Sunday, August 28, 2011
Uma poetisa mexicana...Miss Carrusel
Desayuno
Miss Carrusel (http://gatos-en-el-tejado.blogspot.com/)
Buscando tu sintonía en la radio
me hundo en mi taza de café
buceo en los granos de tu corazón
tratando de no perder la razón.
Siluetas y estrellas, sueños y sombras
me topé en el callejón sin salida
de tus horas trastornadas
con mi ausencia salada.
Te voy a endulzar el alma
con tres cucharadas de emociones
con mis primeros auxilios
felicidad te daré de boca a boca.
Esos ojos de cielo fueron hechos
para escalar con besos hasta ellos
deslizarme en el tobogán de tu pelo
y perderme en el corte de tu cuello.
Quiero ser el sol que te baña todo el día
mirar la luna que platina tu sonrisa
si me tomas no te soltaré
y saltaremos sin temor de caer.
Café da manhã
Procurando tua música no rádio
Me afundo numa xícara de café
Mergulho nos grãos do teu coração
tentando não perder a razão.
Silhuetas e estrelas, sonhos e sombras
me encontro num beco sem saída
tuas horas de todo transtornadas
com a minha ausência salgada.
Vou te adoçar a alma
com três colheres de emoções
com os meus primeiros socorros
a felicidade te darei boca à boca.
Estes olhos de céu foram feitos
para escalá-los com beijos
para deslizar no tobogã de teus pelos
e perder-me no corte do teu colo.
Quero ser o sol que te banha todo dia
Olhar a lua que prateia o teu sorriso
e se me pegas não te soltarei
e saltaremos sem medo de cair.
E Enrique Gracia Trinidad
Dificultades
Enrique Gracia Trinidad
A Emilio Porta
Lo más difícil es que el corazón
recorra su distancia sin heridas,
que el tiempo tenga besos suficientes
entre las páginas del libro que hace piedra la Historia.
Lo más difícil es
que las fotografías rocen sin abrasar
las horas degolladas,
acaricien sin daño
los encajes oscuros de las horas que fueron.
Lo más difícil es que la rutina sirva para tejer
una canción de cuna
que adormezca y abrigue los caballos sin alma del olvido.
Lo más difícil es que nuestros versos
rescaten hoy de nuevo la canción más oculta, sin sangrar,
sin hacer de la vida cotidiana un esperpento.
El resto es siempre fácil, sucede simplemente.
De "A quemarropa" 1992
(Accésit del Premio “Rafael Morales” 1992)
Dificuldades
O mais difícil é que o coração
percorra sua distância sem feridas,
que o tempo tenha beijos suficientes
entre as páginas do livro que faz pedra da História.
O mais difícil é
que as fotografias se esfreguem sem aquecer
as horas degoladas;
que acariciem sem danos
as fendas escuras dos tempos que se foram.
O mais difícil é que a rotina sirva para tecer
uma canção de ninar
que adormeça e abrigue os cavalos sem alma do esquecimento.
O mais difícil é que os nossos versos
resgatem hoje de novo a canção mais oculta sem sangrar,
sem fazer da vida cotidiana um absurdo.
O resto sempre é fácil, sucede simplesmente.
De volta Enrique Gracia Trinidad
Razón de escribir
Enrique Gracia Trinidad
A Juan Van-Halen
Escribir para un tiempo
en el que no estaremos para nadie,
y en el más favorable de los casos
seremos una máscara de polvo
maquillando los libros de alguna estantería.
Escribir para un siglo, si es que llega,
menos oscuro y torpe que este siglo.
Dejar impresa la memoria:
papel, disquetes, vidrio, cerámica esmaltada,
ámbar, cuarzo o moléculas de gas.
Hacer que las palabras naveguen al futuro
como si fuesen barcos de papel
que sobrevivan hoy a su naufragio.
Escribir por si alguien, algún día,
tiene un dolor de corazón idéntico
o sufre una alegría semejante.
De "Siempre tiempo"
(Premio Juan Alcaide 1996)
Razão para escrever
A Juan Van-Halen
Escrever por um tempo
em que não sereremos nada,
e no melhor dos casos
seremos uma máscara de poeira
cobrindo os livros em alguma prateleira.
Escrever para um século, se este chegar,
menos obscuro e torpe que este século.
Deixar impressa a memória:
papel, disco, vidro, cerâmica esmaltada,
âmbar, quartzo, ou moléculas de gás.
Fazer com que as palavras naveguem no futuro
como se fossem barcos de papel
que sobrevivem hoje a um naufrágio.
Escrever para alguém, algum dia,
que tem uma dor no coração idêntica
ou uma alegria similar.
E ainda Enrique González Martínez
Canción
Enrique González Martínez
Canción para los que saben
lo que es llorar...
¿Quién pudiera darte al viento
e irse al viento en el cantar!
Canción como lluvia fina
sobre el mar,
que se disuelve y es nube
que sube y vuelve a llorar...
Canción que en el alma es lluvia,
canción que es llanto en el mar...
¡Quién pudiera darte al viento
e irse al viento en el cantar!
Canção
Canção para os que sabem
o que é chorar ...
Quem poderia dar-te ao vento
e ir-se ao vento no cantar!
Canção como chuva fina
sobre o mar,
que se dissolve e é nuvem
que sobe e volta a chorar ...
Canção que na alma é chuva
canção é pranto no mar ...
Quem poderia dar-te ao vento
e ir-se ao vento no cantar!
Enrique González Martínez volta
El alma en fuga
Enrique González Martínez
Buscaron al romper de la alborada,
mis brazos y mis ojos su presencia,
y sólo hallé, por signo de la ausencia,
el hueco de su sien en la almohada.
Oh, qué correr la angustia desatada,
qué ulular por el llano mi demencia,
qué husmear en los ámbitos la esencia
de la alígera planta perfumada!
Amigos que alabasteis su hermosura,
no a solas me dejéis en la amargura
del trance doloroso e imprevisto...
¡Escrutad el perfil del horizonte!
¡Batid los campos y talad el monte!
¡Decidme, por piedad, si la habéis visto!...
A alma em fuga
Buscaram-na ao romper da alvorada,
meus braços e meus olhos sua presença,
e só achei, como símbolo da ausência,
o buraco de sua forma na almofada.
Oh, que correr da angústia desatada,
que ulular, pelo plano, minha demência,
que espalhar nos ambientes a essência
da ligeira planta perfumada!
Amigos que elogiam sua formosura,
não me deixem só na amargura
do transe doloroso e imprevisto ...
