Friday, January 06, 2017

Uma poesia de Nora Murillo


Pérdida de inocencia
Nora Murillo
Te molesta
el retoñar de mis ramas
las flores que me brotan
lo verde de mis hojas

Estás con miedo
porque va desapareciendo
esa triste palidez
que te gustó al conocerme

Me ves como sombra
que opaca tus deseos
esos...
los que de niño aprendiste
y ahora
no te permiten ver
que aquí
              en la cuesta
una mujer 
                    camina.

A INOCÊNCIA PERDIDA

Te incomoda
o retornar dos meus ramos
as flores que me brotam
o verde das minhas folhas

Estás com medo
porque vai desaparecendo
essa triste palidez
que tu gostastes ao me conhecer

Me vês como sombra
que ofusca teus desejos
esses...
os que de criança aprendestes
e agora
não te permitem ver
que aqui
na colina
uma mulher
caminha


Um poema de amor de Becker

AMOR ETERNO                                        
Gustavo Adolfo Becker

Podrá nublarse el sol eternamente;
Podrá secarse en un instante el mar;
Podrá romperse el eje de la tierra
Como un débil cristal.
Todo sucederá! Podrá la muerte
Cubrirme con su fúnebre crespón;
Pero jamás en mi podrá apagarse
La llama de tu amor.

AMOR ETERNO

Poderá o sol nublar-se eternamente;
Poderá secar, em um instante, o mar;
Poderá romper-se o eixo da terra
Como um débil cristal.
Tudo poderá suceder! Poderá a morte
Cubrir-me com seu fúnebre manto;
Porém, jamais, em mim, poderá apagar-se
A chama do teu amor. 

Thursday, January 05, 2017

Uma poesia de José Batres Montúfar

 Yo pienso en ti
 José Batres Montúfar

Yo pienso en ti, tú vives en mi mente,
sola, fija, sin tregua, a toda hora,
aunque tal vez el rostro indiferente
no deje reflejar sobre mi frente
la llama que en silencio me devora.

En mi lóbrega y yerta fantasía
brilla tu imagen apacible y pura,
como el rayo de la luz que el sol envía
a través de una bóveda sombría
al roto mármol de una sepultura.

Callado, inerte, en estupor profundo,
mi corazón se embarga y se enajena,
y allá en su centro vibra moribundo
cuando entre el vano estrépito del mundo
la melodía de su nombre suena.

Sin lucha, sin afán y sin lamento,
sin agitarme, en ciego frenesí,
sin proferir un sólo, un leve acento,
las largas horas de la noche cuento
y pienso en ti!

EU PENSO EM TI

Eu penso em ti, tu vives na minha mente,
só, fixa, sem trégua, a toda hora,
ainda que, talvez, o rosto indiferente
não deixe refletir sobre minha fronte
a chama que, em silêncio, me devora.

Na minha escura e rígida fantasia,
brilha tua imagem, aprazível e pura,
como um raio de luz que o sol envia
através de uma abóboda sombria
ao desgastado mármore de uma sepultura.

Calado, inerte, em estupor profundo
meu coração se embaralha e se alheia
e ali, no seu centro, vibra moribundo
quando além do vão estrepito do mundo
a melodia de seu nome o ar recheia.

Sem luta, sem desejo e sem lamento,
sem agitar-me, em cego frenesi,
sem proferir um só, um leve acento,
as longas horas da noite conto
e penso em ti!


Ilustração: nacaoitaquera.blogspot.com

POEMA DAS COISAS QUE NÃO SEI


Eu não poderia te dizer, sobre as coisas que não sei,
muito mais do que te digo:
Sou feliz contigo.
Sou feliz
contra toda lógica, circunstâncias, ocasião.
Se for loucura, prefiro não ser são.
E, se por muito tempo, não podemos estar juntos,
então, mudemos de assunto.
Falemos de amores ainda mais impossíveis.
Afinal não somos nenhum Romeu nem Julieta-
até pela idade- e o fato de que nossa nobreza  é tupiniquim,
porém, não tenho culpa de te ter conhecido mais tarde do que devia,
da vida nos ter feito esta ironia
e de te amar tanto assim.
Não creio que isto possa ser ruim.
Ainda mais quando penso
que, sem você,
não tenho mais prazer
não tenho paz,
e quando, como agora,
fico distante, dói demais!  

