Wednesday, May 13, 2015

Uma poesia de Salvador Díaz Mirón

En el álbum de la señorita Ana Markoe       

Salvador Díaz Mirón

Espléndida rosa de mágico prado
Que entreabre sus hojas al sol del amor,
Eso eres, Anita. Yo soy, a tu lado,
La espina en la rosa, la nube en el sol.

Dejé mis riberas, mi nido de palma,
Colgado de un árbol dejé mi rabel;
Tendí en el espacio las alas de mi alma
Y llego y murmuro mi nombre a tus pies.

Es flor de los cielos la pálida estrella,
Es flor de las ondas la espuma del mar,
Es flor del recuerdo mi dulce querella,
Es flor que se muere si en tu alma no está.

No álbum da senhorita Ana Markoe

Esplêndida rosa de mágico prado
Que entreabre suas folhas ao sol do amor.
Isto és, Anita. Eu sou, a teu lado,
O espinho na rosa, a nuvem no sol.

Deixa minhas margens, meu ninho de palma,
Pendurado na árvore minha viola;
Estendi no espaço as asas de minha alma
E chego e murmuro meu nome a teus pés.

És flor dos céus, a pálida estrela,
És flor das ondas, a espuma do mar,
És flor da recordação, minha doce querela,

És flor que morre se em tua alma não está. 

Tuesday, May 12, 2015

Elegia da trilha perdida


Eu sou o poeta da incompreensão     o que semeia inspirações dispersas
um viajante de tapete persa,
sem mapa, num mundo de ilusões

Sou um ser iluminado,
que vive no escuro,
sem que se perceba a luz
e sem que se veja a beleza
que, na sombra  e na escuridão, se esconde,
talvez, sem trilhos, um abandonado bonde.

Mas, meus olhos afeitos aos mistérios
vêem o que não se pode ver
e sonham o que não se pode sonhar
e permaneço no escuro a esperar

Enfim, a hora de poder brilhar
(E pode ser que nunca algum olhar perceba e nada venha a se iluminar ....)


Ilustração: pt.dreamstime.com

Monday, May 11, 2015

Uma poesia de Julio Zaldumbide Gangotena

EL LLANTO

Julio Zaldumbide Gangotena

Cuando yo considero que en la vida
no he cogido de amor ninguna rosa;
cuando no miro en duda tenebrosa
surgir lejana una ilusión querida;

cuando de hiel colmada la medida
de mi dolor el cálice rebosa;
cuando el alma en su lucha tormentosa
se postra al fin sin fuerzas abatida,

la frente inclino; en abundante vena
desátase mi llanto, y baña el suelo,
y mi alma poco a poco se serena:

De la tormenta así el nubloso velo,
revuelto en confusión, se rompe, truena,
desciende en lluvia, y resplandece el cielo.

O grito

Quando considero que na vida
Eu não colhi do amor nenhuma rosa;
quando não olho em dúvida tenebrosa
surgir distante uma ilusão querida;

quando, de fel, excedida a medida
da minha dor o cálice transborda;
quando a alma na sua luta angustiada
se posta, ao fim, sem forças abatida,

a fronte inclino; como se uma veia desatasse
abundante o meu pranto e banhasse o solo,
e minha alma, pouco a pouco, sossegasse:

Como se, da tormenta, o nebuloso véu,
revolto em confusão,  rompendo-se, estrondasse ,
descendo em chuva e iluminando o céu.


Sunday, May 10, 2015

Dançemos, pois...

Poeminha da dança necessária                                                             

Entre meus braços
quero que você dance
para que tudo se transforme
num lance
em pura poesia,
em tudo que a vida tem que ser.
Talvez, sentindo o teu perfume,
acabe te beijando por costume
ou por ser tão bom ter prazer.
Mas, nós sairemos pelas ruas dançando
com a alegria que se vive procurando
e o amor e a ternura, que sempre se quis;
para que, pelo menos, numa dança
todo mundo volte a ser criança
e o mundo inteiro volte a ser feliz!

