Wednesday, November 13, 2013

Sergio Hernandez


DE NUEVO QUIERO ESCRIBIR

Sergio Hernandez

De nuevo quiero escribir
después de tanto tiempo
no sé por qué
ni para qué
ni para quién
pero el dorado moscardón del otoño que soy
zumba en mi alma
incendia mi corazón
y la ternura invade océanos
devueltos por tus ojos
que rondan y rondan
a esta flor extraña
pero el perro humillado que soy
enfermo y triste
gime al cielo buscando al amo
con el que nunca pudo comunicarse.

De novo quero escrever

De novo quero escrever
depois de tanto tempo
Não sei por que
nem para que
ou para quem
mas, a dourada varejeira de outono que sou
zumbiu em minha alma
incendiou o meu coração
e a ternura invade oceanos
devolvidos por teus olhos
que rondam e rondam
a esta flor estranha
porém, o cão humilhado que sou
doente e triste
geme ao céu buscando o amo
com o qual nunca poderá se comunicar.


Monday, November 11, 2013

Como se a distância não bastasse...


Bucólica II

Nem sei a razão
que me faz lembrar de alfinim
seu jeito assim
quando se diz meio zangada.
Fico agoniado, sem saber o que falar
e só penso em passar
a língua em ti...
Não és doce não, bem sei,
me encarando desta forma pouco católica
e, no entanto, és calórica
tanto que me acelera o coração
e o castigo que me dás
é repetitivo e vão:
como se fosse adiantar
me impedir mais
do que reclamo que está a me faltar!

Bucólica I


Era um ceuzinho azul,
um marzinho qualquer,
uma praia sem acidente.
Éramos nós somente
dispostos a amar
como a lonjura do mar,
com um desejo de se alongar,
de se estirar, de se espraiar
sem fim, sem fim....

Sunday, November 10, 2013

Poemas mal comportados


Mudança radical

Precisamos viver de um modo mais saudável-
ela me disse um dia com uma mansidão que me assustou.
A televisão desligou, vendeu o carro, jogou fora os celulares
e saiu, suavemente, quebrando os computadores
com o ar de quem se livrava de dores.
Só faltava me convidar para morar em Açores
ou Fernando de Noronha.
Mas, não, foi mais rápida na solução:
comprou um sítio no Baixo Madeira
e, como se a vida fosse uma brincadeira,
me enfiou num barco, numa segunda-feira,
para tomar banho de igarapé,
comer peixe frito,
viver num lugar que não se escutava um grito
e ser comido por mosquitos,
ávidos de carne nova.
Foi de amor uma prova:
aguentei bravamente um mês,
ao fim do qual,
louco por uma tv, uma revista ou um jornal
insisti que devia reconsiderar.
Ela parecia nem me ligar
e ficou por lá
magoando meu coração,
talvez na ilusão de que voltasse,
o que devo dizer que até pensei,
porém, não aguentaria sete dias, sei.
Um ano já passou..
Ela por lá
já deve ter arranjado
um beiradeiro ou um índio
e, se não o fez, foi por azar-
nenhum apareceu naquele lugar.
Com tempo e cachaça tudo esmaece.
E, se, no começo, muito se padece
preenchi o tempo vendo televisão
e, hoje, gosto até de novela.
Sem ela nada mais é como parece
tem horas que dá uma vontade danada
de entrar num site de relacionamentos
ou fazer um cruzeiro ou arranjar uma mulher.
A preguiça é que me faz
andar mesmo só até a janela
para ver uma lua cheia e solitária
inundar de luz o céu
me fazer sentir uma imensa saudade dela
que, em noites assim,
sempre fazia um carinho em mim.

Ilustração: www.culturamix.com

Saturday, November 09, 2013

Medo


Voava o vento
velozmente na noite isento
da culpa das coisas que caíam.

Não lembro de nenhum pensamento
sobre aquela noite ou sobre o vento
que, contam os antigos, foi um lamento
e consertaram todas as coisas que caíram.

No entanto, inconscientemente, algo
permaneceu na minha memória
e, todas as vezes em que ele voa,
ainda me assusto.