Wednesday, January 04, 2017

Uma poesia de Santiago Montobbio




ME EXTIENDO SOBRE UN DESIERTO DE OLVIDO
Santiago Montobbio

y soy la noche. No tengo fronteras
ni tierra alguna que me sostenga.
Soy también un mar que no termina.
Soy el alba, la luna, la daga. Soy
el silencio roto sobre el alma.
Ha llegado el tiempo de recoger su siembra
y que la espera florezca de algún modo, alumbre
un amor o una mañana, nos dé la mano con un calor
cercano y vivo, muy sentido, y en él sintamos que los días
vienen como lluvia
bendita y bendecida
desde el fondo de Dios
o de nosotros mismos. Es tiempo
de estar solos y ser libres
y de inundar quizá de un agua pura los adentros.
A veces sólo el arte logra dar con el camino.

ME ESTENDO SOBRE UM DESERTO DE ESQUECIMENTO

eu sou a noite, Não tenho fronteiras
nem terra alguma que me sustente.
Sou também um mar que não termina.
Sou o amanhecer, a lua, o punhal. Sou
o silêncio roto sobre a alma.
Há chegado o tempo de recolher sua colheita
e que a espera  floresça de algum modo, iluminando
um amor ou uma manhã, que nos dê a mão com o calor
próximo e vivo, muito sentido, e nele sintamos que os dias
vem como a chuva
bendita e abençoada
desde o interior de Deus
ou de nós mesmos. O tempo
de estarmos sós e ser livres
e de inundar, quem sabe, de uma água pura os escaninhos.
Ás vezes só a arte logra achar o caminho.


Ilustração: Leni Martins

Tuesday, January 03, 2017

E, de volta, Storni

Tu dulzura                                        
 Alfonsina Storni

Camino lentamente por la senda de acacias, 
me perfuman las manos sus pétalos de nieve, 
mis cabellos se inquietan bajo céfiro leve 
y el alma es como espuma de las aristocracias. 

Genio bueno: este día conmigo te congracias, 
apenas un suspiro me torna eterna y breve... 
¿Voy a volar acaso ya que el alma se mueve? 
En mis pies cobran alas y danzan las tres Gracias. 

Es que anoche tus manos, en mis manos de fuego, 
dieron tantas dulzuras a mi sangre, que luego, 
llenóseme la boca de mieles perfumadas. 

Tan frescas que en la limpia madrugada de Estío 
mucho temo volverme corriendo al caserío 
prendidas en mis labios mariposas doradas.

Tua doçura

Caminho lentamente ao longo de uma rua de acácias,
me perfumam as mãos suas pétalas de neve,
meu cabelo é perturbado pelo vento  leve
e a alma é como a espuma das aristocracias.

Gênio bom: este dia comigo te me congraças,
Apenas um suspiro me faz eterna e breve ...
Vou voar ao acaso já que a alma se move?
Em meus pés cobram asas  e dançam as três Graças.

É que, na noite passada, em minhas mãos de fogo,
deram tantas doçuras ao meu sangue, que, logo,
encheu-se a minha boca de mel perfumada.

Tão fresca que na clara na madrugada de Estio
muito temo voltar correndo ao casario  
com, em meus lábios, presos borboletas douradas.


E, de volta, Gabriela Mistral

DULZURA                                                                   
Gabriela Mistral

Madrecita mía,
madrecita tierna,
déjame decirte
dulzuras extremas.

Es tuyo mi cuerpo
que juntaste en ramo;
deja revolverlo
sobre tu regazo.

Juega tú a ser hoja
y yo a ser rocío:
y en tus brazos locos
tenme suspendido.

Madrecita mía,
todito mi mundo,
déjame decirte
los cariños sumos.

DOÇURA

Mamãezinha minha,
mamãezinha terna,
deixa-me dizer-te
doçuras extremas.

É teu meu corpo
que juntaste em ramos;
deixa-me derramá-lo
sobre o teu regaço.

Julgas tu ser a folha
e eu, a gota d’água:
e em teus braços loucos
tem me suspendido.

Mamãezinha minha,
todinha meu mundo,
deixa-me dizer-te,  
dos carinhos, os sumos.


Ilustração: compreender e evoluir

Monday, January 02, 2017

Mais uma das poesias de Pablo Neruda


Feliz año para mi patria en tinieblas

Pablo Neruda

FELIZ año, este año, para ti, para todos
los hombres, y las tierras, Araucanía amada.
Entre tú y mi existencia hay esta noche nueva
que nos separa, y bosques y ríos y caminos.
Pero hacia ti, pequeña patria mía,
como un caballo oscuro mi corazón galopa:
entro por sus desiertos de pura geografía,
paso los valles verdes donde la uva acumula
sus verdes alcoholes, el mar de sus racimos.
Entro en tus pueblos de jardín cerrado,
blancos como camelias en el agrio
olor de tus bodegas, y penetro
como un madero al agua de los ríos que tiemblan
trepidando y cantando con labios desbordados.

