Tuesday, July 13, 2021

Outra poesia de Cinzia Marulli

 


I PIEDI

 

Cinzia Marulli

  

Ci serve un po’ d’inchiostro

per macchiare questo bianco

un pennello di nero per coprire

l’apparenza, potremmo usare

anche il lucido da scarpe

che si secca sempre perché nessuno lo usa mai.

Tanto i piedi sono uguali alla testa

con entrambi si possono fare molti viaggi

solo che i piedi vanno piano, fanno passi lenti

la testa, invece, corre veloce

lì, dove nessuno può arrivare.

 

OS PÉS

Precisamos de um pouco de tinta

para manchar este branco

um pincel de negro para cobrir

a aparência, poderíamos usar

até graxa de sapato,

que sempre seca porque ninguém nunca usa.

Ambos os pés são iguais à cabeça

com os dois se pode fazer muitas viagens

só os pés vão devagar, vão a passos lentos

a cabeça, ao invés, corre veloz

lá, onde ninguém pode ir.

Ilustração: https://cirandapoetrix.com.br/.


A Sedução do abismo

  


Teus olhos
Iluminam a madrugada,
Quando a lua prateia o mar, 
Como se fossem estrelas

Que completam o céu...

Tua boca,

que sussurra sonhos
e colhe admiração,
lembra murmúrios de fontes,

Gotas brilhantes,

Brilhos do amanhecer...

Teu corpo,
Tradução da beleza,

Imóvel, 

Dança como as ondas do mar,

Feito o infinito, 
que escapa de definição...

Teu corpo, 
Modelo de perfeição do ser,
é um abismo incontrolável de prazer,
No qual mergulho,

Com a sensação de que vou morrer, 
Todavia sem hesitar nem por um triz:

Nenhum perigo me pode fazer mais feliz!
Ilustração: https://confissoesaesmo.wordpress.com/. 

Monday, July 12, 2021

SOLIDÃO

 


O que há de novo na noite

Nesta longa, doída e decadente noite?

São os anzóis que prendem as sombras do luar

E os cachorros a latir espantando o medo...

Se, ao menos, a água do mar subisse tanto

Que se misturasse com a prata da minha dor.

Se faltasse luz e as velas e os barcos se perdessem

E tudo ficasse negro, imensamente negro

Com os peixes brilhando como estrelas....

Talvez não fitar os teus olhos nesta noite

Não fosse esta vontade imensa e inútil de amor,

Porém, sentado olhando os barcos dançando

Não acredito senão que este é um quadro perfeito

De como se deve pintar a solidão.

Ilustração: https://www.amorc.org.br/. 

Mais uma poesia de Julio Barrenechea

 


VIDA SECRETA

 Julio Barrenechea

Como la luz en su platino, vivo.

Envuelto en un metal de suaves muros.

Entre lutos de amor, semidormido,

con los ojos tendidos a otro mundo.

 

¿Qué aceite me separa de las aguas

de esta vida que toca mis orillas?

Estoy como un silencio iluminado

vagando en un océano de lilas.

 

Si pudieran mirarme me verían,

con el oído de cristal, atento

a un caracol de músicas perdidas.

 

Cómo me veo yo, cuando me miro

encendido entre sombras, escuchando

el paso de la luz por el olvido.

 

VIDA SECRETA

 

Como a luz em sua platina, vivo.

Envolto em um metal de suaves muros.

Entre lutos de amor, meio adormecido,

com os olhos estendidos para outro mundo.

 

Que óleo me separa das águas

desta vida que toca minhas costas?

Estou como um silêncio iluminado

vagando em um oceano de lilases.

 

Se pudessem olhar-me me veriam

com o ouvido de cristal, atento

a um caracol de músicas perdidas.

 

Como me vejo eu, quando me olho

iluminado nas sombras, ouvindo

a passagem da luz pelo esquecimento.

Ilustração: https://demodelando.wordpress.com.  

Uma poesia de Isabella Leardini

 

Isabella Leardini 

Avrei voluto rimanerti in testa

come un motivo che ti prende dal mattino

o quelle frasi celebri dei film

che tornano ogni volta come un bene.

Ti ho dato il nome… mille te ne ho dati

eppure non accende le mie vene

sapere che lo porti, non mi sfama.

Tu resti come un segno lungo il muro

che torna fuori appena cade un quadro,

rappreso tra le pieghe delle mani.

E forse ti dovrò sempre portare

nell’aria che si alza dove passo.

 

Tive vontade de ficar em tua cabeça

como uma melodia que te prende de manhã

ou aquelas frases célebres de filmes

que regressam, de vez em quando, como algo bom.

Tinha te dado o nome…mil vezes te dei

sem embargo, não iluminam minhas veias

saber que o portas, não me sacia.

Tu ficas como um sinal ao longo da parede

que volta a mostrar-se apenas se cai um quadro,

congelado entre as dobras das mãos.

E, talvez, tenha que te levar sempre  

no ar que sobe por onde passo.

Ilustração: Vida Simples. 


