Tuesday, July 11, 2017

Outro poema de Peter Boyle

Paralysis                      

 Peter Boyle

Laid out flat
in the back of the station wagon my father borrowed
I look up:
the leaves are immense,
green and golden with clear summer light
breaking through –
though I turn only my neck
I can see all of them
along this avenue that has no limits.


What does it matter
that I am only eyes
if I am to be carried
so lightly
under the trees of the world?
From beyond the numbness of my strange body
the wealth of the leaves
falls forever
into my small still watching.

PARALISIA

Caído sobre o assento
na parte de trás do vagão meu pai colocou
Eu olho para cima:
as folhas são imensas,
verdes e douradas como a luz clara de verão
atravessando o ar-
ainda que gire apenas meu pescoço
posso vê-las todas
ao longo desta avenida que não tem limites.

O que isto importa
para eu que sou somente olhos
Se eu vou levado
tão levemente
sob as árvores do mundo?
Bem além do entorpecimento do meu estranho corpo
a riqueza das folhas
cai para sempre
na minha ainda pequena visão.


Ilustração: Gospel 10. 

Monday, July 10, 2017

UM POEMA DE PETER BOYLE



Robert Frost at Eighty

 Peter Boyle

I think there are poems greater and stranger than any I have known.
I would like to find them.
They are not on the greying paper of old books
or chanted on obscure lips.
They are not in the language of mermaids
or the sharp-tongued adjectives of vanishing.
They run like torn threads along paving stones.
They are cracked as the skull of an old man.
They stir in the mirror
at fifty,
at eighty.
My ear keeps trying to hear them
but the seafront is cold.
The tide moves in.
They migrate like crows at a cricket ground.
They knock at the door when I am out.


I have done with craft.
How can I front ghosts with cleverness,
the slick glide of paradox and rhyme
that transforms prejudice
to brittle gems of seeming wisdom?


Though I bury all I own or hold close
though my skin outlives the trees
though the lines fall shattering the stone
I cannot catch them.
They have the lilting accent
of a house I saw but never entered.
They are the sounds a child hears –
the water, the afternoon, the sky.

I watch them now
trickling through the open mirror.
Sometimes, but almost never
we touch what we desire.

Robert Frost aos oitenta

Penso que existem poemas maiores e mais estranhos do que qualquer um que temos conhecido.  
Eu gostaria de encontrá-los.
Eles não estão em papéis cinzentos ou velhos livros
ou cantados em escuros lábios.
Eles não estão em cantos de sereias
ou nos adjetivos das filosas línguas em desaparecimento.
Correm como fios rasgados através das lesmas.
Estão rachados como o crânio de um homem velho.
Se revolvem no espelho
aos cinquenta,
aos oitenta.
Meu ouvido segue tentando escutá-los
porém,  a muralha é fria.
A maré avança.
Migram como corvos até um campo de grilos.
Tocam a porta quando estou fora.


Eu tenho feito com habilidade.
Como posso enfrentar fantasmas com inteligência,
o hábil deslizamento do paradoxo e do ritmo
que transforma em prejuízo
as gemas frágeis de sabedoria aparente?


Ainda que eu enterre tudo o que possuir ou mantenha tudo perto de mim
que minha pele sobreviva às árvores
ainda que as linhas se precipitem estilhaçando as pedras
Eu não posso pegá-los.
Eles têm os acentos monótonos
de uma casa que eu já vi, mas, que nunca entrei.
Eles são o som que uma criança ouve-
a água, a tarde, o céu.

Eu escuto eles agora
escorrendo através do espelho aberto.
Algumas vezes, mas, nem sempre
nós podemos tocar aquilo que desejamos. 

Ilustração: paintingandframe.com. 

Outra poesia de Liliana Ponce



MANIFIESTO...

Liliana Ponce

Manifiesto, rehizo la región lejana del espacio donde te sorprende.
En el aspecto descubrió la transformación.
Juego –desplazamiento lunar, sol, serpiente de algún peligro.

Aureola opalina que inunda el placer, que crece inconfundible.
He aquí un día:
mientras no he sido todavía cortado.


MANIFESTO

Manifesto, refaço a região distante do espaço onde te surpreende.
No aspecto descubro a transformação.
Jogo- deslocamento lunar, sol, serpente de algum perigo.

Aureola opalina que inunda de prazer, que cresce inconfundível.
Aqui um dia:

Enquanto, ainda, todavia, não houver sido cortada.

Ilustração: Pintarest. 