Ilustração: viciodapoesia.com

Saturday, May 09, 2015

Outra poesia de Jaime Sabines

                                                                                                                     
SOLO EN SUEÑOS

Jaime Sabines

Sólo en sueños,
sólo en el otro mundo del sueño te consigo,
a ciertas horas, cuando cierro puertas
detrás de mí.
¡Con qué desprecio he visto a los que sueñan,
y ahora estoy preso en su sortilegio,
atrapado en su red!
¡Con qué morboso deleite te introduzco
en la casa abandonada, y te amo mil veces
de la misma manera distinta!
Esos sitios que tú y yo conocemos
nos esperan todas las noches
como una vieja cama
y hay cosas en lo oscuro que nos sonríen.
Me gusta decirte lo de siempre
y mis manos adoran tu pelo
y te estrecho, poco a poco, hasta mi sangre.
Pequeña y dulce, te abrazas a mi abrazo,
y con mi mano en tu boca, te busco y te busco.
A veces lo recuerdo. A veces
sólo el cuerpo cansado me lo dice.
Al duro amanecer estás desvaneciéndote
y entre mis brazos sólo queda tu sombra.

Só em sonhos

Só em sonhos,
só em outro mundo de sonhos te consigo,
em certas horas, quando fecho as portas,
atrás de mim.
Com que desprezo eu via os que sonham,
e, agora, estou preso em seu sortilégio,
enrolado na sua rede.
Com que mórbido deleite
te introduzo na casa abandonada, e te amo mil vezes
da mesma maneira distinta!
Estes locais, que tu e eu conhecemos,
nos esperam todas as noites
como uma velha cama
e há coisas que, no escuro, nos sorriem.
Gosto de dizer o de sempre,
e minhas mãos adoram tua pele,
e te estreito, pouco a pouco, até meu sangue.
Pequena e doce, te abraças a meu abraço,
e com a minha mão em tua boca, te busco e te busco.
Às vezes o recordo. Às vezes
só o corpo cansado me diz.
No duro amanhecer estais te desvanecendo
E, entre meus braços, só fica a tua sombra.


Ilustração: 1.bp.blogspot.com

Poema dos dons

Poema de los dones                                                               

 Jorge Luis Borges

Nadie rebaje a lágrima o reproche
esta declaración de la maestría
de Dios, que con magnífica ironía
me dio a la vez los libros y la noche.

De esta ciudad de libros hizo dueños
a unos ojos sin luz, que sólo pueden
leer en las bibliotecas de los sueños
los insensatos párrafos que ceden

las albas a su afán. En vano el día
les prodiga sus libros infinitos,
arduos como los arduos manuscritos
que perecieron en Alejandría.

De hambre y de sed (narra una historia griega)
muere un rey entre fuentes y jardines;
yo fatigo sin rumbo los confines
de esta alta y honda biblioteca ciega.

Enciclopedias, atlas, el Oriente
y el Occidente, siglos, dinastías,
símbolos, cosmos y cosmogonías
brindan los muros, pero inútilmente.

Lento en mi sombra, la penumbra hueca
exploro con el báculo indeciso,
yo, que me figuraba el Paraíso
bajo la especie de una biblioteca.
Algo, que ciertamente no se nombra
con la palabra azar, rige estas cosas;
otro ya recibió en otras borrosas
tardes los muchos libros y la sombra.

Al errar por las lentas galerías
suelo sentir con vago horror sagrado
que soy el otro, el muerto, que habrá dado
los mismos pasos en los mismos días.

¿Cuál de los dos escribe este poema
de un yo plural y de una sola sombra?
¿Qué importa la palabra que me nombra
si es indiviso y uno el anatema?

Groussac o Borges, miro este querido
mundo que se deforma y que se apaga
en una pálida ceniza vaga
que se parece al sueño y al olvido.

Poema dos dons

Ninguém reprove a lágrima ou a censura
Esta declaração de maestria
De Deus, que com magnífica ironia
Me deu, de uma vez, os livros e a noite.

Desta cidade de livros feitos donos
Uns olhos sem luz, somente podem
Ler nas bibliotecas dos sonhos
Os insensatos parágrafos que cedem

As albas em suas ânsias. Em vão o dia
Lhes prodigaliza seus livros infinitos,
Árduos como os árduos manuscritos
Que pereceram em Alexandria.

De fome e sede (narra uma história grega)
Morre um rei entre fontes e jardins,
Eu, fatigado, sem rumo, nos confins
Desta alta e profunda biblioteca cega.

Enciclopédias, atlas, o Oriente
E o Ocidente, séculos, dinastias,
Símbolos, cosmos e cosmogonias
Brindam os muros, porém, inutilmente.