Percrustem o perfil do horizonte!
Procurem nos campos e no alto do monte!
Digam-me, por piedade, se a tens visto! ...
Friday, August 26, 2011
Até onde ser sincero...
Sinceridade
Não pense que não te mentirei...
Hei de mentir sim.
O verdadeiro amor nunca é sincero.
É só a expressão de que te quero,
de que tu vives em mim.
Que as coisas que não te direi
são só as que não deves saber.
E te dou, como recompensa,
esta paixão imensa,
este meu louco querer,
que mente porque verdade demais
sempre mata,
e, o que vale, é o amor como se trata!
Wednesday, August 24, 2011
Roberta Bonelli
Roberta Bonelli
Il viso di un vecchio è
come una cartina geografica,
dove le rughe sono le strade
che solo con il ricordo può
ripercorrere.
O rosto de um homem velho é
como um mapa,
onde as rugas são as estradas
que somente com a memória se pode
percorrer.
Ilustração: http://timbrevivo.blogspot.com/2010/07/vi-vi-o-feirante-trabalho-costante-dor.html
Angela Dibuono
Incomunicabile
Angela Dibuono
Quante volte, barcollando,
cerchiamo noi stessi negli altri
che crediamo d'amare.
Ma quegli altri restano
dietro lo specchio opaco
dell'incomunicabile.
Come personaggi sconosciuti
non ci vedono e noi
al di qua dello specchio
a raccontarne i frantumi.
Incomunicável
Quantas vezes, cambaleando,
buscamos a nós mesmos em outros
e acreditamos no amor.
Mas, os outros permanecem
dentro do espelho opaco
do incomunicável.
Como personagens desconhecidos
não nos vê e nós,
deste lado do espelho,
nos quebramos a contar os fragmentos.
Fabrizio Ara
Antichi sipari
Fabrizio Ara
Scorgo
fra i vapori della nebbia
una dolce musa marmorea
erta in un'antica corte.
…E lievi segni del tempo
nel suo glorioso abito di festa
dipingono il grande mito
di un tempo che fu.
Scorta la musa
la mia arte lumeggia.
Cortinas velhas
Vejo
entre os vapores da névoa
uma doce musa de mármore
estranha em um tribunal antigo.
......E ligeiros sinais da idade ...
no seu glorioso vestido de festa
retratam o grande mito
de um tempo que foi.
Repõe a musa
minha arte de iluminar.
Sunday, August 21, 2011
Enrique González Martínez
El gozo alucinado
Enrique González Martínez
El color se me adentra y no lo pinto;
la nota musical llega hasta el fondo
de la entraña cordial, y yo la escondo
en el sacro rincón de su recinto.
El árbol es aliento y no verdura,
germinación de vuelo y no ramaje;
el ojo lo desliga del paisaje
y lo clava en el dombo de la altura.
Apago soles y deseco ríos,
borro matices y deshago formas,
y en propio barro, quebrantando normas,
modelo mundos para hacerlos míos.
Sobrepasa las cosas la mirada,
el sueño crece, lo real esfuma,
y me embarco en las alas de la bruma
corno en una galera aparejada.
A alegria alucinada
A cor me penetra e não a pinto;
a nota musical chega até o fundo
das entranhas do coração, e eu a escondo
no sagrado canto do seu recinto.
A árvore é alento e não verdura
germinação de vôo e não ramagem;
o olho se desliga da paisagem
e se crava nas pedras da altura.
Apago sóis e rios resseco,
borro matizes e desfaço formas
e no próprio barro, vou quebrando normas,
modelos, mundos para fazê-los meus.
Excede todas as coisas, o meu olhado
o sonho cresce, o real se esfuma,
e me embarco nas asas da bruma
chifre numa galeria acoplado.
Enrique Garcia Trindade
Vienes a mi
Enrique González Martínez
Vienes a mí, te acercas y te anuncias
con tan leve rumor, que mi reposo
no turbas, y es un canto milagroso
cada una de las frases que pronuncias.
Vienes a mí, no tiemblas, no vacilas,
y hay al mirarnos atracción tan fuerte,
que lo olvidamos todo, vida y muerte,
suspensos en la luz de tus pupilas.
Y mi vida penetras y te siento
tan cerca de mi propio pensamiento
y hay en la posesión tan honda calma,
que interrogo al misterio en que me abismo
si somos dos reflejos de un ser mismo,
la doble encarnación de una sola alma.
Vens a mim
Vens a mim, te acercas e te anuncias
com tão leve rumor que o meu repouso
não turvas, e é um canto milagroso
cada uma das frases que pronuncias.
Vens a mim, não tremas, não vacilas,
e há em nos olharmos uma atração tão forte
que esquecemo tudo, vida e morte,
suspensos na luz de tuas pupilas.
Em minha vida penetras e me sinto
tão perto do meu próprio pensamento
e há na possessão tão funda calma,
que interrogo ao mistério em que me abismo
se somos dois reflexos de um ser mesmo,
ou a dupla encarnação de uma só alma.
Ilustração: muraldosescritores.ning.com
Saturday, August 20, 2011
E me repito mais...
Ainda que mal comportadamente
O mistério do desencontro
Todo grande amor
É sempre sofrimento
Parece que Deus brinca
Com os sentimentos
Só fazendo com que os amantes
Se encontrem no momento
Em que não devem se amar.
Sei que sou um pobre mortal
Que a vontade divina
Não ousa desafiar,
Mas, como se explicar
Que tenha feito assim?
Por que nosso começo
Tem que ser no fim
Por que o nosso amor
Tem que viver na escuridão
Quando é só prazer e luz?
É um mistério
Como o da Santíssima Trindade
Ou por que sacrificar Jesus.
Que sei eu? Sei nada não.
É que não posso te esquecer, meu coração!
O mistério do desencontro
Todo grande amor
É sempre sofrimento
Parece que Deus brinca
Com os sentimentos
Só fazendo com que os amantes
Se encontrem no momento
Em que não devem se amar.
Sei que sou um pobre mortal
Que a vontade divina
Não ousa desafiar,
Mas, como se explicar
Que tenha feito assim?
Por que nosso começo
Tem que ser no fim
Por que o nosso amor
Tem que viver na escuridão
Quando é só prazer e luz?
É um mistério
Como o da Santíssima Trindade
Ou por que sacrificar Jesus.
Que sei eu? Sei nada não.
É que não posso te esquecer, meu coração!
