Tuesday, September 18, 2018

Mais uma poesia de Gerardo Diego


Madrigal                        
Gerardo Diego

A Juan Ramón Jiménez

Estabas en el agua
Estabas que yo te vi

Todas las ciudades
lloraban por ti

Las ciudades desnudas
balando como bestias en manada

A tu paso
las palabras eran gestos
como estos que ahora te ofrezco

Creían poseerte
porque sabían teclear en tu abanico

Pero

No

no estabas allí

Estabas en el agua
que yo te vi


MADRIGAL

Estavas na água
estavas que eu te vi.

Todas as cidades
choravam por ti

As cidades nuas
balindo como bestas em manada

No teu passo
as palavras eram gestos
como estes que agora te ofereço

Acreditavam possuir-te
porque sabiam usar o abano

Porém,

Não

Tu 
não estavas ali

Tu
Não estavas ali

Estavas na água
que eu te vi

Outra poesia de Marosa di Giorgio


 
Bajó una mariposa a un lugar oscuro                               

Marosa di Giorgio

Bajó una mariposa a un lugar oscuro; al parecer, de
hermosos colores; no se distinguía bien. La niña más chica
creyó que era una muñeca rarísima y la pidió; los otros
niños dijeron: -Bajo las alas hay un hombre.
Yo dije: -Sí, su cuerpo parece un hombrecito.
Pero, ellos aclararon que era un hombre de tamaño natural.
Me arrodillé y vi. Era verdad lo que decían los niños. ¿Cómo
cabía un hombre de tamaño normal bajo las alitas?
Llamamos a un vecino. Trajo una pinza. Sacó las alas. Y un
hombre alto se irguió y se marchó.
Y esto que parece casi increíble, luego fue pintado
prodigiosamente en una caja.


Baixou uma borboleta num lugar escuro

Baixou uma borboleta num lugar escuro; aparentemente, de
lindas cores; não se distinguia bem. A menor menina
pensou que era uma boneca muito rara e a pediu; as outras
crianças disseram: "Sob as asas há um homenzinho.
Eu disse: -Sim, seu corpo parece de um homenzinho.
Mas, eles esclareceram que era um homem de tamanho real.
Eu me ajoelhei e vi. Era verdade o que as crianças diziam. Como
poderia um homem de tamanho normal se encaixar sob as asas?
Nós chamamos um vizinho. Ele trouxe um grampo. Ele puxou as asas. E um homem alto levantou-se e saiu.
E isto que parece quase incrível, logo foi pintado
prodigiosamente em uma caixa.

Ilustração: Clube de Leitura Caio Fernando Abreu.

Uma poesia de Marosa di Giorgio




Mi alma es un vampiro grueso, granate, aterciopelado

Marosa di Giorgio

Mi alma es un vampiro grueso, granate, aterciopelado. Se
alimenta de muchas especies y de sólo una. Las busca en la
noche, la encuentra, y se la bebe, gota a gota, rubí por rubí.
Mi alma tiene miedo y tiene audacia. Es una muñeca grande,
con rizos, vestido celeste.
Un picaflor le trabaja el sexo.
Ella brama y llora.
Y el pájaro no se detiene.

Minha alma é um vampiro grosso, granada e aveludado

Minha alma é um vampiro grosso, granada e aveludado. Se
alimenta de muitas espécies e de apenas uma. As busco  na
noite, a encontro, e a bebo, gota a gota, rubi por rubi.
Minha alma tem medo e tem audácia. É uma grande boneca
com cachos, vestido azul.
Um colibri lhe trabalha o sexo.
Ela geme e chora.
E o pássaro não se detém.


Ilustração: Nazarethe Fonseca - WordPress.com.

Sunday, September 16, 2018

Outra poesia de Rafael Obligado


BASTA Y SOBRA                                                                           
 R
afael Obligado


¿Tú piensas que te quiero por hermosa,
Por tu dulce mirar,
Por tus mejillas de color de rosa?
Sí, por eso y por buena, nada más.

¿Que entregada a la música y las flores,
No aprendes a danzar?
Pues me alegra, me alegra que lo ignores;
Yo te quiero por buena, nada más.

¿Que tu ignorancia raya en lo sublime,
De Atila y Gengis-Khan?
¡Qué muchacha tan ciega!... Pero, dime:
Si lo supieras, ¿te querría más?

  

BASTA E SOBRA



Tu pensas que eu te quero porque és formosa,

Por teu doce olhar

Por tuas bochechas rosadas?

