Thursday, December 19, 2013

Alfonsina Storni


La caricia perdida

Alfonsina Storni

Se me va de los dedos la caricia sin causa,
se me va de los dedos... En el viento, al pasar,
la caricia que vaga sin destino ni objeto,
la caricia perdida ¿quién la recogerá?

Pude amar esta noche con piedad infinita,
pude amar al primero que acertara a llegar.
Nadie llega. Están solos los floridos senderos.
La caricia perdida, rodará... rodará...

Si en los ojos te besan esta noche, viajero,
si estremece las ramas un dulce suspirar,
si te oprime los dedos una mano pequeña
que te toma y te deja, que te logra y se va.

Si no ves esa mano, ni esa boca que besa,
si es el aire quien teje la ilusión de besar,
oh, viajero, que tienes como el cielo los ojos,
en el viento fundida, ¿me reconocerás?

A carícia perdida

Se escapam dos dedos a carícia sem causa,
se me escapam dos dedos ... No vento, ao passar,
a caricia que vaga sem destino ou objeto,
a caricia perdida quem a recolherá?

Posso amar esta noite com piedade infinita,
posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós as trilhas floridas.
A carícia perdida, rodará ... rodará ...

Se nos olhos te beijam esta noite, viajante,
se estremecem nos galhos um doce suspirar,
se te pressiona os dedos uma mão pequena
que te toma e te deixa, que te engana e vai.

Se não vês esta mão, nem esta boca que te beija,
se o ar é quem tece a ilusão de te beijar
oh, viajante, que tens, como o céu, olhos
no vento, misturado, me  reconhecerás?


Monday, December 16, 2013

Mais uma vez Àlex Sussanno


Bacante

Àlex Sussanno

Siempre que te lo afeitas,
me exalta y prende
como si fuera el de otra,
pero todavía me gusta más
cuando te dejas crecer
la negra mata
de pelo escarolado
donde reencuentro, intacta,
aquella indómita
sabiduría que tanto
me cautivó cuando
nos conocimos.

Bacante

Sempre que o cortais,
me exalta e prende
como se fosses o de outra,
porém, todavia ainda gosto mais
quando deixas crescer
a negra mata
de cabelos encaracolados
onde reencontro, intacta
aquela  indomável
sabedoria que tanto
me cativou quando
nos conhecemos.


Ilustração: minimas.zip.net 

De volta Àlex Sussano


Naufragio

Àlex Sussanno

Lo mejor de todo,
la cara que pones
siempre que eres mía:
por eso me gusta
tanto mirarte
en el instante preciso
en que te arrebata
la ola de placer
y te deja tirada
en la playa del lecho,
no sabiendo bien
dónde estás ni con quién.

Naufrágio

O melhor de tudo,
o rosto que pões
sempre que és minha:
por isto gosto
tanto de te olhar
no momento preciso
em que te arrebata
a onda de prazer
e estirada
na praia do leito,
não sabendo bem
onde estais nem com quem.


Ilustração: commons.wikimedia.org/ Carlos Wood-El naufragio del Arethusa.jpg

Saturday, December 14, 2013

Amado Nervo de volta

A Una Francesa                                      

Amado Nervo

El mal, que en sus recursos es proficuo,
jamás en vil parodia tuvo empachos:
Mefistófeles es un cristo oblicuo
que lleva retorcidos los mostachos.
Y tú, que eres unciosa como un ruego
y sin mácula y simple como un nardo,
tienes trágica crin dorada a fuego
y amarillas pupilas de leopardo.


A uma francesa

O mal, que em seus recursos é proficuo,
jamais em vil paródia teve indigestão:
Mefistófeles é um cristo oblíquo
que ostenta retorcidos bigodes.
E tu, que és piedosa como uma  oração  
e sem mácula e simples como uma flor,
tens uma trágica crina dourada de fogo

e pupilas amarelas de leopardo.

