Wednesday, May 14, 2014

Juan Boscán


CANCIÓN V

Juan Boscán

¿Qué haré, que por quereros
mis extremos son tan claros,
que ni soy para miraros,
ni puedo dejar de veros?

Yo no sé con vuestra ausencia
un punto vivir ausente,
ni puedo sufrir presente,
señora, tan gran presencia.

De suerte que, por quereros,
mis extremos son tan claros,
que ni soy para miraros,
ni puedo dejar de veros.

De la edición de Obras de Boscán y Garcilaso (portada)

Canção V

O que farei, se por querê-los
os meus fins são tão claros,
que nem sou capaz de olhá-los,
nem consigo deixar de vê-los?

Eu não sei se com vossa ausência
ouso viver na distância,
nem posso sofrer presente,
senhora, de tão grande presença.

De sorte que, por querê-los,
os meus fins são tão claros,
que não sou capaz de olhá-los,
nem posso deixar de vê-los.


Monday, May 12, 2014

Carlos Reviejo


¿Quién?

 Carlos Reviejo

¿Quién navega por los mares
buscando el oro y la plata?
El pirata.

¡Quién anda de puerto en puerto,
asustando al mundo entero...?
El bucanero.

 ¿Quién con su barco navega
sin rumbo ni calendario...?
El corsario.

 ¿Cuál es el mar conocido,
donde mata, roba y vive...?
El Caribe.

¿Quién anuncia su llegada
con tibias y calavera...?
Su bandera.

 ¿Y qué buscan en las islas,
con sus mapas y sus loros...?
Un tesoro.

(De ¡Que vienen los piratas! -Susaeta)

Quem?

Quem navega pelos mares
buscando o ouro e a prata?
O pirata.

Quem anda de porto em porto,
assustando o mundo inteiro?
O bucaneiro.

Quem no seu barco navega
sem rumo nem calendário?
O corsário.

Qual é o mar conhecido
onde rouba, mata e vive...?
O caribe.

Quem anuncia sua chegada
com tíbias e com caveiras?
Sua bandeira.

E o que buscam em suas ilhas
com seus mapas e seus louros?
Os tesouros.


Ilustração: www.openpage.com.br

Carlos Marianidis


DÍA NUBLADO

Carlos Marianidis

Allá arriba, por el cielo, una nubecita oscura
fue cambiando sin que nadie aquí abajo lo notara.
Al principio, era una oveja de redondeada figura,
pero después fue tomando forma cada vez más rara:
en poco tiempo se infló como pan con levadura,
alargándose después, como si alguien la amasara;
fue elefante, dinosaurio y un dragón todo negrura
que le sopló al pobre sol sol el humo sobre la cara.

Dia nublado

Lá por cima, pelo céu, uma pequena nuvemzinha escura
foi mudando sem que ninguém aqui embaixo notara.
No princípio, eu era uma ovelha de arredondada figura,
Porém, depois foi tomando forma cada vez mais rara:
Em pouco tempo se inchou como o pão com fermento
Alargando-se depois, como se alguém a amassará;
foi elefante, dinossauro e um dragão todo  negrura
que soprou ao pobre sol fumaça sobre sua cara.


Ilustração: www.flickr.com

Sunday, May 11, 2014

Juan de Arquijo


PSIQUE A CUPIDO

Juan de Arquijo

A tu divina frente ¡oh poderoso
Niño! una venda con trabajo y arte
tejí de oro y colores, donde parte
retraté de tu triunfo glorioso.

En ella se ve atado al victorioso
carro el gran Febo, que la luz reparte,
preso Mercurio, encadenado Marte,
y Vulcano con muestras de celoso.

No se pudo librar con las reales
insignias Jove; mal pudiera Psique
resistir, si a éstos rinde tu fiereza.

Agravan mi prisión mayores males,
pues es fuerza que a un niño sacrifique
mi firme amor, y a un ciego mi belleza.

 Cupido e Psique

A tua divina fronte oh poderoso
menino! Uma venda com trabalho e arte 
teci de ouro e  de cores, de onde parte
retratei de teu triunfo glorioso.

Nele se vê atado ao vitorioso
carro o grande Febo, que a luz reparte,
preso Mercúrio, acorrentado Marte
E Vulcano dando mostras de ciumento.

Não foi possível se livrar com as reais  
insígnias Jove; mal poderia Psique
resistir, se isto se rende tua brabeza.

