Tuesday, September 21, 2021

Outra poesia de Seamus Heaney

 


POSTSCRIPT

Seamus Heaney

And some time make the time to drive out west

Into County Clare, along the Flaggy Shore,

In September or October, when the wind

And the light are working off each other

So that the ocean on one side is wild

With foam and glitter, and inland among stones

The surface of a slate-grey lake is lit

By the earthed lightening of flock of swans,

Their feathers roughed and ruffling, white on white,

Their fully-grown headstrong-looking heads

Tucked or cresting or busy underwater.

Useless to think you'll park or capture it

More thoroughly. You are neither here nor there,

A hurry through which known and strange things pass

As big soft buffetings come at the car sideways

And catch the heart off guard and blow it open

 

POSTSCRIPT

E, em algum tempo, arrumei tempo para dirigir ao oeste

No Condado de Clare, ao longo da Costa Flaggy,

Em setembro ou outubro, quando o vento

E as luzes estão trabalhando uma com a outra

Para que o oceano de um lado seja selvagem

Com a espuma e a purpurina, e no interior entre as pedras

A superfície de um lago cinza-ardósia se ilumine

Pelo relâmpago terrestre de um bando de cisnes,

Suas penas eriçadas e agitadas, brancas sobre o branco,

Suas cabeças de ar teimoso e desenvolvidas

Encolhida, com crista ou ocultas debaixo d'água.

Inútil pensar que você pode segurá-las ou capturá-las

Mais minuciosamente. Você não está aqui nem lá,

Uma inquietação atravessa coisas conhecidas e estranhas

Enquanto grandes golpes leves esbofeteiam o lado do carro

E pegam o coração desprevenido para explodi-lo

Wednesday, September 15, 2021

Ainda uma vez mais Alicia Aza

 


ESTANQUE

 

Alicia Aza

Me quedé al raso sola en el asfalto

una fuente de nombres vaciaron

el agua que regaba amaneceres.

No vendrá más la luz en primavera,

ni mi nombre será quien nos abrace

en la oscuridad dueña de los sueños.

Como yegua que para rehusando el salto,

la esperanza detiene su andadura

y solo es ya un reflejo en el estanque

en cuya orilla oíamos campanas.

LAGO

Acabei no solo sozinha no asfalto

uma fonte de nomes esvaziada

a água que regava o nascer do sol.

Não haverá mais luz na primavera,

nem meu nome será quem nos abraça

na escuridão dona dos sonhos.

Como uma égua que para recusar o salto,

a esperança detém sua jornada

e é só um reflexo na lagoa

em cujas margens ouvimos sinos.

Ilustração: https://pt.vecteezy.com/.


De novo Salvador Novo

 


La pena de perderte

Salvador Novo

Al poema confío la pena de perderte.

He de lavar mis ojos de los azules tuyos,

faros que prolongaron mi naufragio.

He de coger mi vida desecha entre tus manos,

leve jirón de niebla

que el viento entre sus alas efímeras dispersa.

Vuelva la noche a mí, muda y eterna,

del diálogo privada de soñarte,

indiferente a un día

que ha de hallarnos ajenos y distantes.

 

A DOR DE TE PERDER

Ao poema confio a dor de te perder.

Hei lavar meus olhos dos azuis dos teus,

faróis que prolongaram o meu naufrágio.

Hei de colher minha vida desfeita em tuas mãos,

ligeiro fio de névoa

que o vento entre suas asas efêmeras dispersa.

Volta a noite a mim, muda e eterna,

do diálogo privado de sonhar contigo,

indiferente a um dia

que há de nos encontrar alheios e distantes.

Ilustração: https://contramao.una.br/.

 

Thursday, September 09, 2021

Outra poesia de Alicia Asa

 


ROSAS II

Alicia Asa

Separé la rosa de mis pechos

para no llamar a la muerte

mientras me perdía

en lo desconocido de ti

y supe que era del todo mío.

ROSAS II

Separei a rosa de meus seios

para não chamar a morte

enquanto me perdia

no desconhecido de ti

e sabia que era tudo meu.

 

Elkin Restrepo novamente

 


ACOSO

Elkin Restrepo

El amor los acosa,

no les deja tiempo,

ni les da respiro

para algo que no sea el amor.

El amor los asalta,

los desuella vivos

y los pone a arder

delante de los ojos de todos.

Con besos, abrazos y caricias

buscan sobrevivir,

pero nada más inútil:

mientras más numerosos e intensos,

más indefensos están,

mientras más ciegos y fieros,

más perdidos.

Se miran, se tocan,

se envuelven

el uno al otro,

pero ni el amor mismo

los defenderá

del amor mismo.

Han llegado a ese punto

en que ya no hay vuelta,

y morir no les importa.

Entonces multiplican,

lances, ardides,

y astucias

y no cejan en el empeño:

Salvarse no les da

otra opción distinta

a devorarse a sí mismos.

 

Acossados

 

O amor os acossa,

não lhes deixa tempo,

nem lhes dá tempo de respirar

algo que não seja o amor.

O amor os assalta,

lhes desossa vivos

e os põe a arder

diante dos olhos de todos.