Eu me repito
Velhas lembranças
O teu amor
Que é quase como se fosse um estepe
É a única coisa que me faz serelepe
Que me faz sorrir e cantar
Ainda que isto seja estragar outros ouvidos
E esgotar os sentidos em tentativas de amar
mais do que posso.
Todo o entorno, porém, pouco importa
Se há ideias, momentos, detalhes tão nossos
Que me sinto tão feliz como te sentes
Por trás de véus, de cortinas e de portas
E guardamos estes segredos ternamente
Como um arco-iris que a chuva levou ...
Há um tempo em que haveremos de esquecer
Tanta coisa que nos tornou tão felizes.
E nos dias em que houver uma chuvinha
Em que os pingos cantarem no telhado,
Ainda haverá em ti um resto de memória
Que há de te dar um vago sentimento de euforia
E dirás mesmo sem pensar de onde viria
Que tudo passou, mas, foi uma glória...
Sentirás que fostes amada-tua maior vitória-
E rirás e dançarás feito uma louca
E gemerás como se beijada na boca!
Saturday, August 13, 2011
Ainda Angel González
Todo amor es efímero
Angel González
Ninguna era tan bella como tú
durante aquel fugaz momento en que te amaba:
mi vida entera.
Todo o amor é efemêro
Nenhuma foi tão bela como tu
durante aquele fugaz momento em que eu te amava:
a minha vida inteira.
Angel González
La vida en juego
Angel González
Donde pongo la vida pongo el fuego
de mi pasión volcada y sin salida.
Donde tengo el amor, toco la herida.
Donde pongo la fe, me pongo en juego.
Pongo en juego mi vida, y pierdo, y luego
vuelvo a empezar, sin vida, otra partida.
Perdida la de ayer, la de hoy perdida,
no me doy por vencido, y sigo, y juego
lo que me queda: un resto de esperanza.
Al siempre va. Mantengo mi postura.
Si sale nunca, la esperanza es muerte.
Si sale amor, la primavera avanza.
A vida em jogo
Onde ponho a vida, ponho o fogo
de minha paixão focada e sem saída.
Onde ponho o amor, toco a ferida.
Onde ponho a fé, me ponho em jogo.
Ponho em jogo minha vida, e perco, e logo
começo outra vez, sem vida, outra partida.
Perdida a de ontem, a de hoje perdida,
não me dou por vencido, e sigo, e jogo
o que me sobra: um resto de esperança.
E sempre vou em frente. Mantenho minha postura.
Sem sair nunca. A esperança é a morte.
Se sai o amor, a primavera avança.
Wednesday, August 10, 2011
E de novo Toni García Arias
CUERPO
Toni García Arias
Y aunque parezco un hombre como tantos otros
y el aire que respiro
parece ser suficiente para llenar mis pulmones
y cobrar vida,
en realidad, vida,
no soy más que un paisaje de ropas
al que le falta tu cuerpo.
Corpo
E embora pareça um homem como tantos outros
e o ar que respiro
pareça ser suficiente para encher meus pulmões
e gerar vida
na realidade, vida,
não sou apenas mais que um varal de roupas
que não tem o corpo.
Toni García Arias
ESPEJO
Toni García Arias
Frágil como un pequeño espejo,
el tiempo resbala por nuestras manos
con la inocencia de lo que no perdura
y estalla contra el suelo
y se hace memoria.
Una pareja sale del hospital
y se abraza. No hay amor
en sus rostros.
Lloran.
Lloran a pesar de la gente que pasa,
a pesar de este sol de agosto
que abrasa
y que en sus ojos
se congela.
Espelho
Frágil como um pequeno espelho,
o tempo resvala por nossas mãos
com a inocência do que não perdura
e se destroça contra o chão
e de faz memória.
Um casal saí do hospital
e se abraça. Não há amor
nos seus rostos.
Choram.
Choram, apesar da gente que passa,
apesar deste sol de agosto
que queima
e que, nos teus olhos,
se congela.
Ilustração: paraalemdasduvidas.blogspot.com
Sunday, August 07, 2011
E mais de Maria Tereza Cervantes
EL AFÁN DE EXISTIR
Maria Tereza Cervantes
Esa ansiedad de ser, de no morirse.
Lo que nunca entendemos.
El afán de existir, la desmedida en todo.
Ese otro día por el que vanamente vivimos.
O afã de existir
Esta ansiedade de ser, de não morrer.
O que nunca entendemos.
O afã de existir, o desejo excessivo de tudo.
Este outro dia pelo qual vagamente vivemos.
Ilustração: The ClaraBeauty Journal
Ainda Maria Tereza Cervantes
SILENCIO
Maria Tereza Cervantes
Llevas el dedo a tus labios.
Silencio!
Es la hora de callar,
de desmentirse
de lo dicho, de desmentirse de los sueños.
Es la hora de pensar, de recogernos,
de ocultarnos de tantos como miran,
como hieren,
como eliminan.
Pides silencio,
más de lo que yo esperaba.
Te entiendo. Sí, te entiendo.
Silêncio
Levas o dedo a teus lábios.
Silencio!
É hora de calar,
de desmentir-se
o dito, de desmentir-se dos sonhos.
É a hora de pensar, de nos recolher,
para nos ocultar de como nos olham,
como ferem,
como eliminam.
Pedes silêncio
mais do que eu esperava.
Te entendo. Sim, como te entendo.
Maria Tereza Cervantes
¿CUÁL DE LAS DOS HE SIDO?
Maria Tereza Cervantes
¿Quién? ¿Cuál?
¿Quién me llama a esta hora casi póstuma?
¿Cuál de las dos he sido:
la que busca o la que espera?
Qual dos dois foi?
Quem? Qual?
Quem me chama a esta hora quase póstuma?
Qual dos dois foi:
o que procura ou o que espera?
Ilustração: http://diariosdoces.blogspot.com/2010_08_01_archive.html
Ilusão
Que o meu amor
sempre será teu
meus olhos dizem
quando sorriem felizes
de te ver.
Que jamais tanto amor
há de passar
prova esta minha constância
de te levar
na mente e no coração.
Vem..vem...
Eu te estendo a mão
como se estivesses equilibrada no ar
e, como num sonho, fosse te salvar,
porém, mesmo dormindo, sei
que é uma tentativa em vão.
Na vida e no sonho tudo é ilusão!
Ilustração: asasdailusao.blogspot.com
Tuesday, August 02, 2011
Oliverio Girondo
ESCRÚPULO
Oliverio Girondo
Me parece que vivo
que estoy entre los ruidos
que miro las paredes,
que estas manos son mías,
pero quizás me engañe
y paredes y manos
sólo sean recuerdos
de una vida pasada.
