Monday, January 18, 2016

Uma poesia de Alexandra Lerma

JAULA                                                                   


Alexandra Lerma

Un pájaro oscuro se me ha metido al pecho
Es ciego
Torpe
Y cristalino
No conoce las ventanas de mi cuerpo
se estrella con recuerdos y sonidos
su aleteo me está dejando sorda
me está dejando muda
y por mis pequeños ojos se va filtrando el aire, la saliva, la sangre emplumada
quizás me he convertido en jaula
en espejo que engaña
en árbol sin retorno
tal vez el pájaro no existe
y es solo la tristeza
tal vez yo soy el pájaro
y el cuerpo es el tuyo.

Jaula

Um pássaro escuro se meteu no meu peito
É cego
Torpe
E cristalino
Não conhece as ventanias de meu corpo
Se despedaça com lembranças e sons
Sua palpitação está me deixando surda
Me está deixando muda
E, por meus olhos pequenos, se vão filtrando o ar, a saliva, o sangue emplumado,
Quem sabe, me converti numa jaula
Em espelho que engana
Em árvore sem retorno
Talvez num pássaro que não existe
E és só a tristeza
Talvez eu seja o pássaro
E o corpo é o teu. 

Ilustração: www.tattooers.net

Sunday, January 17, 2016

Outra poesia de Karen Valladares

Sigo viva                                                                             Karen Valladares

Intenté suicidarme. 
Sigo viva por todas mis desgracias, 
anotando los restos de mis días en una libreta polvosa. 
La vida para mí sólo era un juego de niños, 
un ir y venir sin propósito.
He saboreado la nada, aprendí a contemplarme,
 a desvanecerme, a sentir pudrirse la soledad.
 A verme inútil todas las veces que quise,
 a no tener fe en nada, 
a odiar los aguaceros
y el bullicio del sol.
Odié por completo el griterío de los niños en los recreos,
 la pulcritud de los hospitales, los parques
 y las calles completamente habitadas.
Consumí la locura en todos mis tiempos,
 absorbí lo que no le quedaba. 
Ahora mi nombre quizá sea locura. 
Intenté suicidarme. 
La muerte lanzó los dados y no tuve suerte. 
Sigo viva,
viva, 
viva.

 Sigo viva

Tentei me suicidar.
Sigo viva por todas minhas desgraças,
anotando os restos de meus dias em um caderneta poeirenta.
A vida, para mim, só foi um jogo de crianças,
um ir e vir sem propósito.

Tenho saboreado o nada, aprendi a me comtemplar,
a desvanecer-me,a sentir apodrecer a solidão.
A ver-me inútil todas as vezes que quis,
A não ter fé em nada,
a odiar os aguaceiros
e o bulício do sol.
Odiei, por completo, a gritaria dos meninos nos recreios, 
 a limpeza dos hospitais, os parques
 e as ruas completamente habitadas.
 Consumi a loucura em todos os meus tempos,
  absorvi o que ela não lhe tinha.
  Agora meu nome, talvez, seja loucura.
  Tentei me suicidar.
  A morte lançou seus dados e não tive sorte.
  Sigo viva, 
  viva,
  viva. 

  Ilustração: inspiradouro.com.br

Saturday, January 16, 2016

Duas poesias de Yarama Castaño Güiza



Balada de una noche que se acerca al día

Yirama Castaño Güiza

He de morir de pie
junto a mi tumba.
Con la mirada hacia la tierra
y el largo pelo
jalando hacia arriba.
He de morir por ataque a mis extremos.
De muerte pronta,
pero con tiempo suficiente
para repasar el tono de mis días.
He de morir alcanzada por la noche,
 susurrada apenas,
abierta al bosque,
y con esa única palabra
      pendiente
          entre los labios.


Balada de uma noite que se aproxima do dia

Hei de morrer em pé
junto ao meu túmulo.
Com o olhar para a terra
e os longos cabelos
presos no alto.
Hei de morrer de um ataque excessivo.
De uma morte súbita,
porém, com tempo suficiente
para repassar o filme dos meus dias.
Hei de morrer alcançada pela noite,
Sussurrada apenas,
aberta para a floresta,
e com essa única palavra
pendente
entre os lábios.


