança sensual de criar amor no leito de sexo
enquanto nos lançamos à perdição de ser o que somos
seres necessitados de algo a que amar
para fazer do amor o nada ...

Ainda Manuel González Navarrete


FINAL DE DÍA

Manuel González Navarrete

A veces, al terminar el día,
dejo esta flaca indumentaria
en un sillón tan viejo como yo.

Desde aquí miro la vida,
mis ojos se pierden tras la ventana
y se me clava la noche
por una costilla.

Mi mujer, cuando quiere,
se sienta a mi lado;
habla sin informarme de nada,
yo río al enterarme de todo.

Siempre es posible oír a Bach
desde el sillón, y
es posible también extender la mano,
tocar la piel deseada.

A veces, al terminar el día,
pongo mis huesos en este sillón
y el amor y la vida transcurren
frente a la ventana.

Final de Dia

Às vezes, ao terminar o dia,
deixo esta fraca indumentária
numa cadeira tão velha quanto eu.

Daqui olho para a vida,
meus olhos se perdem por trás das janelas,
e me fixo na noite
por uma pequena réstia

Minha mulher, quando quer,
senta ao meu lado,
fala sem me informar de nada,
eu rio ao me inteirar de tudo.

Sempre é possível ouvir Bach
da cadeira, e
também estender a mão
e tocar a pele desejada.

Às vezes, ao terminar o dia,
ponho meus ossos nesta cadeira
e o amor e a vida transcorrem
em frente a esta janela.

Manuel González Navarrete



NO ME CABE LA NOCHE
A Kiauitzin
Y la muerte no tendrá senorío
Dylan Thomas

Manuel González Navarrete


Miré tu rostro de sol moreno,
tu piel nocturna,
poblada de flores y mariposas,
esperaba...
Te llevaron a guardar,
no supe dónde.
¿ A qué esconderte ? pensé,
¿ En qué lugar del mundo depositarte ?
Será como envolver la luna
en tus cabellos,
cubrir el Valle de Anáhuac
con tus manos,
sembrar un cempoalzuchitl
en su seno.
No podrán, concluí,
no me cabe la noche
en tanta vida.
En estos días lluviosos,
la muerte cumple con su deber,
quejumbrosa, compungida;
lleva a cuestas un pueblo,
de flores y mariposas,
anochecido.

A noite não me cabe

Mirei teu rosto de sol moreno,
tua pele noturna,
povoada de flores e borboletas,
que esperava....
Te levaram a guardar
não sei aonde.
Por que te esconder? Pensei.
Em que lugar do mundo te depositar?
Será como envolver a lua
em teus cabelos,
cobrir o Vale de Anáhuac
com tuas mãos,
semear um campo de trigo
no teu seio.
Não poderão, conclui,
não me cabe a noite
em tanta vida.
Nestes dias chuvosos,
a morte cumpre com o seu dever,
queixosa, compungida;
leva nas costas um povo,
de flores e borboletas,
anoitecido.

Ainda José Martí


EN UN DULCE ESTUPOR

José Martí

En un dulce estupor soñando estaba
Con las bellezas de la tierra mía:
Fuera, el invierno lívido gemía,
Y en mi cuarto sin luz el sol brillaba.
La sombra sobre mí centelleaba
Como un diamante negro, y yo sentía
Que la frente soberbia me crecía,
Y que un águila al cielo me encumbraba.
Iba hinchando este gozo el alma oscura,
Cuando me vi de súbito estrechado
Contra el seno fatal de una hermosura:
Y al sentirme en sus brazos apretado,
Me pareció rodar desde una altura
Y rodar por la tierra despeñado.

Num doce estupor

Em um doce estupor doce sonhando estava
Com as belezas da minha terra:
Lá fora, o inverno lívidogemia
E no meu quarto sem luz o sol brilhava.
A sombra sobre mim brilhava
Como um diamante negro, e eu sentia
que o orgulho na frente me crescia,
E que uma águia no céu me acobertava.
Inchava de alegria este gozo em alma escura,
Quando me vi de súbito abalado
Contra o seio fatal de uma formosura:
E ao sentir-me em seus braços apertados,
Me pareceu rodar lá das alturas
e a rodar e cair pelo penhasco.