He dicho "me parece"
yo no aseguro nada.
Escrúpulo
Me parece que vivo
que estou entre os ruídos
que olho as paredes,
que estas mãos são minhas,
porém, quem sabe me engane
e paredes e mãos
só sejam recordações
de uma vida passada.
Ele disse “me parece”
já eu não asseguro nada.
Monday, August 01, 2011
Mais uma vez Blanca Abreu
Marina del color del amor
Blanca Abreu
Eres la estrofa azul, el poema verde
que mi amor me recita con su sonrisa roja
que me canta mi amor
con alma gigantesca y dedos negros.
Eres el verso azul inacabable
hecho de estrellas y de cielo líquido
sembrado de naranjas y de lunas
donde ata mi amor sus pensamientos.
"El sueño oscuro" 1994
Marina da cor do amor
Eras a estrofe azul, o poema verde
que o meu amor me recita com um sorriso vermelho
quem me canta meu amor
com uma alma gigantesca e dedos negros.
És verso azul inacabável
feito de estrelas e de céu líquido
povoado com laranjas e luas
onde agarra meu amor teus pensamentos.
Ilustração: armazendatuca.blogspot.com
Blanca Abreu
Cinerario
Blanca Abreu
a Marta
I
Ahora me pregunto qué sería de aquel fuego
y de su noche, la ceniza.
II
El fuego es dios de nada, dijo el poeta, es nada
aunque a veces sople por las chimeneas
un aire alemán.
III
Ahora me pregunto qué fue de aquellos fuegos
y de su norte, la ceniza.
IV
El fuego es dios de nada -dijo el poeta- es nada
y jamás se controla por educación
o cualquier otra
sino que obra
y porfía.
V
Ahora me pregunto que será de aquel fuego
y su sepulcro, la ceniza.
"Capitán Elphistone" 1988
Urna
a Marta
I
Agora me pergunto o que seria daquele fogo
e sua noite, as cinzas.
II
O fogo é o deus do nada, disse o poeta, não é nada
ainda que, às vezes, sopre através das chaminés
um ar alemão.
III
Agora me pergunto o que aconteceu com aqueles fogos
e seu norte, as cinzas.
IV
“O fogo é o deus do nada ", disse o poeta não é nada
e nunca se controla por educação
ou qualquer outra coisa
senão que obra
e profia.
V
Agora me pergunto o que será daquele fogo
e o seu túmulo, as cinzas.
Ilustração: http://agenciazero.com.br/clientes/jardim/site/wp-content/uploads/2010/05/CIMG0331.jpg
Ainda Eloy Sánchez Rosillo
La casa vacía
Eloy Sánchez Rosillo
Abre la puerta y da la luz.
Es ya muy tarde,
y sabe que en su casa nadie lo espera.
Todo
sigue en su sitio y el silencio pesa
sobre las mudas cosas que le ignoran.
Va de aquí para allá, por el pasillo, por las vacías
habitaciones, y no sabe qué hacer, por qué esta noche
está tan lejos todo.
Coge un libro.
Pasa un rato leyendo.
Luego, escucha
con desgana una música.
Mientras, la madrugada
avanza lentamente.
Acaso alguna rosa
de ese florero que hay sobre la mesa
deja caer sus pétalos marchitos.
De Páginas de un diário
A casa vazia
Abre a porta e deixa entrar a luz.
É já muito tarde,
e sabes que em sua casa ninguém o espera.
Todos
seguem em seu lugar e o silêncio pesa
sobre as coisas mudas que lhe ignoram.
Indo e voltando, pelo corredor, pelos quartos
vazios, não sabes o que fazer, porque hoje à noite
estais tão longe de todos.
Pegar um livro.
Passar algum tempo lendo.
Logo, escutas
desenganado uma música.
Enquanto, a madrugada
avança lentamente.
Acaso alguma rosa
dos ramos sobre a mesa
deixa cair suas pétalas murchas.
Ilustração: dois-rios.blogspot.com
Sunday, July 31, 2011
Mais um poema de Eloy Sánchez Rosillo
Supón que aún es agosto y que no estás tan lejos...
Eloy Sánchez Rosillo
...aunque el ser amado esté ausente, a mano están sus imágenes
y su dulce nombre resuena en nuestros oídos.
Lucrecio
Supón que aún es agosto y que no estás tan lejos
de esta ciudad que todavía guarda
los últimos vestigios de aquella altiva llama del verano
que lentamente fue, como todo, muriéndose;
imagina que aun estas aquí, conmigo,
en la paz de esta casa que la luz hace hermosa,
y busca en tu memoria el esplendor dorado
de los días perfectos que en ella -porque así
lo deseó algún dios de mirada propicia-
hemos vivido, ajenos a todo aquello que no fuera
nuestra propia alegría de estar juntos.
Recuerda.
Mira. Mira esas gloriosas
mañanas: hace un rato que tú te despertaste,
y esperas en silencio a que yo abra los ojos
para darme los buenos días y decirme -hoy también-
que eres dichosa.
Y me señalas luego
ese rayo de sol que entra por la ventana
y aquí, junto a la cama, en el suelo, dibuja
un dulce charco de oro.
No dejes que se borren
de tu alma las risas de ese tiempo,
las palabras ardientes que sonaban
como un cristal finísimo y llenaban de música
las horas del amor: el espacio inocente
de la pasión cumplida en las radiantes noches
que nuestros cuerpos conquistaron.
Contempla estas imágenes,
y olvídate de ese lugar que ahora
a tu pesar y a mi pesar habitas:
calles llenas de otoño, gentes que desconocen
nuestra historia, tierras que no son tuyas,
y ese río que en nada se parece
a éste nuestro de aquí, que bajo el sol discurre
a través de los huertos.
Ojalá lleves siempre
contigo, a cada instante, mi recuerdo,
y estas palabras que en la noche escribo
pensando en ti, para que tú las leas,
te ayuden a estar sola,
y te acompañen.
De Páginas de un diario
Supondo que ainda é agosto e que não estais tão distante ...
... Mesmo o amado esteja ausente, suas imagens ainda estão à mão
e o seu doce nome ressoa nos nossos ouvidos.