Jorge Luís Borges, mais uma vez

Sábados

Jorge Luis Borges

Afuera hay un ocaso, alhaja oscura
engastada en el tiempo,
y una honda ciudad ciega
de hombres que no te vieron.
La tarde calla o canta.
Alguien descrucifica los anhelos
clavados en el piano.
Siempre, la multitud de tu hermosura.
A despecho de tu desamor
tu hermosura
prodiga su milagro por el tiempo.
Esta en ti la ventura
como la primavera en la hoja nueva.
Ya casi no soy nadie,
soy tan solo ese anhelo
que se pierde en la tarde.
En ti esta la delicia
como esta la crueldad en las espadas.
Agravando la reja esta la noche.
En la sala severa
se buscan como ciegos nuestras dos soledades.
Sobrevive a la tarde
la blancura gloriosa de tu carne.
En nuestro amor hay una pena
que se parece al alma.

que ayer solo eras toda hermosura
eres tambien todo amor, ahora.

Sábados
Lá fora há um pôr do sol, jóia escura
 engastada no tempo,
 e uma profunda cidade cega
 de homens que não te viram.
 A tarde cala ou canta.
 Alguém descrucifica os anseios
 cravados num piano.
 Sempre, a grandeza da tua formosura.
 A despeito do teu desamor
 a tua formosura
 produz seu milagre pelo tempo.
 Esta em ti a ventura
 como a primavera na folha nova.
 Já quase não sou  ninguém,
  sou apenas este anseio
  que ser perde pela tarde.
  Em ti esta delícia
  como está a crueldade nas espadas.
  Para agravar a grade esta noite.
  Na sala triste
  se procuram como cegos nossas duas solidões.
  Sobrevive à tarde
  A brancura gloriosa de tua carne.
  Em nosso amor há uma pena
  que se assemelha à alma.
  Tu,
  que ontem, era apenas toda formosura
  és também todo o amor,  agora.


  Ilustração: blog-psique.blogspot.com 

Amado Nervo


Autobiografía

Amado Nervo

¿Versos autobiográficos? Ahí están mis canciones,
allí están mis poemas: yo, como las naciones
venturosas, y a ejemplo de la mujer honrada,
no tengo historia: nunca me ha sucedido nada,
¡oh, noble amiga ignota!, que pudiera contarte.
Allá en mis años mozos adiviné del Arte
la armonía y el ritmo, caros al musageta,
y, pudiendo ser rico, preferí ser poeta.
-¿Y después?
-He sufrido, como todos, y he amado.
¿Mucho?
-Lo suficiente para ser perdonado…

Autobiografia

Versos autobiográfico? Aqui estão as minhas canções,
lá estão os meus poemas: eu, como nações
venturosas, e a exemplo da mulher honesta,
não tenho nenhuma história, nunca aconteceu nada,
Oh! Nobre desconhecida amiga! Que poderia te dizer.
Nos meus dias de juventude adivinhei a arte,
a harmonia e o ritmo, caros aos estetas,
e podendo ser rico, preferi ser um poeta.
- E depois?
-Tenho sofrido, como todos, e hei amado.
Muito?
-O suficiente para ser perdoado ..


Ilustração: todosloscomo.com 

Friday, December 13, 2013

Canção do amor que há de acontecer



Traz o teu corpo suave, doce, perfumado
para rasgar as águas da paixão que se agiganta,
num trabalho árduo e vagaroso, até acalmar a desabrochada flor do desejo.
Traz a feroz mansidão de tua boca, que por tudo passeia e colhe,
sorvedouro de líquidos e peles, ignorante de tudo
que não seja um desejo insano de sabores e doçuras,
uma ilimitada vontade de tudo absorver.
Traz o calor das tuas mãos, que são asas no segredo
do quarto, quando te amo despudorado nas brumas da noite,
com um amor que se estende até o cansaço, à rendição ao encanto do prazer
ou ao sonho verdadeiro de que voei contigo.
Então, como o arco que geme nas cordas de um violino
teu nome há de soar como um hino de vitória do amor
e poderei feliz, se não me fizer eterno, morrer sem nenhuma dor.


Ilustração: luso.net

Hugo Mújica



Descalzo 

Hugo Mújica

Noche sin luna,
alguien, descalzo,
cruza el desierto.

Hay huellas que la noche vela,
hay desnudeces que la luz apaga.

Descalça

Noite sem lua,
alguém, descalça,
cruza o deserto.