Friday, September 02, 2011

José Martí

Y TE BUSQUÉ José Martí Y te busqué por pueblos, Y te busqué en las nubes, Y para hallar tu alma, Muchos lirios abrí, lirios azules. Y los tristes llorando me dijeron: – ¡Oh, qué dolor tan vivo! ¡Que tu alma ha mucho tiempo que vivía En un lirio amarillo! – Mas dime – ¿cómo ha sido? ¿Yo mi alma en mi pecho no tenía? Ayer te he conocido, Y el alma que aquí tengo no es la mía. in Versos de Amor E eu te busquei E eu te busquei nas pessoas, E eu te busquei nas nuvens E para encontrar a tua alma Muitos lírios abri, lírios azuis. E os tristes chorando me disseram: - Oh, que dor tão viva! Que a tua alma já vivia a muito tempo Num lírio amarelo! - Mas diga-me - como foi? Eu, minha alma, no meu peito não tinha? Ontem eu te conheci, E a alma que eu tenho aqui não é a minha.

Thursday, September 01, 2011

YET I DO MARVEL Countée Cullen I doubt not God is good, well-meaning, kind And did He stoop to quibble could tell why The little buried mole continues blind, Why flesh that mirrors Him must some day die, Make plain the reason tortured Tantalus Is baited by the fickle fruit, declare If merely brute caprice dooms Sisyphus To struggle up a never-ending stair. Inscrutable His ways are, and immune To catechism by a mind too strewn With petty cares to slightly understand What awful brain compels His awful hand. Yet do I marvel at this curious thing: To make a poet black, and bid him sing! Ainda posso me maravilhar Eu não duvido que Deus é bom, bem-intencionado, gentil, E que Ele não se inclina a dizer por que A toupeira um pouco enterrado continua cega, Por que a carne que O reflete deve morrer algum dia, Ou qual a razão de seu plano de torturar Tantalus E, atingido pelo fruto volúvel, declarar Por um mero e bruto capricho a pena de Sísifo De lutar eternamente numa escada sem fim. Inescrutáveis os Seus caminhos são, e imune Ao catecismo para uma mente muito estreita Com pequenos cuidados pode-se entender um pouco O que compele o cérebro e Sua mão terrível. Ainda que possa me maravilhar com esta coisa curiosa: Que crie um poeta negro que lhe ofereça o seu cantar!

Tuesday, August 30, 2011

Walter Cruz


Tarde

Walter Cruz

El tiempo se alimenta de belleza...
es evidente en las mujeres y en las cosas
y es tan voraz y tan sutil su paso lento
que engañados por su suave persistencia
siempre tarde comprendemos que la esencia
del dolor y la amargura esta en aquello
que pudimos y no hicimos...la belleza
que era nuestra y no supimos.

Tarde

O tempo se alimenta de beleza...
é evidente nas mulheres e nas coisas
e é tão voraz e tão sutil seu passo lento
que enganados por sua suave persistência
sempre tarde compreendemos que a essência
da dor e da amargura esta naquilo
que podíamos ter feito e não fizemos...a beleza
que era nossa e não apreendemos.

Ilustração: http://pedacinhosdesonhos.blogspot.comTarde

Ainda Enrique Azcoaga


Mujer

Enrique Azcoaga

Mujer, mujer, espacio de mi vuelo!
¡Criatura eternamente merecida!...
¡Búscame más, adéntrate en mi vida
como en la tierra el mar, como el desvelo!

Trata de perseguirme, brinda el cielo
concreto de tus manos a mi herida;
no incumplas por frecuencia la rendida
costumbre de avivar mi desconsuelo.

En todo instante piensa que la pura
verdad de mi destino siempre quiere
lograrse en la bahía de tus ojos.

¡Que no tengo otro mar que la ternura!
¡Que el alma como gloria te prefiere!
¡Qué por tu luz son brasas mis despojos!

Mulher

Mulher, mulher, espaço de minha trajetória!
Criatura eternamente merecida! ...
Busca-me mais, mergulha na minha vida
como na terra, o mar, como uma insônia!

Trata de me perseguir, brinda o céu
concreto de tuas mãos, a minha ferida;
não culpa por freqüencia a já perdida
prática de avivar o meu desconsolo.

Em todo instante pensa que a pura
verdade do meu destino sempre quer
alcançar a baía de teus olhos.

Que não tenho outro mar que a ternura!
Que a alma como glória te requer!
Que por tua luz são brasas meus despojos!

Enrique Azcoaga


Tengo un amor tan hecho, tan sentido...