Sunday, July 11, 2021

EM BUSCA DO PASSADO

 


Não! Não desejo lembrar
O tempo que passou...
Aquilo que era
Diz o verbo terminou...
Não venho reclamar
Ou mexer em velhas feridas.
Amar, deixar de amar
São coisas comuns nas vidas.
Não venho lhe pedir,
Nem se preocupe,
Para voltar
Nem cobrar palavras
Que perderam o sentido.
Passado é passado.
Perdido é perdido.
Se vim bater na sua porta,
É claro,
Que se trata de uma razão sentimental.
Sabe aquele vaso oriental
Que mamãe me deu?
Tá por aí ou você vendeu?

Ilustração: Vase – Wiktionary.

Uma poesia de Cinzia Marulli

 


IL VUOTO  

 

 Cinzia Marulli

 

Forse si avvicina al silenzio la parola

e con un sussurro di vetro

vorrei parlarvi del vuoto

dell’assenza primordiale dell’anima

– di quella sospensione concreta del cosmo –

 

Quale colore tinge l’assenza?

 

Il vuoto è tanto assurdo quanto il tempo

è  forse quella scatola dorata che contiene il niente?

 

Il vuoto lambisce il senso

irreale del dolore.

 

O VAZIO

 

Talvez a palavra se aproxime do silêncio

e com um sussurro de vidro

quisesse te falar sobre o vazio

da ausência primordial da alma

- daquela suspensão concreta do cosmos -

 

Que cor tinge a ausência?

 

O vazio é tão absurdo quanto o tempo

é talvez a caixa dourada que não contém nada?

 

O vazio toca o sentido

irreal da dor.

Ilustração: https://leagueoflegends.fandom.com/pt-br/wiki/Vazio.

Friday, July 09, 2021

O homem inacabado



 

Há sim, um homem a ser feito,

sem prazo de conclusão.

É sim um homem provisório,

inacabado, efêmero

e que continua mais projeto

que produto.

É uma estrutura ainda sustentada

por fracos pilares

que parece se esconder em máscaras

disformes.

Há momentos em que penso

que irá desabar,

em seu permanente estado de confusão,

sem chegar a ser alguma coisa.

Há momentos em que penso

que com o seu acabamento 

chegará seu fim.

E deve ser mesmo assim. 

Porém, tudo é material.

E pó, com certeza,

sempre será até se perder

na confusão dos seres  inanimados.

Ilustração: https://pt.wahooart.com/.


E mais uma poesia de Julio Barrenecha

 


VIDA SECRETA

Julio Barrenechea

Como la luz en su platino, vivo.

Envuelto en un metal de suaves muros.

Entre lutos de amor, semidormido,

con los ojos tendidos a otro mundo.

 

¿Qué aceite me separa de las aguas

de esta vida que toca mis orillas?

Estoy como un silencio iluminado

vagando en un océano de lilas.

 

Si pudieran mirarme me verían,

con el oído de cristal, atento

a un caracol de músicas perdidas.

 

Cómo me veo yo, cuando me miro

encendido entre sombras, escuchando

el paso de la luz por el olvido.

 

VIDA SECRETA

 

Como a luz em sua platina, vivo.

Envolto em um metal de suaves muros.

Entre lutos de amor, meio adormecido,

com os olhos estendidos para outro mundo.

 

Que óleo me separa das águas

desta vida que toca minhas costas?

Estou como um silêncio iluminado

vagando em um oceano de lilases.

 

Se pudessem olhar-me me veriam

com o ouvido de cristal, atento

a um caracol de músicas perdidas.

 

Como me vejo eu, quando me olho

iluminado nas sombras, ouvindo

a passagem da luz pelo esquecimento.

Ilustração: https://revistavidasecreta.wordpress.com/.


Wednesday, July 07, 2021

Uma poesia de Nicolás Cristóbal Guillén Batista

 


La vida empieza a correr 

Nicolás Cristóbal Guillén Batista

La vida empieza a correr

De un manantial, como un río;

A veces, el cauce sube,

A veces, el cauce sube,

Y otras se queda vacío.

 

Del manantial que brotó

Para darte vida a ti,

Ay, ni una gota quedó

Para mí:

La tierra se lo bebió.

 

Aunque tú digas que no,

El mundo sabe que sí,

Que ni una gota quedó

Del manantial que brotó

Para te dar vida. 

A vida começa a correr

A vida começa a correr

de um manancial, como um rio;

Ás vezes, o canal sobe,

Às vezes, o canal sobe,

E outras se queda vazio.

 

Do manancial que brotou

Para dar vida a ti

Aí, nenhuma gota ficou

Para mim:

A terra toda o bebeu.

 

Ainda que diga que não,

O mundo sabe que sim,

Que nenhuma gota ficou

Do manancial que brotou

Para dar vida a ti.

Ilustração: copaíba.org.br.

Outra poesia de Julio Barrenechea

 


EL HARINERO

 Julio Barrenechea

Va por la calle el harinero,

como una blanca nubecilla.

Va todo blanco cabalgando

sobre su caballo de harina.

 

Llegará hasta el fin de la calle.

Después,

seguirá cielo arriba.

Y no es la Virgen en la burra,

quien duerme adentro de la luna.