Ilustração: rugidoaoamanhecer.blogspot.com

Friday, November 08, 2013

Enrique Molina de volta



AL PASO DE LOS DIAS 

Enrique Molina          

Durante cierto tiempo, sin saberlo quizás,
viví la vida cotidiana, en medio de moscas aberrantes
y gentes que decían”Buenos días”, “Adiós”
o “Eres sin duda miserable, y hasta cuando
tu maldita costumbre de perder pie, tan lamentable”.
Dedicado a trabajos absurdos, aunque a pesar de todo
la vida cotidiana
fluía beso a beso, latido a latido,
no era ni luz ni sombra, y siempre había
personas muertas o remotas en el hogar.
Pero después
llegó la extraña vida, la insaciable, la insólita,
pendiente de un hilo, convirtiendo en pasión
toda cosa, en lugares de pájaros y olas,
quemándome las manos,
envenenada por el viento y el mar, una existencia
eminentemente escandalosa, con moscas y ruinas
y bocas que decían “Buenos días”, “Adiós” 
y extrañas ambiciones y maneras de morir,
todo
exactamente igual a la vida cotidiana.

Ao passo dos dias

Durante certo tempo, sem saber, talvez,
vivi a vida cotidiana em meio a moscas aberrantes
e as pessoas dizendo: " Bom dia ", "Adeus"
ou "És sem dúvida miserável, e até quando
terás o costume de perder oportunidades, tão lamentávelmente. "
Dedicado ao trabalho absurdo, ainda que, apesar de tudo,
a vida cotidiana
fluia beijo a beijo,  batimento a batimento ,
nem luz nem sombra, e sempre havia
pessoas mortas ou distantes em algum lugar.
                 

Porém  depois
chegou a estranha vida , a insaciável , a insólita,
pendendo de um fio, convertendo em paixão
cada coisa, em locais de pássaros e das ondas ,
Queimando-me as mãos,
envenenado pelo vento e mar, uma existência
eminentemente escandalosa , com as moscas e as ruínas
e bocas que diziam " Bom dia ", "Adeus"
e ambições estranhas e maneiras de morrer ,
tudo
exatamente igual à vida cotidiana.


Ilustração: www.taringa.net

Enrique Molina


JUEGO DE ESPEJOS 

Enrique Molina           
               
  Una mujer tan secreta y lenta, pero insisto
                 en descubrir el sol que la nutre y el león que olfatea
                 su nuca en la sombra,
                 cuando duerme de bruces,
                 de modo que escribo con cierta ansiedad
                 poemas en busca de la hierba tan fresca que brilla
                 en sus besos
                 No es fácil
                 alcanzar la palabra, o captar lo que dice su piel
                 con su vello dorado, raptada y devuelta por el mar,
                 cuando yace al sol sobre un toallón carmesí
                 y las palabras
                 se hunden en su respiración, o en la frase que explica
                 cómo su cuerpo se tiende en una hamaca
                 colgada bajo los árboles.
                 Y está la gente del mercado,
                 señoras que han adquirido un pollo o una merluza
                 y marchan hacia el árbol de navidad, en el cielo.
                 Juraría
                 que es mediodía y hace calor, pero todo es sospechoso
                 en este lugar centelleante. 


Jogo de espelhos
                

 Uma mulher tão secreta e lenta, porém, insisto
                 em descobrir o sol que a nutre e o leão que fareja
                 seu pescoço na sombra,
                 quando dorme de bruços ,
                 de forma que escrevo com alguma apreensão
                 poemas em busca de erva fresca que brilha
                 nos seus beijos

                 Não é fácil
                 alcançar a palavra, ou capturar o que diz sua pele
                 com seu cabelo dourado, seqüestrado e devolvido pelo mar,
                 quando deitada ao sol numa toalha carmesim
                 e as palavras
                 se fundem na sua respiração, ou na frase que explica
                 como o seu corpo se estende numa rede
                 esticada sob as árvores.
                 E estão lá as pessoas do mercado,
                 senhoras que adquiriram uma galinha ou uma merluza
                 e marcham até a árvore de Natal, no céu.
                 Juraria
                 que é meio-dia e faz calor, mas tudo é suspeito
                 neste lugar cambiante.
Ilustração: fotografosdeelvas.blogspot.com