Com beijos, abraços e carícias

buscam sobreviver,

porém, nada mais inútil:

enquanto mais numerosos e intensos,

mais indefesos estão,

enquanto mais cegos e ferozes,

mais perdidos.

Se olham, se tocam,

se envolvem

um ao outro,

porém, nem o amor mesmo

os defenderá

do amor mesmo.

Chegaram a este ponto

em que não há volta,

e morrer não importa.

Então, multiplicam

lances, ardis,

e astucias

e não cedem no empenho;

salvar-se não lhes dá

outra opção distinta

que devorar-se a si mesmos.

Ilustração: http://www.cantodosclassicos.com/.

Monday, September 06, 2021

Uma poesia de Alicia Aza

  


LIRIOS

 

Alicia Aza

 

Y pasaron los días, y me invadió la sombra,

traspasando la línea incandescente

donde oculto el tesoro de tu mirada.

Me dejé ir, rozando las orillas

del río desbordado de sentidos,

y las piedras de musgo

donde una vez viste mis ojos

rodando sin memoria hacia tu siembra.

Me perdí de mis tierras verdes,

de los bosques que me celebran,

de la humedad del rocío en las mañanas

y del rumor del laurel junto a las olas.

Recuerdo ahora la luz

reflejos en mi cuerpo de las vides

en un atardecer sobre las peñas

y yo una celosía

ardiendo entre los lirios

sobre los que tú te vencías.

LÍRIOS

E passaram os dias, e me invadiu a sombra,

atravessando a linha incandescente

onde oculto o tesouro do teu olhar.

Me deixo ir, deslizando pela margens

do rio transbordando de sentidos,

e as pedras de musgo

onde uma vez viste meus olhos

rodando sem memória até tua semeadura.

Me perdi em minhas terras verdes,

nas florestas que me celebram,

da umidade do orvalho nas manhãs

e do murmúrio do louro junto às ondas.

Lembro agora da luz

reflexos no meu corpo das vinhas

em um pôr do sol sobre as rochas

e eu uma treliça

queimando entre os lírios                                    

sobre os quais tu superavas.

Ilustração: https://ieonline.microsoft.com/#ieslice

Sunday, September 05, 2021

E, de novo, Ted Hughes

 


SEPTEMBER

Ted Hughes

We sit late, watching the dark slowly unfold:

No clock counts this.

When kisses are repeated and the arms hold

There is no telling where time is.

 

It is midsummer: the leaves hang big and still:

Behind the eye a star,

Under the silk of the wrist a sea, tell

Time is nowhere.

 

We stand; leaves have not timed the summer.

No clock now needs

Tell we have only what we remember:

Minutes uproaring with our heads

 

Like an unfortunate King's and his Queen's

When the senseless mob rules;

And quietly the trees casting their crowns

Into the pools.

SETEMBRO

Nos sentamos até tarde, assistindo a escuridão se desdobrar lentamente:

Nenhum relógio conta isso.

Quando os beijos são repetidos e os braços se abraçam

Não há como contar como o tempo é.

 

É solstício de verão: as folhas pendem grandes e paradas:

Atrás do olho uma estrela,

Sob a seda do pulso um mar, diz

Que tempo não é lugar nenhum.

 

Nós resistimos; as folhas não medem o verão.

Não precisamos de relógio agora

Contamos somente apenas o que lembramos:

Os minutos alvoroçando nossas cabeças

 

Como um infeliz rei e sua rainha

Quando a multidão sem sentido governa;

E quietamente as árvores vão despejando suas copas

Dentro das piscinas.

Ilustração; iStocks. 

 

 

PERDIÇÃO

 


...e as lágrimas que não vem
não significam ausência de tristeza
são mais frutos da alma presa
da qual não brota coisa alguma...
Vida que percorro em tombos,
febril, veloz no meu cansaço.

Ah, sei que, aos poucos, me desfaço
e não disfarço
o mal que me corrói de saber
que me acabo vivendo um mau viver.
Limpo o corpo no prazer torpor
de explodir no gozo embriagador
sujando a alma que nunca se enganou.

...porque tardam tanto a morte e o amor?

Friday, September 03, 2021

Outra poesia de Alberto Infante



NO RECUERDO


Alberto Infante

No recuerdo bien qué hice o dije,

o, más bien, qué dejé de hacer o de decir.

Recuerdo, sí, tu llamada nocturna.

Y siendo como eres orgullosa,

el cálido, cercano tono que empleaste.

 

Y, también, que me dormí pensando

qué más habrías dicho, o hecho,

o, al menos, intentado, si aquella no hubiera

sido tu postrera noche en la ciudad,

si yo no hubiera colgado tan aprisa.

NÃO LEMBRO

Não me lembro bem o que fiz ou disse,

ou melhor, o que deixei de fazer ou dizer.

Lembro, sim, da tua chamada noturna.

E sendo como és orgulhosa,

o tom quente e próximo que usaste.

 

E, também, que adormeci pensando

o que mais havias dito ou feito,

ou, ao menos, tentei, se aquela não tivesse

sido sua última noite na cidade,

se eu não tivesse desligado tão rápido.