El silencio de los bosques

Yirama Castaño Güiza

A lo lejos,
un pájaro canta
en honor del Dios de los árboles.
Nadie, entre aquellos que conversan,
se ha dado cuenta de la mudez
que mueve sus alas.

O silêncio dos bosques

Lá longe,
um pássaro canta
em honra do Deus das árvores.
Ninguém, entre aqueles que conversam,
se há dado conta da mudez
que move suas asas.


Ilustração: penochaocabecafeita.blogspot.com

Friday, January 15, 2016

Mais uma poesia de Eduardo Mitre




Prólogo al presente

Eduardo Mitre

Abre los ojos. Despierta.
El Paraíso está aquí,
De vuelta.
Con todos y todo
En la luz pasajera.

Es (no hay otro) esta tierra:
Mesa de encuentros,
Cuna de ausencias.

El Paraíso está aquí,
A la espera. Abre tus ojos
Que abren sus puertas.

Despierta. Está aquí.
No es la dicha.
Es la presencia.

Prológo ao presente

Abre os olhos. Desperta.
O paraíso está aqui.
De volta.
Com todos e tudo
Na luz passageira.

És (não há outro) esta terra:
Mesa de encontro,
Berço de ausências.

O paraíso está aqui,
A espera. Abre teus olhos
Que abrem suas portas.

Desperta. Está aqui.
Não é a sorte.
É a presença.


Ilustração: www.oficinadanet.com.br

Thursday, January 14, 2016

Outra poesia de Roger Wolfe

                                                                                       
Rentapoem

Roger Wolfe

¿Os imagináis la poesía por encargo?
Que te pidieran un poema, por ejemplo,
sobre unas bragas o una lata de conserva.
Poemas para anuncios. Poemas
para bodas y bautizos. Poemas
por teléfono. Un 906 de la poesía.
Poemas para poner verde al enemigo,
poemas para sorberles el tarro a las chavalas.
Poemas para entierros. Poemas
para candidatos en campaña...

Se ha hecho ya, por supuesto.
No hay nada nuevo bajo el sol.
Lo extraño quizá sea que en estos tiempos
en que todo se compra y se vende
los poemas se empeñen en velar con semejante celo
por sus mezquinas idosincrasias personales.
Ni siquiera el plagio -creativo- está bien visto:
en el Siglo de Oro era un género; hoy día
es un delito. (Quién sabe si para ahorrarles el bochorno
a todos esos a los que no plagiaría ni su madre).

La economía de mercado acabaría de un plumazo
con ínfulas, rencillas y aspavientos:
a tanto el asunto, el verso o la palabra.
El que pueda pedir, que pida. Y el que no valga,
a poner ladrillos. Y que se joda.


Poema vendido

Já imaginou a poesia sob encomenda?
Que te pedissem, por exemplo, um poema
sobre umas calçinhas ou uma lata de conserva.
Poemas para anúncios. Poemas
para bodas e batizados. Poemas
por telefone. Um 906 da poesia.
Poemas para deixar o inimigo verde,
poemas para sorver o gosto das moças.
Poemas de funerais. Poemas
para os candidatos presidenciais ...

Se tiver feito, por suposição.
Não há nada de novo sob o sol.
O estranho é, talvez, que, nestes tempos
onde tudo é comprado e vendido
poemas se empenhem em garantir com semelhante zelo
por suas mesquinhas idosincrasias pessoais.
Nem sequer o plágio -criativo- é bem visto:
No Século de Ouro era um gênero; Hoje em dia
é um crime. (Quem sabe se para poupar o embaraço
todos aqueles a quem não plagiaria nem sua mãe).

A economia de mercado acabaria de uma paulada
com pretensões, brigas e confusões:
para tanta matéria, verso ou palavra.
O que pode pedir, que peça. E não vale a pena,
para assentar tijolos. E vá se lixar.