Thursday, July 06, 2017

CANÇÃO PARA O AMOR POR UM LÍRIO



És lírio delicado
Que morres de vergonha
Quando te dizem que és bela.
No entanto, andas como se voasses,
Com a sutileza de uma bailarina
E o som do roçar das asas dos anjos.
Mas, o mais grave, o mais perigoso,
Além do teu sorriso, fruta doce, nova do quintal
Ou do teu cheiro de flores na primavera,
São teus olhos, estes faróis de doçura e de prazer,
Que me dizem sempre o que não devem dizer,
E me guiam rumo ao teu corpo,
Universo e lição de desejos,
Dever de casa da sensualidade,
Para aprender na tua pele de seda,
Sede  da paixão, calor de fogo eterno,
Como se deve amar,
Como se deve ser criança
E brincar com o fogo do desejo,
Que se acende em tuas pernas,
Com a curiosidade dos que não sabem de nada,
E beber nos teus seios
Que ouriçados são espadas de prazer,
Morros brancos de delícias,
E aflito compreender
Que tudo deve ser lento, devagar,
Para ser mais bonito,
Pois, o amor se renova,
Se desfaz, se esfuma sólido 
Como uma pluma 
E é exigente, insaciável, infinito,
Como um grito
Que se perde pelo ar
Ou um barco que navega, sem rumo, pelo mar
Sem nunca o porto alcançar.

Uma poesia de Raquel Jodorowsky

No me relaciono                 
Raquel Jodorowsky

No me relaciono con el desastre
ni con la muerte.
Soy un as-pájaro que come vida
adaptado a diámetros de luna y sol.
Una mujer pacífica en un mundo de batallas.
Hay tanta cólera en la mente de los hombres
¿Cuándo van a comprender que hay
un camino distinto
para llegar a los grandes poderes?
Porque
¿qué cosa duradera redime la violencia?
¿Qué es lo que la sangre lava para siempre?
Si todo queda realmente negro
bajo una costra de tristeza.
Nuestro espíritu no está hecho para matar
y a veces mata
en el nombre moderno de Dios
que es el Dios de las excusas.
¡Cómo quisiera que esta humanidad no sea
una flor de música destinada a quemarse!
Cómo olvidar las traidciones, los dráculas
las artes-trampas que dirigen la decapitación
desaparecen ciudades o gobiernan las almas
introduciendo microbios que carcomen
la alegría de vivir.
De suerte que estos erores invaden un siglo
confunden los pueblos y alteran
el movimiento del corazón del hombre.
Hemos olvidado lo grandioso que somos.

Mi poesía siente frío en este mundo
donde no me relaciono con la especie.
...Y mientras ellos caen yo resisto...

NÃO ME RELACIONO

Não me relaciono com o desastre
Nem com a morte.
Sou um às-pássaro que come vida
adaptado aos diâmetros da lua e do sol.
Uma mulher pacífica num mundo de batalhas.
Há tanta raiva na mente dos homens
Quando eles vão entender que há
uma maneira diferente
para chegar aos grandes poderes?
Porque
que coisa duradoura redime a violência?
Que é o que o sangue lava para sempre?
Se tudo realmente fica preto
debaixo de uma crosta de tristeza.
Nosso espírito foi feito para matar
e, às vezes, mata
em nome moderno de Deus
que é o Deus das desculpas.
Como quisera que esta humanidade não seja
uma flor musical destinada a queimar-se!
Como esquecer as traições, os Dráculas
Das artes-armadilhas que dirigem a decapitação
desaparecem cidades ou governam almas
introdução aos micróbios que roem
a alegria de viver.
De sorte que estes erros invadem um século
confundem as pessoas e perturbam
o movimento do coração humano.
Nós esquecemos de quão grandioso somos.

Minha poesia sente frio neste mundo
onde eu não me relaciono com a espécie.
E enquanto eles caem eu resisto ...


Ilustração: Blog do Pedlowski. 

Wednesday, July 05, 2017

Uma poesia de José Ramón Ripoli

I                                       
José Ramón Ripoll

De todo ese rumor que configura
la playa, el firmamento, el mar, su orilla,
sólo un guijarro entre las manos
asevera quién soy
más allá de los dedos que lo tocan
y acarician su mineral sustancia.
En la fusión imperceptible
de mi huella en la piedra
se escribe cuanto he deseado
y no ha podido ser.
Devuelvo el tiempo al agua
y continúo escuchando su sonido.
Lo demás es paisaje y una deuda
que me ha ocultado la mirada.

