Tuesday, August 06, 2019

Uma poesia de Jean-Michel Maulpoix


La couleur du poème      
Jean-Michel Maulpoix

« La couleur du poème dépend de la quantité de lumière
Qui se réverbère en son encre.
Elle change au gré de l’heure, de l’âge et de la langue.

Incolore au commencement,
quand il n’est encore qu’une aspiration vague.
D’un blanc de page vide,
il tend vers le gris en rêvant son encre prochaine.
Aube indécise sur le papier.
Tels brouillards ou fumées qui montent.
C’est pourtant vers le bleu qu’il s’enlève le plus souvent,
Accroissant son ciel et son eau,
entrouvrant sur la page une vague idée d’azur.

Noir, si rien ne le tire hors de soi,
prisonnier qu’il demeure des signes.
Rouge, quand il accélère, s’enfièvre, circule et bat.
Or d’étincelle ici et là en son ballet de feuilles mortes.
Vert en mai devant l’arbre, blanc de décembre sous la neige,
Mais d’une couleur indistincte quand s’y penche un visage aimé. »


A COR DO POEMA

"A cor do poema depende da quantidade de luz
Que reverbera em sua tinta.
Ele muda de acordo com o tempo, a idade e a língua.

Incolor no começar,
quando não é mais que uma aspiração vaga.
De um branco de página vazia,
tende para o cinza enquanto sonha sua próxima tinta.
Amanhecer indeciso sobre o papel.
Tais nevoeiros ou fumaça subindo.
É, talvez,  para o azul que se eleva mais amiúde,
Incrementando seu céu e sua água,
Entreabrindo em sua página uma vaga ideia de azul.

Negro, sem nada o tirar de si mesmo,
prisioneiro que permanece dos sinais.
Vermelho, quando acelera, dispara, circula e bate.
O ouro brilha aqui e ali em seu balé de folhas mortas.
Verde em maio na frente da árvore, branco em dezembro na neve,
Mas, de  uma cor indistinta ao assomar um rosto amado. "

Ilustração: Portal do Professor.

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