Ilustração: peregrinacultural.wordpress.com

Um poema de Julia Otxoa


CÓMO ME DUELES, MUJER DE NYLON Y ESCAPARATE

Julia Otxoa

Cómo me dueles, mujer de nylon y escaparate,
de belleza en siete días,
y norte deshabitado,

Mujer colonizada y rota,
sin huella de alas sobre el tiempo,

Cómo maldigo esa tela de araña
que decidió tus puntos cardinales.

Como me machucas, mulher de nylon e mostruário

Como me machucas, mulher de nylon e de mostruário
de beleza em sete dias,
e norte desabitado,

Mulher infantil e sem vertebras,
sem nenhum vestígio de asas sobre o tempo,

Como maldigo esta teia de aranha
que decidiu teus pontos cardinais.  


Ilustração: pt.aliexpress.com

Longo poema da pequenez da infelicidade passageira



Que buscas ainda, Silvio?
Se, já, as emoções são tão poucas
E perdestes as ilusões,
o encanto de uma voz rouca
que, talvez, em algum tempo
poderia te ter feito feliz?

Sossega Silvio.
Amor não há.
O amor é isto mesmo:
anteontem, a paixão;
ontem, o vício;
hoje, este querer morno;
amanhã, quem sabe, a amizade
ou a indiferença.

Nesta quinta-feira
em que te sentes tão pequeno,
tão sem forças,
tão desamparado,
tão inútil
quanto sem rumo
pensa no imprevisto,
nos dias que virão,
que são tua esperança.

Hoje, por falta de perspectiva,
tenta fazer uma poesia,
mesmo como esta horrível
e sem graça.
E sai.
Vai para a rua,
espanta os pombos na praça,
come, mesmo que o gosto seja ruim,
bebe contra a tua vontade
de se dissolver no espaço
do imensamente  nada,
que, tu bem sabes,
sempre fostes...

Tu, desde pequeno sabes,
sempre soubestes,
que a vida não tem final feliz.
Não continue a se enganar.
Solução não há.
Segue..
Que a própria vida há de se escoar...

Até que não poderás mais nem ser infeliz
e, uns poucos, chorarão por ti.
E o esquecimento
há de esconder tua infelicidade, por maior que ela seja. 
Força um sorriso
e que Deus te proteja! 

Ilustração: www.contioutra.com

Wednesday, January 13, 2016

QUASE UM POEMA




E, quando me perturba a inutilidade           
Da ação humana e de nosso tempo,

Então, me pergunto,  por que a vida
De lágrimas, de risos e sentimentos

Se, seria bem mais simples, a dura
Inconsciência do pão e das pedras? 

Qual a razão para nos dar o sentir
Que nos será, um dia, tirado?

E, sem respostas, e ainda mais desamparado,
Olho para o céu onde a chuva chora por nós.


Ilustração: acertodecontas.blog.br

Aí de mim! Esta traição minha professora não há de perdoar....

 
Performance

Les Murray

I starred that night, I shone:
I was footwork and firework in one,

a rocket that wriggled up and shot
darkness with a parasol of brilliants
and a peewee descant on a flung bit;
I was blusters of glitter-bombs expanding
to mantle and aurora from a crown,
I was fouéttes, falls of blazing paint,
para-flares spot-welding cloudy heaven,
loose gold off fierce toeholds of white,
a finale red-tongued as a haka leap:
that too was a butt of all right!

As usual after any triumph, I was
of course, inconsolable.

Atuação

Eu estreei  naquela noite, eu brilhava:
Eu  fui um dançarino sob os fogos de artifícios,

fui um foguete que se contorcia e se atirava
na escuridão com um guarda-sol de brilhantes
e uma melodia infantil um pouco atravessada;
Fui o barulho de bombas brilhantes em expansão
sobre o manto e a aurora de uma coroa,
fui o chicote, queda de pinturas ardentes,
pára-choques, ponto de solda, céu nublado

ouro perdido entre ferozes dedos brancos,
ao final língua vermelha como um salto de haka:
que foi também uma forma de tudo ficar bem!