Enrique Azcoaga


Tengo un amor tan hecho, tan sentido,
que pesa como un cuerpo recordado;
es sombra, apenas sombra; es un delgado
consuelo día a día comprendido.

A veces cuando llego a estar vencido
yergue lo que hay en mí desamparado;
a veces, cuando vivo desolado
siembra su ley -¡revuelo!- en mi tejido.
Y es fresco, y es naciente, y me acompaña
-tal una edad distinta- procurando
ser ángel de mi sed, cielo, ventura.
Quiere que mariposa sea mi entraña;
y cuando voy gimiendo él va cantando
para debilitarme la amargura.


Tenho um amor de fato, tão sentido

Tenho um amor de fato, tão sentido,
que pesa como um corpo recordado;
é sombra, apenas sombra; um delgado
conforto dia à dia compreendido.

Às vezes, quando chego a ser vencido
ergue o que está em mim desamparado;
Às vezes, quando vivo desolado
planta a sua lei - revolve-! em meu tecido.

É fresco, e é nascente, e me acompanha
-tal uma idade distinta-procurando
ser anjo de minha sede, céu, ventura.

Quer ser borboleta em minha entranha;
e quando vou gemendo vai cantando
para enfraquecer minha amargura.

E ainda mais uma vez Enrique González Martínez


Carta de Gato a uno de sus amores

Enrique Gracia Trinidad

Hice añicos la luna del espejo.
Ya no podía resistir más su respuesta miserable.
Cada vez que buscaba en su interior,
yo desaparecía, estabas tú.
Me decías:
“¡Qué viejo estás! ¿no te das cuenta?”

Recogí los cristales diminutos,
teñidos con la sangre de mis manos.
Te los hice llegar envueltos en papel de celofán.
No acusaste recibo, pero
jamás podrás decir que no te regalé la Luna.

De "Sin noticias de Gato de Ursaria" 2004
(Premio Emilio Alarcos de poesía del Principado de Asturias 2004)

Carta de um gato para um dos seus amores

Fez-se em pedaços a lua no espelho.
Eu não podia resistir mais à sua resposta miserável.
Cada vez que buscava em seu interior,
eu desaparecia, estavas tu.
Me dizia: :
"Que velho estais! Não te dais conta? "

Recolho os cristais minúsculos,
tecidos com o sangue das minhas mãos.
Os fiz chegar embrulhados em papel celofane.
Não acusastes o recebimento, mas,
jamais poderás dizer que não te dei a lua.

Sunday, August 28, 2011

Voos


Tentação

Eu quero te pegar
como se pega uma qualquer
e te amar tão sem limites
que nem saberei se amo a meretriz
ou a mulher.
E tu, tu serás cúmplice
neste desejo insano
nesta volúpia louca
na qual serão poucos, insuficientes
os orifícios, as bocas, os abismos...
Eu quero te pegar com a sanha dos lirismos
mais profundos,
pois, é sempre na inocência
que mergulhamos nos mares mais fundos
da paixão, do querer, de um sadismo
que só busca este prazer
que é o de ter sob meu corpo
o calor do teu
com o mesmo sabor
do melhor amor que se perdeu....
E que, na vida, jamais se encontrará!

Uma poetisa mexicana...Miss Carrusel


Desayuno

Miss Carrusel (http://gatos-en-el-tejado.blogspot.com/)

Buscando tu sintonía en la radio
me hundo en mi taza de café
buceo en los granos de tu corazón
tratando de no perder la razón.

Siluetas y estrellas, sueños y sombras
me topé en el callejón sin salida
de tus horas trastornadas
con mi ausencia salada.

Te voy a endulzar el alma
con tres cucharadas de emociones
con mis primeros auxilios
felicidad te daré de boca a boca.

Esos ojos de cielo fueron hechos
para escalar con besos hasta ellos
deslizarme en el tobogán de tu pelo
y perderme en el corte de tu cuello.

Quiero ser el sol que te baña todo el día
mirar la luna que platina tu sonrisa
si me tomas no te soltaré
y saltaremos sin temor de caer.

Café da manhã

Procurando tua música no rádio
Me afundo numa xícara de café
Mergulho nos grãos do teu coração
tentando não perder a razão.

Silhuetas e estrelas, sonhos e sombras
me encontro num beco sem saída
tuas horas de todo transtornadas
com a minha ausência salgada.