Agravam minha prisão, males ainda mais,
pois, é força que a um menino sacrique
meu firme amor e a um cego minha beleza.


Ilustração: entrepsi.blogspot.com

Sempre no meu coração


Se não te dou notícias, meu amor,
se não estou, como queria, a teu lado,
se não te aviso ou nada te digo
não é sinal de que não ligo
nem que tanto amor possa ter passado.
É meu coração quem mais perigo
corre por não andar batendo mais ligeiro.
Se não te dou notícias é passageiro,
como tantas outras vez foi,
e mais do que a ti isto me corrói.
Mas, o que fazer
se nem tudo é como se deseja?
Se há obstáculos que tenho que enfrentar.
Pensa que, por mais distante que esteja,
que jamais deixo um minuto de te amar.

Gerardo Diego

SUCESIVA                                                        


Gerardo Diego

Déjame acariciarte lentamente,
déjame lentamente comprobarte,
ver que eres de verdad, un continuarte
de ti misma a ti misma extensamente.

Onda tras onda irradian de tu frente
y mansamente, apenas sin rizarte,
rompen sus diez espumas al besarte
de tus pies en la playa adolescente.

Así te quiero, fluida y sucesiva,
manantial tú de ti, agua furtiva,
música para el tacto perezosa.

Así te quiero, en límites pequeños,
aquí y allá, fragmentos, lirio, rosa,
y tu unidad después, luz de mis sueños.

SUCESSIVA

Deixa-me acariciar-te lentamente
deixa-me lentamente, comprovar-te
ver que és de verdade, continuar-te
de ti mesma para ti mesma extensamente.

Onda após onda irradiam de tua fronte
e mansamente, apenas sem riscar-te,
rompem-se em dez espumas ao beijar-te
os pés na praia adolescente.

Assim te quero, fluida e sucessiva
manancial de ti, água furtiva
música para o tato prazerosa.

Assim te quero, nos pequenos limites,
aqui e ali, fragmentos, lírio, rosa,
e tua unidade depois, luz dos meus sonhos.


Friday, May 09, 2014

Eugenio Florit de volta



SONETO

Eugenio Florit

Habréis de conocer que estuve vivo
por una sombra que tendrá mi frente.
Sólo en mi frente la inquietud presente
que hoy guardo en mí, de mi dolor cautivo.

Blanca la faz, sin el ardor lascivo,
sin el sueño prendiéndose a la mente.
Ya sobre mí, callado eternamente,
la rosa de papel y el verde olivo.

Qué sueño sin ensueños torcedores,
abierta el alma a trémulas caricias
y sobre el corazón fijas las manos.

Qué lejana la voz de los amores.
Con qué sabor la boca a las delicias
de todos los serenos oceanos.

Soneto

Haverás de saber que eu estive vivo
por uma sombra que terá na minha frente.
Só em minha frente a inquietude presente
que hoje guardo em mim, de minha dor cativo.

Branca a faz, sem o ardor lascivo,
sem o sonho prendendo-se na mente.
Já sobre mim, calado eternamente,
a rosa de papel e de verde-olivo.

Que sono sem os sonhos torcedores,
aberta a alma a trêmulas carícias
e sobre o coração fixas as mãos.

Que distante a voz dos amores.
com que sabor a  boca das delícias
de todos os serenos oceanos.

Thursday, May 08, 2014

Na correnteza


Somos a nossa paixão
fogo, luz, escuridão
como a vida,
que nos eleva, derruba, arrasta
como um tronco
que desce pelo rio
sem escolher os desafios,
sem sentido ou direção,
tentando apenas
se conservar inteiro
para, depois, mansamente
repousar
onde as águas levar.

Ilustração: pt.wikipedia.org

Wednesday, May 07, 2014

Francisco Villaespesa


¿Conoce alguien el amor?

Francisco Villaespesa

¿Conoce alguien el amor?
¡El amor es un sueño sin fin!
Es como un lánguido sopor
entre las flores de un jardín…

¿Conoce alguien el amor?
Es un anhelo misterioso
que al labio hace suspirar,
torna al cobarde en valeroso
y al más valiente hace temblar;
es un perfume embriagador
que deja pálida la faz;
es la palmera de la paz
en los desiertos del dolor…

¿Conoce alguien el amor?
Es una senda florecida,
es un licor que hace olvidar
todas las glorias de la vida,
menos la gloria del amar…
Es paz en medio de la guerra.
Fundirse en uno siendo dos…
¡La única dicha que en la tierra
a los creyentes les da Dios!
Quedarse inmóvil y cerrar
los ojos para mejor ver;
y bajo un beso adormecer…,
y bajo un beso despertar…
Es un fulgor que hace cegar.
¡Es como un huerto todo en flor
que nos convida a reposar!