Sim, por isso e por seres boa, nada mais.



Porque entregue à música e as flores,

Tu não aprendes a dançar?

Pois, me alegra, me alegra que o ignores;

Eu te quero por seres boa, nada mais.



Que a tua ignorância raia  ao sublime

De Átila e Gengis-Khan?

Que mulher tão cega! ... Porém, me diga:

Se tu soubesses, eu te quereria mais?

Ilustração: Cantinho da Vovó Jenny

Tuesday, September 11, 2018

VIÚVA NEGRA



Flutuas no ar        

como uma lua de carne

lânguida, sensual, tentadora

dançando sob uma música provocadora

sob os olhos cobiçosos de mil homens,

que não sabem que tua beleza

têm a picada mortal das cobras,

o veneno das aranhas venenosas,

a doçura do mel matinal dos astecas,

a pimenta malagueta de Angola,

que desmancha as línguas mais finas.

Tu, deusa da selvageria,

com teu olhar inocente de malícia

catas entre os espectadores

a próxima vítima, sem remorso,

dos que antes te serviram de pasto,

sabendo que o sangue deles te alimenta.

E ofereces o teu canto de sereia,

as pernas fortes, o corpo formoso,

o delicioso balançar das ancas

como uma isca da armadilha

que são os teus seios e quentes braços,

sonho de tantos

que ignoram ser teu regaço

a mais fatal armadilha.

Claro que,

meticulosa como és,

todas as mortes são acidentais...


Ilustração: Correio da Amazônia.

Uma poesia de Rafael Obligado


PENSAMIENTO                             


 Rafael Obligado



A bañarse en la gota de rocío
Que halló en las flores vacilante cuna,
En las noches de estío
Desciende el rayo de la blanca luna.

Así, en las horas de celeste calma
Y dulce desvarío,
Hay en mi alma una gota de tu alma
Donde se baña el pensamiento mío.

PENSAMENTO

Para se banhar na gota de orvalho
Quem encontrou nas flores vacilante berço,
Nas noites de verão
O raio da lua branca desce.

Assim, nas horas de celeste calma
E doce delírio
Há em minha alma uma gota da tua alma
Onde se banha o meu pensamento.


Ilustração: Conceitos. 

Três hai-kais de José Juan Tablada




EN LILIPUT

José Juan Tablada

Hormigas sobre un
grillo, inerte. Recuerdo
de Guliver en Liliput...

EM LILIPUT

Formigas sobre um
grilo, inerte. Recordo
de Guliver em Liliput...

VUELOS

José Juan Tablada

Juntos, en la tarde tranquila
vuelan notas de Ángelus,
murciélagos y golondrinas.

VOOS

Juntos, na tarde tranquila
voam notas de Angelus
morcegos e andorinhas

HOJAS SECAS

José Juan Tablada

El jardín esta lleno de hojas secas;
nunca vi tantas hojas en sus árboles
verdes, en primavera.

FOLHAS SECAS

O jardim está cheio de folhas secas;
nunca vi tantas folhas em suas árvores
verdes, na primavera.

Ilustração: Free stories for kids.

Monday, September 10, 2018

A CABEÇA DA MAIS BELA



Correndo pelos campos

Com tua cabeça cortada,

Os olhos fechados que não mais enxergam,

Tento mostrar por toda a natureza

Como foi efêmera e frágil

Tua beleza.

Meus olhos marejados

Em vão tentam vislumbrar

Um futuro que sem ti não há

E no meu desespero

Penso em te plantar

Numa terra fértil

Para quem sabe, por milagre,

Possa nascer de tanta formosura

As frutas mais doces de todos os pomares.

Tropeço, e caio, tua cabeça pelos ares

Parece uma lua prestes a cair

E, talvez, seja loucura,

Mas, teus lábios entreabertos,

Mesmo sem som,

Imitam uma risada

Antes de rolar pelo pó,

Essência de nós mesmos,

Resumo de todos os nadas!  


Uma poesia de Gil Vicente


Muy graciosa es la doncella                        

 Gil Vicente

Muy graciosa es la doncella,

¡cómo es bella y hermosa!


Digas tú, el marinero

que en las naves vivías


si la nave o la vela o la estrella

es tan bella.



Digas tú, el caballero

que las armas vestías,

si el caballo o las armas o la guerra

es tan bella.



Digas tú, el pastorcico

que el ganadico guardas,

si el ganado o los valles o la sierra

es tan bella.