Vou te adoçar a alma
com três colheres de emoções
com os meus primeiros socorros
a felicidade te darei boca à boca.

Estes olhos de céu foram feitos
para escalá-los com beijos
para deslizar no tobogã de teus pelos
e perder-me no corte do teu colo.

Quero ser o sol que te banha todo dia
Olhar a lua que prateia o teu sorriso
e se me pegas não te soltarei
e saltaremos sem medo de cair.

E Enrique Gracia Trinidad


Dificultades

Enrique Gracia Trinidad

A Emilio Porta

Lo más difícil es que el corazón
recorra su distancia sin heridas,
que el tiempo tenga besos suficientes
entre las páginas del libro que hace piedra la Historia.
Lo más difícil es
que las fotografías rocen sin abrasar
las horas degolladas,
acaricien sin daño
los encajes oscuros de las horas que fueron.
Lo más difícil es que la rutina sirva para tejer
una canción de cuna
que adormezca y abrigue los caballos sin alma del olvido.
Lo más difícil es que nuestros versos
rescaten hoy de nuevo la canción más oculta, sin sangrar,
sin hacer de la vida cotidiana un esperpento.
El resto es siempre fácil, sucede simplemente.

De "A quemarropa" 1992
(Accésit del Premio “Rafael Morales” 1992)

Dificuldades

O mais difícil é que o coração
percorra sua distância sem feridas,
que o tempo tenha beijos suficientes
entre as páginas do livro que faz pedra da História.
O mais difícil é
que as fotografias se esfreguem sem aquecer
as horas degoladas;
que acariciem sem danos
as fendas escuras dos tempos que se foram.
O mais difícil é que a rotina sirva para tecer
uma canção de ninar
que adormeça e abrigue os cavalos sem alma do esquecimento.
O mais difícil é que os nossos versos
resgatem hoje de novo a canção mais oculta sem sangrar,
sem fazer da vida cotidiana um absurdo.
O resto sempre é fácil, sucede simplesmente.

De volta Enrique Gracia Trinidad


Razón de escribir

Enrique Gracia Trinidad

A Juan Van-Halen

Escribir para un tiempo
en el que no estaremos para nadie,
y en el más favorable de los casos
seremos una máscara de polvo
maquillando los libros de alguna estantería.

Escribir para un siglo, si es que llega,
menos oscuro y torpe que este siglo.
Dejar impresa la memoria:
papel, disquetes, vidrio, cerámica esmaltada,
ámbar, cuarzo o moléculas de gas.

Hacer que las palabras naveguen al futuro
como si fuesen barcos de papel
que sobrevivan hoy a su naufragio.

Escribir por si alguien, algún día,
tiene un dolor de corazón idéntico
o sufre una alegría semejante.

De "Siempre tiempo"
(Premio Juan Alcaide 1996)


Razão para escrever

A Juan Van-Halen


Escrever por um tempo
em que não sereremos nada,
e no melhor dos casos
seremos uma máscara de poeira
cobrindo os livros em alguma prateleira.

Escrever para um século, se este chegar,
menos obscuro e torpe que este século.
Deixar impressa a memória:
papel, disco, vidro, cerâmica esmaltada,
âmbar, quartzo, ou moléculas de gás.

Fazer com que as palavras naveguem no futuro
como se fossem barcos de papel
que sobrevivem hoje a um naufrágio.

Escrever para alguém, algum dia,
que tem uma dor no coração idêntica
ou uma alegria similar.

E ainda Enrique González Martínez


Canción

Enrique González Martínez

Canción para los que saben
lo que es llorar...
¿Quién pudiera darte al viento
e irse al viento en el cantar!
Canción como lluvia fina
sobre el mar,
que se disuelve y es nube
que sube y vuelve a llorar...
Canción que en el alma es lluvia,
canción que es llanto en el mar...
¡Quién pudiera darte al viento
e irse al viento en el cantar!

Canção

Canção para os que sabem
o que é chorar ...
Quem poderia dar-te ao vento
e ir-se ao vento no cantar!
Canção como chuva fina
sobre o mar,
que se dissolve e é nuvem
que sobe e volta a chorar ...
Canção que na alma é chuva
canção é pranto no mar ...
Quem poderia dar-te ao vento
e ir-se ao vento no cantar!