 

El que duerme es el harinero

en su blanca cabalgadura.

 

O FARINHEIRO

O farinheiro vai pela rua,

como uma nuvemzinha branca.

Vai todo branco cavalgando

no seu cavalo de farinha.

 

Chegará até o fim da rua.

Depois,

seguirá o céu acima.

E não é a Virgem no burro,

quem dorme dentro da lua.

 

Quem dorme é o farinheiro

na sua branca cavalgadura.

Ilustração: Bing. 

 

IMAGEM

 


Imagem –
Eis o deus da falta de substância.
Procuro o sumo da realidade
Por detrás de signos
Que escondem a fome multiplicada
de milhões.

Imagem de televisão:
Do diplomata,
Que impecavelmente garante,
Por si e por seu passado,
Que todos estão errados
(Só ele não)
Que não houve o que houve.

Quedo-me atônito diante da versão
E os fatos que explodem no meu rosto
São fragmentos de uma manchete
que não é impressa
E eu, perante tantos eus despersonalizados,
Também tenho medo de fragmentar-me
De também despertar
um dia
apenas uma imagem
.

(De "Apocalypse", Editora Per Se). 

Ilustração: https://www.imperiocigano.com.br/.

Monday, July 05, 2021

Sempre fora de ritmo

 

É ainda com o mesmo olhar de menino
Que procuro meus brinquedos
De homem velho.
Há, é certo, muito além
Da inocência de outrora
A urgência do desejo e da hora
E a maldade, envolta
Em palavras gentis e suaves,
Que examina as promessas,
Mesmo as mais reais,
Com incredulidade.
Não me alimento de saudade
Nem de esperança.
Sei que o mundo é uma dança
E vou me balançando como posso.

Ilustração: http://jessi-aleal.blogspot.com/

Saturday, July 03, 2021

Uma poesia de Julio Barrenechea

 


DIARIO MORIR

Julio Barrenechea

Yo no soy el que vive,

vive el mundo en mis ojos.

Los colores, el ruido

en el atento oído.

 

La suave piel del mármol

vive en el tacto fino.

Habitan en el húmedo paladar los sabores,

y en el olfato

el alma de las flores.

 

Yo no vivo, yo capto la vida solamente.

Soy el pobre recinto

donde la luz asila pasajera

su vida permanente.

 

Soy el deudo que sufre por las mortales cosas.

Asisto al funeral de cada mariposa,

y siento que pierdo algo al morir cada rosa.

 

Si pudiera irme solo si pudiera

irme sin todo lo que va conmigo

Viendo la juventud no envejeciera.

Me veo envejecer en mis amigos.

 

¡Oh, gris profundidad! ¡Oh, lejanía!

Bruma de los espejos empañados.

¡Cómo se van secando las pupilas!

¡Cómo se van los rostros alejando!

 

Ah, quién pudiera detener los rostros.

Que no sigan hundiéndose en el aire,

que no caigan al fondo de los ojos,

que sigan en la luz, que no naufraguen.

Si pudiera irme solo, si pudiera

irme sin todo lo que va conmigo.

 

Si fuera mi morir sólo una sombra

que se consume sola en lo encendido.

 

Si mientras yo me muero entre las cosas

todo fuera quedando intacto y vivo.

Si el venero secreto de mi llanto

en rejas de cristal fuera vertido,

ante un recinto de color y canto.

Si sólo yo penara en mi pasado,

no moriría tanto como muero,

porque no muero en mí sino en lo amado.

 

DIÁRIO DE MORRER

 

Eu não sou o que vive,

vive o mundo em meus olhos.

As cores, o ruído

no atento ouvido.

 

A suave pele de mármore

vive no tato fino.

Habita no úmido paladar dos sabores,

e no olfato

a alma das flores.

Eu não vivo, eu capto a vida somente.

Sou o pobre recinto

onde a luz aloja passageira

sua vida permanente.

 

Sou o devedor que sofre pelas coisas mortais.

Assisto ao funeral de cada mariposa,

e sinto que perco algo ao morrer de cada rosa.

 

Se pudesse ir-me só se pudesse

ir-me sem tudo o que vai comigo

Vendo a juventude não envelheceria.

Me vejo envelhecer nos meus amigos.

 

Oh! Profundidade cinza! Oh! Distância!

Bruma dos espelhos embaçados.

Como se vão secando as pupilas!

Como se vão os rostos se afastando!

 

Ah! Quem poderia deter os rostos.

Que não sigam perdendo-se no ar,

que não caiam no fundo dos olhos,

que sigam na luz, que não naufraguem.

Se pudesse ir-me só, se pudesse

ir-me sem tudo o que vai comigo.

 

Se fosse o meu morrer só uma sombra

que se consome só se ilumina.

 

Se enquanto eu for morrendo entre as coisas

tudo fosse ficando intacto e vivo.

Se o manancial secreto de meu pranto

em  barras de cristal fosse vertido,

ante um recinto de cor e canto.

Se só eu pensasse em meu passado,

não morreria tanto como morro,

porque não morro em mim sim no amado.

Ilustração: Globo.com.