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ACONTECIMIENTO XIII
José Naveiras
Los aviones vuelan
todos en uve.
Despiertan a los zorros
transparentes
con sus zumbidos
perennes.
Migran a otras tierras
más azules.
Suena el último zumbido
de la última bandada de aviones
y los zorros
transparentes comienzan
a sangrar flores
multicolor
y solo por eso sabemos
que caminan.
Entonces hay un cambio de
viento
y este suena a pianos.
Ella me toma la mano,
yo la beso.
Juntas escuchamos las
notas
del viento y nos
recreamos en los
caminos multicolor que
los zorros
transparentes han creado.
El tiempo crece y el amor
es hoy latón.
Bésame
a esta orilla
del caudaloso río
que atraviesa nuestra
ciudad.
ACONTECIMENTO XIII
Os aviões voam
todos em vê.
Despertam as raposas
transparentes
com seu zumbido perene.
Migram para outras terras
mais azuis.
O último zumbido do
último bando de aviões soa
e as raposas
transparentes começam
a sangrar flores
multicoloridas
e somente por isto
sabemos que eles caminham.
Então há uma mudança de
vento
e este soa como pianos.
Ela me toma a mão,
eu a beijo.
Juntos escutamos as notas
do vento e nos recriamos
nos
caminhos multicoloridos
que as raposas
transparentes criaram.
O tempo passa e o amor é
bronze hoje.
Me beija
nesta costa
do caudaloso rio
que atravessa nossa
cidade.
Ilustração: Calendário.
ESTE
AMOR
Daisy Zamora
Para
hablar de este amor se necesita
del silencio más hondo
donde
no hay ya palabras
más que el corazón
apenas comprendiendo
cómo
fue que la vida
dispuso aquel encuentro
inesperado
Por
qué, a última hora
decidiste llegar,
por qué nuestros ojos se vieron
entre la multitud
Y
por qué, al vernos, nos reconocimos,
si nada sabíamos la una del otro
Cómo se entretejió la delicada gasa
tan sutilmente que no nos percatamos
hasta aquel momento en que supimos
que estábamos perdidos
y no había remedio
ni regreso.
ESTE AMOR
Para se falar deste amor se necessita
do silêncio mais profundo
onde não haja mais palavras
mas que o coração
apenas compreendendo
como foi que a vida
arranjou aquele encontro
inesperado
Por que, na última hora,
decidiste chegar,
por que nossos olhos se viram
entre a multidão
E por que, ao nos vermos, nós
reconhecemos
sem nada sabermos um do outro
Como se entrelaçou a delicada seda
tão sutilmente que nós não nos notamos
até aquele momento em que soubemos
que estávamos perdidos
e que não havia remédio
nem regresso.
Ilustração:Vinea Dei-WordExpress.
MOMENTO, MOMENTO
Não há muito tempo mais.
Ainda assim me perco em
coisas banais,
Em ações e movimentos sem
lógica e sem explicação.
Agarro tua mão,
Embora sabendo que este
carinho todo, em breve,
Será tido apenas como
dissimulação,
Como parte de uma
falsidade que não há.
Todo amor, no entanto,
por mais forte
E doce que seja,
É uma luta contra o
egoísmo e a natureza.
Uma tentativa de unir
O que sempre esteve
separado.
Não, não digo nada.
Não diga nada.
Deita do meu lado e sente
este momento.
É tudo que temos
E nunca se pode saber
Se não é tudo que teremos.
MOMENT, MOMENT
There isn't much time left.
I still get lost in banal things,
In actions and movements without logic and without explanation.
I grab your hand,
Although knowing that all this affection, soon,
It will only be taken as a dissimulation,
As part of a falsehood that does not exist.
All love, however, however strong
And sweet as it is,
It is a fight against selfishness and nature.
An attempt to unite
What has always been separate.
No, I don't say anything.
Do not say anything.
Lie beside me and feel this moment.
It's all we have
And you can never know
If it's not all we'll have.
Ilustração: Vecteezy.
(De "Poesia em Geral & Canções em Particular).
Alba González
la primera persona
que me rompió el corazón
fui yo
A primeira pessoa
que partiu meu coração
fui eu
Se
teus lábios não sabem o que dizer
me dá de
teus olhos a alegria,
e enche o
vazio das minhas mãos
com a tua
pele tão macia.
Faz do que
sonhei a água,
de uma
realidade em que só (sou) rio.
Não cabe em
quem colhe a rosa mágoa.
Usa-me,
acende a chama, sou o teu pavio!
Ilustração: A Mente é Maravilhosa.
LA CANCIÓN
Juan Gil-Albert
Presiento una larga noche
de silencio,
una pausa misteriosa sin palabras,
como si unos brazos doblados como plumas
recogiéranse de nuevo en su originaria mudez.
Lo que se habla al mandato de la poesía
no da luz al que dice sin quererlo
esas aterradoras resonancias antiguas
enviadas como rayos sobre la paciente humanidad.