Enrique González Martínez volta


El alma en fuga

Enrique González Martínez

Buscaron al romper de la alborada,
mis brazos y mis ojos su presencia,
y sólo hallé, por signo de la ausencia,
el hueco de su sien en la almohada.
Oh, qué correr la angustia desatada,
qué ulular por el llano mi demencia,
qué husmear en los ámbitos la esencia
de la alígera planta perfumada!
Amigos que alabasteis su hermosura,
no a solas me dejéis en la amargura
del trance doloroso e imprevisto...
¡Escrutad el perfil del horizonte!
¡Batid los campos y talad el monte!
¡Decidme, por piedad, si la habéis visto!...

A alma em fuga

Buscaram-na ao romper da alvorada,
meus braços e meus olhos sua presença,
e só achei, como símbolo da ausência,
o buraco de sua forma na almofada.
Oh, que correr da angústia desatada,
que ulular, pelo plano, minha demência,
que espalhar nos ambientes a essência
da ligeira planta perfumada!
Amigos que elogiam sua formosura,
não me deixem só na amargura
do transe doloroso e imprevisto ...
Percrustem o perfil do horizonte!
Procurem nos campos e no alto do monte!
Digam-me, por piedade, se a tens visto! ...

Friday, August 26, 2011

Até onde ser sincero...


Sinceridade

Não pense que não te mentirei...
Hei de mentir sim.
O verdadeiro amor nunca é sincero.
É só a expressão de que te quero,
de que tu vives em mim.
Que as coisas que não te direi
são só as que não deves saber.
E te dou, como recompensa,
esta paixão imensa,
este meu louco querer,
que mente porque verdade demais
sempre mata,
e, o que vale, é o amor como se trata!

Wednesday, August 24, 2011

Roberta Bonelli


Roberta Bonelli

Il viso di un vecchio è

come una cartina geografica,

dove le rughe sono le strade

che solo con il ricordo può

ripercorrere.


O rosto de um homem velho é

como um mapa,

onde as rugas são as estradas

que somente com a memória se pode

percorrer.

Ilustração: http://timbrevivo.blogspot.com/2010/07/vi-vi-o-feirante-trabalho-costante-dor.html

Angela Dibuono


Incomunicabile

Angela Dibuono

Quante volte, barcollando,
cerchiamo noi stessi negli altri
che crediamo d'amare.
Ma quegli altri restano
dietro lo specchio opaco
dell'incomunicabile.
Come personaggi sconosciuti
non ci vedono e noi
al di qua dello specchio
a raccontarne i frantumi.

Incomunicável

Quantas vezes, cambaleando,
buscamos a nós mesmos em outros
e acreditamos no amor.
Mas, os outros permanecem
dentro do espelho opaco
do incomunicável.
Como personagens desconhecidos
não nos vê e nós,
deste lado do espelho,
nos quebramos a contar os fragmentos.

Fabrizio Ara


Antichi sipari

Fabrizio Ara

Scorgo
fra i vapori della nebbia
una dolce musa marmorea
erta in un'antica corte.
…E lievi segni del tempo
nel suo glorioso abito di festa
dipingono il grande mito
di un tempo che fu.

Scorta la musa
la mia arte lumeggia.


Cortinas velhas

Vejo
entre os vapores da névoa
uma doce musa de mármore
estranha em um tribunal antigo.
......E ligeiros sinais da idade ...
no seu glorioso vestido de festa
retratam o grande mito
de um tempo que foi.

Repõe a musa
minha arte de iluminar.

Sunday, August 21, 2011

Enrique González Martínez


El gozo alucinado

Enrique González Martínez


El color se me adentra y no lo pinto;
la nota musical llega hasta el fondo
de la entraña cordial, y yo la escondo
en el sacro rincón de su recinto.
El árbol es aliento y no verdura,
germinación de vuelo y no ramaje;
el ojo lo desliga del paisaje
y lo clava en el dombo de la altura.
Apago soles y deseco ríos,
borro matices y deshago formas,
y en propio barro, quebrantando normas,
modelo mundos para hacerlos míos.
Sobrepasa las cosas la mirada,
el sueño crece, lo real esfuma,
y me embarco en las alas de la bruma
corno en una galera aparejada.

A alegria alucinada

A cor me penetra e não a pinto;
a nota musical chega até o fundo
das entranhas do coração, e eu a escondo
no sagrado canto do seu recinto.

A árvore é alento e não verdura
germinação de vôo e não ramagem;
o olho se desliga da paisagem
e se crava nas pedras da altura.