Thursday, November 07, 2013

Pablo Neruda


Soneto XVII

Pablo Neruda

No te amo como si fueras rosa de sal, topacio
o flecha de claveles que propagan el fuego:
te amo como se aman ciertas cosas oscuras,
secretamente, entre la sombra y el alma.
Te amo como la planta que no florece y lleva
dentro de sí, escondida, la luz de aquellas flores,
y gracias a tu amor vive oscuro en mi cuerpo
el apretado aroma que ascendió de la tierra.
Te amo sin saber cómo, ni cuándo, ni de dónde,
te amo directamente sin problemas ni orgullo:
así te amo porque no sé amar de otra manera,
sino así de este modo en que no soy ni eres,
tan cerca que tu mano sobre mi pecho es mía,
tan cerca que se cierran tus ojos con mi sueño.

Soneto XVII

Não, te amo como se fosses uma rosa de sal, um topázio
ou uma flecha de cravos que propaga fogo:
te amo como se ama certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
no seu seio, escondida a luz das flores,
e graças a teu amor vive oculta no meu corpo
como a saborosa fragrância que sobe da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
assim deste modo em que não sou nem és,
tão perto que a tua mão sobre meu peito é a minha,
tão perto que se cerram teus olhos com o meu sono.


Ilustração: behappynow1.blogspot.com

María Sanz


EL GIRASOL

María Sanz

¿A dónde irán las agujas
 del reloj,
 dando vueltas por el tiempo,
 girasol?

 Si sabes cómo pararlas,
 dímelo,
 porque mi niño no quiere
 ser mayor.

Las cuatro, las cinco,
la una y las dos,
 ¿hacia dónde giras,
 girasol?

O girassol

Onde irão os ponteiros
do relógio
dando voltas pelo tempo
girassol?

Se sabes como pará-los,
diz-me,
porque meu menino não quer
crescer.

As quatro, às cinco, 
à uma e as duas,
Até onde giras,
girassol?
  

Ilustração: lectandome.blogspot.com

Rafael de Leon


"NECESITO DE TI"

Rafael de Leon

Necesito de ti, de tu presencia,
de tu alegre locura enamorada.
No soporto que agobie mi morada
la penumbra sin labios de tu ausencia.
Necesito de ti, de tu clemencia,
de la furia de luz de tu mirada,
esa roja y tremenda llamarada
que me impones, amor, de penitencia.
Necesito tus riendas de cordura
y aunque a veces tu orgullo me tortura
de mi puesto de amante no dimito.
Necesito la miel de tu ternura
el metal de tu voz, tu calentura,
Necesito de ti, te necesito.

Preciso de ti

Preciso de ti, de tua presença,
de tua alegre loucura enamorada.
Não suporto que escureças minha morada
com a penumbras sem láios de tua ausência.
Preciso de ti, de tua clemência,
da fúria de luz do teu olhar,
esta vermelha e tremenda labareda
que me impõe, o amor, de penitência.
Preciso de tuas rédeas de cordura
e embora, às vezes, o teu orgulho me tortura
do posto de amante não me demito.
Preciso do mel de tua ternura
o metal de tua voz, tua quentura,
Preciso de ti, de ti preciso.


Ilustração: ultradownloads.com.br

Sunday, November 03, 2013

Isaac Felipe Azofeifa


POEMA VI 

Isaac Felipe Azofeifa

                 ¿Tú me dejas aquí o partes conmigo? 
                 ¿Estoy dentro de ti o es que me llamas? 
                 ¿Vives única en mí o encuentro el mundo en ti, 
                 contigo?
                 El orden de las cosas en que te amo, 
                 ¿dónde empieza o acaba? 
                 Ahora está el silencio aposentado 
                 en la rosa del aire 
                 y un árbol cerca trina entre los pájaros 
                 para sombrar tu sueño, ¿ o es mi sueño?
                 ¿Es esta una prisión o acaso el vasto cielo 
                 empieza aquí donde tus pies 
                 tocan juntos la tierra, o es la luna?
                 De pronto entro en la luz que ya habito 
                 y mis ojos se encuentran con tu frente. 
                 Busco salir de ti y te llevo dentro 
                 de mí, sin encontrarte. 
                 Sin cómo, dónde o cuándo
                 Ciego en la luz con mi mirada abierta 
                 a tanta multitud de ti que ando 
                 extraviado en la noche en la mitad del día.
Poema VI