Lenta na minha sombra, a penumbra oca
Exploro com o báculo indeciso,
Eu, que me afigurava o paraíso
Sob uma espécie de biblioteca.

Algo que, certamente, não se nomeia
Com a palavra azar, rege estas coisas;
Outro já recebo em outras embaçadas
Tardes os muitos livros e a sombra.

Ao errar pelas lentas galerias
Somente sinto com vago horror sagrado
Que sou outro, o morto, que haverá dado
Os mesmos passos nos mesmos dias.

Qual dos dois escreve este poema
De um eu plural e de uma só sombra?
Que importa  a palavra que me nomeia
Se é indivisível e uno o anátema?

Groussac ou Borges, olho este querido
Mundo que se deforma e que se apaga
Numa pálida cinza vaga
Que se parece ao sonho e ao esquecimento.


Ilustração: armontes.files.wordpress.com 

Outro poema de Luis Palés Matos

 
FRONTIS                                                                                   

Luis Palés Matos 

Lector, vas a beber en una fuente,
donde al bajar el labio y la mirada,
encontrarás tu imagen retratada
en la seda de su onda transparente;

vas a beber el agua de un torrente
hecha de Todo y en resumen Nada,
que sabe de la estrella inmaculada
y de la sima negra y atrayente...

Ese es mi verso; profundiza un poco.
No compadezcas mi dolor, si loco
te lanza entre la sombra su saeta;

sigue, a tientas quizás: Jasón perdido,
y toparás al cabo sorprendido,
el vellocino de oro del poeta.

Fachada

Leitor, vais beber em uma fonte,
Onde ao baixar o olhar e a mirada,
Encontrarás tua imagem retratada
Na seda de sua onda transparente;

Vais beber a água de uma corrente
Feita de tudo e, em resumo, de nada.
Que sabe da estrela imaculada
E do abismo negro e atraente...

Este é meu verso; profundo como um poço.
Não se compadeças de minha dor, se louco
Te lanças entre a sombra e sua seta;

Segue, a tatear talvez: Jasão perdido,
E toparás ao cabo surpreendido,
O velocino de ouro do poeta.


Ilustração: arturjotaef-numancia.blogspot.com

Friday, May 08, 2015

Mais uma poesia de Pedro Miguel Obligado

No tiene importancia                              
 Pedro Miguel Obligado

Esta pena mía
No tiene importancia.
Sólo es la tristeza de una melodía,
Y el íntimo ensueño de alguna fragancia.
-Que todo se muere,
Que la vida es triste,
Que no vendrás nunca, por más que te espere,
Pues ya no me quieres como me quisiste-.
No tiene importancia…
Yo soy razonable;
No puedo pedirte ni amor ni constancia:
¡Si es mía la culpa de no ser variable!
¿Qué valen mis quejas
Si no las escuchas;
Y qué mis caricias desde que las dejas
Quizá despreciadas porque fueron muchas?
¡Si esta pena mía
No es más que el ensueño de alguna fragancia,
No es más que la sombra de una melodía!
Ya ves que no tiene ninguna importancia…

Não tem importância

Esta pena minha
Não tem importância.
Só é a tristeza de uma melodia,
E o íntimo sonho de alguma fragância.
-Que tudo morre,
Que a vida é triste,
Que não virás nunca, por mais que te espere,
Pois já não me queres como me quisestes-.
Não tem importância...
Eu sou razoável;
Não posso pedir-te nem amor nem constância:
Se é minha a culpa de não ser variável!
Que valem minhas queixas
Se não as escutas;
E também minhas carícias desde que as deixa
Quiça depreciadas por terem sido muitas?
Se esta pena minha
Não é mais que o sonho de alguma fragância,
Não é mais que a sombra de uma melodia!
Já vês que não tem nenhuma importância....


Tuesday, May 05, 2015

Uma poesia de Megan A. Smith

I Love You                                   

Megan A. Smith


I know you're there
but my world is so bare.
Nothing is standing in your way,
I'm hoping you can make it one more day.

Our relationship has grown so strong,
where could we have went so wrong.
You were there when I needed you,
Now I'm here for you to need me too.

My love for you will stay the same,
never will I forget your name.
By my side, you will always stay,
I'll think of you day by day.

Eu te amo

Eu sei que você está distante
Porém, o meu mundo é tão inóspito.
Nada está de pé no seu caminho,
Eu estou esperando você torná-lo melhor um dia.