Apago sóis e rios resseco,
borro matizes e desfaço formas
e no próprio barro, vou quebrando normas,
modelos, mundos para fazê-los meus.

Excede todas as coisas, o meu olhado
o sonho cresce, o real se esfuma,
e me embarco nas asas da bruma
chifre numa galeria acoplado.

Enrique Garcia Trindade


Vienes a mi

Enrique González Martínez

Vienes a mí, te acercas y te anuncias
con tan leve rumor, que mi reposo
no turbas, y es un canto milagroso
cada una de las frases que pronuncias.
Vienes a mí, no tiemblas, no vacilas,
y hay al mirarnos atracción tan fuerte,
que lo olvidamos todo, vida y muerte,
suspensos en la luz de tus pupilas.
Y mi vida penetras y te siento
tan cerca de mi propio pensamiento
y hay en la posesión tan honda calma,
que interrogo al misterio en que me abismo
si somos dos reflejos de un ser mismo,
la doble encarnación de una sola alma.


Vens a mim


Vens a mim, te acercas e te anuncias
com tão leve rumor que o meu repouso
não turvas, e é um canto milagroso
cada uma das frases que pronuncias.

Vens a mim, não tremas, não vacilas,
e há em nos olharmos uma atração tão forte
que esquecemo tudo, vida e morte,
suspensos na luz de tuas pupilas.

Em minha vida penetras e me sinto
tão perto do meu próprio pensamento
e há na possessão tão funda calma,

que interrogo ao mistério em que me abismo
se somos dois reflexos de um ser mesmo,
ou a dupla encarnação de uma só alma.

Ilustração: muraldosescritores.ning.com


Saturday, August 20, 2011

E me repito mais...

Ainda que mal comportadamente


O mistério do desencontro

Todo grande amor
É sempre sofrimento
Parece que Deus brinca
Com os sentimentos
Só fazendo com que os amantes
Se encontrem no momento
Em que não devem se amar.
Sei que sou um pobre mortal
Que a vontade divina
Não ousa desafiar,
Mas, como se explicar
Que tenha feito assim?
Por que nosso começo
Tem que ser no fim
Por que o nosso amor
Tem que viver na escuridão
Quando é só prazer e luz?
É um mistério
Como o da Santíssima Trindade
Ou por que sacrificar Jesus.
Que sei eu? Sei nada não.
É que não posso te esquecer, meu coração!

Eu me repito


Velhas lembranças

O teu amor
Que é quase como se fosse um estepe
É a única coisa que me faz serelepe
Que me faz sorrir e cantar
Ainda que isto seja estragar outros ouvidos
E esgotar os sentidos em tentativas de amar
mais do que posso.
Todo o entorno, porém, pouco importa
Se há ideias, momentos, detalhes tão nossos
Que me sinto tão feliz como te sentes
Por trás de véus, de cortinas e de portas
E guardamos estes segredos ternamente
Como um arco-iris que a chuva levou ...

Há um tempo em que haveremos de esquecer
Tanta coisa que nos tornou tão felizes.
E nos dias em que houver uma chuvinha
Em que os pingos cantarem no telhado,
Ainda haverá em ti um resto de memória
Que há de te dar um vago sentimento de euforia
E dirás mesmo sem pensar de onde viria
Que tudo passou, mas, foi uma glória...
Sentirás que fostes amada-tua maior vitória-
E rirás e dançarás feito uma louca
E gemerás como se beijada na boca!

Saturday, August 13, 2011

Ainda Angel González


Todo amor es efímero

Angel González

Ninguna era tan bella como tú
durante aquel fugaz momento en que te amaba:
mi vida entera.

Todo o amor é efemêro

Nenhuma foi tão bela como tu
durante aquele fugaz momento em que eu te amava:
a minha vida inteira.

Angel González


La vida en juego

Angel González


Donde pongo la vida pongo el fuego
de mi pasión volcada y sin salida.

Donde tengo el amor, toco la herida.

Donde pongo la fe, me pongo en juego.

Pongo en juego mi vida, y pierdo, y luego
vuelvo a empezar, sin vida, otra partida.

Perdida la de ayer, la de hoy perdida,
no me doy por vencido, y sigo, y juego
lo que me queda: un resto de esperanza.

Al siempre va. Mantengo mi postura.

Si sale nunca, la esperanza es muerte.