Ilustração: O Estado.


Thursday, September 02, 2021

Cena noturna



E foi assim que na praia
Nós encontramos sozinhos...
Noite negra,
Areia alva,
Jangadas quietas,
Nenhum som, voz
E o gosto da tua boca
Me contando os segredos do mar.
Uma estrela indiscreta iluminou nosso amor
E a lua, recatada, entre as nuvens se
escondeu
Uma canção de amor provinda não sei
de onde
Nossos sonhos embalou.
A noção do tempo se perdeu
Só me lembro de tua voz rouca e
enternecida:
-Meu amor como é linda a vida!

Ilustração: Hotel Urbano.



Uma poesia de Alberto Infante

 


NO HAY GODOT EM BECKETT

 

Alberto Infante

 

Que seas irlandés, flacucho y desgarbado,

y salgas de un cine junto al Sena,

y sea el invierno del 38,

y te apuñale un vagabundo,

 

que sobrevivas,

y vayas luego hasta la cárcel

y preguntes “¿por qué lo hiciste?”

y él, tranquilo, responda “y yo qué sé”,

 

algo tendrá que ver me digo

con que en el 52 Estragón y Vladimir,

en medio de la nada

hablen, peroren, disparaten,

se crean necesarios

esperen a quien no vendrá,

pues Godot nunca vendrá.

 

¿Cómo va a venir si sabe bien lo que le espera?

 

NÃO HÁ GODOT EM BECKETT

Que sejas irlandês, magro e esbelto,

e saías de um cinema junto ao Sena,

e seja o inverno de 38,

e te apunhale um vagabundo,

 

que sobrevivas,

e, logo, vá até a cadeia

e pergunte "por que fez isto?"

e ele, tranquilo, responde "e o que eu sei?"

 

algo terá a ver me digo

com o 52 Tarragon e Vladimir,

no meio do nada

falem, orem, enlouqueçam,

se considerem necessários

esperando por quem não virá,

pois Godot nunca virá.

 

Como virá se sabe bem o que o espera?

Ilustração: O Fogaréu.

Wednesday, September 01, 2021

Mais três poesias de Jorge Curinao

 

 

TAN SEPTIEMBRE

Jorge Curinao

En el puerto

Las lloviznas despiden pañuelos.

Qué fue del abandono

ahora que examinamos el fuego

pudiente

irónico.

Qué fue del fuego

acaso dos luces nomás

de tanto caminar.

No.

Nadie sabe de la muerte.

TÃO SETEMBRO

No Porto

As chuvinhas miúdas despencam lenços.

O que foi do abandono

agora que examinamos o fogo

próspero

irônico.

O que foi do fogo

talvez duas luzes não mais

de tanto caminhar.

Não.

Ninguém sabe da morte.

X

Aquel que no encontró consuelo a la orilla del mar y no

reclama fe ni esperanza, sabe que la carne es triste. Que no

hay que hablar con extraños.

 X

Aquele que não encontrou consolo na beira do mar e não

Reclama nem da  fé nem da esperança, sabe que a carne é triste. Que não

tem que falar com estranhos.

XIII

Se aprende, en el pueblito, a caminar despacio. Se aprende

a hablar con las estrellas, con los muertos. Escucha, cierra los

 

ojos. Es la piedra que puse entre tus manos.

XIII

Se aprende, com o povinho, a caminhar devagar. Se aprende

a falar com as estrelas, com os mortos. Escuta, fecha os

 

olhos. É a pedra que pus entre as tuas mãos.

Ilustração: https://www.luamaralstudio.com/


ÊXTASE

 


Quando vens, manhosa, de braços abertos
Como uma criança que só quer carinho
Te enlaço suave e beijo de mansinho
Sabendo que os dias doces são incertos.
Saboreio o momento como a um manjar,
A vista já tonta, em delírio, alucinado,
Subo aos céus como um puro, sem pecados
Como só é dado a quem aprende a amar.
Vens, menina flor, espantar o meu espanto,
De que me presenteies com todo seu encanto
Com teus seios, com este corpo de mel puro.
Ah! Cada beijo que te dou sou mais criança
E cresce a febre e o prazer da amorosa dança
Que explode, no gozo, iluminando o escuro.

Ilustração: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/- Obra de Claudia Andujar.

Cardenal, pois..

 


No sé quién es el que está en la nieve...

Ernesto Cardenal

No sé quién es el que está en la nieve.

Sólo se ve en la nieve su hábito blanco,

y al principio yo no había visto a nadie:

sólo la pura blancura de nieve con sol.

El novicio en la nieve apenas se ve.

Y siento que hay Algo más en esta nieve

que no es mi novicio ni nieve y no se ve.

Não sei o que é que está na neve....

 Não sei quem está na neve.

Só se vê na neve seu traje branco,

E, no princípio, eu não havia visto nada:

Só a pura brancura da neve ao sol.

O noviço da neve apenas se vê.

E sinto que há algo mais nesta neve

Que não é noviça nem neve nem se vê.

Ilustração: https://abstracta.pro.br/.