Lucrécio
Supondo que ainda é agosto e que não estais tão distante
desta cidade que ainda mantém
os últimos vestígios daquela altiva chama do verão
que lentamente foi, como tudo, morrendo;
imagina que ainda está aqui comigo
na paz desta casa que a luz faz formosa
e busca na tua memória o esplendor dourado
de dias perfeitos nela, porque assim
o desejou um deus de olhar propício-
e nós vivemos alheios a qualquer coisa que não foi
nossa própria alegria de estar juntos.
Recorda-te.
Olha. Olha para a gloriosa
manhã: faz um tempo que tu acordastes,
e esperas calmamente a que eu abra os olhos
para dizer bom dia e dizer-me, agora, também
como estais feliz.
E logo me apontas
que raio de sol entrando pela janela
cai aqui, ao lado da cama no chão, desenhando
uma poça d'água, doce rio de ouro.
Não o deixes apagar
o riso de tua alma neste momento,
as palavras ardentes que soavam
como um cristal finíssimo e repletas de música
as horas de amor: o espaço inocente
da paixão cumprida na noite radiante
que nossos corpos conquistaram.
Contemplar estas imagens
e esquecer este lugar que agora
a tua dor e minha tristeza habita:
ruas cheias de outono, de pessoas que desconhecem
nossa história, as terras que não são tuas,
o rio que não é nada parecido
a este nosso daqui, no qual o sol vai
através dos pomares.
Oxalá sempre leve
contigo, a cada momento, a minha recordação,
e estas palavras que eu escrevo à noite
pensando em ti, para que as leia,
e te ajudem a ficar sozinha
e te acompanhem.
Ilustração: www. emanuella-silva.blogspot.com
Eloy Sánchez Rosillo outra vez
Dejadme aquí, sumido en la penumbra...
Eloy Sánchez Rosillo
Dejadme aquí, sumido en la penumbra
de esta habitación en la que tantas horas de mi vida
transcurrieron.
Es tarde ya. La noche se aproxima
y hoy -no sé por qué- más que otras veces necesito
quedarme solo y recordar muy lentamente
algunas cosas del pasado,
ciertas historias ya casi perdidas,
mientras el sol se aleja y la ciudad va hundiéndose
en la sombra.
14 de marzo de 1977
Deixe-me aqui, no meio da penumbra ...
Deixe-me aqui, no meio da penumbra
Nesta sala em que tantas horas da minha vida
transcorreram.
É tarde demais. A noite se aproxima
e hoje-eu não sei porque- mas, que outras vezes necessito
estar sozinho e me lembrar muito lentamente
algumas coisas do passado
certas histórias quase perdidas,
enquanto o sol se afasta ea cidade está afundando-se
na sombra.
Eloy Sánchez Rosillo
Cuerpo dormido
Eloy Sánchez Rosillo
A veces recuerdo la tibieza de aquellos días,
la gracia de aquel cuerpo dormido,
la blancura del lecho en un rincón del cuarto,
el libro abandonado, entreabierto,
la lámpara sumisa, la ventana,
el sonido lejano de la lluvia,
los lentos rumores de la noche.
y pienso entonces que fue hermosa la vida,
y acaricio en mi pecho las heridas del tiempo.
25 de agosto de 1975
Corpo adormecido
Às vezes eu me recordo do calor daqueles dias
a graça daquele corpo adormecido
a brancura do leito num canto do quarto,
o livro abandonado, entreaberto,
a lâmpada submissa, a janela,
o som distante da chuva,
os lentos rumores da noite.
e penso, então, que foi formosa a vida,
e acaricio em meu peito as feridas do tempo.
Monday, July 25, 2011
E Marzal ainda
La pequeña durmiente
Carlos Marzal
No es que el mundo esté bien: es que no existe.
No hay nada alrededor:
sólo tu sueño.
Nada tiene más ley que tu abandono,
tu suave abjuración ,
la dulce apostasía que te ausenta.
No hemos fundado el mundo: nunca cambia.
Pero este cuadro es nuevo
-padre e hija-,
porque sólo el amor es diferente,
sin por ello dejar de ser lo mismo.
El anchuroso mundo, que no importa,
gravita en torno a ti: lo has imantado,
y vive irreprochable hacia tu brújula.
Lo innúmero se rinde a tu unidad sencilla.
Durmiente flor desnuda en mis palabras,
adormidera de los desencantos,
prístina amapola pálida.
De "Metales Pesados" 2001
A pequena adormecida
Não que o mundo esteja bem: é que não existe.
Não há nada ao redor:
só o teu sonho.
Nada tem mais lei que o teu abandono,
tua suave abjuração
a doce apostasia que te ausenta.
Não fundamos o mundo: nunca muda.
Porém, este quadro é novo
-Pai e filha-
porque só o amor é diferente
sem por ele deixar de ser o mesmo.
O alargado mundo, que não importa
gravita em torno de ti: o hás imantado,
e vive irreprovável até tua bússola.
O inúmero se rende à tua sensível unidade.
Adormecida flor nua em minhas palavras,
adormecedora dos desencantos,
original papoula branca.
Ilustração: http://ricardoncalves.blogspot.com/2010/06/bela-viana-adormecida.html
Mais uma vez Marzal
Un mar de lágrimas
Carlos Marzal
Sufrirás. Ya has sufrido.
Tal vez estés sufriendo.
Y aunque sepas por qué (si es que lo sabes),
ese conocimiento no será tu consuelo.
El adiós a los tuyos; el azar,
implacable; la incógnita del cielo,
todo lo que se pierde
hechos y vida abajo, tiempo abajo,
o también vida arriba, hacia lo que te espera,
todo, configura el sabor de tus lágrimas,
un sabor sin sabor, ya que no lo comparte
quien te ha visto sufrir
-no puede compartirlo-,
un sabor que no entiendes,
un cúmulo de lágrimas que trazan,
no sé dónde,
un mar por el que bogan,
y no sé para qué,
inútiles por siempre, inconsolables,
quién sabe desde cuándo,
su alma,
tu alma
y la mía.
De "Los países nocturnos" 1996
Um mar de lágrimas
Sofrerás. Já sofrestes.
Talvez estejas sofrendo.
Ainda que seja por que (se é que já não sabes),
este conhecimento não será o teu consolo.
O adeus aos teus: o azar
implacável; a incognita do céu,
tudo o que se perde
fatos e vida baixo, tempo abaixo,
ou também vida acima ou até o que se espera,
tudo, configura o sabor de tuas lágrimas,
um sabor sem sabor, já que não o compartilha
quem tem visto sofrer
- não pode compartilhá-lo-
um sabor que não entendes,
um cúmulo de lágrimas traçadas,
não se sabe onde,
um mar de onde vazam,
e não sei para que,
inúteis para sempre, inconsoláveis,
quem sabe desde quando,
alma,
tua alma
e a minha.