Há trilhas que a noite vela,
há nudez que a luz apaga.


Ilustração: http://mteresabr.wordpress.com/2009/11/05/descalca/

De volta Àlex Sussanno

Concupiscencia                                       

Àlex Sussanno

¿De dónde sacas tanta hambre
a tu edad?
Has desayunado con música,
has almorzado con Velázquez,
has merendado unos cuantos poemas,
y todavía no tienes suficiente:
qué coño quieres para cenar?
Te empacharás con tanta hambre.
Aprende a despistarla
hasta que realmente sientas
que la has amansado:
piensa en aquellos cuerpos
que se lo dejan hacer todo,
piensa en la bondad del vino
y en la de otros alcoholes,
siempre que tengas hambre
bombárdeate con imágenes
que te enfríen y te dejen inerte

a tu edad,
no te pega la concupiscencia.

Concupiscência

De onde tiras tanta fome
na tua idade?
Hás tomado o café da manhã com música,
almoçado com Velázquez,
merendado alguns poemas,
e, todavia, não tens o suficiente:
o que diabos queres para o jantar?
Te empanturrarás com tanta fome.
Aprende a despistá-la
até que realmente a sintas
que a domou:
pensa naqueles corpos
que não se deixam fazer tudo,
pensa na bondade do vinho
e de outros álcoois,
sempre que tenhas fome
bombardeia-te com as imagens
que te esfriem e te deixem inerte

na tua idade,
não pega bem a concupiscência.

Ilustração: beinbetter.wordpress.com

Thursday, December 12, 2013

Àlex Sussanno



Madrigal de estío

Àlex Sussanno
Cuando después de una noche de amor
me despierto y te veo en la cama
abandonada al sueño
como un ramo deshecho de piel
que ya no me pertenece,
sé que vuelves a alejarte
y que cada mañana recomienza
la conquista del uno por el otro
hasta topar y embestirnos,
cansados pero pletóricos,
en medio de la noche.

Madrigal de estio

Quando, depois de uma noite de amor
desperto e te vejo na cama
abandonada ao sonho
como um ramo desfeito de pele
que já não me pertence,
sei que voltas a alhear-te
e que em cada manhã recomeça
a conquista de um pelo outro
até esbarrarmos e investirmos,
cansados, porém,  pletóricos,
no meio da noite.

Ilustração: nescritas.com 

Amos Oz


Pero como 

Amos Oz

Abandonarla, dices, es fácil decirlo,
abandonarla como un piloto de combate
que abandona un avión
sin control o en llamas. ¿Pero cómo se salta
de un avión caído, hecho pedazos y oxidado
o hundido en las profundidades del mar?

Porém como?

Abandoná-la, dizes, é fácil dizê-lo,
abandoná-la como um piloto de combate
que abandona um aeroplano
sem controle ou em chamas. Porém, como se salta
de um avião caído, feito em pedaços e oxidado
ou afundado nas profundezas do mar?



Wednesday, December 11, 2013


Dolor de amor 

Martín Caballero

Cual aguja punzante
clavas tu recuerdo en mi memoria
la verdad duele,
duele de veras.

Pero las heridas se curan,
Dios bien lo sabe,
y mañana amanecerá bien limpio
pues el día es puro, como mi mirada.

Dor de amor

Qual agulha afiada
cravas tua recordação em minha memória
a verdade dói,
dói de verdade.

Porém as feridas se curam,
Deus bem o sabe,
e amanhã o sol amanhecerá bem limpo,
pois, o dia é puro, como o meu olhar.


Ilustração: millahguedes.blogspot.com

Gustavo Adolfo Bécquer retorna

XIV                                                                      


Gustavo Adolfo Bécquer

Alguna vez la encuentro por el mundo
y pasa junto a mí
y pasa sonriéndose y yo digo
¿Cómo puede reír?

Luego asoma a mi labio otra sonrisa
máscara del dolor,
y entonces pienso: -Acaso ella se ríe,
como me río yo.

XIV

Alguma vez a encontro pelo mundo
e passa junto a mim
e passa sorrindo e digo
como pode rir?

Logo assoma aos meus lábios outro sorriso,
máscara de dor,
e então penso: -Talvez ela ria,
como eu rio.

