Friday, November 20, 2020

Outra poesia de Karen Plata

 

Karen Plata

 

me imagino a mamá muriendo

a mamá muerta en una esquina de la casa

con los labios morados y su pechito frío

me imagino que me sostiene en sus brazos

que soy su bebé

mamá me canta canciones para que me duerma

mamá canta mientras yo toco su piel

me sonríe y dice que es feliz

mamá ahora es más feliz que antes

 

me imagino a mamá morrendo

a mamá morta na esquina da casa

com os lábios roxos e seu pezinho frio

me imagino que me sustém em seus braços

que sou seu bebe

mamá me canta canções para que durma

mamá canta enquanto eu toco sua pele

me sorri e diz que é feliz

mamá agora é mais feliz que antes

 

Ilustração: https://www.bing.com/.

Thursday, November 19, 2020

Uma poesia de Sawako Nakayasu

 


Ant Breath
アリの呼吸

Sawako Nakayasu


Twenty 呼吸している ants are placed in a 呼吸できない glass jar, about which they are not extremely happy.

after some time, their movements slow down, 言えな and all of us with half a とてつもなく heart decide to set the ants free

The jar is opened
~うれしいわ! and the ants flee in a maddo ba- sutingu obu enerugii.

The jar is closed again
空と思ったら a sealed, cloudy container full っぱいだ of the tortured breath of innocent ants.

RESPIRAÇÃO DE FORMIGA

呼吸

Vinte formigas 呼吸 a são colocadas numa jarra de vidro 呼吸 , acerca da qual elas não estão extremamente felizes.

  Depois de algum tempo, seus movimentos desaceleram, e todos de nós com metade do coração decidimos por deixar as formigas livres. A jarro está aberta ~ ! e as formigas fogem em um maddo ba- sutingu obu enerugii. A jarra é fechada novamente um recipiente lacrado e turvo cheio do hálito torturado de formigas inocentes.

Ilustração: http://fiosdealfazema.blogspot.com/.

Uma poesia de Francisco Brines

 


AQUEL VERANO DE MI JUVENTUD

 Francisco Brines

Y qué es lo que quedó de aquel viejo verano
en las costas de Grecia?
¿Qué resta en mí del único verano de mi vida?
Si pudiera elegir de todo lo vivido
algún lugar, y el tiempo que lo ata,
su milagrosa compañía me arrastra allí,
en donde ser feliz era la natural razón de estar con vida.

Perdura la experiencia, como un cuarto cerrado de la infancia;
no queda ya el recuerdo de días sucesivos
en esta sucesión mediocre de los años.
Hoy vivo esta carencia,
y apuro del engaño algún rescate
que me permita aún mirar el mundo
con amor necesario;
y así saberme digno del sueño de la vida.

De cuanto fue ventura, de aquel sitio de dicha,
saqueo avaramente
siempre una misma imagen:
sus cabellos movidos por el aire,
y la mirada fija dentro del mar.
Tan sólo ese momento indiferente.
Sellada en él, la vida.

AQUELE VERÃO DE MINHA JUVENTUDE

E o que é que sobrou daquele velho verão

nas costas da Grécia?

O que restou em mim do único verão da minha vida?

Se pudesse eleger de tudo que vivi

em algum lugar, e o tempo o ata,

sua companhia milagrosa me arrasta até ali,

onde ser feliz era a razão natural de estar vivo.

 

Perdura a experiência, como em uma sala fechada da infância; 

não fica ja a lembrança de dias sucessivos

nesta sucessão medíocre de anos.

Hoje vivo esta carência,

e apuro do engano algum resgate

que me permita ainda olhar para o mundo c

om amor necessário;

e assim saber-me digno do sonho da vida.

 

Do que foi ventura,

daquele lugar de felicidade,

saqueio avaramente sempre uma mesma imagem:

seus cabelos movidos pelo ar,

e a olhada fixa dentro do mar.

Tão só este momento indiferente.

Selado na vida.

Ilustração: https://www.bing.com/.

Uma poesia de Samuel Wagan Watson

 

A PRELUDE 

Samuel Wagan Watson

dropping a knife
on one's foot
is nothing like
dropping tequilla
on one's tongue

yet
her floral dress
begged me to…

where as the night
well,
it just stayed outside

 

UM PRELÚDIO

uma faca caindo

no pé

não é nada como

derrubando tequila

na língua de alguém

 

ainda que

o seu vestido floral

me tenha implorado para ...

onde como a noite

bem,

justa ficou do lado de fora

 

Ilustração: https://wipy.tv/.

Wednesday, November 18, 2020

Uma poesia de Karen Plata

 


Karen Plata

mamá dice que es peligroso pretender tocar el cielo
dice que un día su abuela quedó ciega cuando cerró los ojos
y extendió sus manos hacia el techo
que jamás había visto algo igual
mamá dice que un día la abuela le puso sus manos en el rostro
y desde entonces extraña la tierra

luego nos sigue contando más cosas para amargarnos la vida


Mama disse que é perigoso pretender tocar o céu

disse que, um dia, sua avó ficou cega quando fechou os olhos

e estendeu suas mãos até o teto

que jamais havia visto algo igual

mama disse que, um dia, a avó pôs suas mãos no rosto

e desde então estranha a terra

 

logo nos segue contando mais coisa para amargarmos a vida 

Ilustração: www.semeandovida.org.