¿Conoce alguien el amor?
¡Todos conocen el amor!
El amor es como un jardín
envenenado de dolor…,
donde el dolor no tiene fin.

¡Todos conocen el amor!
Es como un áspid venenoso
que siempre sabe emponzoñar
al noble pecho generoso
donde le quieran alentar.

Al más leal traidor,
es la ceguera del abismo
y la ilusión del espejismo…
en los desiertos del dolor.

¡Todos conocen el amor!
¡Es laberinto sin salida
es una ola de pesar
que nos arroja de la vida
como los náufragos del mar!
Provocación de toda guerra…,
sufrir en uno las de dos…
¡La mayor pena que en la tierra
a los creyentes les da Dios!
Es un perpetuo agonizar,
un alarido, un estertor,
que hace al más santo blasfemar…
¡Todos conocen el amor!

Conhece alguém o amor?
O amor é um sono sem fim!
É como um lânguido totpor
entre as flores de um jardim ...

Conhece alguém o amor?

Conhece alguém o amor?
É um misterioso anseio
que o lábio faz suspirar,
faz do covarde valente
e o mais valente faz tremer;
É um perfume embriagador
que deixa pálida a face;
é a palmeira da paz
nos desertos da dor

Conhece alguém o amor?
É um caminho florido,
é uma bebida que faz esquecer
todas as glórias da vida,
menos a glória de amar ...
É a paz no meio da guerra.
Onde dois se fundem num só ...
A única alegria na terra
dada aos crentes a Deus!
Ficar imóvel e fechar
os olhos para ver melhor;
e adormecer com um beijo...
e com um beijo despertar ...
É um brilho que faz cegar.
É como um jardim todo em flor
que nos convida a descansar!

Conhece alguém o que é o amor?
Todo mundo sabe o que é o amor!
O amor é como um jardim
envenenado pela dor ...
onde a dor não tem fim.

Todo mundo sabe que o amor!
É como uma seta venenosa
que sempre sabe envenenar
ao peito generoso e nobre
que o deseja aleitar.

Ao mais leal traidor,
é a cegueira do abismo
e a ilusão dos espelhos...
nos desertos da dor.

Todos conhecem o amor!
É labirinto sem saída
é uma onda de pesar
que nos lança na vida
como náufragos no mar!
Provocação de toda guerra ...
Sofrimento de um dos dois ...
a maior vergonha na terra
dada aos crentes de Deus!
É um perpétuo agonizar,
um alarido, um estertor,
que o mais santo faz blasfemar ...
Todo mundo sabe o que é o amor!

Ilustração: pt-br.facebook.com

Tuesday, May 06, 2014

Eugenio Florit

DESDE LA NIEVE                                                        

Eugenio Florit

Desde la nieve convertida en agua,
desde el sucio periódico sin dueño,
desde la niebla, desde el tren hundido
con sus cientos de manos que buscan asidero;
desde la fantasía de los anuncios luminosos
y el ruido sin piedad de las bombas de incendio;
desde la noche que nos cae encima
—losa de cielo sin estrellas—;
desde cada momento perdido entre las calles
donde todos los solos del mundo pasan desconocidos;
desde el árbol sin hojas y el camino sin gente,
otra vez, como ayer, como mañana,
acaso ya como todos los días que vendrán, si es que vienen,
entro al silencio.

Desd’ a neve

Desde que a neve se converteu em água,
desde que o jornal sujo sem dono
desde a névoa, do trem fundido
com centenas de mãos que buscavam alças;
desde a fantasia dos anúncios luminosos
e ruído sem piedade das bombas de incêndio;
desde a noite que nos caiu em cima
-lousa de céu sem estrelas-;
desde cada momento perdido entre as ruas
onde todos os solos do mundo passam desconhecidos;
desde a árvore sem folhas e os caminhos sem pessoas
outra vez, como ontem, e amanhã,
acaso, como todos os dias que virão, se eles vêm,

entro no silêncio.

Ainda Dámaso Alonso


¿CÓMO ERA?

   Dámaso Alonso
                                                       ¿Cómo era Dios mío, cómo era?