Ilustração: eovideolevou.com.br


Tuesday, December 10, 2013

Poeminhas mal comportados


Um tipo especial de mulher

Ela ficou inquieta e preocupada
com umas brotoejinhas
que se espalharam por seu corpo
e, apesar, da pomada, que religiosamente passou,
a alergia é que não passava.
De modo que se quedou pensativa
incomodada a se queixar
das bolinhas persistentes
que se recusavam a deixá-la resistentes.
Para consolá-la acariciando-a fiz notar
que era normal não querer lhe deixar
e que as marquinhas eram coisa pouca.
Verdade é que quase nem se notava
e um encanto novo se lhe acrescentava:
com tanta mulher fruta por aí
só ela poderia se gabar

de ser a mulher pipoca! 

Poemas mal comportados


Coração machucado

Comunicou-me friamente que, de mim, se afastava.
Surpreso disse : -Mas, você, afirmou sempre que me amava!
Ela impávida me cortou,
como uma faca  afiada, de modo suave:
-Eu enganei-me a mim mesmo-disse a rainha.
Assim saiu da vida minha
machucando meu coração com atos e palavras.


Ilustração: Blog da Multimulher 

Sunday, December 08, 2013

Outra vez Mariá Manent


Dicen: la mar es triste

Mariá Manent

Dicen: la mar es triste. ¡Qué señal
hace cada ola, cuando quiebra!
Y veo una mar triste, pero en medio
tú, como una perla.

Dicen: la tierra es triste. ¡Qué señal
hace la hoja! Apenas osa.
Vea la tierra triste, pero en medio
tú, como una rosa.

Dizem: o mar é triste

Dizem: o mar é triste. Que sinal
faz cada onda, quando quebra!
E vejo um mar triste, porém, no meio
tu, como uma pérola.

Dizem: a terra é triste. Que sinal
faz com a folha! Apenas ousa.
Veja a terra triste, porém, no meio
tu, como uma rosa.

Ilustração: http://edsondantas.com/?p=29124


Mariá Manent



Mañana

Mariá Manent

Has salido del sueño como del mar. Aún húmeda,
a los sueños sonríe tu boca, dulcemente.
Brilla el sol en la hierba, pero tú ves la plata
de la luna, que en el agua duerme-.

Una luz de esmeralda casi nubla tus ojos;
perfumes de aquel mar tiene tu fina arcilla ;
y una gran perla pálida llevas bajo los bucles,
ondulados como alga tranquila.

Manhã

Saístes do sono como do mar. Ainda molhada,
aos sonhos sorri tua boca docemente.
Brilha o sol na grama, mas, tu vês a prata
lua, que na água dorme.

Uma luz de esmeralda quase nubla teus olhos;
perfumes daquele mar tem uma argila fina;
e uma grande pérola pálida levas sobre os laços,
ondulados como uma alga tranquila.


Ilustração: http://as-odiliaborges.blogspot.com.br/2010_12_01_archive.html

Friday, December 06, 2013

Rafael Alberti


La Paloma

Rafael Alberti

Se equivocó la paloma,
se equivocaba.
Por ir al norte fue al sur,
creyó que el trigo era el agua.
Creyó que el mar era el cielo
que la noche la mañana.
Que las estrellas rocío,
que la calor la nevada.
Que tu falda era tu blusa,
que tu corazón su casa.
(Ella se durmió en la orilla,
tú en la cumbre de una rama.)

A pomba

Se equivocou a pomba,
se equivocava.
Indo ao norte foi para o sul,
Crendo que o trigo era a água.
Crendo que o mar era o céu
que a noite era manhã.
Que as estrelas, orvalho
que o calor era neve.
Que a tua saia era blusa,
que teu coração era sua casa.
(Ela adormeceu na praia,
tu no alto de um ramo.)


Alberto Girri


El Compañero de los pájaros 

Alberto Girri

Como el amor
que se posa
cada día sobre la ramita
que puede morir

Así brota tu amor
lozano
vigoroso de sol
compañero de los pájaros...