Si sale amor, la primavera avanza.


A vida em jogo

Onde ponho a vida, ponho o fogo
de minha paixão focada e sem saída.

Onde ponho o amor, toco a ferida.

Onde ponho a fé, me ponho em jogo.

Ponho em jogo minha vida, e perco, e logo
começo outra vez, sem vida, outra partida.

Perdida a de ontem, a de hoje perdida,
não me dou por vencido, e sigo, e jogo
o que me sobra: um resto de esperança.

E sempre vou em frente. Mantenho minha postura.

Sem sair nunca. A esperança é a morte.

Se sai o amor, a primavera avança.

Wednesday, August 10, 2011

E de novo Toni García Arias


CUERPO

Toni García Arias

Y aunque parezco un hombre como tantos otros
y el aire que respiro
parece ser suficiente para llenar mis pulmones
y cobrar vida,
en realidad, vida,
no soy más que un paisaje de ropas
al que le falta tu cuerpo.

Corpo

E embora pareça um homem como tantos outros
e o ar que respiro
pareça ser suficiente para encher meus pulmões
e gerar vida
na realidade, vida,
não sou apenas mais que um varal de roupas
que não tem o corpo.

Toni García Arias


ESPEJO

Toni García Arias

Frágil como un pequeño espejo,
el tiempo resbala por nuestras manos
con la inocencia de lo que no perdura
y estalla contra el suelo
y se hace memoria.

Una pareja sale del hospital
y se abraza. No hay amor
en sus rostros.
Lloran.

Lloran a pesar de la gente que pasa,
a pesar de este sol de agosto
que abrasa
y que en sus ojos
se congela.

Espelho

Frágil como um pequeno espelho,
o tempo resvala por nossas mãos
com a inocência do que não perdura
e se destroça contra o chão
e de faz memória.

Um casal saí do hospital
e se abraça. Não há amor
nos seus rostos.
Choram.

Choram, apesar da gente que passa,
apesar deste sol de agosto
que queima
e que, nos teus olhos,
se congela.











Ilustração: paraalemdasduvidas.blogspot.com

Sunday, August 07, 2011

E mais de Maria Tereza Cervantes


EL AFÁN DE EXISTIR

Maria Tereza Cervantes

Esa ansiedad de ser, de no morirse.
Lo que nunca entendemos.
El afán de existir, la desmedida en todo.
Ese otro día por el que vanamente vivimos.

O afã de existir

Esta ansiedade de ser, de não morrer.
O que nunca entendemos.
O afã de existir, o desejo excessivo de tudo.
Este outro dia pelo qual vagamente vivemos.

Ilustração: The ClaraBeauty Journal

Ainda Maria Tereza Cervantes


SILENCIO

Maria Tereza Cervantes

Llevas el dedo a tus labios.
Silencio!
Es la hora de callar,
de desmentirse
de lo dicho, de desmentirse de los sueños.
Es la hora de pensar, de recogernos,
de ocultarnos de tantos como miran,
como hieren,
como eliminan.

Pides silencio,
más de lo que yo esperaba.
Te entiendo. Sí, te entiendo.

Silêncio

Levas o dedo a teus lábios.
Silencio!
É hora de calar,
de desmentir-se
o dito, de desmentir-se dos sonhos.
É a hora de pensar, de nos recolher,
para nos ocultar de como nos olham,
como ferem,
como eliminam.

Pedes silêncio
mais do que eu esperava.
Te entendo. Sim, como te entendo.

Maria Tereza Cervantes


¿CUÁL DE LAS DOS HE SIDO?

Maria Tereza Cervantes

¿Quién? ¿Cuál?
¿Quién me llama a esta hora casi póstuma?
¿Cuál de las dos he sido:
la que busca o la que espera?

Qual dos dois foi?


Quem? Qual?
Quem me chama a esta hora quase póstuma?
Qual dos dois foi:
o que procura ou o que espera?

Ilustração: http://diariosdoces.blogspot.com/2010_08_01_archive.html

Ilusão


Que o meu amor
sempre será teu
meus olhos dizem
quando sorriem felizes
de te ver.

Que jamais tanto amor
há de passar
prova esta minha constância
de te levar
na mente e no coração.

Vem..vem...
Eu te estendo a mão
como se estivesses equilibrada no ar
e, como num sonho, fosse te salvar,
porém, mesmo dormindo, sei
que é uma tentativa em vão.