MUITO GRACIOSA É A DONZELA

Muito graciosa é a donzela,

como é bela e formosa!



Digas, tu, o marinheiro

em que navio vivias

se o navio ou a vela ou a estrela

é tão bela.



Digas, tu, cavaleiro

que as armas vestias,

se o cavalo ou as armas ou a guerra

é tão bela.



Digas, tu, ò pastorzinho,

que o rebanho guardas

se o gado, ou o vale ou as serras

é tão bela.

Tuesday, September 04, 2018

CANÇÃOZINHA DO AMOR QUE NÃO SE PERCEBE


Você não me conhece não!      
E quando me dá a mão
Sinto que me diz adeus,
Mas, bem sei que não!
Só faz doer meu pobre coração,
Que bate tanto assim,
Talvez, por você e por mim,
Que nada sei também
Da arte de fazer amor
E apenas digo, por favor,
Espere um pouco por mim
Que sonharei, então,
A cada noite com você
Com desejo de te abraçar,
De beijar teus lábios
Para sentir a mesma emoção,
Que parece sempre mais
E onde quer que vá
Não me deixa em paz.

Ilustração: euteamoevocenaopercebe.tumblr.com.

Monday, September 03, 2018

E outra poesia de Eloy Sánchez Rosillo



Noche de luna
        
      Eloy Sánchez Rosillo         
    
Luna llena que observas
desde fuera del tiempo mi vivir en el tiempo:
viste morir entonces al niño que habitaba,
confiado, en mi ser; luego, al adolescente
que se rindió al hechizo de tu luz misteriosa;
viste morir en mí también al joven
que quería ser tuyo y que te celebraba
con fervor en sus versos.
Ahora ves a este hombre cansado que te mira
con la emoción de siempre. Y un día, cuando vuelvas,
me buscarás en vano.

NOITE DE LUA

Lua cheia que observas
desde fora do tempo meu viver no tempo:
vistes morrer, então, a criança que habitava
confiante em meu ser; logo, o adolescente
que se rendeu ao feitiço da tua luz misteriosa;
viste morrer também em mim  o jovem
que queria ser teu e que te celebrava
com fervor em seus versos.
Agora vês a este homem cansado que te olha
com a emoção de sempre. E um dia, quando voltares,
me buscarás em vão.
Ilustração: Amino Apps.

Vã filosofia




Eu não gostaria de te falar das coisas que falarei.
Nem te dizer as coisas que te digo. 
Mas, ser o que sou é o meu castigo.                   
Se me perguntas: e amanhã?
Só digo que não sei.
Que, hoje, a tua pele fina, as tuas mãos macias,
o teu sorriso doce
me dá toda alegria que desejei.
E olho nos teus olhos,
que me parecem céu e mar,
o encontro indefinível deles dois,
e a mim mesmo me pergunto:
-o que será depois?
E vou em frente
com o gosto dos teus lábios
na minha boca
ainda filosofando
como a vida é pouca,
como posso estar lá e estar aqui?
Como gostaria de me dividir
para poder sair por aí
sem nunca ficar distante de ti...

Ilustração: SociView.

Outra poesia de Alejandro Jodorowski





También de amor debe hablar el poeta (2)
         
    Alejandro Jodorowsky  

Llegas a mí como una brisa sin paisaje
a nacer en aquello que emerge de la herida
allí donde ya no es posible establecer un nido
Humilde silenciosa te dejas llevar por el torrente
no te dices libre pero sabes sonreír cuando no pides
porque lo has perdido todo menos a ti misma
Sombra a sombra entrando en el placer
yo de tu piel vacía, tú del olvido que es mi alma
como sobrevivientes de todas las guerras
cada caricia es un ave del milagro
cada beso un parto
cada orgasmo un Edén en la nada.

TAMBÉM DE AMOR DEVE FALAR O POETA (2)

Chegas a mim como uma brisa sem paisagem
a nascer naquilo que surge da ferida
ali onde não é mais possível estabelecer um ninho
Silenciosa humilde te deixas levar pela torrente
não te dizes livre, porém, sabes como sorrir quando não perguntam
porque tu hás perdido tudo menos a ti mesma
Sombra à sombra entrando no prazer
Eu de tua pele vazia, tu do esquecimento que é minha alma
como sobreviventes de todas as guerras
cada carícia é uma ave de milagre
cada beijo um parto
todo orgasmo um Éden no nada.
Ilustração: A mente é maravilhosa.