                 Tu me deixas aqui ou partes comigo?
                 Estou dentro de ti ou é que me chamas?
                 Vives única em mim ou encontro o mundo em mim,
                 contigo?

                 A ordem das coisas em que te amo,
                 onde começa e termina?
                 Agora está o silêncio aposentado
                 na rosa do ar
                 e uma árvore próxima do  gorjeio dos pássaros
                 é para sombrear o teu sonho , ou é o meu?

                 Esta é uma prisão, ou acaso o vasto céu
                 onde  começam teus pés
                 a tocar juntos a terra e a lua ?

                 De repente, entras na luz que já habito e
                 os meus olhos encontram tua testa.
                 Busco sair de ti e te levo dentro
                 de mim , sem encontrar-te.
                 Sem como, onde ou quando.

                 Cego na luz com meu olhar aberto
                 para a multidão de ti da qual ando
                 extraviado na noite na metade do dia.


                 Ilustração: www.fotolog.com

Guillermo López Borges


LOS QUE SOMOS NO ESTAMOS

Guillermo López Borges

           I don't get 'very excite' very often,
           but today was an exception (Lee Harwood)


Qué tramposos
somos los del teatro
No nos gusta lo que pagamos
y terminamos por ver.  Qué tremendos
escribiendo a cualquiera para no dormir tan solos
Qué sucios
sin pudor perdonando
a los engatusados por la palabra trucada
Qué magos que somos
todos los de este lado de la vida
que hacemos salir besos  gritar al fango
y armar la podredumbre en el alma de cualquiera
                Qué lógicos de carta cabal
como si nos pertenecieran las ruinas y los otros
                Qué tamaño podemos alcanzar
frente al mundo
   en la montaña
      cuando nos asqueamos mirándolo todo

Hipócritas lúbricos  los poetas
y los amigos y las amigas de los poetas
que quieren justificar con versos sus desnudeces y lujurias

O que somos não estamos

“Eu não estou excitado com muita frequência, mas, hoje foi uma exceção” (Lee Harwood).

Que trapaceiros
Somos nós do teatro
Não gostamos do que pagamos
e acabamos por ver. Que tremendo
escrevemos para qualquer um para não dormir tão só
Que porcos
perdoando sem pudor
os atrapalhados pela palavra truncada
Que mágicos que somos
Todos os deste lado da vida
Que fazemos sair beijos gritamos à lama
e armamos a podridão na alma de qualquer um
                 Que lógicos de carta completa
como se nos pertencessem as ruínas e os outros
                 Que tamanho podemos alcançar
frente ao mundo
    na montanha
       quando temos asco de nos olharmos todos

Hipócritas lúbricos os poetas
e os amigos e as amigas dos poetas
que querem justificar com versos sua nudez e sua luxúria.

Ilustração: www.telelistas.net





Saturday, November 02, 2013

Destinos iguais


Somos a nossa paixão
fogo, luz, escuridão,
caminhos improvisados
como a vida,
que nos eleva, derruba, arrasta
como um tronco pelo rio
que, sem escolher desafios,
sem sentido ou direção,
segue da correnteza a canção
tentando apenas seguir em frente
para, depois, repousar,
em algum lugar,
como a gente.

