Wednesday, July 28, 2021

ODE À DESTRUIÇÃO CRIATIVA

 


O que mais me faz irônico-

ainda que um, ou outro, de cético me acuse-

é pensar que até mesmo Marx, Mill, Marcuse,

que, da utopia são padrões icônicos,

acreditaram que, por um passe de mágica,

assim como se criou Deus do nada,

esta nossa existência trágica,

a vida humana, pudesse ser transformada

numa ópera delicada.

Jamais tais sonhadores,

até mesmo nos últimos estertores,

ficariam satisfeitos com a realidade,

de vez que trabalhavam pelo sonho,

por trapacear das cartas do destino, o seu baralho.

Não os interessava realmente

o que se passava sob as nuvens,  

se tudo melhorou, efetivamente,

se diminuíram as horas de trabalho

ou se a máquina aliviou dos homens o fardo.

Nada é igual a seus desejos religiosos,

quando a utopia não se alcança,

e disto não há nenhuma esperança,

o céu na terra.

O homem real e ignorado, nas suas teorias,

o animal que é nunca seria,

daí que sejamos mais ricos do que nunca

não os contentaria,

pois, jamais chegamos ao paraíso de abundância

que prognosticaram,

a tal da vida feliz, 

que sempre enxergaram na frente do nariz.

Talvez seja porquê

atenção não prestaram

em Bakunin ou em Malthus,

que conheciam a natureza humana.

Que sabiam que,

como o capitalismo,

os homens possuem uma capacidade

infinita de expansão

e jamais se contentam

com a riqueza que tem na mão.

A experiência não mente:

os desejos materiais não tem limites

e a consciência jamais soube o que ter o suficiente!

E estes sonhadores deixaram suas sementes,

de modo que, apesar de ter nos libertado,

o capitalismo é tão pouco amado

que, ainda hoje, os libertos desejam a escravidão.

Eu? Não!!!

Ilustração: Cultura Mix. 

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