Ilustração: http://coisasdeluci.blogspot.com/2011/04/mar-de-lagrimas.html
Tuesday, July 19, 2011
Marzal novamente
Metal pesado
Carlos Marzal
Igual que sucedía, siendo niños,
con las mágicas gotas de mercurio,
que se multiplicaban imposibles
en una perturbada geometría,
al romperse el termómetro, y daban a la fiebre
una pátina más de irrealidad,
el clima incomprensible de los relojes blandos.
Algo de ese fenómeno concierne a nuestra alma.
En un sentido estricto, cada cual
es obra de un sinfín de multiplicaciones,
de errores de la especie, de conquistas
contra la oscuridad. Un individuo
es en su anonimato una obra de arte,
un atávico mapa del tesoro
tatuado en la piel de las genealogías
y que lleva hasta él mismo a sangre y fuego.
No hay nada que no hayamos recibido
ni nada que no demos en herencia
Existe una razón para sentir orgullo
en mitad de esta fiebre que no acaba.
Somos custodios de un metal pesado,
lujosas gotas de mercurio amante.
De "Metales Pesados" 2001
Metal pesado
Igual ao que sucedia, quando crianças,
com as mágicas gotas de mercúrio,
que se multiplicavam impossíveis
numa perturbada geometria,
ao quebrar-se o termômetro, e dar à febre
uma pátina a mais de irrealidade,
o clima incompreensível de relógios brandos.
Algo deste fenômeno concerne à nossa alma.
num sentdo estrito, cada qual
é obra de multiplicações infinitas, de
erros da espécie, de conquistas
contra a escuridão. Um indivíduo
no seu anonimato é uma obra de arte,
um atávico mapa do tesouro
tatuado na pele das genealogias
e que leva a ele mesmo à sangue e fogo.
Não há nada que não tenhamos recebido,
nem nada que não herdamos.
Existe uma razão para se sentir orgulho
na metade desta febre que não se acaba.
Somos a custódia de um metal pesado,
luxuosas gotas de um mercúrio amante.
Ilustração: http://m274.photobucket.com/image/mercurio%20metal%20liquido/terescopica/mercurio_filtered.jpg.html?src=www&t=1214772153
Carlos Marzal
El juego de la rosa
Carlos Marzal
Hay una rosa escrita en esta página,
y vive aquí, carnal pero intangible.
Es la rosa más pura, de la que otros han dicho
que es todas las rosas. Tiene un cuerpo
de amor, mortal y rosa, y su perfume
arde en la sinrazón de esta alta noche.
Es la cúbica rosa de los sueños,
la rosa de los sueños,
la rosa del otoño de las rosas.
Y esa rosa perdura en la palabra
rosa, cien vidas más allá de cuanto dura
el imposible juego de la vida.
Hay una rosa escrita en esta página,
y vive aquí, carnal e inmarcesible.
O jogo da rosa
Há uma rosa escrita nesta página
e vive aqui, carnal, porém, intangível.
É a rosa mais pura, das que os outros disseram
que são todas as rosas. Ela tem um corpo
amor, mortal e rosa, e seu perfume
arde na insensatez desta alta noite.
É a cúbica rosa dos sonhos,
a rosa dos sonhos,
a rosa do outono das rosas.
E esta rosa perdura na palavra
rosa, cem vidas mais além do quanto dura
o impossível jogo da vida.
Há uma rosa escrita nesta página,
e vive aqui, carnal, e imorredoura.
Sunday, July 17, 2011
Meu amor
Argumento
Por seres, como és, tão mansa,
Muitas vezes não imagino
Como podes ser
Tão imensamente forte quanto és,
Porém, mesmo distante,
Sou um amante aos teus pés
Que pode até te incomodar
Com o silêncio e a falta de palavras,
Que dizes ser tão poderosa,
No entanto, sou o que sou, o espinho.
Tu, tu és a rosa.
E só teu perfume e beleza
Me faz crer que a vida
É tão boa de se viver!
Sahagún mais uma vez
Quede mi nombre
Carlos Sahagún
Que mi reino no sea
la soledad del héroe pensativo,
sino tu fortaleza amurallada.
Hallen en ti refugio los días claros,
roto ya por mil flancos
el combatido cerco de la noche.
Y cuando zarpe el último navío
rumbo a la decepción definitiva,
quede mi nombre escrito sobre el agua,
indefenso, esperando
la hora en que tú desciendas suavemente,
sabiendo ya el camino, a recordarme.
Lembra meu nome
Que o meu reino não seja
a solidão do herói pensativo,
senão tua fortaleza murada.
Quedem no refúgio os dias claros,
roto já por mil flancos
o combatido cerco da noite.
E quando zarpar o último navio
rumo à decepção definitiva,
que meu nome permaneça na água
indefeso, esperando
o tempo em que tu desças suavemente
sabendo já o caminho, a lembrar de mim.
Sahagún
Insomnio
Carlos Sahagún
Insaciable,
entré en tu edad madura, en la maleza,
busqué el tenso bambú, la carne cimbreante,
con el designio de un tardío acoso,
y como el sueño no era sino un viaje
cuyo mayor dolor es el regreso,
hacia la tapia fulgurante y ciega
acompañé tu imagen, sufrí su maleficio,
oh misteriosa y húmeda concavidad vacía,
cuerpo más que la aurora vacilante,
desolación para los que esperábamos,
tras noches de ansiedad, siglos de entrega.
Insônia
Insaciável
entrei na tua idade madura, na floresta,
busquei o bambu tenso, a carne macia,
com o desígnio de um assédio tardio
como o sono não era senão uma viagem
cuja maior dor é o retorno
até a parede fulgurante e cega
acompanhei a tua imagem, sofri o teu feitiço,
oh! misteriosa e úmida concavidade vazia,
corpo maior que a aurora vacilante,
desolação para o que esperávamos,
depois de noites de ansiedade, séculos de entrega.
Saturday, July 16, 2011
Desconstruindo Noel
Provei ao contrário
Provei do amor toda doçura que ele tem
E até pensei que não amaria mais ninguém,
Porém, agora, apareceu alguém
Que me faz tão feliz, que me faz tão bem
Quem fala bem do amor sabe a vida gozar
Quem bendiz o próprio amor
Tem amor e sabe amar.