                                                                                               JUAN R. JIMÉNEZ

La puerta, franca.
                                    Vino queda y suave.
Ni materia ni espíritu. Traía
una ligera inclinación de nave
y una luz matinal de claro día.

No era de ritmo, no era de armonía
ni de color. El corazón la sabe,
pero decir cómo era no podría
porque no es forma, ni en la forma cabe.

Lengua, barro mortal, cincel inepto,
deja la flor intacta del concepto
en esta clara noche de mi boda,

y canta mansamente, humildemente,
la sensación, la sombra, el accidente,
mientras ella me llena el alma toda.

COMO FOI?

                                                                          Como foi Deus, como foi?

                                                                           JUAN R. JIMENEZ

A porta, franca.
                                     O vinho cai e suave.
Nem a matéria nem o espírito. Trazia
uma ligeira inclinação do navio
e uma luz da matinal de claro dia.

Não era de ritmo, não era de harmonia  
nem de cor. O coração sabe,
porém, dizer como era não podia
porque não é forma, nem na forma cabe.  

Linguagem, barro mortal, cinzel inepto
Deixa a flor intacta do conceito
nesta noite clara de meu casamento,

e canta mansamente, humildemente,
a sensação, a sombra, o acidente,
enquanto ela me enche toda a alma.


Saturday, May 03, 2014

Dámaso Alonso



LOS CONTADORES DE ESTRELLAS

Dámaso Alonso

Yo estoy cansado.
Miro
esta ciudad
—una ciudad cualquiera—
donde ha veinte años vivo.

Todo está igual.
Un niño
inútilmente cuenta las estrellas
en el balcón vecino.

Yo me pongo también...
Pero él va más deprisa: no consigo
alcanzarle:
Una, dos, tres, cuatro,
cinco...

No consigo
alcanzarle: Una, dos...
tres...
cuatro...
cinco...

Os contadores de estrelas


Eu estou cansado.
Olho
esta cidade
-uma cidade qualquer-
onde a vinte anos vivo.

Tudo está igual.
Um menino
inutilmente conta as estrelas
no balcão do vizinho.

Eu me ponho também...
Porém, ele vai mais depressa: não consigo
alcançá-lo:
Um, dois, três, quatro,
cinco...

Não consigo
alcançá-lo: Um, dois...
três..
quatro...
cinco...

Friday, May 02, 2014

Elva Macías


EL SALMÓN

Elva Macías

Soy del río y de la mar
un nadador persistente:
A veces rumbo a las olas
a veces contracorriente.

 En verano me enamoro
de un pez que me sepa dar
con sus escamas de oro
un arco iris  bajo el mar.

 No descanso hasta llegar
de la sal de los olvidos
al otoño de agua dulce
donde nacerán mis críos.


O salmão

Eu sou do rio e do mar
um nadador persistente:
às vezes, no rumo das ondas
às vezes contra a corrente.

No verão eu me enamoro
um peixe que sabe me dar
com suas escamas de ouro
um arco-íris embaixo do mar.

Não descanso até chegar
lá do sal do esquecimento
ao outono de água doce
onde nascerão meus filhos.

Ilustração: www.infoescola.com

Mar Pavón


¡SE MURIÓ EL PÁJARO!                                 
 Mar Pavón 

Se nos murió el pájaro
sin decir ni pío,
dicen que de viejo
mi padre y mi tío.

Pero eso no es cierto
pues mi verderón
no tenía arrugas
ni usaba bastón.



Yo toqué sus plumas
y estaban tan frías
que murió, sin duda,
¡de una PLUMONÍA!

Morreu meu pássaro

Nos morreu o pássaro
sem dizer um pio,
dizem que de velho
meupai e meu tio.

Porém, isto não é certo
pois o meu passarinho
não tinha rugas
nem usava bengala.

Eu toquei suas penas
e estavam tão frias
que morreu, sem dúvida,
de uma PLUMONÍA!


Ilustração: www.eitapiula.com.br

Thursday, May 01, 2014

O ermitão


A virtude transformar em vício era o seu ofício,
apesar, de sempre olhar com pesar
para o pecado.
Talvez fosse um santo-
certamente caído
ou um demônio,
enojado do mal.
Nos tempos em que não bebia
era tão doce
que fazia sopa de macarrão
para os mendigos
e tocava flauta
para adormecer as ovelhas
que, com tranquilidade,
gostava de ver pastar.

Ilustração: contoselendasmedievais.blogspot.com