Sunday, August 22, 2021

Manuel Altolaguirre de volta

 


CENTRO DEL ALMA

 Manuel Altolaguirre

De ojos que ya nada ven

brotan lágrimas tan negras

que se olvidan de su oficio

de ser en la noche estrellas.

 

Dolor sin luz. Hoy el alma

se hunde más en sus tinieblas

porque la vida y la noche

—un mismo mar— hacen que ella

por su propio peso caiga

en oscuridad completa.

 

Ya su desnudo en la noche

nadie lo ve, que atraviesa

profundidades que sólo

a Dios, su centro, la acercan.

 

Hace tiempo que no miro sino

hacia adentro. Me llevan

por las calles lazarillos

que me toman y me dejan.

 

¡Ojalá tenga mi vida

luces, aunque no las vea!

 

CENTRO DA ALMA

 

De olhos que já nada vêem

lágrimas negras brotam

que esquecem seu ofício

de se nas estrelas da noite.

 

Dor sem luz. Hoje, a alma

se afunda mais em sua escuridão

porque a vida e a noite

-um mesmo mar-fazem ela  

por seu próprio peso caia

na escuridão completa.

 

Já nu na noite

ninguém vê que atravessa

profundezas que só

a Deus, do centro, se acerca

 

Faz tempo que não olho senão

para dentro. Me levam  

pelas ruas cachorrinhos

que me pegam e me deixam.

 

Oxalá tenha a minha vida

luzes, ainda que não as veja!

Ilustração: https://bneinoach.org.br/.

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