Nosso relacionamento tem crescido tão forte,
onde poderíamos ter ido tão errados.
Você estava lá quando eu precisei de você,
Agora estou aqui se você precisar de mim também.

Meu amor por você permanecerá o mesmo,
Nunca vou esquecer o seu nome.
Ao meu lado, você sempre vai ficar,
E pensarei em você dia após dia.


Ilustração: www.paixaoeamor.com

Monday, May 04, 2015

Uma poesia de Luis Palés Matos

EL BESO                                                                                     

Luis Palés Matos 

El champagne de la tarde sedativa
embriagó la montaña y el abismo,
de una sedosidad de misticismo,
y de una opalescencia compasiva.

Hundiste el puñal zarco de tu altiva
mirada en mis adentros, y el lirismo
cundió mi alma de romanticismo:
rodó la gema de la estrofa viva.

Entonces gimió el cisne de mi ansia,
por el remanso lleno de arrogancia
de tus ojos nostálgicos y sabios;

y la dorada abeja del deseo,
en su errante y sutil revoloteo
buscó el clavel sangriento de tus labios.

O beijo

A champanhe da tarde sedativa
Embriagou a montanha e o abismo,
De uma sedosidade de misticismo,
E de uma opalescência compassiva.

Fundiste o punhal claro de tua altiva
Mirada em meu interior, e o lirismo
Inundou minha alma de romantismo:
Despregou a gema da estrofe viva.

Então, gemeu o cisne de minha ânsia,
Pelo remanso pleno de arrogância
De teus olhos nostálgicos e sábios:

E a dourada abelha do desejo veio,
No seu errante e sutil revoluteio
Buscar o cravo sangrento de teus lábios.


Ilustração: www.monacohoteis.com.br

Sunday, May 03, 2015

Uma poesia de Diana Laura






Descending Trousers                          

Diana Laura

Oh, dear,
Oh, my gosh,
I hope that no one saw,
I wish that I could laugh,
But maybe someone saw,
Maybe I should hide,
But, ah, whatever,
I'll just pull my trousers up.

Calças caídas

Oh, querida,
Caramba,
Espero que ninguém tenha visto,
Eu espero que eu possa rir,
Porém, talvez, ninguém viu,
Talvez eu deva esconder,
Porém, ah, sei lá,
Eu só devo puxar as calças para cima.


Ilustração: O Globo

Saturday, May 02, 2015

Uma poesia jocosa de Irwin Mercer

The Man In The Jar                                                 

 

Irwin Mercer

 

I once knew a man who lived in a jar,
for a stranger sight you'd have to go far.
I asked him once, why he lived in a jar,
he grimaced and said, how bizarre you are.

My jar's so cozy, warm and bright,
even in the full moonlight.
The only drawback is you see,
is getting out quickly, when I have to pee.

O homem na jarra

Certa vez conheci um homem que vivia numa jarra,
por uma estranha visão você poderia ir tão longe.
Perguntei-lhe, então, por que vivia em uma jarra,
ele fez uma careta e disse, que bizarro você é.

Minha jarra tão aconchegante, é quente e brilhante,
mesmo à luz da lua cheia.
O único inconveniente que você vê,
é ter de sair rapidamente, quando vou fazer xixi.

Friday, May 01, 2015

Uma poesia de E.E. Cummings

i carry your heart with me                      

e.e. cummings

i carry your heart with me(i carry it in
my heart) i am never without it (anywhere
i go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)
i fear
no fate(for you are my fate,my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart (i carry it in my heart)


Eu levo seu coração comigo

Eu levo seu coração comigo (eu o carrego no
meu coração) nunca estou sem ele (em qualquer lugar
que eu vá, minha querida; e o que é feito
por mim é somente por você, minha querida)
Eu não temo
nenhum destino (pois, você é meu destino, meu doce) eu não espero
nada do mundo (pela  beleza do meu mundo, que é você, minha verdade)
e você é tudo o que a lua sempre significou
e tudo que um sol irá sempre cantar é você

aqui está o segredo mais profundo que ninguém sabe
(aqui está a raiz das raízes e o broto do brotos
e o céu do céus de uma árvore chamada vida; que cresce
mais do que a alma pode esperar ou a mente pode esconder)
e esta é a maravilha que mantém as estrelas separadas

eu levo seu coração (eu o carrego sempre no meu coração)


Ilustração: phsimone.blogspot.com