Caída su lumbre en el corazón de quien la escucha,
¿qué queda en aquel que vio fluir de su mano
la chispa de los grandes designios?
Una nube de cenizas ciega sus ojos,
como los nubarrones se oscurecen
tras el alumbramiento fugitivo
de la tempestuosa tormenta. Luego callan,
más seductores en su enigmático mutismo.
Tan sólo la embriaguez de unos momentos
tienta al canto motivo de su ser. Y cuando cesa
un poeta de hablar esos oscuros signos que despiertan
el terror o las ávidas pasiones en los mortales indefensos,
todo él enmudece como una piedra prestigiosa
y ciémese sobre la vida una bonanza, un cierto fresco
que engaña a quienes se recrean bajo su sombra,
porque en su seno hierven peligrosas las canciones venideras.
A CANÇÃO
Sinto uma longa noite de
silêncio,
uma pausa misteriosa sem
palavras,
como se braços cruzados
como penas
estivessem retornando à
sua mudez original.
O que é dito sob o
comando da poesia
não ilumina aquele que
involuntariamente fala
aquelas ressonâncias
antigas e aterrorizantes
enviadas como relâmpagos
sobre a humanidade paciente.
Uma vez que sua luz
incide sobre o coração do ouvinte,
o que resta daquele que
viu a centelha de grandes desígnios fluir de sua mão?
Uma nuvem de cinzas cega
seus olhos,
como nuvens de tempestade
escurecem
após a iluminação fugaz
de uma tempestade
tempestuosa. Então elas se calam,
mais sedutoras em seu
silêncio enigmático.
Só a embriaguez de alguns momentos tenta a canção que é o motivo de seu ser. E quando um poeta deixa de falar desses sinais obscuros que despertam o terror ou as paixões ávidas nos mortais indefesos, ele se emudece, como uma pedra prestigiosa, e uma calma se instala sobre a vida, uma certa frieza que ilude aos que se recreiam sob sua sombra, porque dentro dela fervem os cantos perigosos do futuro.
Ilustração: OD Oftomologia.
Sim. Li muitos livros, inclusive de amor.
Músicas são tão essenciais na vida,
como uma boa comida
e os amigos são motivos de alegria,
com uma taça de vinho, por favor,
para ter um certo toque de magia.
E confesso: sou um obcecado por poesia.
Tento sim fazer versos,
dos modos mais diversos,
que possam, ao menos, por um momento
despertar o sentimento
de que o amor é a melhor forma de felicidade.
E temo que, na verdade,
não olhar teu corpo desnudo na manhã,
não colocar a mão nos teus seios-
o maior de todos os meus receios-
que pode tornar a vida vã:
sem romance, amor e poesia,
uma espécie de exílio da fantasia.
Ilustração: Orkusgift.
Mario Luzi
Scrive lui,
ripercorre
cioè
l’immemorabile scrittura,
s’immette in quelle tracce
nitide o inselvate,
entra in quella logia,
filtra in quella grafia,
ne segue gli aculei e le
volute,
ripete le sue cifre.
Scrive
lui scriba
il già scritto da sempre
eppure mai finito,
mai detto, detto
veramente.
Chi suscita quei semi,
chi anima quel
firmamento?
Opera
la sua propria genitura,
si risveglia
a se stesso il morto
segno.
L’autore? Non sa niente
di sé,
l’autore – Mia è la
prova, mio il martirio –
pensa lui che scrive
- o è questa la
creazione,
lui che scrive appunto?
Escreve ele,
isto é, retraço
a imemorial escrita,
se intromete nesses
traços,
nítidos ou selvagens,
entra nessa lógica,
filtra nessa grafia,
segue seus espinhos e
espirais,
repete suas cifras.
Escreve ele,
o escriba,
o que sempre foi escrito,
mas nunca terminado,
nunca dito,
verdadeiramente dito.
Quem semeia essas
sementes,
quem anima esse
firmamento?
Opera
o seu próprio nascimento,
reaviva
o sinal morto para si
mesmo.
O autor? Ele nada sabe de
si mesmo,
o autor-Minha é a prova,
meu o martírio-
pensa aquele que escreve-
ou é esta a criação,
daquele que escreve com
precisão?
Ilustração: Perícia
Forense.
DISCURSO
Alfredo Lavergne
Que no me conocen y no comprenden
Le dije a un amigo un día:
Cuando leo No regreso Nada cambia
Si estamos a favor de signos
O en contra del asedio de un villorrio.
Con la realidad de las cosas
O con terribles
Tiranos Colaboradores Cooperantes
Y digo que he protestado A los libros
Con los cuales comparto mi rastro
Y los saludos que envía la madre naturaleza.
DISCURSO
Que não me conhecem e não
me entendem
Disse a um amigo um dia:
Quando leio, não retorno.
Nada muda.
Se estamos a favor de
sinais.