Sunday, July 10, 2011
Florit outra vez
El deseo
Eugenio Florit
Quisiera haber escrito más, pero no pude.
Lo escrito escrito está. No me arrepiento.
Hubiera Dios querido, lo que siento
dentro de mí, como una espina, al viento
pudo salir, fuerte de luz, de verso lleno.
Pero no pudo ser. Y aquí me quedo
sin gloria ni valer, que no apetezco.
Tan sólo un poquitín de pensamiento
cuando no sea yo más que otro muerto.
Otro muerto cualquiera. Un gran deseo...
Y este amor a la tierra en que estoy dentro.
(¿Los árboles, las flores, el mar? Pues todo ello
aquí, muriendo como yo, en mi cuerpo.)
O desejo
Quisera haver escrito mais, porém, não pude.
O escrito está escrito. Não me arrependo.
Houvera Deus querido, o que sinto
dentro de mim como uma espinha, ao vento
poder sair, forte de luz, de verso cheio.
Porém, não pode ser. E aqui eu fico
sem glória ou valor, que não apeteço.
Tão só um pouquinho de pensamento
quando não seja eu, mas, que outro morto.
Outro morto qualquer. Um grande desejo ...
E este amor à terra em que estou dentro.
(As árvores, as flores, o mar? Para todos eles
aqui, morrendo como eu, em meu corpo.)
Eugenio Florit
Momento
Eugenio Florit
Si no me falta nada. Si estoy bueno.
Si hay sol con frío por el aire.
Tengo cariño a mano. Mas no tengo
el que dentro de mi tener querría.
Es tranquila esta paz, pero me duele
con un vacío que no tiene nombre.
Y no acierto a decir lo que quisiera...
Tal vez un poco de melancolía.
Momento
Se não me falta nada. Se estou bem.
Se há sol com frio pelo ar.
Tenho carinho à mão. Mas, não tenho
o que dentro de mim queria ter.
É tranquila esta paz, porém, me dói
com um vazio que não tem nome.
E não acerto dizer o que queria ...
Talvez um pouco melancólica.
Novamente Casal
Las horas
Julián del Casal
¡Qué tristes son las horas! Cual rebaño
de ovejas que caminan por el cielo
entre el fragor horrísono del trueno,
y bajo un cielo de color de estaño.
Cruzan sombrías en tropel huraño,
de la insondable Eternidad al seno,
sin que me traigan ningún bien terreno,
ni siquiera el temor de un mal extraño.
Yo las siento pasar sin dejar huellas,
cual pasan por el cielo las estrellas,
y aunque siempre la última acobarda,
de no verla llegar ya desconfío,
y más me tarda cuanto más la ansío
y más la ansío cuanto más me tarda.
As horas
Que triste são as horas! Qual um rebanho
de ovelhas que caminham pela amplidão
entre o fragor horrível do trovão,
e sob um céu da cor do estanho.
Cruzam sombrias num tropel medonho,
da eternidade o insondável seio,
sem que me tragam nem um bem no meio,
nem sequer o temor de um mal estranho.
Eu as sinto passar sem deixar sombras,
como passam pelo céu, as estrelas,
ainda que sempre a última se acovarda,
de não vê-la chegar já desconfio,
e mais demora quanto mais anseio
e mais anseio quanto mais me tarda.
Julián del Casal
Ruego
Julián del Casal
Déjame reposar en tu regazo
el corazón, donde se encuentra impreso
el cálido perfume de tu beso
y la presión de tu primer abrazo.
Caí del mal en el potente lazo,
pero a tu lado en libertad regreso,
como retorna un día el cisne preso
al blando nido del natal ribazo.
Quiero en ti recobrar perdida calma
y rendirme en tus labios carmesíes,
o al extasiarme en tus pupilas bellas,
sentir en las tinieblas de mi alma
como vago perfume de alelíes,
como cercana irradiación de estrellas.
Rogo
Deixa-me repousar no teu regaço
o coração, onde se encontra impresso
o cálido perfume de teu beijo
e a pressão de teu primeiro abraço.
Caí do mal em poderoso laço,
porém, a teu lado em liberdade regresso,
como retorna um dia o cisne preso
ao macio ninho, o seu natal berço.
Quero em ti recobrar a perdida calma
e render-me a teus lábios carmezins
ou ao êxtase de teus olhos belos,
sentir na escuridão da minha alma
como um vago perfume de jasmins,
como próximas irradiações de estrelas.
Thursday, July 07, 2011
E mais uma vez Zaid
Nacimiento de Venus
Gabriel Zaid
Así surges del agua,
clarísima,
y tus largos cabellos son del mar todavía,
y los vientos te empujan, las olas te conducen,
como el amanecer, por olas, serenísima.
Así llegas de pronto, como el amanecer,
y renace, en la playa, el misterio del día.
Nascimento de Vênus
Assim surges da água,
claríssima,
e teus longos cabelos são do mar, todavia,
e os ventos te empurram, as ondas te conduzem,
como a aurora, por ondas, sereníssima.
Então, chegas de pronto, como o amanhecer,
e renasce, na praia, o mistério do dia.
Ilustração: Di Cavalcanti
Gabriel Zaid
Así surges del agua,
clarísima,
y tus largos cabellos son del mar todavía,
y los vientos te empujan, las olas te conducen,
como el amanecer, por olas, serenísima.
Así llegas de pronto, como el amanecer,
y renace, en la playa, el misterio del día.
Nascimento de Vênus
Assim surges da água,
claríssima,
e teus longos cabelos são do mar, todavia,
e os ventos te empurram, as ondas te conduzem,
como a aurora, por ondas, sereníssima.
Então, chegas de pronto, como o amanhecer,
e renasce, na praia, o mistério do dia.
Ilustração: Di Cavalcanti
Novamente Zaid
La ofrenda
Gabriel Zaid
Mi amada es una tierra agradecida.
Jamás se pierde lo que en ella se siembra.
Toda fe puesta en ella fructifica.
Aun la menor palabra en ella da su fruto.
Todo en ella se cumple, todo llega al verano.
Cargada está de dádivas, pródiga y en sazón.
En sus labios la gracia se siente agradecida.
En sus ojos, su pecho, sus actos, su silencio.
Le he dado lo que es suyo, por eso me lo entrega.
Es el altar, la diosa y el cuerpo de la ofrenda.
A oferenda
Minha amada és uma terra agradecida.
Jamais se perde o que nela se semeia.
Toda fé posta nela frutifica.
Mesmo uma única palavra nela dá fruto.