Na vida e no sonho tudo é ilusão!

Ilustração: asasdailusao.blogspot.com

Tuesday, August 02, 2011

Oliverio Girondo


ESCRÚPULO

Oliverio Girondo

Me parece que vivo
que estoy entre los ruidos
que miro las paredes,
que estas manos son mías,
pero quizás me engañe
y paredes y manos
sólo sean recuerdos
de una vida pasada.
He dicho "me parece"
yo no aseguro nada.

Escrúpulo

Me parece que vivo
que estou entre os ruídos
que olho as paredes,
que estas mãos são minhas,
porém, quem sabe me engane
e paredes e mãos
só sejam recordações
de uma vida passada.
Ele disse “me parece”
já eu não asseguro nada.

Monday, August 01, 2011

Mais uma vez Blanca Abreu


Marina del color del amor

Blanca Abreu


Eres la estrofa azul, el poema verde
que mi amor me recita con su sonrisa roja
que me canta mi amor
con alma gigantesca y dedos negros.

Eres el verso azul inacabable
hecho de estrellas y de cielo líquido
sembrado de naranjas y de lunas
donde ata mi amor sus pensamientos.

"El sueño oscuro" 1994

Marina da cor do amor

Eras a estrofe azul, o poema verde
que o meu amor me recita com um sorriso vermelho
quem me canta meu amor
com uma alma gigantesca e dedos negros.

És verso azul inacabável
feito de estrelas e de céu líquido
povoado com laranjas e luas
onde agarra meu amor teus pensamentos.

Ilustração: armazendatuca.blogspot.com

Blanca Abreu


Cinerario

Blanca Abreu


a Marta

I
Ahora me pregunto qué sería de aquel fuego
y de su noche, la ceniza.

II
El fuego es dios de nada, dijo el poeta, es nada
aunque a veces sople por las chimeneas
un aire alemán.

III
Ahora me pregunto qué fue de aquellos fuegos
y de su norte, la ceniza.

IV
El fuego es dios de nada -dijo el poeta- es nada
y jamás se controla por educación
o cualquier otra
sino que obra
y porfía.
V
Ahora me pregunto que será de aquel fuego
y su sepulcro, la ceniza.

"Capitán Elphistone" 1988


Urna
a Marta
I
Agora me pergunto o que seria daquele fogo
e sua noite, as cinzas.

II
O fogo é o deus do nada, disse o poeta, não é nada
ainda que, às vezes, sopre através das chaminés
um ar alemão.

III
Agora me pergunto o que aconteceu com aqueles fogos
e seu norte, as cinzas.

IV
“O fogo é o deus do nada ", disse o poeta não é nada
e nunca se controla por educação
ou qualquer outra coisa
senão que obra
e profia.

V
Agora me pergunto o que será daquele fogo
e o seu túmulo, as cinzas.

Ilustração: http://agenciazero.com.br/clientes/jardim/site/wp-content/uploads/2010/05/CIMG0331.jpg

Ainda Eloy Sánchez Rosillo


La casa vacía

Eloy Sánchez Rosillo


Abre la puerta y da la luz.
Es ya muy tarde,
y sabe que en su casa nadie lo espera.
Todo
sigue en su sitio y el silencio pesa
sobre las mudas cosas que le ignoran.
Va de aquí para allá, por el pasillo, por las vacías
habitaciones, y no sabe qué hacer, por qué esta noche
está tan lejos todo.
Coge un libro.
Pasa un rato leyendo.
Luego, escucha
con desgana una música.
Mientras, la madrugada
avanza lentamente.
Acaso alguna rosa
de ese florero que hay sobre la mesa
deja caer sus pétalos marchitos.

De Páginas de un diário

A casa vazia

Abre a porta e deixa entrar a luz.
É já muito tarde,
e sabes que em sua casa ninguém o espera.
Todos
seguem em seu lugar e o silêncio pesa
sobre as coisas mudas que lhe ignoram.
Indo e voltando, pelo corredor, pelos quartos
vazios, não sabes o que fazer, porque hoje à noite
estais tão longe de todos.
Pegar um livro.
Passar algum tempo lendo.
Logo, escutas
desenganado uma música.
Enquanto, a madrugada
avança lentamente.
Acaso alguma rosa
dos ramos sobre a mesa
deixa cair suas pétalas murchas.

Ilustração: dois-rios.blogspot.com