Recuerdo, en los caminos, tal vez en este tiempo,
o más bien en otoño, sobre las casas dejan
las mazorcas doradas del maíz a secarse,
y cuántas veces fui como un niño arrobado
viendo el oro en los techos de los pobres.

Te abrazo, debo ahora
retornar a mi sitio escondido. Te abrazo
sin conocerte: dime quién eres, reconoces
mi voz en el coro de lo que está naciendo?
Entre todas las cosas que te rodean, oyes
mi voz, no sientes cómo te rodea mi acento
emanado como agua natural de la tierra?

Soy yo que abrazo toda la superficie dulce,
la cintura florida de mi patria y te llamo
para que hablemos cuando se apague la alegría
y entregarte esta hora como una flor cerrada.
Feliz año nuevo para mi patria en tinieblas.
Vamos juntos, está el mundo coronado de trigo,
el alto cielo corre deslizando y rompiendo
sus altas piedras puras contra la noche; apenas
se ha llenado la nueva copa con un minuto
que ha de juntarse al río del tiempo que nos lleva.
Este tiempo, esta copa, esta tierra son tuyos:
conquístalos y escucha cómo nace la aurora.


FELIZ ANO NOVO PARA MINHA PÁTRIA EM TREVAS

Feliz Ano, este ano, para ti, para todos
aos homens, e aos campos, do meu amado Norte.
Entre tu e minha existência há esta noite nova
que nos separa, florestas e rios e estradas.
Porém, até ti, grande pátria minha,
como um cavalo escuro meu coração galopa:
entro por teus desertos de  pura geografia,
passo pelos vales verdes onde se acumulam as uvas
seus álcoois verdes, o mar de suas raízes.
Entro em suas cidades de jardim fechado,
brancos como camélias no leite,
sinto o aroma de suas adegas, e penetro
como um tronco na água dos rios que tremem
trepidando e cantando com os lábios abertos.

Lembro-me, dos caminhos, talvez, neste momento,
ou melhor em outono, caindo sobre as casas
do tumulto das espigas douradas do milho a secar,
e, quantas vezes, fui como uma criança fascinada
vendo o ouro nos telhados dos pobres.

Te abraço, agora,
devo voltar ao meu esconderijo. Te abraço
sem te conhecer: diz-me quem  és, se reconheces
minha voz no coro do que está nascendo?
Entre todas as coisas que te rodeiam, ouves
minha voz, não sentes o acento de meu sotaque
como a água natural que emana da terra?

Sou eu que te abraço toda superfície doce,
a cintura florida do meu país e chamo
para que falemos quando se apague a alegria
e entregar-te esta hora como uma flor fechada.
Feliz Ano Novo para minha pátria em trevas.
Vamos juntos, esta o mundo coroado de trigo,
O céu alto corre deslizando e rompendo
suas altas pedras puras contra a noite; apenas
se completou o novo copo num minuto,
que é para se juntar ao rio do tempo que nos leva.
Este tempo, esta taça, esta terra são tuas:
conquista-os e escuta como nasce a aurora.

Sunday, January 01, 2017

Mais uma poesia de Storni

LA CARICIA PERDIDA         
Alfonsina Storni

Se me va de los dedos la caricia sin causa,
se me va de los dedos... En el viento, al pasar,
la caricia que vaga sin destino ni objeto,
la caricia perdida ¿quién la recogerá?

Pude amar esta noche con piedad infinita,
pude amar al primero que acertara a llegar.
Nadie llega. Están solos los floridos senderos.
La caricia perdida, rodará... rodará...

Si en los ojos te besan esta noche, viajero,
si estremece las ramas un dulce suspirar,
si te oprime los dedos una mano pequeña
que te toma y te deja, que te logra y se va.

Si no ves esa mano, ni esa boca que besa,
si es el aire quien teje la ilusión de besar,
oh, viajero, que tienes como el cielo los ojos,
en el viento fundida, ¿me reconocerás?

Lá se vão os dedos à carícia sem causa,
lá se vão os dedos...no vento, ao passar,
a carícia que vaga sem destino nem objeto,
a carícia perdida, quem a recolherá?

A CARÍCIA PERDIDA

Pude amar esta noite com piedade infinita,
pude amar  ao primeiro que acertará chegar.
Ninguém chega. Estão só os floridos caminhos.
A carícia perdida , rodará...rodará...

Se nos olhos te beijam, esta noite, viajante,
Se estremecem os ramos num doce suspirar,
Se te apertam os dedos uma mão pequena
que te toma e te deixa, que te engana e se vai.

Se não vês esta mão, nem essa boca que beija,
se é o ar quem te dá a ilusão de beijar,
oh! Viajante, que tens como o céu os olhos,
no vento misturada, me reconhecerás? 

Ilustração: Cuentos, Poemas y Reflexiones para el Alma