Tudo nela se cumpre, tudo chega ao verão.
Carregada está de dádivas, pródiga e na estação.
Nos seus lábios a graça se sente agradecida.
Nos seus olhos, seu peito, seus atos, seu silencio.
Eu lhe dou o que é seu, por isso me entrego.
És o altar, a deusa e o corpo da minha oferenda.
Gabriel Zaid
Canción de seguimiento
Gabriel Zaid
No soy el viento ni la vela
sino el timón que vela.
No soy el agua ni el timón
sino el que canta esta canción.
No soy la voz ni la garganta
sino lo que se canta.
No sé quién soy ni lo que digo
pero voy y te sigo.
Canção do seguimento
Eu não sou o vento nem a vela
sim o timão que vela.
Não sou a água nem o timão
sim quem canta esta canção.
Não sou a voz nem a garganta
sim o que canta.
Não sei quem sou nem o que digo
porém, vou e te sigo.
Sunday, July 03, 2011
Poemas mal comportados
Enquanto seu Manuel arfava
quase morrendo num esforço furibundo
Josefá Santana olhava entediada
a televisão, de saia levantada,
sonhando com outro lugar no mundo
e, intimamente, já contabilizando
a grana do portugues
filosofando,resignada, por sua vez
"O que a gente não faz por uns trocados"!
Saturday, June 25, 2011
Jamais serei um poeta como Chico
Sem habilitação
Se for requisito para ser grande poeta
A necessidade de amar uma mulher sem orifícios
Dispenso a láurea de ser grande neste ofício,
Pois, me vale muito mais ser um poeta menor
E aproveitar os orifícios ao redor
Que renunciar a tamanha fonte de prazer.
Ilustração: http://cslqseama.blogspot.com
Poemas mal comportados
Da indispensabilidade dos orifícios
Se há neste mundo de meu Deus
Uma coisa que me parece indispensável,
E, neste caso, dispenso o parecer dos notáveis,
É da necessidade evidente de orifícios.
Entre meus mais prazerosos vícios
Está o de visitar estes lugares
Que tem o gosto, o sabor, os paladares
Dos pratos mais saborosos
E o prazer que deles extraio
É, com certeza, o dos melhores manjares
De cama e mesa.
Ilustração: http://oimpenetravel.blogspot.com/
Thursday, June 23, 2011
Dionísio Ridruejo
Memória
Dionísio Ridruejo
Y resbaló el amor estremecido
por las mudas orillas de tu ausencia.
La noche se hizo cuerpo de tu esencia
y el campo abierto se plegó vencido.
Un ayer de tus labios en mi oído,
una huella sonora, una cadencia,
hizo flor de latidos tu presencia
en el último borde del olvido.
Viniste sobre un aire de amapolas.
Como suspiros estallando rojos,
bajo el ardor de las estrellas plenas,
los labios avanzaron como olas.
Y sumido en el sueño de tus ojos
murió el dolor en las floridas venas.
Memória
E resvalou o amor estremecido
pelas mudas margens de tua ausência.
A noite se fez corpo de tua essência
e o campo aberto se quedou vencido.
Um ontem de teus lábios ao meu ouvido,
uma trilha sonora, uma cadência,
fez-se flor de latidos a tua presença
na fronteira última do esquecimento.
Viestes com um ar de papoulas.
Como suspiros estalando de vermelhos,
sob o calor forte das estrelas plenas,
os lábios que avançaram como ondas.
E sumiram no sono de teus olhos
morreram na dor das veias mais floridas.
Tuesday, June 21, 2011
Ainda Mistral
Yo canto lo que tú amabas, vida mía...
Gabriela Mistral
Yo canto lo que tú amabas, vida mía,
por si te acercas y escuchas, vida mía,
por si te acuerdas del mundo que viviste,
al atardecer yo canto, sombra mía.
Yo no quiero enmudecer, vida mía.
¿Cómo sin mi grito fiel me hallarías?
¿Cuál señal, cuál me declara, vida mía?
Soy la misma que fue tuya, vida mía.
Ni lenta ni trascordada ni perdida.
Acude al anochecer, vida mía;
ven recordando un canto, vida mía,
si la canción reconoces de aprendida
y si mi nombre recuerdas todavía.
Te espero sin plazo ni tiempo.
No temas noche, neblina ni aguacero.
Acude con sendero o sin sendero.
Llámame a donde tú eres, alma mía,
y marcha recto hacia mí, compañero.
Eu canto o que tu amavas, vida minha
Eu canto o que tu amavas, vida minha
por si te acercas e escutas, vida minha,
por si acordas do mundo em que vivestes,
ao entardecer eu canto, sombra minha.
Eu não quero emudecer, vida minha.
Como sem meu grito fiel me falarias?
Qual sinal, me declara, vida minha?
Sou o mesmo que foi teu, vida minha.
Nem lento nem trasacordado ou perdido.
Acode ao anoitecer, vida minha,
vem recordando uma canção, vida minha,
se a canção reconheces de aprendida
e se o meu nome reconheces, todavia.
Te espero sem prazo nem tempo.
Não temas noite, neblina nem aguaceiro.
Acode com caminho ou sem caminho.
Chama-me onde estiveres, alma minha,
e marcha reto até a mim, teu companheiro.
Ilustração: http://diariodekaelle.blogspot.com/2011/03/ressucita-me_28.html
Gabriela Mistral
Desvelada
Gabriela Mistral
Como soy reina y fui mendiga, ahora
vivo en puro temblor de que me dejes,
y te pregunto, pálida, a cada hora:
«¿Estás conmigo aún? ¡Ay, no te alejes!»
Quisiera hacer las marchas sonriendo
y confiando ahora que has venido;
pero hasta en el dormir estoy temiendo
y pregunto entre sueños: «¿No te has ido?»
Desamparada
Como sou rainha e fui mendiga, agora
vivo em puro pavor de que me deixes,
e te pergunto, pálida, a cada hora:
“Estais comigo ainda? Ò, não te alheies”.
Quisera poder marchar sorrindo
e confiando agora que tens vindo;
porém, basta dormir estou temendo
e pergunto entre os sonhos: “Não hás ido?”.
Ilustração: wwwcorazonenfuga.blogspot.com
Monday, June 20, 2011
Melhor pouco do que nada
Presente
Este viver cotidiano,
simples é nosso futuro.
É um presente puro
de nosso vão engano.
É este amor que não temos
e, no entanto, é nosso.
Uma prova do que posso
e de que nós podemos.
Ainda bem menor do que queremos.
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