Ou contra o cerco de uma
aldeia.
Com a realidade das
coisas.
Ou com terríveis.
Tiranos. Colaboradores.
Cooperadores.
E digo que protestei. Aos
livros.
Com os quais compartilho
meu rastro.
E às saudações que envio à
Mãe Natureza.
Ilustração: Portal
Ambiente Legal.
1)
Durante il sonno i bambini imparano l’astrazione.
Azione incontrollata che
permette di percepire le
informazioni come legami,
come sintomi.
L’invenzione dello
spontaneismo, la cancellazione della retorica.
La concentrazione ha
bisogno della distrazione come una strategia obliqua.
La messa a morte del
capro espiatorio,
pensiamo troppo ai corsi
e poco ai percorsi.
Gli esperti della
scientifica di Pensacola sostengono che
sui tacchi alti il
polpaccio, rivolto a ovest ma diretto a est, si esalta.
E’ terminata l’era
preironica:
nella pianura dei
lussureggianti canneti un maialino
di cinta senese grigliato
e i mormorii
dei polsi di donne
gravide.
Cargo libico fermo per
panne ai motori, destinazione incerta.
1)
Durante o sono, os
meninos aprendem a abstração,
Uma ação incontrolada que
lhes permite perceber a
informação como uma
cadeia, em forma de sintoma.
A invenção da
espontaneidade, a ausência de retórica.
A concentração requer a
distração como uma estratégia obliqua.
Condena a morte o bode
expiatório,
pensamos demais no
objetivo e pouco no trajeto.
Os especialistas
científicos de Pensacola sustentam que
sobre os saltos altos os
músculos gêmeos, dirigidos para o
oeste, porém, diretos a
este, se exaltam.
Está terminada a era
pre-irônica:
a planícies de juncos
exuberantes, um leitão
com marca de Sienna na
grelha e sopros
de mulheres grávidas.
A carga libidinosa se
estanca, rugem os motores,
o destino é incerto.
Ilustração: X.
POESIA
Eduardo Carranza
Antonio, nuestro oficio
es ir poniendo
las palabras, una tras
otra,
como días y días, unos
tras otros,
con su pausa nocturna de
estrellas o silencio.
Trabajo que de pronto, tú
lo sabes,
vuela de nuestras manos
convertido
en radiante paloma o
gerifalte.
La luz anda descalza en
lo que hablamos,
pero también la noche y
la tristeza.
Nuestra palabra, tú
también los sabes,
suena a veces como un
reloj
en una casa abandonada,
oscura,
dando las horas para
nadie.
Como la campanilla del
teléfono
en la estancia vacía.
O como una campana en un
desierto
tañendo para nadie.
Nuestro trabajo, Antonio,
es ir cayendo
todos los días hacia el
corazón.
Cierro tu libro y pienso:
estamos solos
en el umbral de qué, de
qué, Díos mío?
Y la noche nos lleva como
un ciego
a otro ciego, del brazo,
dulcemente.
POESIA
Antônio, nosso trabalho é
ir colocando
as palavras, uma atrás da
outra,
como dias e dias, uns
atrás dos outros,
com sua pausa noturna de
estrelas ou silêncio.
Trabalho que logo, tu o
sabes,
voa de nossas mãos
convertido
em radiante pomba ou falcão.
A luz anda descalça no
que falamos,
porém também a noite e a
tristeza.
Nossa palavra, tu também
o sabes,
soa às vezes como um
relógio
numa casa abandonada,
escura,
marcando as horas para
ninguém.
Como a campainha do
telefone
na residência vazia.
Ou como um sino num
deserto
badalando para ninguém.
Nosso trabalho, Antônio,
é ir caindo
todos os dias rumo ao
coração.
Fecho teu livro e penso:
estamos sós
no umbral de quê? de quê,
Deus meu?
E a noite nos leva como
um cego
a outro cego, de braço,
docemente.
Ilustração: Bible.com.
VARIACIÓN FLORAL SOBRE UNA LETRA DE
Juan Ramón
Ella me preguntaba de rosas ignoradas
y yo le respondía de rosas imposibles.
VARIAÇÃO SOBRE UMA LETRA DE FLORES
Ela me perguntava de rosas ignoradas
e eu lhe respondia de rosas impossíveis.
Se Kant das coisas em si nada sabia
que saberei eu, um iletrado de periferia ?
Depois que, no Brasil, as palavras perderam seu significado
todo fenômeno se torna inexplicável.
Toda definição, agora, é improvável.
Tudo que era certo está errado,
o mundo imprevisível, nebuloso,
o que era sólido, gasoso,
tanto que não digo nada
com medo de levar pancada.
É que o óbvio se tornou tão complicado-
com o que era não sendo o que é-
que para não ser como criminoso enquadrado,
diante da dissolução da semiótica,
ou me declaro, logo, culpado
ou só me resta permanecer calado!
Ilustração: vocacionados WordExpress.