Ilustração: uagro.com.br

Razão


Faço versos para que tu gostes.
Talvez, para que me lembres,
para deixar algo no tempo
sem que jamais me esqueças...
Faço versos para que não anoiteça,
não amanheça, que o tempo não passe
sempre rápido, como passa.
Faço versos para que sorrias
e sigas sendo carinhosa como sempre és.
Faço versos para o teu olhar,
para teus seios, para tuas mãos, para teus pés;
para tentar conservar a mim e a ti
contra o tempo que não pára de correr
e, inevitavelmente, nos separa.
Faço versos para ver se o tempo pára!

Friday, November 01, 2013

Bondade genética



Comecei novembro com tão altos pensamentos
que levei uma queda.
Por um momento tive a sensação errada
de que algum veículo iria me atropelar
e, me voltei, sem nada ver atrás
antes de, no meio-fio, tropeçar
e me estatelar na calçada.
Não sei se o desequilíbrio proveio
de um anjo ou de uma alma danada
que sabia que não devo pensar mal
acerca de ninguém,
pois, o contemplado nunca acaba bem.
Foi como se me lembrassem
que sou um simples mortal
de poderes transitórios
e alguns dotes, talvez, ilusórios.
Mas, se já tentei até ser santo
Não posso dos meus ideais me afastar tanto.
Cair, e ainda ter quem se preocupe com minha queda,
só serviu para me lembrar
que, por maior que seja o tombo, posso levantar
e que sou um Persivo,
um bom motivo,
para jamais ser perverso.
Assim de tudo esqueci
escrevendo estes versos
e deixei o restante por conta dos senhores do universo
que, nunca esquecem de cobrar,
os que alguma coisa tem que me pagar. 

Thursday, October 31, 2013

Ricardo Quijano



Era

Ricardo Quijano

Era como la superfície
cubriéndose de niebla;
cristalina en secreto,
profunda para si.

Ahí
Perdura el reflejo incógnito
Era como la brisa
desparramada por el viento,
en brizna alegre
al conocer el mundo.

Era húmeda la piel
Empapada el alma.

Era como la canción de ser
sin ser, al convertirse
silenciosa, serena
en manto de água.

Era

Era como a superfície
cubrindo-se de névoa;
cristalina em segredo
profunda para si.


perdura o reflexo incógnito.
Era como a brisa
derramada pelo vento,
no voo alegre
de conhecer o mundo.

Era úmida a pele
Encharcada de alma.

Era como a canção de ser
sem ser, ao converter-se
silenciosa, serena
em manto de água.


Ilustração: loungeempreendedor.com.br

Sunday, October 27, 2013

Ainda José Gotostiza


PAUSAS I                                                                      

José Gorostiza

 ¡El mar, el mar!

 Dentro de mí lo siento.

 Ya sólo de pensar

 en él, tan mío,

 tiene un sabor de sal mi pensamiento.


Pausas I

O mar, o mar!

Dentro de mim o sinto.

E só de pensar

nele, tão meu,

tem um sabor de sal no meu pensamento.

Ilustração: alemdoquintal.blogspot.com

José Gorostiza


LA ORILLA DEL MAR

José Gorostiza

 No es agua ni arena la orilla del mar.

 El agua sonora de espuma sencilla,

 el agua no puede formarse la orilla.

 Y porque descanse en muelle lugar,

 no es agua ni arena la orilla del mar.

 Las cosas discretas, amables, sencillas;

 las cosas se juntan como las orillas.

 Lo mismo los labios, si quieren besar.

 No es agua ni arena la orilla del mar.

 Yo sólo me miro por cosa de muerto;

 solo, desolado, como en un desierto.

  A mí venga el lloro, pues debo penar.

 No es agua ni arena la orilla del mar.

Beira do mar

Não é água nem areia a beira do mar.

É água sonora de espuma sensível

Água que não pode formar a beira.

E porque descansa em mole lugar,

Não é água nem areia a beira do mar.

 As coisas discretas, amáveis, sensíveis;

 as coisas se juntam como as beiras.

 Os mesmos lábios, se querem beijar.

 Não é água nem areia a beira do mar.

 Eu só me olho a procura dos mortos;

 sozinho, desolado, como num deserto.

 A mim venha o choro, pois, devo penar.

 Não é água nem areia a beira do mar.

Ilustração: grafiainfoto.blogspot.com