O companheiro dos pássaros

Como o amor
Que pousa
Cada dia sobre o raminho
Que pode morrer

Assim brota teu amor
Luxuriante
Deslumbrante de sol
Companheiro dos pássaros...


Fina García Marruz



Una dulce nevada está cayendo

Fina García Marruz

Una dulce nevada está cayendo
detrás de cada cosa, cada amante,
una dulce nevada comprendiendo
lo que la vida tiene de distante.

Un monólogo lento de diamante
calla detrás de lo que voy diciendo,
un actor su papel mal repitiendo
sin fin, en soledad gesticulante.

Uma doce nevada está caindo

Uma doce nevada está caindo
por trás de cada coisa, cada amante,
uma doce nevada abrangendo
o que a vida tem de distante.

Um monólogo lento de diamante
cala por trás do que vou dizendo,
um ator seu papel mal repetindo
sem fim numa solidão gesticulante.


Ilustração: http://entremaeefilha.blogspot.com.br/2010/11/primeira-neve-do-fim-de-outono.html

Sunday, December 01, 2013

Jorge Rojas


Vida                                                            

Jorge Rojas

Vivir como una isla,
lleno por todas partes
de ti, que me rodeas
ya presente o distante

con un temblor de luz
primera, sin pulir,
sin arista de tarde,
ni sombra de jardín.

Y ángeles en espejos
guardando tu mirada
para hacerse verdades
y noches estrelladas.

Vida

Viver como uma ilha,
cheia em todos os lugares
de ti, que me rodeias
ao meu lado ou distante

com um tremer de luz
primeira, sem ser polida,
sem aresta de tarde,
nem sombra jardim.

E os anjos nos espelhos
guardando o teu olhar
para fazer verdades
e noites estreladas.

De volta Joana de Ibarbourou


La enredadera

Juana de Ibarbourou

Por el molino del huerto
asciende una enredadera.

El esqueleto de hierro
va a tener un chal de seda

ahora verde, azul más tarde
cuando llegue el mes de Enero

y se abran las campanillas
como puñados de cielo.

Alma mía: ¡quién pudiera
Vestirte de enredadera!

A trepadeira

Sobre o moinho do horto
ascende uma trepadeira.

O esqueleto de ferro
virá a ter um xale de seda

agora verde, azul mais tarde
quando vier o mês de janeiro

e se abram suas copas
como punhados do céu.

Alma minha: quem dera
Vestir-te de trepadeira!


Ilustração: olhares.sapo.pt 

Juana de Ibarbourou



La Hora

Juana de Ibarbourou

Tómame ahora que aún es temprano
y que llevo dalias nuevas en la mano.

Tómame ahora que aún es sombría
esta taciturna cabellera mía.

Ahora que tengo la carne olorosa
y los ojos limpios y la piel de rosa.

Ahora que calza mi planta ligera
la sandalia viva de la primavera.

Ahora que en mis labios repica la risa
como una campana sacudida aprisa.

Después…, ¡ah, yo sé
que ya nada de eso más tarde tendré!

Que entonces inútil será tu deseo,
como ofrenda puesta sobre un mausoleo.

¡Tómame ahora que aún es temprano
y que tengo rica de nardos la mano!

Hoy, y no más tarde. Antes que anochezca
y se vuelva mustia la corola fresca.

Hoy, y no mañana. ¡Oh amante! ¿no ves
que la enredadera crecerá ciprés?

A hora
Toma-me agora que ainda é cedo
e que levo dálias novas nas mãos.

Toma-me agora que ainda é sombria
estes taticurnos cabelos meus.

Agora que tenho a carne perfumada
e os olhos limpos e a pele rosa.

Agora que calça minha planta ligeira
a sandália viva da primavera.

Agora que em meus lábios soam a risada
como uma campainha rapidamente apertada.

Depois ..., ah, eu sei
que depois já nada mais disto terei!

Que, então, será inútil o teu desejo,
Como uma oferenda posta em um mausoléu.

Toma-me agora que ainda é cedo
e que tenho rica de nardos as mãos!

Hoje, não mais tarde. Antes que anoiteça
e se veja murcha a corola fresca.

Hoje, não amanhã. Oh amante! Não vês

que a trepadeira crescerá cipreste?