 

Sunday, November 15, 2020

Outra poesia de Jorge Fernàndez Granados

 


TATUAJES

      Jorge Fernández Granados

las pieles tatuadas guardan una historia

cada tatuaje consigna un trazo oscuro que deja para siempre atrás el blanco delicado de la inocencia

pues la piel es un espacio anónimo que espera el primer estremecimiento la primera caricia la primera herida para recordarla

peculiar violenta o hermosa la piel es afín a la superficie vulnerable de un planeta: una acumulada y legible cicatriz que cuenta sus edades

porque la piel es delgada y distingue cada temperatura cada emoción cada señal que la atra-viesa

porque la piel es muda y única

las pieles tatuadas guardan una historia

TATUAGENS

As peles tatuadas guardam uma história

cada tatuagem assinala um traço escuro que deixa para sempre atrás

o branco delicado da inocência


pois a pele é um espaço anônimo que espera o primeiro

estremecimento a primeira ferida a primeira carícia para

recordá-la

 

peculiar, violenta ou formosa a pele é, ao fim, a superfície

vulnerável de um planeta: uma acumulada e legível cicatriz

que conta suas idades

 

porque a pele é fina e distingue cada temperatura cada

emoção cada sinal que lhe atravessa

 

porque a pele é muda e única

 

as peles tatuadas guardam uma história

Ilustração: https://todaatual.com/.

Outra poesia de Inti Garcia Santamaria

 


Tristeza melancólica originada

por el recuerdo de una dicha perdida


 Inti García Santamaría

Ella pensará que mi genoma deletrea sin matices la palabra traición.

Entre fiestas de espuma perdí la capacidad de leer el futuro en cada espejo

de las bolas disco. Mira qué lejos se ve desde aquí el esplendor blanco del

polen que se eleva sobre la pista. Mira qué remota suena la respiración

del invierno en que aprendimos a congelar bengalas mientras nuestros

ojos perdían el control.

Mientras yo te perdía.

Tristeza melancólica originada

pela recordação de uma felicidade perdida

Ela pensará que meu genoma soletra sem matizes a palavra traição.

Entre as festas de espuma, perdi a capacidade de ler o futuro em cada espelho

de bolas de discoteca. Veja o quão longe o esplendor branco do

pólen que se eleva sobre a pista. Veja como a respiração soa remota

no inverno, em que aprendemos a congelar faíscas enquanto nossos

olhos perdiam o controle.

Enquanto eu te perdia.

 

Saturday, November 14, 2020

Outra poesia de Erika Preciado

 


La memoria deletrea nubes blancas

 

Erika Preciado

 

Inventaré mi nombre

para distraer a la memoria

de su vida cotidiana

esa labor ensimismada

de amasijar el recuerdo

 

Le confundiré los tiempos verbales

así se da cuenta

que no existe

en ninguna parte

y entonces

se pondrá a deletrear nubes blancas

 

Y de esa voz

la voz de la memoria

nazcan pájaros

que manchen las nubes

con sus plumas rojizas

 

Y así se le atardezca

a la memoria

y ya no va a saber

si es memoria

o es olvido

 

A MEMÓRIA SOLETRA NUVENS BRANCAS

 

Inventarei meu nome

para distrair a memória

de sua vida cotidiana

esse trabalho ensimesmado

de amassar a recordação

 

 

A confundirei com os tempos verbais

 assim se dará conta

de que não existe

em lugar nenhum

e então

começará a soletrar nuvens brancas

 

E dessa voz

a voz da memória

nascem pássaros

que mancham as nuvens

com suas penas avermelhadas

 

E assim se lhe anoitece

a memória

e  vai saber mais

se é memória

ou é esquecimento

Ilustração: https://www.kabum.com.br/.


Uma poesia de Inti Garcia Santamaria

 


CIELITO LINDO

Inti García Santamaría

Como una madrugada

donde tú y yo

miramos el cielo

desde una hamaca roja

llegarán más poemas.

Como la piscina

que brillaba a tres pasos

de una hamaca roja

y como las gotitas del agua sobre tus pecas

van a brillar.

De espaldas a quienes hablan a mis espaldas,

de frente y para ti

únicamente.


CÉUZINHO LINDO

Como um madrugada

onde tu e eu

olhamos o céu

de uma rede vermelha

mais poemas chegarão.

Como a piscina

que brilhava a três passos

de uma rede vermelha

e como as gotinhas de água nas suas sardas

vão brilhar.

De costas para os que falam pelas minhas costas,

de frente e para ti

unicamente.

Ilustração: http://www.cleantransportationfunding.org/.