Como de costume, depois de qualquer triunfo, eu estava,
é claro, inconsolável.


Ilustração: ryanapah.blogspot.com

Tuesday, January 12, 2016

Traindo um traidor de Jóhannes úr Kotlum

BOGA NOCTURNA                         
Jóhannes úr Kötlum

Un navio gris avanza lentamente sobre el abismo sin fondo
a través de la noche interminable:
nosotros, esclavos del rey, nosotros, esclavos de la cruz
hundimos los remos como en pez
   dura es nuestra boga.

La afilada hoz de la luna desgarra las entrañas
de los negros nubarrones
pálida baba fatídica desprenden las heridas:
nosotros, esclavos del rey, nosotros, esclavos de la cruz
chupamos nuestros labios resecos por la sed
   dura es nuestra boga.

El narval hinca el diente en este extraño barco
que es de piedra, de endurecida piedra:
nosotros, esclavos del rey, nosotros, esclavos de la cruz
escupimos la tristeza por la borda
   dura es nuestra boga.

Fríos eslabones rompen el silencio terrible de la noche
todo gemido se ahoga en su fragor:
nosotros, esclavos del rey, nosotros, esclavos de la cruz
clavamos la mirada en la próxima sangrienta jornada
   dura, sí, dura es nuestra boga.

Pescaria noturna

Um navio cinzento avança lentamente sobre o abismo sem fundo
através da noite interminável;
nosotros, escravos do rei, nosotros, escravos da cruz
afundamos os remos como um peixe
dura é a nossa pescaria

A afilada foice da lua abre as entranhas
das nuvens  negras
pálida bába fatídica  se desprende das feridas:
nosotros, escravos do rei, nosotros, escravos da cruz
chupamos nossos lábios ressecados pela sede
dura é a nossa pescaria
  
A baleia finca os dentes neste estranho barco
Que é de pedra, endurecida pedra:
nosotros, escravos do rei, nosotros, escravos da cruz
cuspimos a tristeza pela borda
dura é a nossa pescaria

Frias correntes rompem o silêncio terrível da noite
Todo gemido se engasga em seu rugido:
nosotros, escravos do rei, nosotros, escravos da cruz
cravamos o olhar na próxima jornada sangrenta
dura, sim, dura é a nossa pescaria.

( De Poesía nórdica, Ediciones de la Torre, Madrid, 1999, ed. y trad. de José Antonio Fernández Romero).


Ilustração: www.bacalhaudanoruega.com.br

Monday, January 11, 2016

Uma poesia de Rodolfo Ybarra

XVIII                                                         
Rodolfo Ybarra

Pájaros metálicos surcan el firmamento
rasgan el cielo en tiras y rafias de neón.  

Rescato a un niño de su propia trampa
soy tan pequeño ante el dolor
tan miserable ante la angustia
que piojos y moscas podrían matarme
herido ayudo y soporto el látigo de gárgolas.

Espacio y tiempo son coordenadas que nunca
podré descifrar.

La tierra abre su boca y me traga con un bostezo
¿Qué hago aquí dios de la mirada atroz?
¿Sobreviviré al genocidio de los tiempos?
Mis alas se agitan cuando caigo al centro del universo.
Miles de cabezas claman horrorizadas en los sótanos
del sueño.

XVIII

Pássaros metálicos sulcam o firmamento
Rasgam o céu em tiras e cipós de neon

Resgato um menino de sua própria armadilha
Sou tão pequeno ante a dor
Tão miserável ante a angústia
Que piolhos e moscas poderiam me matar
Ferido ajudo e suporto o chicote de gárgulas

Espaço e tempo são coordenadas que nunca
pude decifrar.

A terra abre sua boa e me traga com um bocejo
Que faço aqui deus do olhar atroz?
Sobreviverei ao genocídio dos tempos?
Minhas asas se agitam quando caio no centro do universo.
Milhões de cabeças clamam horrorizadas nos sotões
do sonho.  

Ilustração: edilsonlf.blogspot.com