I

De todo esse rumor que configura
a praia, o céu, o mar, as beiras,
só uma pedra entre as mãos
assevera quem sou
mais além dos dedos que tocam
e acariciam a sua mineral substância.
Na mistura imperceptível
de meu traço na pedra
se escreve como hei desejado
e não pode ser.
Devolvo o tempo à água
e continuo a ouvir seu som.
O resto é paisagem e uma dívida
que está oculta do meu olhar.


Ilustração: Tripadvisor. 

Tuesday, July 04, 2017

Gira de Maria Padilha



Lá vem, a coroada por Ogum,
Lá vai, a amparada por Xangô
Vai e vem a força de Yansã
E, no terreiro, é ziriguidum

Cuidado quando gargalha
Com suas sete navalhas
Não respeita nenhum nó
E guardiã da lei é a maior

Laroye êêê ..Laroye...Laroye!
Mojubá é Mojubá !
Uma gargalhada odara dá
Exu Padilha salve! Salve!

Na noite e no dia anda,
Na luz ou na escuridão,
Quebra feitiço e comanda
Desfaz toda amarração

Não brinque com ela não
Que ela pega no seu pé
Com um copo, cigarro na mão
É a rainha do candomblé

Laroye êêê ..Laroye...Laroye!
Mojubá é Mojubá !
Uma gargalhada odara dá
Exu Padilha salve! Salve!

Sua saia vai rodar
Com uma rosa na mão
E um feitiço no olhar
Nesta noite de luar. 

Ilustração: Youtube. 

Uma poesia de Ana Rossetti



Qué será ser tú

Ana Rossetti
              
Este es el enigma, la atracción sobrecogedora
de conocer, el irresistible afán de echar el ancla
en ti, de poseerte.
Qué será la perplejidad de ser tú.
Qué, el misterio, la dolencia de ser tú y saber.
Qué, el estupor de ser tú, verdaderamente tú y,
con tus ojos, verme.
Qué será percibir que yo te ame.
Qué será, siendo tú, oírmelo decir.
Qué, entonces, sentir lo que sentirías tú.


O que será ser você
               
Este é o enigma, a esmagadora atração
de conhecer, a vontade irresistível de achar a âncora
em ti, de possuir-te.
Qual será a perplexidade de ser você.
Qual, o mistério, a dolência de ser você e saber.
Qual, é o estupor de ser você, verdadeiramente você e,
com os teus olhos, ver-me.
Que será perceber que eu te amo.
Que será, será sendo tu, me ouvir dizer isto.
O que, então, sentir o que sentirias tu.


Ilustração: A mente é maravilhosa. 

Monday, July 03, 2017

Outra poesia de Mauricio Molina



ANIMA MARIS

Mauricio Molina

Los delfines no sabían que te amaba
ni los parques de la Habana
cosagraban vino por nuestros amaneceres.

Disfruté en tu cuerpo,
Lloré camino al malecón
con la presencia salada del Caribe
Bailamos la canción de Compay
y dijimos amarnos los tres:
Vos, yo y la isla.

Es San José:
el  olvido llueve con locura.
Sobre aburridos líquenes
Tiembla el corazón
de los moribundos amantes.


ANIMA MARIS

Os golfinhos não sabiam que eu te amava
nem os parques de Havana
consagravam o vinho por nossos amanheceres.

Desfrutei de teu corpo,
Chorei a caminho do paredão
com a presença salgada do Caribe
Dançamos a canção de Compay
e nós dissemos amarmos a três:
Você, eu e a ilha.

É San Jose:
o esquecimento chove com loucura.
sobre entediados em líquidos
Treme o coração
dos moribundos amantes.

Uma poesia de Liliana Ponce


EN SU BOCA ARDE LA NOCHE...

Liliana Ponce

en su boca arde la noche
descorre un paño azul
lleva al fondo la piedra, tapa el agujero

ni olvido
ni saciedad

todo lo que se ha amado destella
aún, termina

ni viaje
ni amor

en el mar los puentes se desploman con vehemencia
apoyan el fuego donde se abre el tajo
donde babean

NA SUA BOCA ARDE A NOITE ...

Na sua boca arde a noite
descobre um pano azul
leva ao fundo, a pedra, cobre o buraco

não esquece
nem sacia

tudo o que tenho amado estremece
ainda, termina

nem viagem
nem amor

no mar das pontes despencam com veemência
apoiam o fogo onde se abre a cova
onde babam


Ilustração: Planeta Piercing.